Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - "A História da Criação"
(Orientações da Escola de Pai Benedito de Aruanda)
Índice:Cosmologia da Nossa Origem"De onde vem, em última instância, aquilo que sou?"
(Parte N) "Nihil" - Nascimento do Universo-Filho
(Parte I) - “Como começa a criação consciente da vida?”
(Parte II) - "Como tudo funciona? - Guardiões do Ayê"
(Parte III) - “A preparação do Ayê por Pai Olodumarê”
(Parte IV) - O Mundo das Provas e da Escolha
(Parte V) - A Organização das Forças Divinas
OS ÌRÚNMỌ̀LẸ̀ (400) E ÌBAMOLÈ (200)A ENCRUZILHADA SAGRADA
Cosmologia da Nossa Origem
Prefácio — "Cosmologia da Nossa Origem"“De onde vem, em última instância, aquilo que sou?”
N.0 — O Vazio Cheio: antes da Grande Mãe Primordial
Antes de iniciarmos a história da Grande Mãe Primordial, precisamos retornar a uma expressão utilizada desde o princípio das orientações transmitidas por Pai Joaquim de Angola:
O Vazio Cheio
Durante muito tempo compreendemos essa expressão apenas como uma imagem relacionada ao princípio de todas as coisas.
As orientações recebidas posteriormente de Pai Benedito de Aruanda, entretanto, permitem-nos agora aprofundar seu significado.
O “Vazio Cheio” não representa simplesmente o nada.
Muito menos um espaço absolutamente vazio.
Ao contrário.
Ele representa uma condição primordial na qual tudo aquilo que poderia vir a manifestar-se já existia potencialmente, mas ainda sem a diferenciação que posteriormente daria origem às realidades que iremos estudar.
Chamamos de “Vazio” porque ainda não encontramos nele as formas, estruturas, mundos e individualidades que posteriormente reconheceremos.
Mas chamamos também de “Cheio” porque não se trata de ausência absoluta.
Existe ali uma totalidade ainda não diferenciada.
Antes da Grande Mãe.
Com as novas orientações recebidas, compreendemos que o “Vazio Cheio” antecede aquilo que posteriormente denominaremos Grande Mãe Primordial.
Isso significa que a Grande Mãe não deve ser entendida como o ponto absolutamente inicial de nossa investigação.
Antes dela encontramos uma condição ainda mais profunda: uma totalidade primordial não diferenciada.
Não sabemos ainda todos os detalhes dessa condição.
Por isso não devemos preenchê-la com conceitos que não nos foram apresentados.
Chamaremos simplesmente esse estágio de Vazio Cheio.
A contração primordial
“Dentro da compreensão que estamos organizando a partir das orientações recebidas, podemos representar simbolicamente essa passagem como uma contração primordial.”
Aquilo que se encontrava na totalidade indiferenciada converge para uma condição de unidade.
Não devemos entender essa imagem necessariamente como uma contração física semelhante ao movimento de matéria dentro do espaço.
Neste estágio, os próprios conceitos de espaço, matéria e tempo, tal como os conhecemos, ainda não são suficientes para descrever aquilo que está sendo apresentado.
A palavra “contração”, portanto, é utilizada como uma imagem para representar a passagem de uma totalidade indiferenciada para uma realidade unificada.
Podemos representar assim:
Vazio Cheio↓Convergência↓Contração primordial↓Unidade↓Grande Mãe Primordial
Assim, aquilo que anteriormente se encontrava em uma condição que chamamos de “Vazio Cheio” passa a constituir uma única Realidade Primordial Geradora.
Essa realidade será denominada Grande Mãe Primordial.
Por que “Vazio” e por que “Cheio”?
A aparente contradição começa agora a fazer sentido.
É Vazio porque ainda não existem, de maneira diferenciada, mundos, formas, corpos, criaturas, individualidades ou Universos-Filhos.
Mas é Cheio porque aquilo que posteriormente poderá manifestar-se encontra-se, de alguma maneira, contido nessa totalidade primordial.
Portanto, Vazio não significa inexistência.
E Cheio não significa matéria acumulada dentro de um espaço.
As duas palavras procuram expressar uma condição que nossa linguagem dificilmente consegue descrever: uma plenitude ainda sem diferenciação.
O nascimento da unidade primordial
Com a contração primordial surge uma nova condição.
“Aquilo que se encontrava em uma condição indiferenciada passa a constituir uma unidade.”
Essa unidade não é ainda Pai Nzambi Mpungu.
Também não é ainda um Universo-Filho.
É aquilo que denominamos Grande Mãe Primordial, a primeira Realidade Geradora que conseguimos reconhecer dentro das orientações recebidas.
É nela que posteriormente identificaremos a presença da força ou princípio primordial denominado Axé.
Aqui precisamos estabelecer um limite importante.
Não afirmamos, neste momento, que o Vazio Cheio seja o próprio Axé.
Também não afirmamos que o Axé tenha sido criado pela contração primordial.
As orientações recebidas até aqui permitem apenas afirmar que, quando encontramos a Grande Mãe Primordial, encontramos nela o Axé.
Sobre a condição do Axé antes desse estágio, ainda não recebemos informações suficientes.
E onde ainda não recebemos orientação, devemos conservar a pergunta aberta.
Duas contrações diferentes
A partir daqui também precisamos distinguir dois acontecimentos que poderão parecer semelhantes.
1 — Contração primordialOcorre antes da Grande Mãe.
Representa a convergência da totalidade indiferenciada do Vazio Cheio para uma condição de unidade:
Vazio Cheio↓Contração primordial↓Grande Mãe
2 — Contração simbólica do AxéOcorre posteriormente, quando já encontramos a Grande Mãe e o Axé.
Está relacionada à autorrelação da potencialidade existente nela e à formação simbólica do Útero Cósmico.
Portanto, não estamos descrevendo duas vezes o mesmo acontecimento.
Estamos falando de dois estágios diferentes da manifestação.
A nova sequência
Compreendemos agora nossa cosmologia da seguinte maneira:
Vazio Cheiototalidade primordial não diferenciada↓Contração primordialconvergência para a unidade↓Grande Mãe PrimordialRealidade Primordial Geradora↓Axéprincípio ou força primordial existente nela↓Potencialidade↓Autorrelação↓Contração simbólica↓Útero Cósmico↓Gestação↓Universos-Filhos↓entre eles: Pai Nzambi Mpungu, o Filho Caçula — nosso Universo-Filho
O Vazio Cheio deixa, assim, de representar um “nada antes da criação”.
Ele passa a representar a plenitude ainda não diferenciada que antecede a Grande Mãe Primordial.
E talvez seja justamente por isso que Pai Joaquim utilizou uma expressão aparentemente contraditória:
Vazio para os olhos que procuram formas.
Cheio para aquele que reconhece a potencialidade da existência.
"É deste ponto que começa nossa Parte N — Nihil, Nascimento do Universo-Filho."
Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - "A História da Criação"
Cosmologia da Nossa Origem
N.0 — O Vazio Cheio: antes da Grande Mãe Primordial
PARTE N (Nihil) - Nascimento do Universo-Filho
N.1 - A História do Nascimento de Pai Nzambi Mpungu
Prefácio — "Árvore de Ancestralidade da Existência"
N.2 — A Grande Mãe Primordial
N.3 — Axé: O princípio primordial
N.4 — O Útero Cósmico
N.5 — O nascimento de Pai Nzambi Mpungu, o Filho Caçula
N.6 — O Universo-Filho
N.7 — Do metafísico ao físico
N.8 — O corpo de Nzambi Mpungu
N.9 — Matéria escura, energia escura e Axé: os limites da comparação
N.10 — Expansão e manifestação
N.11 — Vida, consciência e criação
N.12 — A herança da Grande Mãe
N.13 — Onde termina o "Nihil"
Cosmologia do Ẹlẹ́dàá — Parte I
“Como começa a criação consciente da vida?”
1. Pai Nzambi Mpungu — O Universo-Filho Consciente
“Após a manifestação de Pai Nzambi Mpungu como um dos Universos-Filhos da Grande Mãe Primordial, entramos em uma nova etapa da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá. Até aqui acompanhamos um processo de geração primordial. A partir deste ponto começaremos a acompanhar a criação consciente da vida realizada em nosso Universo-Filho.”
2. A Primeira Manifestação – O Triângulo Divino
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, chega o momento em que Pai Nzanbi manifesta Sua Vontade Criadora.
A primeira manifestação dessa Vontade é descrita por Pai Joaquim como o Triângulo Divino.
“O Triângulo Divino representa a primeira arquitetura através da qual a consciência, a vontade e a intenção de Pai Nzambi Mpungu começam a organizar a criação consciente da vida.”
I – Ìrókò
A Chama Eterna da Sabedoria Divina
No lado esquerdo do Triângulo manifesta-se Ìrókò.
Ìrókò é descrito como a Chama Divina que arde eternamente, preservando e sustentando toda a Sabedoria de Pai Nzanbi.
Essa chama nunca se extingue, pois representa a memória eterna da Origem e a permanência da Verdade Divina em toda a criação.
II – Orixé
A Luz Primordial
No lado direito manifesta-se Orixé.
Orixé é a Luz Eterna, reflexo da Luz primordial de Pai Nzanbi.
É essa luz que revela o propósito da criação, iluminando o caminho pelo qual todas as coisas encontram sua razão de existir.
Ela não apenas ilumina o universo, mas orienta toda manifestação para sua finalidade.
III – Orixalá
A Vontade Divina Manifestada
No vértice superior manifesta-se Orixalá.
Orixalá representa a manifestação da Vontade e dos Desígnios de Pai Nzanbi.
Por meio dele, a criação deixa de ser apenas potencialidade e inicia seu processo de organização.
Ele expressa a Inteligência Criadora que conduz toda a manifestação segundo o propósito estabelecido pelo Criador.
Síntese:
Assim, o Triângulo Divino representa as três primeiras manifestações da criação:
Orixalá — A Vontade Divina.
Ìrókò — Chama Divina, a Sabedoria Eterna e imutável.
Orixé — A Luz Primordial.
Essas três manifestações permanecem inseparáveis, sustentando toda a "arquitetura do universo conscientemente criado por Pai Nzambi".
Observação do autor: Considero importante para fortalecer a coerência filosófica do sistema que estamos procurando compreender nas revelações de Pai Benedito de Aruanda o seguinte:
No primeiro passo, descrevemos o nascimento de Pai Nzanbi (Universo Filho). No segundo passo, essa unidade passa a se manifestar sua vontade em três aspectos fundamentais. Isso lembra a ideia de uma tríade, mas não no sentido de três seres independentes. Pelo que entendemos das revelações de Pai Benedito de Aruanda, seria mais preciso dizer que Ìrókò, Orixé e Orixalá são três manifestações inseparáveis da única Vontade de Pai Nzanbi. Essa nuance é importante porque preserva a unidade do Mistério Absoluto. O Triângulo Divino não fragmenta Pai Nzanbi; ele revela três aspectos primordiais por meio dos quais a criação começa a tornar-se manifesta dentro de um propósito criacional.
3. O Princípio da Dualidade
Após a manifestação do Triângulo Divino, a criação consciente continua seu desdobramento.
Da unidade surge a diversidade.
Da Trindade manifesta-se a complementaridade.
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, é nesse momento que se revela o Princípio da Dualidade, expressão do equilíbrio entre dois grandes aspectos geradores da criação manifestada.
Yàmí Àgbà Olókun
O Grande Princípio Materno da Criação Manifestada
Do lado esquerdo manifesta-se Yàmí Àgbà Olókun, a Grande Ancestral, expressão do Princípio Materno da Criação Manifestada.
Ela representa o Útero Sagrado da Criação, a matriz materna na qual a vida pode ser acolhida, gestada e conduzida à manifestação.
Senhora das Águas Primordiais, representa o princípio receptivo e gerador que acolhe em seu ventre as possibilidades da vida dentro da criação organizada por Pai Nzambi Mpungu.
Sua natureza é nutrir, gestar, proteger e transformar.
"É importante não confundirmos Yàmí Àgbà Olókun com a Grande Mãe Primordial apresentada na Parte N desta Cosmologia".
A "Grande Mãe Primordial" antecede o nascimento dos Universos-Filhos.
Yàmí Àgbà Olókun, por sua vez, manifesta-se já dentro da arquitetura consciente de nosso Universo-Filho, representando o grande princípio materno da criação manifestada.
Babá Àgbà Olórun
O Grande Princípio Paterno da Criação Manifestada
Do lado direito manifesta-se Babá Àgbà Olórun, o Grande Ancestral, expressão do Princípio Paterno da Criação Manifestada.
Senhor do Òrun, representa o Céu Ilimitado, o Mundo Espiritual, a dimensão invisível e o Reino Divino.
É apresentado como Arquiteto e Legislador da criação, estabelecendo a ordem, as leis e a harmonia que sustentam o Universo manifestado.
Sua natureza é orientar, organizar, estruturar e conduzir a criação segundo a Vontade Divina.
A União dos Dois
Yàmí Àgbà Olókun e Babá Àgbà Olórun não representam forças opostas.
São manifestações complementares dentro do mesmo Mistério Divino.
Ela oferece o ventre que acolhe e gesta.
Ele estabelece a ordem que orienta.
Ela representa o princípio gerador e receptivo da vida.
Ele representa o princípio ordenador que conduz essa vida segundo o propósito da criação.
Na complementaridade desses dois princípios, a criação encontra equilíbrio, continuidade e direção.
Nota do autor:
Há aqui uma observação filosófica que considero muito importante para compreendermos a arquitetura que está sendo apresentada.
A sequência revela uma organização progressiva:
Pai Nzambi Mpungu
→ a Unidade consciente de nosso Universo-Filho.
Triângulo Divino
→ Sabedoria, Luz e Vontade manifestadas através de Ìrókò, Orixé e Orixalá.
Princípio da Dualidade
→ os grandes aspectos complementares Materno e Paterno da criação manifestada.
Assim, o sistema não começa diretamente pela divisão entre masculino e feminino.
Antes da Dualidade encontramos uma Unidade consciente e, a partir dela, o Triângulo Divino.
Somente depois surgem os princípios complementares representados por Yàmí Àgbà Olókun e Babá Àgbà Olórun.
A Dualidade, portanto, não constitui a origem absoluta da criação.
Ela representa um novo estágio de organização dentro da criação consciente realizada em nosso Universo-Filho.
Podemos resumir essa sequência da seguinte maneira:
↓
Triângulo Divino
↓
Princípio da Dualidade
Organização da criação consciente
Existe ainda outro triângulo que precisamos considerar dentro da Ritualística de Abertura do Ẹlẹ́dàá.
Pai Joaquim de Angola o denomina Triângulo Celestial.
Ele é formado por:
Pai Nzambi Mpungu
Babá Àgbà Olórun
Yàmí Àgbà Olókun
Este Triângulo Celestial não deve ser confundido com o Triângulo Divino formado por Ìrókò, Orixé e Orixalá.
Os dois representam estruturas distintas dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
O Triângulo Divino está relacionado à primeira arquitetura pela qual a consciência, a vontade e a intenção de Pai Nzambi Mpungu começam a organizar a criação consciente.
O Triângulo Celestial, por sua vez, possui importância especial dentro da Ritualística de Abertura do Ẹlẹ́dàá Mi.
Durante esse ritual, buscamos abrir nossa coroa mediúnica e estabelecer conscientemente nossa ligação com os diferentes elos sagrados da existência representados no mapa do Ẹlẹ́dàá.
Nesse contexto, o Triângulo Celestial estabelece uma ligação simbólica entre:
Pai Nzambi Mpungu
→ nosso Universo-Filho e origem da criação consciente da vida em nosso Universo.
