Codex Ẹlẹ́dàá Mi
Introdução: A compreensão da palavra Ẹlẹ́dàá vem principalmente da tradição espiritual iorubá da África Ocidental.
1.0 - O que significa Ẹlẹ́dàá?
Tradicionalmente a palavra pode ser entendida como:
"O Criador"
"Aquele que cria"
"O Senhor da Criação"
Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, Eledá é o mapa da criação (cosmologia) onde entenderemos o princípio, o momento em que estamos vivendo e nosso destino. A trama da vida, seus caminhos, as encruzilhadas, nossas escolhas e suas consequências, a lei eterna e imutável que rege toda a vida nos nove reinos que se entrecruzam na sagrada existência.
Quando Pai Benedito de Aruanda me explicou a importância do Ẹlẹ́dàá, compreendi que seu significado vai muito além de um mapa simbólico da Criação ou de uma proposta para compreender os mistérios do Universo.
Ele me ensinou que o maior propósito desse estudo é recordar ao ser humano que ele não vive isolado. Somos parte de uma imensa teia da vida. Existimos em profunda relação com todas as formas de existência: com a Terra que nos sustenta, com as águas que nos purificam, com o ar que respiramos, com o fogo que transforma, com os animais, as plantas, os minerais e com todos os reinos da natureza visível e invisível. Nada existe separado. Tudo participa da mesma obra da Criação.
Mas esse reencontro com a natureza é apenas uma parte do caminho.
Pai Benedito também ensinou que o ser humano precisa reencontrar-se com o seu "Eu Divino", a centelha sagrada que habita o mais profundo de seu ser. Foi nesse contexto que ele recordou uma das mais significativas afirmações de Jesus:
"Eu sou."
Mais do que uma expressão, essas palavras representam um chamado ao despertar da consciência. Elas nos convidam a reconhecer quem realmente somos diante de Deus, da vida e da própria Criação.
O Projeto Ẹlẹ́dàá Mi nasce com esse propósito: favorecer esse reencontro interior. Não pretende oferecer respostas prontas nem substituir a caminhada espiritual de ninguém. Seu objetivo é estimular o estudo, a reflexão, a observação e, principalmente, a vivência.
Segundo os ensinamentos recebidos, as maiores verdades que buscamos não estão distantes de nós. Elas encontram-se guardadas no íntimo de cada ser, muitas vezes encobertas pelas sombras do orgulho, do egoísmo, do medo, da intolerância e das ilusões que acumulamos ao longo da vida.
Por isso, o estudo precisa caminhar ao lado da prática.
O ritual de firmeza do Ẹlẹ́dàá não é compreendido apenas como um conjunto de gestos ou símbolos externos. Ele representa um momento de recolhimento, sinceridade e abertura do coração. É um convite para silenciar o excesso de ruídos da mente, fortalecer o vínculo com o Sagrado e permitir que a consciência desperte gradualmente para sua verdadeira natureza.
Cada firmeza torna-se, assim, uma oportunidade de renovação interior. Um exercício de humildade, de autoconhecimento e de integração com a vida.
Nosso desejo é que este projeto possa servir como um instrumento de estudo e crescimento espiritual para todos aqueles que sentirem esse chamado. Que cada participante caminhe com liberdade, responsabilidade e respeito às diversas tradições, lembrando sempre que o conhecimento floresce quando é acompanhado pela humildade.
Que possamos abrir as portas de nossos corações e permitir que a Luz do Criador ilumine aquilo que permanece oculto em nosso interior.
Talvez seja justamente nesse reencontro silencioso com nossa essência que comece a verdadeira compreensão do significado do "Eu Sou".
2.0 - O ritual de firmezas do Ẹlẹ́dàá Mi
Antes de avançarmos para o estudo propriamente dito do Eledá, sugiro visualizar esse vídeo, onde na prática estou realizando esse ritual. Clique no link abaixo:
Vídeo explicativo do ritual do Eledá
Projeto: Ẹlẹ́dàá Mi
Orientação: Espírito de Pai Benedito de Aruanda (Mentor)
Estudo sistemático: Espírito de Pai Joaquim de Angola
Colaboradores: Diversos espíritos
Estudo metódico: Realizado todas as sextas-feiras no cantinho de Pai Benedito de Aruanda (espaço destinado a firmezas e harmonizações na sede do Templo dos Orixás - Japão) e divulgado ao vivo através de LIVE publicada simultaneamente nas plataformas do YouTube e Facebook. Espírito comunicante: Pai Joaquim de Angola. Médium: Pai Luis de Oxalá.