Babá Àgbà Olórun
→ o Princípio Paterno e ordenador do Òrun.
Yàmí Àgbà Olókun
→ o Princípio Materno e gerador da criação manifestada.
Podemos representar:
Pai Nzambi Mpungu
↓
Babá Àgbà Olórun ← TRIÂNGULO CELESTIAL → Yàmí Àgbà Olókun
Nesse momento ritualístico, não estamos apenas recordando conceitos cosmológicos.
Estamos procurando reconhecer nossa ligação com a própria arquitetura sagrada da existência.
A abertura da coroa mediúnica torna-se, assim, um gesto de religação.
Religação com nossa origem.
Religação com o Universo-Filho ao qual pertencemos.
Religação com o Òrun.
Religação com o princípio materno da criação.
E, progressivamente, religação com todos os demais elos sagrados representados no Ritual de Firmezas do Ẹlẹ́dàá Mi.
Por isso, podemos compreender o Triângulo Celestial como uma das primeiras grandes estruturas de conexão utilizadas na abertura ritualística do Ẹlẹ́dàá.
Ele recorda ao praticante que sua existência não está isolada.
Somos parte de uma arquitetura maior.
E o ritual procura justamente restabelecer, de maneira consciente, nossa ligação com essa Teia Sagrada da Vida. Axé!
Vídeo explicativo do ritual do Eledá
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4. O Reino de Pai Oxalá
A Casa dos Orixás Funfun
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após a manifestação da Unidade, da Trindade e da Dualidade, inicia-se uma nova etapa da criação.
Antes que os espíritos ingressem plenamente na experiência do universo manifestado, Pai Nzanbi estabelece um Reino destinado à preparação de cada criatura.
Esse Reino é conhecido como A Casa dos Orixás Funfun, ou O Reino de Pai Oxalá.
Pai Joaquim explica que essa Casa pode ser compreendida pela imagem de uma família amorosa que se prepara para receber seus filhos.
Antes mesmo do nascimento de uma criança, os pais organizam toda a estrutura necessária para sua vida.
Preparam o quarto.
Montam o berço.
Providenciam quem cuidará da criança.
Planejam sua educação.
Escolhem os caminhos para seu desenvolvimento intelectual, moral, filosófico e espiritual.
Nada é deixado ao acaso.
Da mesma maneira, antes da manifestação plena da vida, Pai Nzanbi estabelece uma estrutura sagrada destinada ao crescimento de cada espírito.
É nesse Reino que todo o planejamento divino da evolução é preparado.
O Triângulo Sagrado
No interior da Casa dos Orixás, Funfun manifesta-se um novo triângulo, denominado por Pai Joaquim de Angola como O Triângulo Sagrado.
Enquanto o primeiro Triângulo Divino revela os princípios universais da criação, este segundo triângulo revela os princípios da formação espiritual das criaturas.
Ele é composto por três grandes Mistérios.
Orixá Oxalá
O Pai da Certeza
Oxalá representa a certeza da origem divina.
“Oxalá mantém viva, no mais profundo do espírito, a certeza de sua origem Divina (Eu Divino).”
Mesmo quando essa consciência permanece adormecida durante a caminhada evolutiva, ela jamais desaparece.
É essa certeza interior que Pai Joaquim identifica como a verdadeira Fé.
A fé, portanto, não é apenas uma crença.
É a memória silenciosa da nossa origem divina.
Olódùmarè
O Arquiteto da Experiência
Olódùmarè estabelece o Ayé.
O mundo manifestado.
O ambiente onde os espíritos poderão amadurecer.
Pai Joaquim compara esse mundo ao espaço externo da casa dos pais.
É nele que aprendemos.
Erramos.
Construímos.
Experimentamos.
Crescemos.
O Ayé torna-se, assim, a grande escola da evolução.
Òrúnmìlà
O Guardião dos Destinos
Òrúnmìlà guarda os destinos.
Nele repousam os propósitos para os quais cada espírito foi criado.
Seu Mistério orienta a caminhada evolutiva para que cada criatura encontre o caminho que conduz ao cumprimento de sua missão.
Os Guardiões da Formação
Além do Triângulo Sagrado, Pai Joaquim descreve outros Mistérios pertencentes à Casa dos Orixás Funfun.
Cada um participa da formação integral dos espíritos.
Olúfã Babá
Guardião da Sabedoria.
Representa o conhecimento adquirido ao longo do tempo e das inúmeras experiências da existência.
Oguiã Babá
Guardião da Força.
Concede coragem, disciplina e perseverança para enfrentar as lutas necessárias ao desenvolvimento espiritual.
Os Irúnmọlẹ̀ Funfun
Os Irúnmọlẹ̀ Funfun atuam como auxiliares da formação das criaturas.
Entre eles, Pai Joaquim destaca:
Ìbejì
Guardião do coração.
Mantém viva a pureza, a alegria e a capacidade de amar.
Está sempre pronto a socorrer quando o espírito necessita de consolo e renovação.
Òṣùmàrè
Guardião das forças geradoras da vida.
Zela pelo equilíbrio das energias criativas e sexuais, compreendidas como expressão do poder da continuidade da criação.
Exu Mirim
Guardião da mente.
Auxilia na formação do pensamento, do discernimento e da responsabilidade pelas próprias escolhas.
Egúngún
Guardião das travessias.
Acompanha todas as passagens da existência, preservando a ligação entre os ancestrais do Ẹgbẹ́ Òrun e aqueles que vivem no Ayé.
Mantém vivo o auxílio mútuo entre os dois planos durante toda a caminhada evolutiva.
Síntese:
A Casa dos Orixás Funfun representa o grande centro de preparação da vida.
Nela, cada espírito recebe os princípios, os recursos e o acompanhamento necessários para iniciar sua jornada no Ayé.
Nada é fruto do acaso.
Tudo é cuidadosamente preparado para que cada criatura possa crescer em sabedoria, responsabilidade e consciência, retornando, ao final de sua caminhada, à Fonte Divina.
Na analogia da "casa dos pais". A cosmologia explicada por Pai Joaquim de Angola, fica acessível sem perder sua profundidade. Façamos, porém, uma distinção conceitual para fortalecer a estrutura do Codex:
- Triângulo Divino → explica como o universo começa a existir.
- Triângulo Sagrado → explica como os espíritos são preparados para viver nesse universo.
Essa diferença nos ajudará a compreendermos que um triângulo trata da arquitetura da criação, enquanto o outro trata da arquitetura da formação espiritual. Essa organização deixa a narrativa ainda mais clara, eu acredito.
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5. A Magia Divina Elemental
A Proteção dos Mistérios da Criação
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após serem estabelecidos o programa da vida, a formação dos espíritos e toda a estrutura necessária para sua evolução, torna-se necessário assegurar que os Mistérios da Criação permaneçam preservados.
A Sabedoria Divina não pode ser entregue de forma indiscriminada.
Ela deve ser protegida, guardada e revelada progressivamente, conforme o amadurecimento das criaturas.
Esse princípio encontra paralelo nas palavras de Jesus quando ensina que os mistérios do Reino de Deus seriam compreendidos pouco a pouco, à medida que o coração humano estivesse preparado para recebê-los.
Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, essa proteção recebe o nome de Magia Divina Elemental.
Ela representa a arquitetura espiritual criada para preservar o equilíbrio, a ordem e a integridade da própria criação.
Os Quatro Cantos
Pai Joaquim descreve que, no Reino de Pai Oxalá, os Mistérios da Criação são organizados dentro de uma estrutura espiritual denominada Os Quatro Cantos.
Esses quatro pilares representam os fundamentos sobre os quais repousa toda a arquitetura espiritual do universo.
Seu objetivo não é ocultar o conhecimento, mas preservá-lo até que cada espírito esteja preparado para compreendê-lo corretamente.
Os Quatro Anciões
Cada um desses Quatro Cantos é confiado a um grande Guardião, chamado por Pai Joaquim de Os Quatro Anciões.
Esses Anciões são responsáveis por:
- preservar a Sabedoria Divina;
- manter a ordem espiritual da criação;
- proteger os Mistérios Sagrados;
- assegurar que tudo permaneça em perfeita harmonia com a Vontade de Pai Nzanbi.
Seu trabalho acontece no plano espiritual, sustentando a estrutura invisível da criação.
Exu Maioral
Na parte externa dessa arquitetura manifesta-se Exu Maioral.
Segundo Pai Joaquim de Angola, Exu Maioral é o grande Guardião dos limites sagrados.
Seu Mistério protege os acessos àquilo que foi consagrado por Pai Nzanbi.
Por essa razão, é chamado de:
Pai de todos os Exus Kimbandeiros.
Sua função não é apenas guardar, mas também manter a disciplina espiritual necessária para que os Mistérios sejam preservados.
Nenhuma força atravessa esses limites sem a devida autorização.
Ungangas (ou Ngangas) e Aungangas (ou Anhangás)
No Ayé, essa proteção manifesta-se por meio dos sacerdotes guardiões.
Pai Joaquim denomina:
- Ungangas — sacerdotes masculinos.
- Aungangas — sacerdotisas femininas.
Sua missão consiste em preservar a sacralidade dos ambientes dedicados ao culto, ao ensino e ao desenvolvimento espiritual.
São eles os responsáveis por zelar pelos templos, pelos altares e pelos espaços consagrados, mantendo-os harmonizados com a arquitetura espiritual sustentada por Exu Maioral.
Assim, o que é protegido no plano invisível encontra sua correspondência no mundo material.
Síntese:
A Magia Divina Elemental representa o sistema de proteção da criação.
Nada do que pertence ao Sagrado permanece sem guarda.
Os Quatro Anciões preservam a estrutura interna dos Mistérios.
Exu Maioral protege seus limites.
Ungangas e Aungangas tornam essa proteção visível no Ayé, zelando pelos templos e pelos espaços consagrados.
Dessa forma, a Sabedoria Divina permanece acessível, mas sempre revelada segundo o amadurecimento espiritual de cada criatura.
Arquitetura do Codex. Até agora, cada etapa responde a uma pergunta fundamental:
- Como tudo existia? → O Vazio Cheio.
- Como tudo começou? → O Triângulo Divino.
- Como a vida passou a existir? → O Princípio da Dualidade.
- Como os espíritos são preparados? → O Reino de Pai Oxalá.
- Como tudo isso é protegido? → A Magia Divina Elemental.
Essa progressão torna a cosmologia muito fácil de acompanhar. Podemos perceber que cada capítulo resolve uma questão essencial da criação antes de avançar para a seguinte. Ela cria uma narrativa contínua, quase como uma grande história da origem do universo segundo a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
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6. Os Quatro Oshás Primordiais
A Fundação da Vida
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após serem estabelecidos os princípios da criação, a preparação dos espíritos e a proteção dos Mistérios Divinos, inicia-se uma nova etapa da Obra Criadora.
Chega o momento de preparar os primeiros ambientes onde a vida poderá manifestar-se.
Antes mesmo da criação do Ayê, Pai Nzanbi estabelece quatro grandes Oshás Primordiais, realidades espirituais perfeitas que servirão de fundamento para toda a criação futura.
Esses Oshás existem em estado de absoluta harmonia e constituem a matriz original da vida.
O que é um Oshá?
Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, Oshá não significa apenas um Reino espiritual.
Segundo Pai Joaquim de Angola, um Oshá representa a totalidade de tudo aquilo que pertence a um determinado domínio da criação.
Cada Oshá reúne:
- as Leis Divinas que o organizam;
- os Mistérios nele manifestados;
- os Orixás que o regem;
- os Seres Elementais que nele habitam;
- suas forças, características e propriedades;
- toda a inteligência espiritual responsável por sua manutenção.
Assim, um Oshá não é apenas um lugar.
É uma realidade espiritual completa.
Òṣà Iná
O Oshá das Chamas da Transmutação
Representa toda a realidade espiritual relacionada ao Mistério do Fogo Divino.
Seu princípio fundamental é a transmutação.
Nele manifestam-se as forças responsáveis pela purificação, renovação e aperfeiçoamento contínuo da criação.
Esse Oshá é regido por:
Orixá Egunitá
Senhora das Chamas Divinas (transmutação).
Seu fogo não destrói por destruir.
Ele purifica, transforma e conduz toda criatura ao aperfeiçoamento espiritual.
Nesse Oshá vivem os Elementais do Fogo, seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios da transmutação, podemos chamá-los de Salamandras.
Òṣà Omi
O Oshá das Águas
Representa toda a realidade espiritual das Águas Primordiais.
É o Oshá onde a vida encontra sua origem, continuidade e renovação.
Nele manifestam-se quatro grandes Mistérios Divinos.
Mãe Yemọjá
Senhora das águas agitadas.
Mistério da maternidade, da proteção e do movimento da vida.
Nesse Oshá das águas agitadas vivem as Ondinas, Sereias, seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios das águas e sua força.
Mãe Òṣun
Mistério da força das águas.
Expressa o amor, a fertilidade, a prosperidade e a beleza da criação.
Nesse Oshá, onde a água tem a sua força, lembremos as cachoeiras como exemplo para melhor compreendermos. Também vivem as Ondinas, Sereias, seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios das águas.
Mãe Nàná
Mistério da decantação.
Conduz o amadurecimento, a transformação lenta e a preparação para novos ciclos.
Pai Olókun
Senhor dos abismos dos oceanos.
Representa a profundidade dos Mistérios da Vida e da Consciência Primordial.
Os Elementais das Águas cooperam com esses Mistérios, preservando o equilíbrio e a continuidade da vida.
Òṣà Fùrùfù
O Oshá do Sopro da Vida
Representa toda a realidade espiritual do Ar.
Seu princípio fundamental é o movimento.
É o Oshá da comunicação, da inspiração, da circulação das energias e do sopro vital.
Seu mistério é regido por:
Mãe Yansã
Senhora do Sopro da Vida.
Move os ventos que levam e trazem.
Conduz as mudanças, as transformações e o dinamismo permanente da criação.
Os Elementais do Ar preservam o equilíbrio dos movimentos e da circulação das energias em todo o universo. Podemos chamá-los de Silfos.
Òṣà Ilẹ̀
O Oshá da Terra
Representa toda a realidade espiritual da sustentação e da estabilidade.
É o Oshá onde repousam os fundamentos da forma e da permanência.
Nele manifestam-se dois grandes Mistérios.
Mãe Onilé
Senhora da superfície da Terra.
Representa a fertilidade, o acolhimento e o sustento da vida. Pai Benedito de Aruanda nos diz que a terra tem vida, então podemos considerar que literalmente Nossa Mãe Onilé é uma Mãe viva que nos abriga a todos em seu próprio corpo.
Pai Aganjú
Senhor do interior da Terra.
Representa as forças profundas da estrutura planetária, da resistência e da estabilidade da criação. Pai Benedito de Aruanda nos diz que Aganjú pode ser considerado como os orgãos interiores da Mãe Terra Onilé.
Os Elementais da Terra preservam permanentemente a ordem e o equilíbrio desse Oshá, seja na superfície ou no interior.
Os Seres Elementais
Cada Oshá torna-se o lar de uma ordem específica de seres espirituais.
Pai Joaquim denomina esses seres de Elementais.
Os Elementais possuem:
- individualidade;
- inteligência;
- sabedoria;
- Consciência de sua missão.
Não são simples manifestações energéticas. Embora também existam os seres puramente energéticos, que chamamos de Elementares, não vamos confundir com Elementais que se referem a esse capítulo.
São criaturas espirituais conscientes, criadas para cooperar com os Mistérios Divinos presentes em cada Oshá.
Sua missão consiste em preservar, harmonizar e manter o perfeito funcionamento da realidade espiritual à qual pertencem.