YouTube Templo dos Orixás playlist: Templo dos Orixás - Japāo
3.0 - Estrutura proposta:
Objetivo da obra.
Nossa proposta é bem humilde, a começar pela sinceridade que precisamos ter para com todos que nos acompanham nessa tarefa, pois estaremos discutindo temas que não conhecemos o suficiente para nos posicionarmos na condição de professores, mas como alunos dispostos a aprender humildemente e somarmos, compartilharmos aquilo que temos aprendido em nossa caminhada, conscientes de que ainda há muito a compreender. Nosso objetivo é criar um registro organizado de uma jornada espiritual, dialogando com tradições religiosas, filosofia, história e experiências mediúnicas, sem deixar de indicar a origem de cada informação.
Compromisso com a verdade e o respeito às tradições.
Certos e conscientes de que estaremos discutindo o SAGRADO, o projeto Ẹlẹ́dàá Mi será estruturado como uma obra de estudo, preservação e construção espiritual, e não apenas como um conjunto de anotações. Assim, cada informação terá seu lugar e sua origem claramente identificados. Vamos sempre distinguir revelação espiritual (orientação dos mentores), interpretação pessoal e pesquisa histórica.
Método de estudo.
A base principal de nossos estudos está nos ensinamentos transmitidos pelos mentores espirituais que se comunicam com esse propósito: orientar, esclarecer e ensinar. Nosso compromisso será o de compilar todas essas informações e torná-las públicas. Obviamente, estaremos simultaneamente colhendo, por meio de pesquisas, todas as informações possíveis para enriquecer todo o material de estudo.
Sobre as comunicações espirituais.
As mensagens atribuídas aos mentores espirituais serão sempre identificadas como tais. Elas representam o conteúdo recebido durante os estudos e deverão ser compreendidas dentro desse contexto. As interpretações e comentários dos organizadores serão apresentados separadamente, permitindo ao leitor distinguir claramente entre a comunicação espiritual, a reflexão pessoal e a pesquisa histórica.
Princípio hermenêutico do projeto:
A verdade é ampla demais para ser reduzida à linguagem de um único povo, mas o amor é a chave que permite reconhecer a presença da Verdade onde quer que ela floresça. Cada mestre iluminou um aspecto dessa verdade, convidando a humanidade a amadurecer espiritualmente segundo sua época e sua missão.
Manifesto: Abrimos o início dessa obra com estas três afirmações:
"A verdade não teme o diálogo."
"O amor não substitui os caminhos espirituais da humanidade; ele nos convida a percorrê-los com respeito, discernimento e fraternidade."
"No amor revelado e vivido por Jesus, encontramos uma chave para dialogar com os ensinamentos de todos os mestres da humanidade."
Mensagem de Pai Benedito de Aruanda:
"Filho, um dia nós não mais estaremos discutindo as religiões; todos nós estaremos vivenciando e experienciando, no altar de nossos corações, o Amor."
4.0 - Princípios Doutrinários:
4.1. Respeito absoluto às tradições
Cada religião, filosofia ou escola espiritual será apresentada a partir de suas próprias fontes e de sua própria compreensão.
4.2. Separação entre tradição e interpretação
Sempre deixaremos claro quando estivermos apresentando:
- o ensinamento tradicional;
- estudos acadêmicos;
- interpretações comparativas;
- e, quando houver, as orientações recebidas dos mentores espirituais Pai Benedito de Aruanda (Mentor maior), Pai Joaquim de Angola (Evangelhos e Estudos) e todos os demais, serão sempre identificadas como pertencentes às orientações espirituais que recebi, e não como doutrina universal.
4.3. Honestidade intelectual
Quando houver diferentes interpretações sobre um mesmo tema, elas serão apresentadas com equilíbrio, sem ocultar as divergências.
4.4. O amor como eixo de leitura
Sem negar as diferenças doutrinárias, utilizaremos o Amor como a virtude central para promover o diálogo entre os ensinamentos dos grandes Mestres.
4.5. A verdade como caminho de humildade
Nenhum ser humano possui toda a verdade. Cada mestre iluminou aspectos profundos da realidade, e continuamos aprendendo com eles.
4.6. Conhecimento e experiência caminham juntos
O estudo será acompanhado da vivência espiritual, da ética e da transformação interior, pois conhecer sem viver produz apenas informação.
5.0 - Pirâmide Espiritual
Nota do autor: Essa imagem deve nos inspirar
Imaginemos uma grande montanha.
Em suas encostas existem muitos caminhos: alguns passam por florestas, outros por desertos, outros por rios e vales.