Os Oshás Primordiais
Os quatro Oshás permanecem em estado de absoluta pureza.
Existem em uma dimensão própria.
Embora coexistam com o universo material, pertencem a uma realidade espiritual distinta.
Pai Joaquim explica que esses Oshás permanecem intimamente ligados ao Ayê.
Sem eles, o mundo material não poderia existir.
Toda manifestação da natureza encontra nesses Oshás sua causa espiritual mais profunda.
O Protótipo da Criação Material
Os quatro Oshás tornam-se o modelo original daquilo que mais tarde será conhecido, no Ayê, como:
- Reino Mineral;
- Reino Vegetal;
- Reino Animal;
- Reino Humano ou Hominal.
Esses reinos materiais não reproduzem integralmente a perfeição dos Oshás.
São adaptações destinadas ao processo evolutivo vivido na matéria.
A Criação do Ayê
Após estabelecer os quatro Oshás Primordiais, Pai Joaquim ensina que o próximo grande passo da criação será confiado a Olódùmarè.
Compete a Ele estruturar o Ayê, o plano físico ou o plano da matéria.
O Ayê não constitui uma cópia perfeita dos Oshás Primordiais.
É uma manifestação dimensional adaptada às limitações da matéria e dos seres que vão habitá-los.
Nele, os espíritos experimentarão o tempo, o espaço, as escolhas, os desafios e o amadurecimento.
Se os Oshás representam a perfeição da origem, o Ayê torna-se a grande escola da evolução.
Síntese:
Os quatro Oshás Primordiais constituem a fundação invisível da criação.
Cada Oshá é uma realidade espiritual completa, reunindo Leis Divinas, Mistérios, Orixás, Seres Elementais, forças e inteligências que atuam em perfeita harmonia.
São eles que sustentam toda a arquitetura espiritual da vida e servem de modelo para a futura criação do Ayê.
Nota do autor: Ocorreu-me uma analogia que pode ajudar o leitor a compreender esse conceito sem empobrecê-lo: um Oshá seria como um "ecossistema espiritual". Assim como um ecossistema reúne ambiente, leis naturais, seres vivos e relações que formam uma unidade, um Oshá reúne o domínio espiritual, seus Mistérios, Orixás, Elementais e princípios de funcionamento em uma única realidade integrada. Essa comparação pode ser útil como recurso didático, deixando claro que se trata apenas de uma analogia e não da definição propriamente dita. Isso é importante para nós entendermos.
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7. Os Guardiões dos Reinos Naturais
Os Primeiros Habitantes do Ayê
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após a estruturação do Ayê por Olódùmarè, inicia-se uma nova etapa da criação.
Antes do surgimento da humanidade, Pai Nzanbi prepara aqueles que terão a missão de preservar o equilíbrio da natureza.
São criados espíritos especialmente destinados a cuidar dos territórios sagrados do mundo físico, assegurando que a vida permaneça em harmonia com os Mistérios Divinos presentes nos Oshás Primordiais.
Esses seres constituem os primeiros habitantes espirituais do Ayê.
Os Iwin
Entre os primeiros espíritos criados para essa missão encontram-se os Iwin.
Pai Joaquim de Angola ensina que sua missão consiste em guardar os territórios considerados sagrados na natureza.
Não exercem domínio sobre a criação.
São guardiões.
Preservam a ordem, a harmonia e os Mistérios confiados por Pai Nzanbi.
Sua atuação concentra-se principalmente em dois grandes domínios naturais:
- o Reino das Águas;
- o Reino das Matas.
Embora distintos, esses dois reinos trabalham em perfeita cooperação, sustentando o equilíbrio da vida no Ayê.
Os Iwin conhecem profundamente os mistérios da natureza e zelam para que permaneçam preservados.
Os Encantados
Juntamente com os Iwin, manifestam-se outros espíritos conhecidos como Encantados.
Sua missão consiste em proteger toda a vida presente nos Reinos Naturais.
Enquanto os Iwin guardam os territórios sagrados, os Encantados atuam diretamente na preservação das inúmeras formas de vida que neles habitam.
Sua presença assegura que a natureza continue expressando os propósitos estabelecidos por Pai Nzanbi desde a origem da criação.
Sua ligação com os Oshás
Cada Iwin e cada Encantado encontra-se vinculado a um dos Oshás Primordiais.
Essa ligação determina sua natureza, suas responsabilidades e os Mistérios Divinos com os quais cooperam.
Assim, cada um atua em perfeita sintonia com o Orixá regente do Oshá ao qual pertence.
Essa unidade garante que todas as forças da criação permaneçam integradas, desde os Reinos Espirituais Primordiais até sua manifestação no Ayê.
Os Primeiros Habitantes do Mundo Material (Ayê)
Pai Joaquim explica que os Iwin e os Encantados são os primeiros espíritos destinados a habitar o Ayê.
Muito antes da humanidade, já cumpriam sua missão de preservar o equilíbrio dos ambientes naturais.
Por conhecerem profundamente os Mistérios da criação, dominam naturalmente aquilo que Pai Joaquim denomina Magia Divina Elemental.
Essa magia não representa poder pessoal nem instrumento de domínio.
É a expressão do conhecimento das Leis Divinas que regem a natureza.
Por meio dela, cumprem suas responsabilidades de proteção, equilíbrio e conservação da vida.
Os Guardiões da Natureza
Os Reinos Mineral, Vegetal e Animal permanecem sob constante cuidado desses espíritos.
Nada existe de forma isolada.
Toda montanha.
Toda floresta.
Todo rio.
Toda nascente.
Toda espécie.
Possui guardiões responsáveis por preservar sua integridade e seu propósito dentro da Obra Criadora.
Assim, a natureza manifesta-se como um grande templo vivo, sustentado por inteligências espirituais que cooperam silenciosamente para manter o equilíbrio da criação.
Síntese:
Os Iwin e os Encantados representam a primeira presença espiritual no Ayê.
Criados antes da humanidade, tornam-se os guardiões dos Reinos Naturais e dos territórios sagrados.
Em profunda sintonia com os Oshás Primordiais e seus respectivos Orixás, utilizam a Magia Divina como expressão das Leis da Criação, preservando o equilíbrio, a vida e os Mistérios da natureza para todas as gerações.
Nota do autor: Considero muito importante para a compreensão da arquitetura da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá observarmos o seguinte:.
Até agora, a narrativa de Pai Joaquim de Angola segue uma ordem natural, que nos faz compreender a sabedoria Divina:
- 1–6: preparação do universo.
- 7: preparação do mundo natural (Elemental).
- 8 (a próxima): preparação para a criação da humanidade.
Essa divisão cria três grandes fases:
- Cosmologia da Criação (origem do universo).
- Cosmologia da Natureza (origem e organização do Ayê e de seus guardiões).
- Cosmologia Humana (origem da raça humana, de onde viemos, seu propósito e sua evolução).
Pai Benedito de Aruanda escolheu essa sequência de estudo trazida por Pai Joaquim de Angola, para que o nosso Codex Ẹlẹ́dàá, forme uma estrutura muito clara e fácil de acompanhar. Ela organiza a narrativa em grandes blocos temáticos, sem perder a continuidade cronológica da criação.
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8. A Criação do Homem
O Início da Jornada Humana (primeira escola)
Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, transmitidas por Pai Joaquim de Angola, após a criação do Ayê por Olódùmarè, o mundo material encontrava-se plenamente estruturado.
Os reinos Mineral, Vegetal e Animal já existiam, assim como os Espíritos da Natureza encarregados de sua preservação.
Entretanto, a humanidade ainda não havia iniciado sua jornada.
Antes de ingressar no Ayê, o homem seria preparado em outro domínio da criação.
O Reino dos Espíritos da Natureza
Além do Ayê, Pai Benedito revela a existência de um domínio espiritual denominado Reino dos Elementais.
Esse Reino não corresponde ao plano físico.
É um mundo paralelo, preservado em sua pureza original.
Nele habitam inúmeras ordens de espíritos responsáveis pela sustentação da natureza.
Pai Benedito chama esses espíritos de ESPÍRITOS DA NATUREZA.
Entre eles encontram-se:
- os Ébórá, que podem ser: Encantados, Iluminados e Divinizados;
- os Iwin (protetores, guardiões);
- os Ajá (curandeiros);
- os Gnomos (trabalhadores da terra);
- as Fadas (responsáveis pela vegetação);
- os Silfos (ventos, correntes de ar);
- as ondinas (águas, tanto dos mares como dos rios);
- as Salamandras (fogo);
E muitas outras ordens espirituais cuja missão consiste em cooperar com os Orixás na preservação da criação.
Cada grupo atua em sintonia com um dos Oshás Primordiais e com o Orixá correspondente, recebendo deles o Axé necessário para cumprir sua missão.
A Criação do Homem
Diferentemente das demais criaturas, o homem é criado com uma característica singular.
Recebe o livre-arbítrio.
Não nasce moralmente perfeito nem inclinado ao mal.
É criado em condição de neutralidade, possuindo a liberdade de escolher o caminho que seguirá durante sua evolução.
Essa liberdade constitui o fundamento de todo o seu aprendizado espiritual.
O Sopro da Vida - ẹ̀mí (emi-princípio vital)
Inicialmente, o homem manifesta-se como espírito.
É Olódùmarè (portador do título de Elémí “Senhor/Proprietário do Ẹ̀mí”) quem lhe concede o Èmí, o Sopro da Vida.
“Ẹ̀mí não representa a criação da consciência individual. O espírito já possui sua individualidade. Ẹ̀mí é o princípio vital que anima o recipiente corporal, permitindo que o espírito nele se manifeste e realize sua experiência.”
O Reino dos Elementais
Segundo Pai Benedito, o primeiro ambiente habitado pelo homem não é o Ayê.
Sua primeira morada é o Reino dos Elementais.
Esse Reino corresponde ao estado primordial da criação.
Na compreensão da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, é esse ambiente que a tradição bíblica descreve simbolicamente como o Paraíso.
Não se trata do mundo material.
É um domínio espiritual onde a criação permanece íntegra, equilibrada e plenamente harmonizada.
A Harmonia Original
No Reino dos Elementais, toda a criação manifesta sua condição primordial.
Os reinos mineral, vegetal e animal coexistem em perfeita harmonia.
Os Espíritos da natureza convivem naturalmente com todas as formas de vida.
Não existem desequilíbrios.
Não há violência.
Não existem fenômenos destrutivos.
A criação expressa integralmente a ordem estabelecida por Pai Nzanbi.
Pai Benedito descreve esse estado afirmando que toda a natureza comunica-se livremente.
Os animais.
As plantas.
Os Elementais.
E até mesmo a própria Terra manifesta sua consciência.
Toda a criação participa de uma única comunhão de vida.
A Primeira Escola da Humanidade
É nesse Reino que o homem inicia seu aprendizado.
Antes de conhecer os desafios do Ayê, convive com os Elementais e com todos os Espíritos da natureza.
Aprende diretamente com a natureza em seu estado puro.
Conhece os Mistérios da criação sem conflito, sofrimento ou separação.
Sua formação acontece por meio da convivência com a própria vida.
A Preparação para o Ayê
Somente após esse período de formação é que o homem estará preparado para ingressar no Ayê.
Ali encontrará uma realidade diferente.
No mundo material, o aprendizado ocorrerá por meio das escolhas (Encruzilhadas), das consequências (Lei), do tempo e da experiência.
O Reino dos Elementais representa, portanto, a primeira escola da humanidade.
O Ayê tornar-se-á sua segunda grande escola.
Síntese:
Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, o homem não inicia sua existência no Ayê.
Sua primeira morada é o Reino dos Elementais, um domínio espiritual onde toda a criação permanece em estado de perfeita harmonia.
É nesse ambiente que o espírito humano recebe sua formação inicial, convivendo com os Espíritos da Natureza, os Elementais e toda a natureza antes de iniciar sua jornada evolutiva no mundo material.
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9. O Homem no Ayê
A Jornada da Liberdade
Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, transmitidas por Pai Joaquim de Angola, a narrativa bíblica da tentação da serpente e da expulsão do Paraíso deve ser compreendida em linguagem simbólica.
Ela não descreve apenas um acontecimento isolado.
Representa o início da jornada evolutiva da criatura em direção ao pleno exercício de sua liberdade.
Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, o chamado "Paraíso" corresponde ao Reino dos Elementais, onde o espírito inicia sua existência em estado de pureza, convivendo com os Espíritos da Natureza e aprendendo diretamente com a criação em perfeita harmonia.
A saída desse Reino não representa uma punição.
Representa o início de uma nova etapa da evolução.
A Evolução do Espírito
Pai Benedito compara o desenvolvimento espiritual ao crescimento de um ser humano.
Assim como a vida corporal atravessa diferentes fases, também o espírito percorre sucessivas etapas de amadurecimento.
Essas etapas podem ser compreendidas simbolicamente como:
- Infância — aprendizado, pureza e dependência.
- Adolescência — descobertas, escolhas e transformações.
- Vida adulta — responsabilidade, consolidação e amadurecimento.
- Velhice — sabedoria, síntese e preparação para novos ciclos.
Da mesma maneira, a evolução espiritual acontece progressivamente.
Cada etapa prepara a seguinte.
A Infância Espiritual
A primeira etapa acontece no Reino dos Elementais.
Ali o espírito vive em estado de pureza.
Aprende diretamente com os Espíritos da Natureza.
Conhece os Mistérios da criação em sua forma original.
Nesse estágio, ainda não experimenta plenamente as consequências do livre-arbítrio.
Assim como uma criança é acompanhada por seus pais, o espírito permanece protegido enquanto desenvolve suas primeiras compreensões da vida.
O Início das Escolhas
Chega, porém, o momento em que o espírito precisa experimentar sua própria liberdade.
É nesse ponto que começa aquilo que a narrativa bíblica representa simbolicamente pela saída do Paraíso.
Segundo Pai Benedito, não se trata de uma expulsão motivada pela ira Divina.
É uma passagem natural do processo educativo da criação.
O espírito deixa o ambiente protegido para iniciar sua própria experiência.
Os Muitos Ayê
Pai Benedito ensina que não existe apenas um Ayê no Universo de Pai Nzanbi.
Existem inúmeros mundos materiais, destinados aos diferentes níveis de desenvolvimento espiritual.
Cada espírito habita aquele mundo mais adequado às suas necessidades evolutivas.
Assim, a criação oferece múltiplos ambientes de aprendizado, todos subordinados às Leis Divinas.
Os Mundos Escuros
A primeira experiência da criatura nos mundos da matéria ocorre naquilo que Pai Benedito denomina Mundos Escuros.
Essa expressão não significa ausência da presença Divina.
Refere-se ao fato de que, nesses mundos, o espírito ainda vive predominantemente identificado com suas limitações, seus conflitos e sua ignorância espiritual.
É nesse ambiente que o livre-arbítrio começa a ser exercido de maneira efetiva.
Ali o espírito aprende por meio das consequências de suas próprias escolhas.
Os Mundos de Provas
Após percorrer os Mundos Escuros, o espírito continua sua caminhada.
Passa então a habitar os Mundos de Provas.
Segundo Pai Benedito, é nessa categoria que se encontra o planeta Terra.
Aqui, o espírito já possui maior consciência de suas responsabilidades.
Entretanto, continua sendo chamado a decidir, inúmeras vezes (sucessivas reencarnações), entre diferentes caminhos.
Cada escolha representa uma encruzilhada espiritual.
Cada existência constitui uma nova oportunidade de aprendizado.
Por essa razão, a Terra é compreendida como um verdadeiro mundo de provas.
Os Mundos de Luz
Quando o espírito desperta plenamente para sua natureza Divina, inicia uma nova etapa.
Passa a habitar os chamados Mundos de Luz.
Nesses mundos, a consciência volta a estabelecer ligação direta com o Orixé, recordando a unidade vivida originalmente no Reino dos Elementais.
Não se trata de um retorno à infância espiritual.
É uma conquista consciente daquilo que antes era vivido de forma inocente.
O espírito permanece livre, mas agora escolhe espontaneamente viver em harmonia com as Leis Divinas.
Os Mundos das Trevas
Pai Benedito também descreve a existência dos Mundos das Trevas.
Segundo esses ensinamentos, correspondem ao destino daqueles espíritos que, após sucessivas oportunidades de aprendizado, nas sucessivas reencarnações e migrações entre mundos, escolhem definitivamente afastar-se da Luz.
Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, essa condição é apresentada como consequência da liberdade plenamente exercida pela criatura. Pai Joaquim de Angola nos disse que é uma escolha sem volta!
O Nosso Caminho
Embora a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá apresente a existência desses diferentes mundos, o objetivo deste estudo concentra-se na compreensão do Ayê onde atualmente vivemos.
Conhecer as etapas anteriores da jornada permite compreender melhor o propósito da vida presente.
Somente entendendo de onde viemos podemos compreender para onde caminhamos.
Síntese (parte I):
Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, a saída do Reino dos Elementais representa o início da experiência consciente do livre-arbítrio.
A criatura percorre sucessivos mundos de aprendizado, amadurecimento e provas, até despertar plenamente para sua natureza, onde escolherá em plena consciência, Luz ou Trevas.
A Terra constitui uma dessas etapas na condição de "Mundos de Provas".
É aqui que o espírito consolida suas escolhas e prepara o caminho para sua futura migração aos Mundos segundo a sua escolha.
O Paraíso não é perdido; ele é conquistado.
A primeira parte da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá apresentou a origem da criação e da jornada humana.
A segunda parte convida-nos a contemplar essa criação por outro ângulo.
Agora deixamos a narrativa cronológica para entrar na contemplação da arquitetura espiritual que sustenta o Mundo de Provas.
O Mapa da Criação torna-se, assim, a chave para compreender como Pai Olódùmarè preparou o Ayê e como Pai Olórun organizou, em perfeita harmonia, todos os Mistérios que conduzem à evolução da vida.
Até agora, Pai Benedito de Aruanda nos respondeu às seguintes perguntas:
Parte N: “De onde procede nosso Universo-Filho?”
Parte I: “Como começa a criação consciente da vida?”
Parte II: “Como o Mundo de Provas foi organizado?”
Parte III: “Como o Ayê foi preparado para receber o homem?”
Na Parte IV, ele passa a responder: “Como o homem é formado e inicia sua jornada evolutiva?”
Vamos seguindo todos juntos nesse estudo!
Axé!
Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - Parte II "A Arquitetura da Criação" (introdução)
A Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas
Vimos o surgimento da criação a partir do Mistério Absoluto, a manifestação do Triângulo Divino, o Princípio da Dualidade, a organização da Casa dos Orixás Funfun, a Magia Divina Elemental, os Oshás Primordiais, os Guardiões dos Reinos Naturais, a criação do homem e o início de sua jornada evolutiva.
Toda essa preparação conduziu a um momento decisivo.
O ingresso da humanidade no Ayê, o Mundo de Provas.
Entretanto, segundo Pai Benedito, o Ayê não foi criado ao acaso.
Antes da chegada da humanidade, todo esse mundo foi cuidadosamente preparado por duas grandes manifestações da Inteligência Divina.
Pai Olódùmarè preparou a estrutura material do Ayê.
Pai Olórun organizou sua estrutura espiritual.
Essa organização constitui aquilo que Pai Benedito denomina:
A Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas.
Ou, de forma mais sintética, O Mapa da Criação.
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, o Mapa da Criação não representa apenas um símbolo.
Ele descreve a organização espiritual do Ayê.
- Cada linha (Ponto Riscado - Lei de Pemba).
- Cada direção (Forças Magisticas).
- Cada portal dimensional.
- Cada centro de forças e linhas espirituais.
- Cada movimento ritualístico.
Expressa uma função específica dentro da dinâmica da criação.
Assim como uma planta arquitetônica permite compreender a estrutura de uma grande construção, o Mapa da Criação revela a estrutura invisível que sustenta a experiência da vida no Mundo de Provas.
O Ẹlẹ́dàá
É nesse contexto que começamos a compreender o verdadeiro significado do Ẹlẹ́dàá.
O Ẹlẹ́dàá não é apresentado apenas como um conjunto de símbolos.
É uma linguagem espiritual.
Um mapa vivo.
Uma representação da Inteligência Divina organizada para conduzir a evolução da criatura.
Cada símbolo possui uma função.
Cada direção possui um propósito.
Cada Mistério manifesta uma Lei.
À medida que Pai Joaquim apresenta esse mapa, percebemos que toda a criação funciona como uma única arquitetura, onde nada existe de forma isolada.
Tudo está interligado.
Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - Parte II "Como tudo funciona"
10. A Primeira Encruzilhada
O Início dos Caminhos da Escolha
Na primeira parte da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, acompanhamos a humanidade durante sua infância espiritual.
Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, antes de ingressar plenamente nos mundos materiais, o espírito humano vive em um ambiente de aprendizado e proteção, simbolicamente identificado com o Paraíso bíblico e denominado, nesta cosmologia, Reino dos Elementais.
Ali, a criatura ainda aprende diretamente com a natureza e com os Espíritos da Natureza, vivendo em uma realidade preservada da experiência plena das consequências de suas próprias escolhas.
Entretanto, chega um momento em que esse aprendizado precisa avançar.
A criatura não poderá permanecer indefinidamente protegida.
Para amadurecer, deverá exercer aquilo que recebeu como uma de suas maiores dádivas:
O livre-arbítrio
É nesse momento que surge aquilo que Pai Benedito nos ensina a compreender simbolicamente como a Encruzilhada.
A Encruzilhada não representa apenas um lugar onde diferentes caminhos se encontram.
Ela representa o instante em que, diante de diferentes possibilidades, a criatura precisa escolher qual caminho seguirá.
E toda escolha produz consequências.
É nesse contexto que a narrativa bíblica da primeira família humana passa a adquirir, para a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, um significado simbólico especial.
A Família Sagrada
Para compreendermos essa linguagem, Pai Benedito utiliza a primeira família apresentada no livro do Gênesis.
Adão representa simbolicamente o Pai de todos os futuros pais.
Dentro do Cosmograma que estamos procurando compreender, essa função será associada a Orixá Obàtálá.
Eva, apresentada na narrativa bíblica como mãe dos viventes, representa simbolicamente a Mãe de todas as futuras mães.
No Cosmograma, essa função será associada a Odùduwà.
Não estamos afirmando que Adão seja literalmente Obàtálá ou que Eva seja literalmente Odùduwà.
A Cosmologia do Ẹlẹ́dàá utiliza essas figuras como uma linguagem simbólica, permitindo que conceitos pertencentes a diferentes tradições nos auxiliem na compreensão da arquitetura espiritual que estamos estudando.
Dessa primeira família surgem três filhos que representarão três condições diferentes diante da liberdade:
Caim, Abel e Sete.
Caim — A Escolha do Caminho do Erro
Na narrativa bíblica, antes que Caim cometa o ato que mudará sua história, ele recebe uma advertência.
Diante dele existe uma possibilidade.
Ele pode dominar seus impulsos e escolher outro caminho.
Entretanto, Caim escolhe agir contra aquilo que lhe havia sido orientado.
Na leitura apresentada por Pai Benedito, Caim representa aquele que, diante da encruzilhada, escolhe o caminho do erro.
Isso não significa que tenha sido criado para o mal.
Ao contrário.
Sua história somente possui sentido porque ele poderia ter escolhido de maneira diferente.
É exatamente por existir liberdade que pode existir responsabilidade.
A partir de sua escolha, Caim ingressará no caminho das experiências por meio das quais aprenderá pelas consequências de seus próprios atos.
Seu destino, portanto, não é uma condenação estabelecida previamente.
Ele passa a experimentar aquilo que sua própria liberdade colocou em movimento.
Abel — A Confiança nos Desígnios Maiores
Abel representa uma condição diferente.
Segundo Pai Benedito, ele simboliza aquele que aceitou, compreendeu e confiou nos Desígnios Maiores de Pai Olórun, Senhor do Òrun.
Diante da mesma possibilidade de escolha, sua consciência encontra-se em consonância com uma ordem maior.
Por essa razão, dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, Abel não necessitará percorrer os mesmos caminhos de provas destinados àqueles que ainda precisam aprender por meio das experiências do Ayê.
Isso não significa, porém, que sua participação na criação esteja encerrada.
Segundo as orientações recebidas, espíritos nessa condição poderão posteriormente ser chamados a auxiliar seus irmãos que ingressam nos mundos de provas.
Assim, aquele que já compreendeu pode tornar-se servidor daquele que ainda está aprendendo.
Sete — A Escolha do Caminho do Bem
Mais adiante surge Sete.
Ele representa aquele que, diante da encruzilhada, escolhe conscientemente o caminho do bem.
Entretanto, sua escolha ainda deverá ser confirmada por meio da experiência.
Por isso, Sete, assim como Caim, ingressará no Ayê e atravessará os mundos destinados às provas e ao amadurecimento.
Essa diferença é importante.
Escolher o bem não significa estar dispensado da experiência.
Significa escolher uma direção que precisará ser consolidada através das inúmeras decisões que surgirão ao longo da jornada.
A Encruzilhada e o Mistério de Exu
É justamente nesse ponto que começamos a compreender uma das afirmações mais conhecidas das tradições afro-brasileiras:
Exu é o Senhor da Encruzilhada.
Segundo os ensinamentos de Pai Benedito, essa expressão não significa simplesmente que Exu governe cruzamentos ou caminhos físicos.
A Encruzilhada representa o momento da escolha.
E o Reino dos Senhores Exus representa a atuação da Lei sobre as escolhas realizadas pelas criaturas.
Exu não escolhe por nós.
Exu não obriga ninguém a seguir determinado caminho.
A escolha pertence à criatura.
Mas, depois que a escolha foi realizada, suas consequências precisam manifestar-se.
Por isso, Pai Benedito sintetiza esse Mistério por meio de uma antiga expressão:
“Exu dá para quem merece e cobra de quem deve.”
Nesse entendimento, Exu não representa o mal.
Representa a Lei que assegura a responsabilidade sobre aquilo que escolhemos.
Podemos compreender essa arquitetura da seguinte maneira:
Encruzilhada → Escolha → Lei → Consequência → Aprendizado.
A Encruzilhada oferece os caminhos.
O livre-arbítrio permite escolher.
A Lei estabelece as consequências.
E a experiência transforma essas consequências em aprendizado.
Três Caminhos
Assim, a primeira família torna-se uma linguagem simbólica para compreendermos três condições diante da liberdade:
Caim
Escolhe o caminho do erro e aprenderás através das consequências.
Abel
Compreende e confia nos Desígnios Maiores, não necessitando percorrer os mesmos caminhos de prova no Ayê e podendo futuramente auxiliar seus irmãos.
Sete
Escolhe o caminho do bem, mas deverá confirmá-lo e amadurecê-lo através das experiências do Ayê.
Não estamos diante de três destinos arbitrariamente impostos pelo Criador.
Estamos diante de três respostas possíveis da criatura ao exercício da liberdade.
E justamente por isso começa aqui a grande experiência dos Mundos de Provas.
A Primeira Lei da Jornada
A partir deste momento, o espírito passa a compreender uma verdade fundamental:
Ser livre significa também tornar-se responsável.
Não há aprendizado verdadeiro sem escolha.
Não há escolha verdadeira sem possibilidade de erro.
E não existe responsabilidade sem consequências.
A Encruzilhada torna-se, portanto, um dos primeiros grandes Mistérios da Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas.
É nela que o caminho deixa de ser apenas recebido e passa também a ser escolhido.
E é através dessas escolhas que começará cada criatura a construir sua própria história dentro do Ayê.
A Encruzilhada não determina nosso destino.
Ela revela aquilo que escolhemos fazer com a liberdade que recebemos.
Nota do autor:
1. Adão → Obàtálá:
Na Bíblia, Adão funciona como cabeça genealógica da humanidade.
Gênesis 5 começa apresentando justamente a “linhagem de Adão”. Eva recebe uma formulação ainda mais explícita: é chamada de “mãe de todos os viventes”.
No universo yorùbá, encontramos uma correspondência funcional importante: Obàtálá aparece em tradições cosmogônicas como aquele que modela a humanidade, enquanto o princípio vital procede da Divindade suprema. Fontes acadêmicas também reconhecem Obàtálá e Odùduwà como figuras centrais das diferentes tradições yorùbás sobre a criação. Portanto, a associação proposta pelo Ẹlẹ́dàá:
Adão → Pai de todos os futuros pais → Obàtálá
E isso combina muito bem com algo que já tínhamos recebido para o Cosmograma:
Obàtálá = Pai de todos os Pais Orixás.
2. Eva → Odùduwà: Aqui precisamos explicar a diversidade yorùbá.
A Bíblia é inequívoca ao chamar Eva de “mãe de todos os viventes”. Já Odùduwà possui tradições bastante diferentes. Em grande parte da tradição histórica yorùbá, Odùduwà aparece como personagem masculino e ancestral fundador de dinastias. Entretanto, existem também antigas tradições nas quais Odùduwà é feminina, associada à Terra e apresentada como esposa de Obàtálá. Um estudo acadêmico sobre essas tradições registra explicitamente essa variante; trabalhos sobre a antiga religião de Ifẹ̀ também reconhecem uma identidade feminina/terrestre de Odùduwà em certos contextos.
Nesse contexto, continuaremos seguindo as orientações de Pai Benedito de Aruanda:
Eva → Mãe de todas as futuras mães → Odùduwà
Mas, acrescentando:
“Esta correspondência pertence à Cosmologia do Ẹlẹ́dàá e dialoga particularmente com tradições yorùbás que preservam o aspecto feminino primordial de Odùduwà; outras tradições apresentam Odùduwà de maneira diferente.”
3. E aqui aparece uma ponte bíblica extraordinária: a primeira Encruzilhada
Antes de Caim matar Abel, Deus fala diretamente com ele:
“Se fizeres o bem...” / “se não fizeres o bem...”
E acrescenta que o pecado está à porta, mas que Caim deve dominá-lo. Ou seja: Caim ainda não cometeu o ato. Existem diante dele possibilidades e ele precisa escolher.
A Bíblia não chama isso de “encruzilhada”. Essa interpretação é nossa. Mas estruturalmente temos exatamente:
Um caminho → uma escolha → duas possibilidades → responsabilidade → consequência.
E aqui a ponte com a filosofia yorùbá fica fortíssima.
Na cosmologia yorùbá, oríta, a encruzilhada, constitui um domínio liminar associado a Èṣù; estudos acadêmicos descrevem Èṣù justamente em relação à consciência, responsabilidade, julgamento, recompensa e sanção decorrentes da ação humana.
Portanto:
Encruzilhada não significa mal.
Encruzilhada significa possibilidade de escolha.
4. Caim: não representa necessariamente “o mal”; representa uma escolha
Caim recebe a advertência antes do assassinato. Após escolher matar Abel, sofre consequências. Entretanto, Deus/Pai Olorum também coloca sobre ele uma marca para impedir que outras pessoas o matem. Caim continua vivendo, constitui família e sua descendência desenvolve cidade, criação de animais, música e metalurgia.
Isso produz uma leitura muito mais interessante que vamos abordar um pouco mais a frente.