Cada caminho representa uma tradição espiritual que ajudou pessoas a buscar Deus.
Jesus não seria apenas um caminhante em uma dessas trilhas. Na linguagem dos Evangelhos, Ele convida as pessoas a encontrarem o próprio cume, onde o amor a Deus e ao próximo se tornam inseparáveis.
"No Amor revelado por Jesus, encontramos uma chave para dialogar com os ensinamentos dos grandes Mestres da humanidade."
Essa frase expressa muito bem o propósito do Ẹlẹ́dàá Mi: acolher a riqueza das diferentes tradições, distinguindo cuidadosamente entre história, hipótese e experiência espiritual, e reconhecendo em Jesus uma referência central pelo testemunho do amor vivido.
Que Pai Benedito de Aruanda, Pai Joaquim de Angola e todos os Guias espirituais de todas as linhas continuem nos inspirando em nossa caminhada, e que essa inspiração caminhe lado a lado com a pesquisa séria e o respeito às diferentes tradições.
Axé com muita luz e paz em nossos corações e um fraterno abraço a todos quantos possam nos acompanhar nessa estreita e difícil caminhada!
"Toda tradição guarda uma centelha da Verdade; o Amor nos ensina a reconhecê-la."
6.0 - Nossos estudos seguirão em três níveis:
6.1 - Fundamentos — os conceitos centrais, como A Jornada da Manifestação, Axé, Ori, Bara, Orixé, Kalunga e a Sinfonia da Criação.
6.2 - Diálogos — estudos comparativos entre as tradições bacongo, iorubá, cristã, espírita, budista e outras, sempre deixando claro quando se trata de ensinamentos tradicionais e quando se trata da síntese proposta pelo Ẹlẹ́dàá Mi.
6.3 - Representações visuais — os diagramas, símbolos e infográficos que estamos desenvolvendo. Eles têm um grande potencial para comunicar ideias complexas de maneira intuitiva.
"Prólogo"
Bem-vindo à Jornada da Manifestação.
"Este não é um projeto para convencer, mas um convite ao estudo, ao diálogo e à contemplação da Criação."
Aqui, diferentes tradições caminham lado a lado, preservando sua identidade, enquanto nos ajudam a refletir sobre uma mesma pergunta:
Quem somos nós diante do Criador?
7.0 - NA ESCOLA DE PAI BENEDITO DE ARUANDA
A Jornada da Manifestação (partitura da Criação), um mapa completo da visão cosmológica do Projeto Ẹlẹ́dàá.
"Esta é uma proposta filosófica e simbólica desenvolvida no âmbito do projeto Ẹlẹ́dàá Mi. Ela dialoga com diferentes tradições espirituais e com conhecimentos científicos, sem pretender substituir ou representar integralmente qualquer uma delas."
"Tudo o que existe participa da mesma Sinfonia da Criação; cada ser manifesta uma nota única do Axé."
Ẹlẹ́dàá Mi - A PARTITURA DA CRIAÇÃO
Para o Projeto Ẹlẹ́dàá
Ainda não conhecemos todos os ensinamentos específicos de Pai Benedito de Aruanda e de Pai Joaquim de Angola sobre o tema, pois estamos recebendo essas orientações desde o começo do ano de 2024 . Ao recebermos essas informações, estaremos divulgando através da LIVE com Pai Joaquim de Angola e compilando nesse espaço de estudo (Codex Ẹlẹ́dàá Mi) o mais rápido possível. Faremos o mesmo processo que definimos para toda a obra:
Registrar fielmente o ensinamento.
Compreendê-lo dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
Compará-lo com as tradições de Ifá e outras fontes.
Identificar convergências e diferenças.
Integrá-lo, quando apropriado, ao Cosmograma.
Refletir sempre com humildade, reconhecendo os limites do nosso conhecimento e evitando conclusões precipitadas.
Nosso estudo baseia-se integralmente nas orientações de Pai Benedito de Aruanda, trazidas através da mediunidade de Pai Luis de Oxalá e pelo espírito de Pai Joaquim de Angola na série transmitida ao vivo todas as sextas-feiras (LIVE - Ẹlẹ́dàá mi).
Parabéns por chegar até aqui!
Nossa caminhada é movida por um propósito simples e precioso: aprender.
Ainda há muito a descobrir, compreender e refletir. Sigamos juntos pelos próximos caminhos do nosso estudo.
Axé!
7.1 - Cosmologia Filosófica do Ẹlẹ́dàá Mi
Olhando para o índice abaixo descrito, estaremos respondendo às quatro grandes perguntas que todas as cosmologias procuram responder:
- De onde tudo veio? (Origem)
- Como tudo é sustentado? (Estrutura)
- Como a vida se manifesta? (Manifestação)
- Para onde tudo caminha? (Propósito)
Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - "A História da Criação"
(Orientações da Escola de Pai Benedito de Aruanda)
Índice: (Parte I) - "Como tudo começou?"
1. O Mistério Absoluto — O Vazio Cheio.
2. A Primeira Manifestação — O Triângulo Divino.
4. O Reino de Pai Oxalá — A Casa dos Orixás Funfun.
6. Os Quatro Oshás Primordiais.
7. Os Guardiões dos Reinos Naturais.
9. O Homem no Ayê — A Jornada da Liberdade.
Índice: (Parte II) - "Como tudo funciona?"
10. A Primeira Encruzilhada - O Início dos Caminhos da Escolha.
10.1. A Marca de Caim — O Mapa da Criação.
11. A Linha da Kalunga — A Primeira Fronteira.
12. A Organização das Guardas da Kalunga.
12.1. Senhor Pambu Nzila — O General da Primeira Fronteira.
12.2. As Sete Vibrações do Setenário Sagrado.
12.3. Senhor Exu Kahanka — O Guardião da Segunda Fronteira.
12.4. As Oito Bandeiras e as Oito Horas Grandes.
Resumo (Parte I)
Segundo as orientações recebidas na Escola de Pai Benedito de Aruanda e transmitidas por Pai Joaquim de Angola, antes de qualquer manifestação existia o “Vazio Cheio”: tudo era Pai Nzanbi — Pai Criador, a Inteligência que sustenta o Universo. Nada havia adquirido forma, mas toda a criação já existia potencialmente em seu Axé.
A primeira manifestação ocorre através do Triângulo Divino: Ìrókò, a Chama Eterna e a Sabedoria Divina; Orixé, a Luz Primordial que revela o propósito; e Orixalá, manifestação da Vontade e dos Desígnios de Pai Nzanbi, Senhor dos Caminhos da Luz. Não são apresentados como três Divindades independentes, mas como manifestações inseparáveis da Unidade primordial.
Em seguida, surge o Princípio da Dualidade. Yàmí Àgbà Olókun, a Grande Mãe Primordial, representa o ventre gerador de toda a vida e as Águas Primordiais; Babá Àgbà Olórun, o Grande Pai Primordial e Senhor do Òrun, representa a ordem e a arquitetura espiritual. Masculino e feminino não aparecem como forças adversárias, mas como princípios complementares provenientes de uma realidade anterior e una.
Estabelece-se então a Casa dos Orixás Funfun — o Reino de Pai Oxalá, destinada à preparação espiritual das criaturas. Nela encontra-se o Triângulo Sagrado: Oxalá preserva no espírito a certeza de sua origem Divina; Olódùmarè estabelece o Ayê como ambiente de experiência; e Òrúnmìlà guarda os destinos. Olúfã Babá, Oguiã Babá e outros Irúnmọlẹ̀ Funfun participam dessa formação, incluindo Ìbejì, Òṣùmàrè, Exu Mirim e Egúngún em funções específicas.
Depois vem a Magia Divina Elemental, concebida como estrutura de proteção dos Mistérios da Criação. Os Quatro Cantos, confiados aos Quatro Anciões, preservam internamente esses Mistérios; Exu Maioral guarda seus limites externos; e Ungangas e Aungangas cumprem no Ayê funções sacerdotais relacionadas à preservação dos espaços sagrados.
A criação prossegue com os Quatro Oshás Primordiais, entendidos não simplesmente como lugares, mas como realidades espirituais completas: Òṣà Iná, relacionado ao fogo e à transmutação; Òṣà Omi, às águas e à vida; Òṣà Fùrùfù, ao ar, ao movimento e ao sopro vital; e Òṣà Ilẹ̀, à terra, à sustentação e à estabilidade. Neles atuam Orixás e seres Elementais. Esses Oshás constituem os protótipos espirituais que sustentam posteriormente os reinos manifestados no Ayê.
Com o Ayê estruturado, surgem seus primeiros habitantes espirituais: Iwin e Encantados, guardiões dos territórios, da natureza e das diferentes formas de vida. Vinculados aos Oshás e aos respectivos Orixás, conhecem aquilo que a cosmologia denomina Magia Divina Elemental, entendida como conhecimento das Leis da Criação, e não como instrumento de poder pessoal.