Ele simboliza:
O filho que, diante da encruzilhada, escolhe o caminho do erro e passa a aprender por meio das consequências de suas escolhas.
Isso se encaixa extraordinariamente bem no conceito dos Mundos de Provas.
Porque prova só faz sentido quando há liberdade.
E a filosofia yorùbá do Orí também preserva uma tensão entre destino e responsabilidade individual. Estudos sobre o tema registram escolha do destino antes da vinda ao mundo, Òrúnmìlà como Ẹlẹ́rìí-Ìpín, testemunha do destino, e ao mesmo tempo conceitos de responsabilidade pessoal pelas ações realizadas no Ayê.
Temos então:
Destino ≠ ausência de escolha.
5. Abel: Na orientação de Pai Benedito de Aruanda, Abel, como aquele que aceitou, compreendeu e confiou nos desígnios superiores, encontra um paralelo bíblico bastante direto.
Hebreus apresenta Abel como aquele que agiu pela fé, foi reconhecido como justo e, curiosamente, acrescenta:
Mesmo morto, Abel “ainda fala”.
Isso é muito importante para o que o Pai Benedito está ensinando.
Entretanto, precisamos separar cuidadosamente as coisas:
A Bíblia não diz que Abel foi dispensado de mundos de provas, nem que passou a auxiliar espíritos encarnados. Essa é uma revelação específica da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá através de Pai Benedito.
Mas encontramos uma pequena ponte simbólica:
Abel morre fisicamente → permanece como testemunho espiritual → “ainda fala”.
Hebreus 12 utiliza posteriormente a imagem de uma “grande nuvem de testemunhas” que antecederam aqueles que continuam sua jornada.
Não é mediunidade nem doutrina de auxílio espiritual no sentido apresentado pelo Ẹlẹ́dàá. Mas é uma analogia digna de registro.
6. A tradição africana nos oferece outra ponte para Abel
Aqui entramos no universo Bakongo, e achei particularmente interessante por causa da presença de Nzambi na própria construção do Ẹlẹ́dàá.
Na cosmologia Kongo, o mundo dos vivos e o mundo espiritual dos ancestrais permanecem relacionados; estudos históricos e arqueológicos registram a ideia de que espíritos ancestrais podem continuar relacionados aos vivos, procurados para auxílio e orientação. O Cosmograma Kongo/Bakongo também apresenta um limiar entre esses mundos.
Isso não prova as revelações de Pai Benedito a respeito de Abel.
Mas fornece uma excelente ponte africana para uma ideia mais ampla:
Alguns daqueles que atravessaram para o mundo espiritual continuam participando da caminhada daqueles que permanecem no mundo material.
7. Sete talvez contenha a descoberta mais interessante de todas
Vejamos o que acontece no próprio texto bíblico.
Depois da morte de Abel, Eva tem Sete e declara que Deus lhe concedeu outro descendente em lugar de Abel. Depois, Sete gera Enos, e o texto associa esse período ao início de invocar o nome do Senhor.
Isso cria uma relação direta:
Abel → Sete.
Não são simplesmente dois irmãos independentes.
Sete surge biblicamente como continuidade de Abel.
E Gênesis 5 passa justamente a acompanhar a linhagem de Sete até Noé.
Agora comparemos com a orientação de Pai Benedito:
Abel — escolheu confiar nos Desígnios Maiores; não precisará percorrer os Mundos de Provas e auxiliará seus irmãos.
Sete — escolheu o caminho do bem, mas seguirá para o Ayê e será provado.
Surge uma interpretação extremamente lógica:
Abel poderia representar o princípio do Bem já compreendido, a origem ou nascimento no plano espiritual das primeiras Colônias e Postos de socorro à humanidade.
Sete poderia representar esse mesmo princípio que precisa ser realizado por meio da experiência.
Um permanece como referência.
O outro entra na história.
Um “ainda fala”.
O outro continua a linhagem.
No decorrer das orientações de Pai Benedito, vamos juntos amadurecer essa ideia.
8. Talvez a “Família Sagrada” não seja propriamente uma genealogia
Depois desta pesquisa, eu comecei a enxergar a primeira família bíblica no Ẹlẹ́dàá como uma linguagem iniciática da condição humana:
Adão / Obàtálá
→ princípio paterno da humanidade.
Eva / Odùduwà
→ princípio materno da humanidade.
E, diante dos filhos, surge algo novo:
A ENCRUZILHADA.
Daí aparecem três respostas possíveis à existência:
Caim
→ Conhece a orientação, mas escolhe contrariá-la.
→ Caminho do erro e aprendizado pelas consequências.
Abel
→ Compreende, aceita e confia.
→ Caminho da consonância com os Desígnios Maiores.
Sete
→ Escolhe o bem, mas precisa realizá-lo por meio da experiência.
→ caminho da prova e do amadurecimento.
E isso conversa de maneira muito profunda com a sequência da Parte I:
Livre-arbítrio → Encruzilhada → Escolha → Consequência → Aprendizado → Evolução.
9. A encruzilhada não é simplesmente um cruzamento de caminhos físicos. Ela representa o momento da escolha. E, se há escolha, precisa haver consequência. É justamente aí que entra Exu.
Então podemos organizar assim:
Encruzilhada → Escolha → Lei → Consequência
Nesse entendimento, dizer que Exu é o dono da encruzilhada significa que o Reino dos Senhores Exus está ligado à aplicação da Lei sobre aquilo que escolhemos. Exu não escolhe por nós, não nos obriga a seguir um caminho e também não representa o mal. Ele atua sobre as consequências da decisão tomada.
Por isso a frase:
“Exu dá para quem merece e cobra de quem deve.”
Vamos juntos continuar nossos estudos e refletir passo a passo, Axé!
10.1. A Marca de Caim — O Mapa da Criação
A abertura poderia ser construída em torno desta ideia:
Após realizar sua escolha na Primeira Encruzilhada, Caim precisa deixar o ambiente em que até então vivera e iniciar uma nova etapa de sua jornada.
Segundo a narrativa bíblica, temendo aquilo que encontraria fora daquele ambiente protegido, Caim manifesta seu medo de ser morto. Deus então lhe concede um sinal e estabelece que aquele que atentasse contra sua vida responderia sete vezes por seu ato.
A Bíblia não explica qual era a forma desse sinal.
Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, entretanto, essa passagem preserva simbolicamente um ensinamento muito mais amplo. A “marca” de Caim representa a arquitetura espiritual do mundo para o qual ele estava sendo conduzido.
Caim não partiria para um universo abandonado ou desprovido da presença Divina. Ele ingressaria no Ayê, um Mundo de Provas cuidadosamente estruturado por Leis, forças, guardiões e caminhos destinados a permitir que o espírito exercesse sua liberdade e aprendesse através das consequências de suas próprias escolhas.
Essa arquitetura é representada no Projeto Ẹlẹ́dàá pelo Mapa da Criação.
Cada círculo, eixo, direção, símbolo e posição existente nesse mapa possui uma função. Nada está isolado. Todos os elementos participam de uma única estrutura espiritual destinada a sustentar a experiência da criatura no Ayê.
Portanto, compreender a “Marca de Caim”, na linguagem apresentada por Pai Benedito, significa começar a compreender como funciona espiritualmente o Mundo de Provas.
Não vamos explicar o mapa seguindo simplesmente a lista da esquerda para a direita.
O mapa possui uma arquitetura. Então devemos lê-lo por camadas, partindo dos seus fundamentos e avançando para suas manifestações.
11. A Linha da Kalunga — A Primeira Fronteira
Segundo esse ensinamento, a Linha da Kalunga é guardada por Senhor Pambu Nzila, o Senhor da Primeira Fronteira. Ela delimita o sistema protegido do nosso orbe, compreendendo o Ayê — sua estrutura material sustentada pelas forças dos Quatro Oshás — e a arquitetura espiritual organizada por Pai Olórun.
Além dessa fronteira encontra-se aquilo que Pai Joaquim denomina Òrun aberto, pertencente ao vasto universo de Pai Nzambi. Pai Joaquim nos explica que existem muitos Òrun e muitos orbes ou mundos na Criação, entre os quais podem existir diferentes condições e até conflitos que estudaremos mais adiante.
É importante compreender, portanto, que aquilo que Pai Benedito denomina Universo ou Reino das Trevas não corresponde a todo esse ambiente exterior. Refere-se especificamente, neste ensinamento, aos grupos de espíritos que se encontram nas proximidades da fronteira do nosso orbe e que se colocam em oposição às leis estabelecidas por Pai Olórun.
Esses espíritos podem contrariar as leis que regem o nosso mundo, mas não podem ultrapassar a Lei Maior de Pai Nzambi, que é universal, soberana e imutável em toda a Criação.
A Linha da Kalunga não representa, contudo, uma barreira absolutamente fechada. Por meio da sintonia vibratória, a criatura pode estabelecer correspondência com determinadas condições e/ou espíritos existentes além dessa fronteira, criando aberturas pelas quais poderá sofrer pressões e influências muito perigosas.
Ainda assim, essas forças não possuem o direito de anular o livre-arbítrio. Sua atuação permanece submetida aos limites estabelecidos pela Lei Maior (Tribunal de Forças Maiores).
Pai Nzambi concede ao opositor (trevas) um direito limitado de oposição e provação.
Isso significa que a oposição possui função dentro do processo educativo do Mundo de Provas, mas não possui soberania sobre a criatura. Ela pode criar resistência, pressão e circunstâncias de prova; não pode retirar do espírito o direito fundamental de escolher.
É importante para compreendermos inicialmente o universo, considerarmos três realidades, e não apenas “dentro” e “fora”:
Ayê e sua arquitetura espiritual protegida → Linha da Kalunga / Pambu Nzila → Òrun aberto, dentro do qual existe, nas proximidades de nosso orbe, o Reino das Trevas/opositores.
Isso resolve uma questão conceitual importante: nem tudo que está fora da Kalunga são trevas. O Reino das Trevas seria apenas uma condição existente dentro de uma Criação muito maior.
“A Linha da Kalunga não impede a prova; ela garante que, mesmo em meio à prova, a liberdade da criatura permaneça resguardada pela Lei.”
12. A Organização das Guardas da Kalunga
À medida que avançamos na leitura do Mapa da Criação, começamos a perceber que a proteção do nosso orbe não está organizada em uma única barreira.
Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, existe uma verdadeira arquitetura de fronteiras, portais e linhas protetoras, cada qual com seus respectivos Guardiões e funções.
Essa estrutura deve ser compreendida progressivamente, de fora para dentro.
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12.1. Senhor Pambu Nzila — O General da Primeira Fronteira
A primeira grande fronteira é a Linha da Kalunga.
Sua proteção exterior está sob o comando do Senhor Pambu Nzila.
Pai Benedito nos explica que Pambu Nzila não deve ser compreendido apenas como um guardião colocado diante de uma passagem.
Ele é apresentado como um General.
Sob seu comando encontram-se os exércitos espirituais encarregados de proteger externamente a Primeira Fronteira.
Sua responsabilidade está diretamente relacionada à preservação dos limites estabelecidos pela Lei, assegurando que as forças existentes no ambiente exterior não possam penetrar arbitrariamente no espaço protegido do nosso orbe.
A oposição pode existir.
A pressão pode existir.
A provação pode existir.
Mas existem limites.
E a Primeira Fronteira constitui uma das estruturas destinadas a preservar esses limites.
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12.2. As Sete Vibrações do Setenário Sagrado
Os exércitos e falanges responsáveis pela proteção da Kalunga encontram-se relacionados às sete vibrações do Setenário Sagrado dos Orixás:
Pai Obàtálá, Pai Oxóssi, Pai Xangô, Pai Ogum, Mãe Yemojá, Mãe Oxum, Mãe Yansã.
Cada uma dessas vibrações reúne falanges de espíritos que trabalham dentro da força correspondente.
Portanto, não devemos compreender esses agrupamentos como sete exércitos isolados ou independentes.
Eles fazem parte de uma única arquitetura de proteção, organizada segundo as diferentes vibrações do Setenário Sagrado.
Essa organização começa na proteção da Kalunga e terá continuidade no interior do Ẹlẹ́dàá.
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12.3. Senhor Exu Kahanka — O Guardião da Segunda Fronteira
Depois da Primeira Fronteira, encontramos uma Segunda Fronteira.
Ela está sob a guarda do Senhor Exu Kahanka.
Pai Benedito o denomina:
“Guardião das Oito Bandeiras”.
Essas oito bandeiras representam, segundo o ensinamento recebido, oito grandes portais de entrada e saída do nosso orbe.
Essa informação acrescenta um elemento importante à compreensão do Mapa da Criação.
A passagem entre diferentes ambientes espirituais não acontece de maneira aleatória.
Existem pontos determinados para entrada e saída.
Existem Guardiões.
Existem Leis.
E existem condições para que a passagem seja autorizada.
Exu Kahanka e Hachimanjin
Segundo as orientações de Pai Benedito, Senhor Exu Kahanka, aqui no Japão, é chamado de Hachimanjin — Senhor dos Exércitos.
Dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, essa correspondência estabelece uma ponte particularmente importante com o Japão, um dos pontos fundamentais de nossa caminhada e do próprio desenvolvimento deste estudo.
Obs.: Por enquanto, devemos compreender essa identificação exatamente no contexto em que ela foi transmitida por Pai Benedito:
Exu Kahanka → Hachimanjin → Senhor dos Exércitos → Guardião da Segunda Fronteira.
Isso não significa que devamos, neste momento, afirmar que todas as tradições japonesas identificam Hachimanjin com Exu Kahanka.
Essa correspondência pertence às orientações apresentadas dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
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12.4. As Oito Bandeiras e as Oito Horas Grandes
Senhor Exu Kahanka também recebe outro título:
“Senhor Guardião das Oito Horas Grandes”.
Segundo Pai Benedito, essa expressão está relacionada aos mesmos portais representados pelas Oito Bandeiras.
Ela nos revela que a organização das entradas e saídas não possui apenas uma dimensão espacial.
Existe também uma ordem temporal.
Há momentos nos quais determinadas passagens são permitidas e outros nos quais permanecem fechadas.
Assim, as Oito Bandeiras e as Oito Horas Grandes representam dois aspectos de um mesmo Mistério:
Onde se pode atravessar e quando se pode atravessar.
Ainda precisaremos receber mais orientações para compreender plenamente essa organização.
Obs.: Por enquanto, devemos preservar exatamente aquilo que nos foi transmitido, sem antecipar suas funções específicas.
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12.5. A Primeira Porteira — Senhor Caboclo Sete Raios
Depois da Segunda Fronteira, encontramos uma estrutura diferente.
Não se trata de uma terceira fronteira.
Trata-se de uma Porteira.
Essa distinção é muito importante para a leitura do mapa.
A Porteira encontra-se sob a guarda do Senhor Caboclo Sete Raios.
Seu próprio nome preserva uma chave para compreendermos sua função.
Os Sete Raios representam as sete vibrações do Setenário Sagrado:
Obàtálá — Oxóssi — Xangô — Ogum — Yemojá — Oxum — Yansã.
A Porteira encontra-se, portanto, diretamente relacionada à organização dessas sete forças.
Se as fronteiras estabelecem os grandes limites do orbe, a Porteira começa a nos introduzir no sistema de distribuição das forças protetoras que atuarão em seu interior.
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12.6. Das Falanges da Kalunga às Linhas de Ogum de Lei
Dentro de cada uma das sete vibrações do Setenário Sagrado existem falanges espirituais ligadas à proteção da Kalunga.
Essas falanges não permanecem atuando somente nas fronteiras exteriores.
Sua organização possui continuidade dentro do próprio Ẹlẹ́dàá.
Segundo Pai Benedito, é a partir dessa estrutura que chegamos àquilo que conhecemos como:
Ogum de Lei
No interior do Ẹlẹ́dàá, Ogum de Lei atua por meio das chamadas Linhas Protetoras.
São sete:
Ogum Yara, Ogum Beira-Mar, Ogum Rompe-Mato, Ogum Megê, Ogum Malê, Ogum Nagô
Ogum Naruê.
Assim, começamos a perceber uma continuidade entre a proteção exterior e a proteção interior.
As forças que guardam o orbe não desaparecem depois que atravessamos suas fronteiras.
Elas assumem novas formas de organização e atuação dentro do ambiente protegido.
Podemos representar provisoriamente essa arquitetura da seguinte maneira:
- Ambiente Exterior
- Linha da Kalunga — Primeira Fronteira
- Senhor Pambu Nzila — General dos Exércitos Externos
- Segunda Fronteira
- Senhor Exu Kahanka / Hachimanjin — Senhor dos Exércitos
- Oito Bandeiras / Oito Portais / Oito Horas Grandes
Primeira Porteira
Senhor Caboclo Sete Raios — Setenário Sagrado
Interior do Ẹlẹ́dàá
Falanges Protetoras → Ogum de Lei → Sete Linhas Protetoras
Uma arquitetura de proteção:
Essa nova compreensão nos mostra que a defesa espiritual do Mundo de Provas não funciona como uma simples muralha.
Ela possui camadas.
Possui comando.
Possui portais.
Possui horários.
Possui Guardiões.
Possui falanges.
E possui forças especializadas que continuam trabalhando no interior do mundo protegido.
A Primeira Fronteira estabelece o limite exterior.
A Segunda Fronteira controla os grandes portais de entrada e saída.
A Primeira Porteira organiza a passagem para o interior do Ayê através de falanges nas sete vibrações fundamentais.
E, no interior do Ẹlẹ́dàá, as Linhas de Ogum de Lei dão continuidade à proteção do caminho da criatura.
Nota do autor: Ainda não conhecemos todos os detalhes dessa arquitetura. Por isso, continuaremos registrando cada orientação à medida que ela nos for apresentada, procurando compreender como cada peça se relaciona com o conjunto. Da fronteira ao caminho interior, a proteção não elimina a prova: ela assegura que a prova aconteça dentro da Lei.
Síntese (parteII):
A primeira parte da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá apresentou a origem da criação e da jornada humana.
Na Parte II da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, começamos a compreender a Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas.
A primeira família bíblica passa a ser utilizada como linguagem simbólica da condição humana: Adão/Obàtálá e Eva/Odùduwà representam os princípios paterno e materno, enquanto Caim, Abel e Sete revelam diferentes respostas diante da primeira grande Encruzilhaa — o momento da escolha.
A partir dela, compreendemos:
Livre-arbítrio → Encruzilhada → Escolha → Lei → Consequência → Aprendizado.
Nesse contexto, Exu é apresentado como expressão da Lei, assegurando que cada escolha encontre suas consequências.
A Marca de Caim passa então a simbolizar o próprio Mapa da Criação, código que revela a arquitetura espiritual do Ayê e as Leis que sustentam a experiência no Mundo de Provas.
Começamos sua leitura de fora para dentro:
Linha da Kalunga (círculo externo)
- Primeira Fronteira, protegida pelos exércitos comandados pelo General Pambu Nzila.
- Segunda Fronteira, guardada por Exu Kahanka/Hachimanjin, Senhor dos Exércitos, Guardião das Oito Bandeiras, dos oito portais e das Oito Horas Grandes.
- Primeira Porteira, guardada pelo Caboclo Sete Raios, representando as sete vibrações do
Setenário Sagrado:
Obàtálá — Oxóssi — Xangô — Ogum — Yemojá — Oxum — Yansã.
Dentro dessas sete vibrações atuam falanges espirituais ligadas à proteção da Kalunga, que no interior do Ẹlẹ́dàá se manife stam através das Linhas Protetoras de Ogum de Lei:
Ogum Yara, Ogum Beira-Mar, Ogum Rompe-Mato, Ogum Megê, Ogum Malê, Ogum Nagô e Ogum Naruê.
Asim, começamos a perceber que o Mundo de Provas não está entregue ao acaso: possui fronteiras, Guardiões, portais, exércitos, falanges e Leis destinadas a permitir a provação sem retirar da criatura o direito de escolher.
Se a Parte I respondeu:
“Como tudo começou?”
A Parte II começa agora a revelar:
“Como tudo foi organizado para que pudéssemos escolher, aprender e evoluir?”
Axé!
(Parte III) — A preparação do Ayê por Pai Olodumarê
13.0 - O barro
Curiosamente, encontramos em diferentes civilizações antigas a imagem do ser humano sendo formado a partir da terra, do barro ou da argila.
No Egito, em determinadas tradições, Khnum aparece como o divino oleiro que modela seres humanos em sua roda.Na Mesopotâmia, diferentes narrativas descrevem a formação da humanidade a partir da argila, associada a um elemento divino, com a participação de divindades como Enki/Ea.
Na Grécia, tradições posteriores apresentam Prometeu modelando os seres humanos a partir da terra e da água.
Entre os Yorùbá, determinadas tradições contam que Ọbàtálá modela a forma humana utilizando a matéria da terra, enquanto Olódùmarè concede-lhe o princípio da vida.
Essa recorrência, presente em culturas que desenvolveram suas próprias cosmologias, mostra como o simbolismo da terra enquanto matéria da vida se tornou uma das grandes imagens da origem humana.
Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàá
Pai Benedito de Aruanda nos explica que o barro representa o "Axé de Mãe Onilé — a Mãe Terra".
Mãe Onilé alimenta e sustenta o Reino Elemental da Terra — "Òṣá Ilé" — e todos os seres que nele habitam, inclusive o próprio homem.
Assim, quando as antigas narrativas afirmam que o homem foi formado do barro, podemos compreender, dentro da leitura do Ẹlẹ́dàá, que o corpo destinado à experiência material pertence à própria Terra e recebe dela os elementos necessários para sua existência.
O homem traz consigo, portanto, duas dimensões simbólicas: a matéria que procede da Terra e o princípio da vida que procede do Sagrado.
13.1 - O Jardim do Éden e suas divisões
Éden e Jardim do Éden não são exatamente a mesma coisa.
Gênesis 2:8 afirma:
“O Senhor Deus plantou um jardim no Éden, no Oriente, e ali colocou o homem que havia formado.”
O texto bíblico apresenta, portanto, "Éden como uma região", dentro da qual se encontra o "jardim".
Mais adiante, Gênesis 2:10 relata que:
“Um rio saía do Éden para regar o jardim e, dali, dividia-se em quatro braços.”
Esses quatro braços recebem os nomes de:
"Pisom — Giom — Tigre — Eufrates."
Gênesis não afirma que existiam quatro jardins. Essa compreensão pertence à interpretação que passaremos a apresentar dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàá
Pai Benedito de Aruanda denomina essa região primordial de "Quadrante Sagrado".
É o ambiente relacionado aos seres elementais puros e à condição primordial do homem antes de sua experiência na matéria.
Segundo essas orientações, o Quadrante Sagrado pode ser compreendido como dividido em "quatro campos ou jardins", simbolicamente relacionados aos quatro rios descritos em Gênesis.
Pisom, Giom, Tigre e Eufrates passam, nessa leitura, a representar não apenas águas, mas "direções ou caminhos".
Encontramos aqui a imagem de uma primeira grande "encruzilhada".
Diante dela, o espírito encontra caminhos diferentes segundo suas próprias escolhas.
Um desses caminhos conduz para a experiência do erro, da consequência e do aprendizado.
Segundo Pai Benedito, esse caminho é simbolicamente representado pela direção do "Oriente — o nascer do Sol".
Não devemos compreender esse Oriente apenas como um ponto geográfico. Trata-se principalmente de uma "direção espiritual", de um percurso composto por diferentes estágios.
À entrada desses caminhos existem fronteiras.
O texto bíblico apresenta os "Querubins" guardando o caminho de retorno à Árvore da Vida. Na leitura do Ẹlẹ́dàá, essa imagem encontra correspondência funcional com os "Guardiões de Fronteira", responsáveis pelo controle da passagem entre diferentes regiões.
Segundo as orientações recebidas, após essas fronteiras existem ainda "Sentinelas responsáveis por cada estágio do percurso".
Assim, o caminho não representa apenas deslocamento: representa uma jornada.
13.2 - O Oriente e a entrada do homem na experiência material
O Apocalipse de Moisés
Uma antiga tradição preservada na chamada "Vida de Adão e Eva", cuja versão grega ficou conhecida como "Apocalipse de Moisés", acrescenta uma informação que não aparece em Gênesis. Segundo esse texto, depois de saírem do Paraíso, Adão tomou Eva e seguiu em direção ao "nascer do Sol, isto é, para o Oriente".
Ali permaneceram durante "18 anos e 2 meses", e nessa região nasceram Caim e Abel.
Outra antiga tradição, preservada no "Livro dos Jubileus 3:32", afirma:
Adão e Eva saíram do Jardim do Éden e passaram a habitar na terra de "Elda", “na terra de sua criação”.Jubileus acrescenta ainda que Adão havia sido criado nessa terra antes de ser introduzido no Jardim do Éden.Temos, portanto, duas tradições antigas que devem permanecer distintas:"Jubileus:" Terra de "Elda", terra da criação de Adão."Apocalipse de Moisés:" direção do "Oriente", onde Adão e Eva teriam vivido e onde nasceriam Caim e Abel.Os textos não afirmam que Elda e a região oriental sejam necessariamente o mesmo lugar.Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàáPai Benedito de Aruanda nos orienta que Adão e Eva iniciaram sua experiência na matéria nessa região identificada simbolicamente com a "Terra de Elda".No Éden, a existência humana é apresentada dentro da condição de pureza espiritual.Ao deixar esse estado e entrar na nova terra, começa uma experiência diferente: Para compreender melhor, veja o item "14.0 — A Terra de Elda: O próximo passo evolutivo"
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13.3 - As consequências da escolha
Em Gênesis, Deus não pronuncia um único discurso conjunto a Adão e Eva no momento da expulsão.Primeiramente são apresentadas as consequências da escolha à serpente, à mulher e ao homem.À mulher, Gênesis 3:16 associa sua nova ondição às dores da gestação e do parto e às dificuldades que passariam a marcar a relação entre homem e mulher.Ao homem, Gênesis 3:17–19 declara que “o solo — adamah — seria amaldiçoado por causa dele.”Seu sustento passaria a exigir esforço.Espinhos e dificuldades fariam parte de sua experiência, e o homem trabalharia até retornar ao próprio solo do qual havia sido formado:“Porque tu és pó e ao pó retornarás.”Surge novamente o simbolismo do barro.O homem havia sido formado da terra.Passaria a viver da terra.E, ao fim da experiência material, devolveria seu corpo à terra.
13.4 - O conhecimento do bem e do mal
Depois das consequências apresentadas ao casal, encontramos uma declaração divina: “Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal…”Segundo a interpretação do Ẹlẹ́dàáPai Benedito nos orienta a compreender simbolicamente essa passagem da seguinte maneira:“Eis que o homem reivindicou o seu direito de escolha entre os dois caminhos.”Não significa que essa seja a tradução literal da frase bíblica.Trata-se da "interpretação dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá".O conhecimento do bem e do mal representa, nessa compreensão, o início da experiência consciente da escolha.A encruzilhada está diante do homem.Escolher significa também assumir as consequências do caminho escolhido.
13.5 - A Árvore da Vida e as fronteiras
Gênesis continua dizendo que Deus impediu que o homem tomasse também do fruto da "Árvore da Vida, comesse e vivesse para sempre”.Por isso:“O Senhor Deus o expulsou do Jardim do Éden para cultivar o solo do qual havia sido tomado.”- Gênesis 3:23O texto bíblico termina essa etapa com uma imagem extraordinária:Deus colocou querubins a leste do Jardim do Éden e uma espada flamejante para guardar o caminho da Árvore da Vida.- Gênesis 3:24Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàáA expressão bíblica “viver para sempre” pode ser compreendida, dentro da leitura do Ẹlẹ́dàá, como a permanência contínua naquela condição, sem a necessidade das sucessivas experiências na matéria.“Segundo essa orientação, no Éden a experiência humana ainda transcorria em uma condição de pureza espiritual.”E os querubins que guardam o caminho da Árvore da Vida apresentam uma imagem que se tornará fundamental para compreendermos a arquitetura espiritual do Ayê:- existem caminhos;- existem fronteiras;- existem guardiões;- existem leis de passagem;- e existe um caminho de retorno.A expulsão do Éden deixa, assim, de representar apenas uma porta que se fecha.Ela também revela o início de uma jornada.
14.0 — A Terra de Elda: O próximo passo evolutivo

O início da jornada humana — a Segunda Escola
Até este ponto, acompanhamos o homem em sua condição primordial no Éden.
A partir de agora, inicia-se uma nova etapa.
Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, a Terra de Elda representa o "próximo passo evolutivo da humanidade": a primeira transição do espírito, vindo dos Mundos Puros, em direção aos mundos onde a experiência da matéria começará efetivamente a acontecer.
Elda não corresponde ainda ao mundo físico denso tal como hoje o conhecemos.
Trata-se de um "mundo semimaterial", formado por uma matéria tão sutil e quintessenciada que escaparia completamente aos nossos atuais sentidos físicos.
Pai Benedito nos explica que podemos compreendê-lo como um "primeiro molde da matéria", um mundo que ainda espelha de maneira muito próxima a realidade do mundo puro de onde o espírito procede.
É uma realidade intermediária. Não é mais o Éden. Mas também ainda não é amaterialidade densa que conhecemos atualmente.
Elda representa, portanto, "a primeira escola de adaptação do espírito à experiência material".
O Livro dos Jubileus e a Terra de Elda
O "Livro dos Jubileus, capítulo 3", preserva uma sequência bastante significativa dos acontecimentos posteriores à transgressão.
Segundo essa narrativa:
Adão e Eva deixam a condição do Jardim do Éden.
Adão oferece incenso e substâncias aromáticas.
Os animais que anteriormente possuíam a capacidade de falar perdem essa faculdade.
Os seres vivos são dispersos.
Então, "no início do quarto mês", Adão e Eva deixam a região do Éden e passam a habitar na "Terra de Elda", chamada pelo próprio texto de: “a terra de sua criação”.
Somente depois dessa passagem começa a narrativa relacionada aos filhos de Adão e Eva e à formação da primeira família humana.
Dentro do nosso estudo, essa sequência é particularmente importante.
Ela sugere uma mudança gradual de condição:
Éden → ruptura → consequência → transição → Elda → formação da família humana.
O quarto mês e as quatro fases
Segundo Pai Benedito de Aruanda, a referência de Jubileus ao “início do quarto mês” pode também ser compreendida simbolicamente como a entrada do homem em uma "quarta fase da experiência".
Essas quatro etapas podem ser organizadas da seguinte maneira:
1 — Criação / nascimento
O homem é criado e vive no Éden.
É a experiência primordial em condição de pureza.
2 — Instrução Divina
O homem recebe orientação, conhece sua origem, seu propósito e os limites necessários à preservação daquela condição.
3 — Tentação
Surge a possibilidade concreta da escolha.
A consciência encontra-se diante da encruzilhada.
4 — Rompimento das muralhas
A escolha produz consequência.
O homem perde a condição necessária para permanecer no estado anterior e começa uma nova experiência.
É nessa "quarta fase" que se inicia a caminhada em direção a Elda.
A perda da condição do Éden
Aqui Pai Benedito faz uma distinção fundamental.