Chegamos então à criação do homem. O ser humano é criado como espírito, recebe de Pai Olórun o Èmí — Sopro da Vida — e, diferentemente das demais criaturas descritas, recebe o livre-arbítrio. Sua primeira morada não é o mundo material, mas o Reino dos Elementais, apresentado como a primeira escola da humanidade e interpretado, nessa cosmologia, como aquilo que a narrativa bíblica simbolizou pelo Paraíso. Ali, em estado de pureza, o espírito aprende diretamente com a natureza e com seus Espíritos — os Elementais.
Finalmente começa a Jornada da Liberdade. A saída do Paraíso deixa de ser interpretada como simples punição e passa a representar o amadurecimento do espírito: ele deixa o ambiente protegido para experimentar verdadeiramente suas próprias escolhas. Existem muitos Ayês, ou mundos materiais, adequados aos diferentes estágios evolutivos. A trajetória apresentada passa pelos Mundos Escuros, depois pelos Mundos de Provas — condição em que se encontra a Terra —, até chegar à escolha consciente entre os Mundos de Luz e os Mundos das Trevas.
Assim, toda a Parte I pode ser condensada numa sequência:
Pai Nzanbi → Vazio Cheio → Triângulo Divino → Dualidade → Casa dos Orixás Funfun → Magia Divina Elemental → Oshás Primordiais → Ayê e seus Guardiões → Reino dos Elementais → Criação e preparação do homem → Livre-arbítrio → Mundos Escuros → Mundo de Provas → Escolha entre Luz e Trevas.
E talvez a frase final do próprio texto seja a melhor síntese de toda essa primeira parte:
“O Paraíso não é perdido; ele é conquistado.”
Ela fecha o arco narrativo da Parte I: o espírito começa vivendo a harmonia por inocência; deixa essa condição para conquistar a liberdade; e sua jornada consiste em aprender a escolher conscientemente aquilo que, no princípio, vivia sem ainda compreender plenamente.
É justamente nesse ponto que se abre a Parte II — A Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas.
Se a Parte I procurou responder de onde viemos e por que estamos aqui, a Parte II buscará compreender como Pai Nzanbi organizou espiritualmente este Mundo de Provas para que pudéssemos realizar nossa jornada.
É o que começaremos a descobrir na Parte II.
Continuemos nossa busca através do estudo, a caminho da Verdade.
Axé!
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Resumo (Parte II)
Na Parte II da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, começamos a compreender a Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas.
A primeira família bíblica passa a ser utilizada como linguagem simbólica da condição humana: Adão/Obàtálá e Eva/Odùduwà representam os princípios paterno e materno, enquanto Caim, Abel e Sete revelam diferentes respostas diante da primeira grande Encruzilhada — o momento da escolha.
A partir dela, compreendemos:
Livre-arbítrio → Encruzilhada → Escolha → Lei → Consequência → Aprendizado.
Nesse contexto, Exu é apresentado como expressão da Lei, assegurando que cada escolha encontre suas consequências.
A Marca de Caim passa então a simbolizar o próprio Mapa da Criação, código que revela a arquitetura espiritual do Ayê e as Leis que sustentam a experiência no Mundo de Provas.
Começamos sua leitura de fora para dentro:
Linha da Kalunga
→ Primeira Fronteira, protegida pelos exércitos comandados pelo General Pambu Nzila.
Segunda Fronteira
→ Guardada por Exu Kahanka/Hachimanjin, Senhor dos Exércitos, Guardião das Oito Bandeiras, dos oito portais e das Oito Horas Grandes.
Porteira
→ Guardada pelo Caboclo Sete Raios, representando as sete vibrações do Setenário Sagrado:
Obàtálá — Oxóssi — Xangô — Ogum — Yemojá — Oxum — Yansã.
Dentro dessas sete vibrações atuam falanges espirituais ligadas à proteção da Kalunga, que no interior do Ẹlẹ́dàá se manifestam através das Linhas Protetoras de Ogum de Lei:
Ogum Yara, Ogum Beira-Mar, Ogum Rompe-Mato, Ogum Megê, Ogum Malê, Ogum Nagô e Ogum Naruê.
Assim, começamos a perceber que o Mundo de Provas não está entregue ao acaso: possui fronteiras, Guardiões, portais, exércitos, falanges e Leis destinadas a permitir a provação sem retirar da criatura o direito de escolher.
Se a Parte I respondeu:
“Como tudo começou?”
A Parte II começa agora a revelar:
“Como tudo foi organizado para que pudéssemos escolher, aprender e evoluir?”
Axé!
Pedimos a sua compreensão, pois essa página está sendo desenvolvida na medida em que as orientações nos chegam! Axé fraternal a todos!











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