Qando dizemos que Adão e Eva foram “expulsos do Éden”, não devemos imaginar simplesmente Deus retirando duas pessoas fisicamente de um jardim e fechando uma porta atrás delas.
Segundo a orientação recebida, "Adão e Eva perderam a pureza necessária para continuar vivendo naquela condição".
O Éden não precisou deixar de existir. Muito pelo contrário, nos aguarda o retorno. De volta para a casa!
Foram eles que deixaram de possuir a condição espiritual compatível com aquele ambiente.
Assim, a chamada “expulsão” pode ser compreendida, dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, como uma "mudança de estado vibratório e existencial".
O homem não é simplesmente mandado embora.
Ele passa a pertencer a outro estágio da experiência.
Nota importante: mantendo a consciência e preservando a lembrança de todos os acontecimentos.
O reconhecimento do erro.
O Livro dos Jubileus apresenta Adão oferecendo incenso e substâncias aromáticas.
Segundo Pai Benedito, esse gesto simboliza o "reconhecimento do erro e o arrependimento".
- Adão compreendeu.
- Reconheceu sua escolha.
- Procurou reconciliar-se com o Sagrado.
Mas aqui encontramos uma das grandes lições da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá: "Arrependimento não significa cancelamento das consequências."
As Leis do Criador são imutáveis. O perdão pode existir. O reconhecimento pode existir. A reconciliação pode começar.
Mas aquilo que foi desequilibrado precisa ser novamente colocado em equilíbrio.
É necessário "corrigir, aprender e reparar".
Assim começa a escola da consequência.
Quando os animais deixam de falar
Jubileus preserva uma tradição curiosa segundo a qual os animais, que anteriormente falavam, perderam essa capacidade.
Perguntamos a Pai Benedito sobre essa passagem.
Segundo sua orientação, não devemos compreender essa ruptura como limitada aos animais.
Ela alcança também: as plantas; a Terra; os seres elementais(perdemos o contato); e todos os demais seres vivos de todos os Reinos que coabitavam com o homem naquela condição primordial, mesmo quando não são mencionados pela narrativa bíblica.
Cada Reino e cada tipo de vida passaram a ter suas próprias linguagens.
A imagem representa uma condição muito mais profunda: havia comunicação e comunhão entre os diferentes reinos da vida.
Quando o homem perde sua condição original, perde também a capacidade de perceber plenamente essa comunicação.
O mundo não necessariamente ficou silencioso.
O homem é que deixou de conseguir ouvi-lo como antes.
A dispersão dos seres vivos
O Livro dos Jubileus afirma ainda que os seres vivos foram dispersos.
Segundo Pai Benedito, essa dispersão representa a "perda da harmonia entre o homem e os diferentes reinos que anteriormente coabitavam com ele".
Aquilo que antes constituía uma convivência integrada começa a se separar.
O homem passa a experimentar: distância; limitação; conflito; medo; necessidade; e aprendizado.
A separação entre os seres torna-se, assim, parte da própria experiência educativa.
“A terra de sua criação”
Uma das expressões mais intrigantes do Livro dos Jubileus é justamente a definição de Elda como: “a terra de sua criação”.
Perguntamos: Onde exatamente Adão havia sido criado antes de ser colocado no Jardim?
Segundo Pai Benedito de Aruanda, a resposta não deve ser procurada apenas em uma localização geográfica.
A expressão refere-se ao "mundo de onde foi retirado o corpo perispiritual utilizado por Adão e Eva naquele estágio da existência".
Em outras palavras, antes da experiência da matéria física densa, o espírito precisava possuir um veículo adequado à realidade semimaterial em que passaria a viver.
Esse veículo pode ser chamado, dentro de nossa linguagem espiritualista, de "corpo perispiritual".
Assim, Elda seria o mundo cuja matéria forneceria o veículo utilizado por: Adão; Eva; e seus descendentes; e também pelos demais reinos que compartilhassem aquele estágio existencial.
Cada ambiente possui uma condição própria.
E cada ser necessita de um corpo compatível com o mundo no qual deverá manifestar-se.
Elda não é outro nome para o Éden. Essa distinção também foi esclarecida por Pai Benedito.
Elda não é simplesmente outro nome para o Éden. É o estágio seguinte.
É a realidade imediatamente posterior à perda da condição edênica e, por isso, ainda muito próxima daquele mundo.
Podemos representá-la simbolicamente assim:
Mundos Puros
↓ perda da condição original
Elda — primeira realidade semimaterial
↓ experiências sucessivas
Mundos Imperfeitos
↓ aprofundamento da experiência
Mundos de Provas
Elda funciona, assim, como uma espécie de "ponte entre a pureza espiritual e a experiência progressivamente mais materializada".
A consciência ainda permanecia desperta
Apesar da transição, segundo Pai Benedito, o homem ainda não havia perdido completamente a consciência de sua origem espiritual.
Na Terra de Elda, permaneciam vivos: a memória da origem; a consciência do propósito; a compreensão do destino espiritual; e a percepção da presença do Criador.
O "Eu Divino", representado pelas "Sete Virtudes Sagradas", ainda permanecia desperto no coração humano.
O homem entrava na experiência da matéria, mas ainda sabia de onde vinha.
Ainda sabia por que existia.
E ainda compreendia para onde deveria retornar.
É nesse sentido que podemos dizer, dentro da linguagem do Ẹlẹ́dàá, que naquele estágio o homem ainda: “caminhava consciente da presença de Deus.”
Adão, Eva, Ọbàtálá e Odùduwà
É também nesse contexto que devemos compreender a correspondência simbólica anteriormente apresentada dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá:
Adão — pai da primeira família humana.
Ọbàtálá — Pai de todos os Pais Orixás — Babá Orixás.
Eva — mãe da primeira família humana.
Odùduwà — Mãe de todas as Mães Orixás — Yámi Orixás.
Essa correspondência "não significa que Adão seja Ọbàtálá nem que Eva seja Odùduwà dentro das tradições bíblica ou yorùbá".
Trata-se de uma leitura simbólica própria da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
As tradições yorùbá preservam diferentes versões sobre a preparação do Ayé.
Em determinadas narrativas, Ọbàtálá está relacionado à formação da terra e especialmente à modelagem da forma humana.
Em outras, Odùduwà assume papel fundamental no estabelecimento da terra firme, na organização de Ilé-Ifẹ̀ e no desenvolvimento das futuras linhagens.
Dentro das orientações do Ẹlẹ́dàá, essas imagens são utilizadas para compreender dois princípios fundamentais:
Adão / Ọbàtálá — princípio paterno, preparação e organização.
Eva / Odùduwà — princípio materno, geração e continuidade da vida.
Assim começa a organização da primeira família humana.
Preparar a terra.
Quando Gênesis apresenta Adão cultivando o solo depois de sua saída do Éden, Pai Benedito nos orienta a não compreender essa tarefa apenas como o trabalho físico de um agricultor.
Dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá: "preparar a terra significa organizar as condições necessárias para que a vida possa desenvolver-se naquele mundo."
Isso envolve: o ambiente; os diferentes reinos; as relações entre os seres; a constituição das famílias; o aprendizado; as leis; e as condições necessárias para as próximas experiências evolutivas.
Adão prepara. Eva gera. A família começa. E a jornada humana prossegue.
A Segunda Escola
É nesse sentido que Pai Benedito denomina essa nova etapa de "Segunda Escola".
O homem vinha dos "Mundos Puros", mas iniciava sua passagem para os "Mundos Imperfeitos".
A descida não deve ser entendida simplesmente como abandono ou condenação.
Ela representa uma nova forma de aprendizado.
Na primeira condição, o homem conhecia.
Agora precisaria "experimentar aquilo que conhecia".
Saber o que é correto é uma coisa.
Escolher corretamente diante das dificuldades é outra.
Por isso começa: a escola da experiência; a escola da consequência; a escola da reparação; a escola da escolha consciente.
Os sete ambientes da jornada evolutiva
Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, podemos organizar os ambientes relacionados à jornada do espírito da seguinte maneira:
1 — Mundos Celestiais
2 — Mundos Divinos
3 — Mundos Puros
4 — Mundos Imperfeitos
5 — Mundos de Provas
Ao final dessa trajetória apresenta-se uma grande encruzilhada relacionada ao destino do espírito:
6 — Mundos das Trevas ou...
7 — Mundos de Luz
Os "Mundos de Luz" representam o caminho no qual o espírito será preparado para o retorno à sua origem.
Os "Mundos das Trevas" representam o resultado da persistência em escolhas contrárias às Leis Divinas.
Segundo as orientações transmitidas por Pai Joaquim de Angola, essa escolha final possui "caráter definitivo".
O grande percurso
Podemos representar simbolicamente a jornada:
1 — Celestiais
↑
2 — Divinos
↑
3 — Puros
ORIGEM DA EXPERIÊNCIA
↓
ELDA — primeira transição semimaterial
↓
4 — Imperfeitos
↓
5 — Provas
↓
ENCRUZILHADA DO DESTINO
↙ ↘
6 — Trevas 7 — Luz
↓
Preparação para o retorno
Assim, Elda passa a ocupar um lugar muito importante nessa arquitetura.
Ela é a "ponte".
O primeiro degrau depois dos Mundos Puros.
O mundo em que o espírito começa a experimentar uma matéria ainda sutil antes de seguir para ambientes progressivamente mais densos.
Uma referência para compreendermos Elda
Pai Benedito nos orienta que não possuímos atualmente uma experiência física capaz de representar exatamente o que foi a Terra de Elda.
Podemos, entretanto, utilizar como referência aproximada alguns dos "mundos ou faixas espirituais percebidos após o desencarne".
Essa comparação é apenas didática.
Não significa que esses ambientes sejam Elda.
Considerando o estágio atual da humanidade, o caminho de retorno até condições semelhantes ainda seria muito longo.
Segundo as orientações recebidas, a realidade mais próxima desse padrão de que temos notícia seria a "Fraternidade de Aruanda".
Aqui é importante fazer uma distinção: "Fraternidade de Aruanda" não deve ser confundida com "Colônia Espiritual de Aruanda."
São realidades distintas dentro das orientações transmitidas no decorrer deste estudo.
Síntese — O que representa a Terra de Elda?
Dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, podemos compreender Elda como:
o primeiro mundo semimaterial da experiência humana;
o estágio mais próximo do Éden após a perda da pureza;
o primeiro molde da matéria destinada à experiência;
o mundo relacionado ao corpo perispiritual da primeira família humana;
o início das consequências decorrentes da escolha;
o começo da Segunda Escola;
e a primeira ponte entre os Mundos Puros e os Mundos Imperfeitos.
Elda não representa simplesmente uma punição.
Representa "continuidade".
O homem perdeu uma condição.
Mas a jornada não terminou.
Uma nova escola foi preparada.
Um novo corpo tornou-se necessário.
Um novo mundo foi apresentado.
E uma nova oportunidade de aprender começou.
"Do Éden para Elda, o espírito não deixa de caminhar."
"Ele apenas dá o próximo passo evolutivo."
14.1 - Igbádù: A Cabaça da Existência
A representação do cosmos
Dentro das tradições yorùbá, a "cabaça - igbá" aparece como uma importante representação simbólica da existência.
Em determinadas concepções cosmológicas, o universo pode ser compreendido simbolicamente como uma grande cabaça formada por duas partes complementares:
A parte superior — Ọ̀run, relacionada à dimensão espiritual;
A parte inferior — Ayé, relacionada à dimensão da existência manifestada.
Assim, a cabaça reúne, em uma única imagem, duas dimensões fundamentais da existência:
Ọ̀run e Ayé. O invisível e o visível. O espiritual e o material.
Aquilo que existe em potência e aquilo que se manifesta.
Entretanto, é importante lembrar que, nessa visão cosmológica, Ọ̀run e Ayé não estão completamente separados.
São dimensões distintas, porém relacionadas entre si, participando de uma mesma realidade cósmica.
Em tradições relacionadas a Ifá, encontramos também referências ao Igbá Odù — Igbádù, a Cabaça de Odù, relacionada aos mistérios da existência, da manifestação e do destino.
Existem diferentes tradições acerca de sua composição e de seus significados internos. Por isso, nem todas as correspondências apresentadas sobre cores, elementos, Odù ou direções devem ser entendidas como uma única doutrina universal yorùbá.
A partir deste ponto, apresentaremos a compreensão transmitida por Pai Benedito de Aruanda dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàá, Pai Benedito de Aruanda nos orienta a compreender o Igbádù como uma representação da própria arquitetura da existência.
A grande cabaça reúne, em sua estrutura, Céu e Terra, o princípio espiritual e o princípio gerador, formando um único sistema no qual a vida pode se manifestar e seguir sua jornada.
14.2 - A parte superior: Ọ̀run e Pai Olórun
A parte superior do Igbádù representa o Ọ̀run, a dimensão espiritual
Segundo Pai Benedito, ela representa também simbolicamente Pai Olórun — o Senhor do Ọ̀run.
Assim, a parte superior da cabaça não representa apenas um lugar.
Ela expressa também o princípio celeste e ordenador da criação.
Pai Olórun representa, nessa leitura: O alto; O princípio espiritual; A ordem; A direção Divina — o propósito existencial; A dimensão celeste da existência.
É do alto que procede a orientação.
É no Ọ̀run que se encontra a dimensão espiritual da criação.
14.3 - A parte inferior: Ayé e Mãe Olókun
A metade inferior da cabaça representa o Ayé
Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, ela representa igualmente Mãe Olókun, compreendida simbolicamente como o grande útero gerador da vida.
O Ayé, portanto, não deve ser compreendido apenas como uma superfície física ou simplesmente como o planeta Terra.
Ele representa o ambiente no qual aquilo que pertence à dimensão espiritual poderá:Ser recebido; ser gestado; manifestar-se; experimentar; aprender; transformar-se.
Mãe Olókun representa, nessa leitura do Ẹlẹ́dàá, o princípio receptivo e gerador que acolhe em seu ventre a manifestação da vida.
Temos, portanto: Acima — Ọ̀run — Pai Olórun e Abaixo — Ayé — Mãe Olókun.
São duas dimensões distintas, mas pertencentes à mesma grande Cabaça da Existência.
14.4 - As quatro pembas no interior do Igbádù
Segundo as orientações transmitidas por Pai Benedito de Aruanda, encontramos simbolicamente no interior do Igbádù **quatro pembas**, representadas por quatro cores: Branco — ẹfun; Vermelho — osùn; Preto — carvão / èédú; Marrom — terra ou lama, relacionada a Mãe Onílẹ̀ — a Mãe Terra.
A palavra "pemba", nesta apresentação, pertence à linguagem utilizada dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá e aproxima simbolicamente elementos provenientes de diferentes tradições africanas.
As quatro cores representam quatro direções fundamentais da existência.
Não se trata apenas de posições espaciais.
Elas representam: Caminhos; encruzilhadas; possibilidades; escolhas.
São caminhos que se apresentam diante do espírito.
Por isso, Pai Benedito os relaciona simbolicamente às "encruzilhadas da existência e aos caminhos que percorremos segundo nossas próprias escolhas".
14.5 - Os quatro caminhos
As quatro cores correspondem, dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, às seguintes direções:
Branco — Acima; Representa o caminho orientado para o alto, para a dimensão espiritual e para nossa origem divina.
Marrom — Abaixo; Representa o caminho da matéria, da Terra e da experiência dentro do Ayé.
Está relacionado a Mãe Onílẹ̀, a Mãe Terra, que sustenta a experiência material.
Preto — Esquerda; Representa o caminho situado à esquerda: Ojúkòsì.
Vermelho — Direita
Representa o caminho situado à direita: Ojúkòtún.
As grafias desses compostos podem apresentar pequenas variações de transcrição nas fontes yorùbá, mas conservamos aqui esta forma para manter a uniformidade de nosso estudo.
Temos, portanto, quatro direções: Acima; Abaixo; Esquerda; Direita.
Essas quatro direções formam uma grande "Encruzilhada Primordial".
O espírito encontra-se diante de caminhos possíveis. Cada caminho implica movimento. Cada movimento produz experiência.
E cada escolha traz consigo suas próprias consequências.
14.6 - A linha de divisão e união da Cabaça
Entre a parte superior e a parte inferior do Igbádù existe uma linha de divisão e, ao mesmo tempo, de união.
Acima está o Ọ̀run. Abaixo está o Ayé. Essa linha representa o limite entre as duas dimensões, mas representa igualmente o ponto pelo qual elas podem se relacionar.
Ela não é apenas separação.
Ela também é:Limiar; fronteira; comunicação; passagem/travessias.
É exatamente nessa região central que, segundo Pai Benedito de Aruanda, encontramos o Orixá Exu.
14.7 - Orixá Exu: o equilíbrio de forças entre Céu e Terra
Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, "Orixá Exu" ocupa uma posição fundamental no centro do Igbádù.
Ele está no ponto de encontro entre: Ọ̀run e Ayé; Céu e Terra; Espírito e Matéria; Alto e Baixo; Esquerda e Direita; Luz e Trevas; as diferentes possibilidades de escolha e suas respectivas consequências.
Isso não significa que Exu seja simplesmente uma mistura dessas forças.
Sua função é estabelecer o equilíbrio necessário entre elas e permitir que o Axé circule através da criação.
Exu está no limiar.
Está na passagem/travessia.
Está na encruzilhada.
É aquele que participa da dinâmica que permite que as forças circulem e que os caminhos permaneçam abertos de acordo com as Leis da Criação e com nossas próprias escolhas.
Dentro dessa leitura, Orixá Exu pode ser compreendido como: Guardião do equilíbrio; Senhor da encruzilhada; Regulador e vitalizador do Axé; Mediador entre Céu e Terra; Orixá que mantém os caminhos da existência em movimento.
Por isso, encontrá-lo na linha divisória da Cabaça possui profundo significado.
O centro é o ponto onde todas as direções podem se encontrar.
14.8 - O Igbádù como primeira grande encruzilhada na Geometria Sagrada da Existência
Podemos agora compreender o Igbádù não apenas como a imagem de uma cabaça dividida em duas metades.
Ela se torna um verdadeiro Mapa da existência, uma primeira arquitetura básica do mapa do Ẹlẹ́dàá.
Na parte superior: Ọ̀run — Pai Olórun.
No interior: Quatro caminhos representados pelas quatro pembas nas seguintes cores: Acima — Branco — Ọ̀run; Abaixo — Marrom — Ayé / Mãe Onílẹ̀; Esquerda — Preto — Ojúkòsì; Direita — Vermelho — Ojúkòtún.
No centro(linha horizontal que divide e une as duas partes da Cabaça): Orixá Exu — equilíbrio, passagem e vitalização do Axé.
Na parte inferior: Ayé — Mãe Olókun.
As direções energéticas de Ilé-Ifẹ̀
Dentro da interpretação do Ẹlẹ́dàá, podemos ainda representar simbolicamente essas forças em relação ao estabelecimento da experiência humana no mundo físico.
"Ilé-Ifẹ̀", reconhecida nas tradições yorùbá como centro sagrado e berço da civilização yorùbá, passa a representar, em nossa leitura simbólica, o estabelecimento da experiência humana organizada no Ayé.
A estrutura pode ser representada da seguinte maneira:
(BRANCO - ACIMA)
Ọ̀RUN
↑
(PAI OLÓRUN - Senhor do Ọ̀run)
↑
(PRETO -ESQUERDA) - (CENTRO — EQUILÍBRIO, AXÉ) - (VERMELHO — DIREITA)
↑
OJÚKÒSÌ - ODÙDUWÀ ← (ORIXÁ EXU) → OJÚKÒTÚN - ỌBÀTÁLÁ
↓
(MARROM — ABAIXO)
AYÉ
↓
(MÃE OLÓKUN — útero primordial da manifestação da vida)
↓
(MÃE ONÍLẸ̀ — Mãe Terra)
↓
(YORIMÁ — Axé primordial dos Quatro Reinos, segundo o Ẹlẹ́dàá)
↓
(AGANJÚ — Fogo Interior da Terra, segundo o Ẹlẹ́dàá os orgãos interiores da terra)
Essa imagem nos permite compreender por que a "Encruzilhada" ocupa uma posição tão importante dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
Antes mesmo de representar uma estrada física, ela representa a possibilidade da escolha.
14.9 - Entre a tradição yorùbá e a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá
Para preservarmos o princípio de respeito absoluto às tradições adotado neste trabalho, é importante fazermos uma distinção.
A representação da "cabaça como imagem do cosmos", assim como a relação complementar entre "Ọ̀run e Ayé", encontra correspondências dentro das tradições yorùbá.
Também encontramos, em determinados contextos relacionados a Ifá, referências ao "Igbá Odù — Igbádù" e a estruturas simbólicas existentes em seu interior.
Da mesma forma, conceitos como "ẹfun, osùn, Odù, Ọ̀run, Ayé, Ọbàtálá, Odùduwà, Olókun, Onílẹ̀ e Exu" pertencem ao vasto universo religioso e filosófico yorùbá, embora seus significados, atributos e relações possam variar entre diferentes tradições e linhagens.
Entretanto, a arquitetura específica apresentada neste estudo — incluindo: Pai Olórun na parte superior; Mãe Olókun na parte inferior; as quatro pembas representando Acima, Abaixo, Esquerda e Direita; Odùduwà posicionada à esquerda como Mãe das Mães Orixás; Ọbàtálá posicionado à direita como Pai dos Pais Orixás; Mãe Onílẹ̀ relacionada ao eixo inferior da Terra; Yorimá como Axé primordial dos Quatro Reinos; Aganjú relacionado ao Fogo Interior da Terra; e Orixá Exu localizado na linha central como força de equilíbrio, passagem e vitalização do Axé pertence às "orientações recebidas de Pai Benedito de Aruanda e à interpretação desenvolvida dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá".
No caso específico de "Yorimá", sua presença nesta estrutura não deve ser confundida com um Òrìṣà universalmente reconhecido nas tradições tradicionais yorùbá. Sua utilização pertence ao contexto espiritual e doutrinário no qual se desenvolve nossa própria compreensão do Ẹlẹ́dàá.
Da mesma forma, a associação específica de Aganjú ao Fogo Interior da Terra é apresentada aqui segundo as orientações recebidas dentro deste estudo.
Não pretendemos, portanto, apresentar essa arquitetura como doutrina universal da religião tradicional yorùbá.
Nosso propósito é registrar com clareza:
"o que encontramos nas antigas tradições;"
"as aproximações que podemos estabelecer;"
"e onde começam os ensinamentos próprios recebidos no decorrer do estudo do Ẹlẹ́dàá."
14.10 - A Cabaça e o início da jornada em Ilé-Ifẹ̀
O Igbádù nos apresenta uma imagem extraordinariamente simples e, ao mesmo tempo, profunda.
Uma única Cabaça. Dois grandes campos. Quatro caminhos. Um centro. No alto, a origem espiritual.
Abaixo, o ambiente da manifestação e da experiência.
À esquerda e à direita, forças e possibilidades.
No centro, o equilíbrio.
O espírito encontra-se diante da existência.
E existir significa também "escolher".
Cada escolha movimenta a encruzilhada.
Cada caminho produz experiências.
Cada experiência produz consequências.
E cada consequência participa da construção de nosso destino.
Ilé-Ifẹ̀ aparece nas tradições yorùbá como um centro primordial e sagrado da civilização yorùbá.
Dentro da leitura do Ẹlẹ́dàá, essa imagem pode representar também o momento no qual a organização da existência deixa de permanecer apenas como potencial e começa a se manifestar concretamente na experiência humana dentro do Ayé.
Assim, antes de compreendermos como o homem começa sua caminhada através dos diferentes mundos, precisamos compreender a estrutura na qual essa caminhada acontece.
O Igbádù é a Cabaça da Existência.
Mas, dentro da leitura do Ẹlẹ́dàá, ele é também "o primeiro grande mapa dos caminhos da criação e o cordão umbilical cósmico que nos une aos pais ancestrais."
A Cabaça nos mostra onde estamos.
A encruzilhada nos mostra que existem caminhos.
E Orixá Exu, no centro, recorda-nos que "todo caminho implica movimento, equilíbrio, escolha e consequência."
(Parte IV) — O Mundo das Provas e da Escolha
Antes de chegar a este mundo, o homem já havia percorrido outros caminhos.
A experiência humana não começa na Terra, nem a existência do espírito se limita a uma única passagem por um único orbe. Em etapas anteriores de sua caminhada, o espírito experimentou outras condições de vida, outros ambientes e outras formas de aprendizado, adquirindo experiências que contribuíram para sua formação e preparação.
Ao ingressar neste mundo, porém, inicia-se uma nova etapa.
O homem entra em um Mundo de Provas.
Não apenas um lugar para viver, mas um campo de experiências no qual deverá aprender a escolher.
Aqui, cada encontro, cada dificuldade, cada oportunidade, cada desejo e cada decisão colocam diante dele possibilidades distintas.
Escolher construir ou destruir.
Escolher unir ou separar.
Escolher servir ou dominar.
Escolher amar ou odiar.
Escolher utilizar conscientemente o Axé ou desviá-lo de sua finalidade.
Por isso, este mundo não deve ser compreendido simplesmente como um lugar de sofrimento ou punição.
Ele é uma escola da escolha.
“É no exercício da escolha que o homem começa a revelar o seu Ìwà — aquilo que verdadeiramente constitui o seu caráter — e, através das experiências e de suas próprias escolhas, aprende a desenvolver o Ìwà Pẹ̀lẹ́, o caráter bom, equilibrado e consciente.”
Entretanto, nenhuma escola pode cumprir sua finalidade sem ordem, disciplina e Lei.
O livre-arbítrio permite ao homem escolher o caminho, mas não lhe concede o poder de eliminar as consequências de suas próprias escolhas.
"Existe uma Lei Universal".
Ela não nasce das conveniências humanas, não se modifica de acordo com interesses pessoais e não deixa de atuar simplesmente porque o homem desconhece sua existência.
"Ela é universal e imutável".
É dentro dessa nova condição que, segundo as Orientações recebidas de Pai Benedito de Aruanda, passam a exercer papel fundamental duas grandes Comunidades do Ọ̀run a fim de que a "LEI" seja cumprida e a "JUSTIÇA" seja aplicada:
a "Comunidade das Grandes Mães" — Ìyámi Òṣòròngà, o Ẹgbẹ́ Ọ̀run Òṣòròngà;
e a "Comunidade dos Senhores Exus" — o Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu.
Essas duas grandes Comunidades passam a desempenhar, simbolicamente, a função de pais diante da humanidade que ingressa neste Mundo de Provas.
Não pais no sentido biológico.
"Pais no sentido da responsabilidade de educar".
São forças encarregadas de acompanhar, orientar, limitar, corrigir, proteger e assegurar que o aprendizado possa acontecer dentro da ordem estabelecida pela Lei.
As Grandes Mães representam o princípio que gera, mantém, educa, corrige e administra os ciclos da vida.
Os Senhores Exus representam o princípio que guarda as passagens, estabelece os limites, promove o movimento, medeia as relações e assegura que cada escolha encontre o caminho correspondente às suas consequências.
Mães e Exus não retiram do homem sua liberdade.
Ao contrário.
A existência da Lei é justamente o que torna a escolha verdadeira.
Se todas as escolhas produzissem o mesmo resultado, não haveria responsabilidade.
Se construir e destruir conduzissem ao mesmo destino, não existiria aprendizado.
Se toda ação pudesse ser anulada sem consequência, a liberdade perderia seu significado.
Assim, a Lei não existe para impedir a escolha.
A Lei permite que o homem aprenda através dela.
As Ìyámi Òṣòròngà e os Senhores Exus tornam-se, dentro dessa etapa evolutiva, guardiões dessa ordem.
Uma força acompanha a geração, manutenção, educação e correção da vida.
A outra guarda os caminhos, encruzilhadas, limites, passagens e consequências.
Entre ambas encontra-se o homem.
Diante dele, os caminhos.
Dentro dele, a capacidade de escolher.
Ao redor dele, a "LEI e a JUSTIÇA DIVINA".
E acima de qualquer escolha individual permanece o princípio universal e imutável que assegura que cada ser possa aprender, corrigir seus passos e continuar sua caminhada.
"A cada um segundo as suas obras"
A partir daqui começa uma nova fase da história do homem.
Depois de aprender a existir, ele deverá aprender a escolher.
E, ao aprender a escolher, começará finalmente a descobrir quem deseja se tornar.
Nota: "A presente organização não pretende afirmar que a cosmologia tradicional yorùbá e a cosmologia apresentada no Projeto Ẹlẹ́dàá sejam idênticas".
"Nosso objetivo é reconhecer pontos de convergência, correspondências funcionais e símbolos semelhantes, mantendo claramente separado aquilo que encontramos nas tradições yorùbá daquilo que recebemos como orientação própria de Pai Benedito de Aruanda".
15.00 - DA CRIAÇÃO À ESCOLHA
Os Princípios da Vida, da Lei e da Experiência em Ayé
15.01 - Recordando os Princípios Básicos
- GRANDE MÃE PRIMORDIAL (Nossa Origem)
No Projeto Ẹlẹ́dàá, a Grande Mãe Primordial representa a realidade geradora anterior à criação consciente.
Ela gera naturalmente.
Nela existe o princípio primordial de potência que denominamos Axé.
A Grande Mãe gera.
- PAI NZAMBI MPUNGU
Pai Nzambi Mpungu manifesta-se como Universo-Filho dotado de vontade, consciência e intenção.
Ele não apenas gera: cria conscientemente.
“A Grande Mãe gera. Pai Nzambi cria.”
"Essa distinção entre geração e criação consciente pertence à cosmologia própria do Projeto Ẹlẹ́dàá".
- AXÉ / ÀṢẸ
Princípio universal de potência, eficácia e realização.
É a força pela qual aquilo que existe como possibilidade pode produzir efeitos.
Dentro do Projeto Ẹlẹ́dàá, compreendemos o Axé como força primordial criadora e realizadora.
AXÉ / ÀṢẸ = potência universal.
- ÀJẸ́
Uma capacidade ou modalidade específica de exercício dessa potência, particularmente ligada ao campo das Mães.
A pesquisa mostra seu caráter polar: pode favorecer vida, fertilidade, cura, prosperidade e construção, mas também pode retirar, impedir, destruir ou conduzir à morte.
Assim:
“Àjẹ́ não deve ser reduzido às categorias de ‘bruxaria’ ou ‘feitiçaria’.”
“Àjẹ́ não é, por natureza, exclusivamente benéfico ou maléfico; seus efeitos dependem da direção e do exercício da potência.”
Seu resultado depende da direção dada à essa força.
- O Primeiro Desdobramento da Criação
YÁMI AGBÁ OLÓKUN ↔ BABÁ AGBÁ OLÓRUN
No Projeto Ẹlẹ́dàá, representam uma polaridade cósmica fundamental:
Yámi Agbá Olókun
→ princípio materno (gerador).
Babá Agbá Olórun
→ princípio paterno (sêmen - vitalizador).
Não afirmamos que essa estrutura seja uma fórmula tradicional yorùbá encontrada dessa maneira nas fontes.
Ela pertence às Orientações recebidas no Projeto.
Entretanto, encontramos na tradição yorùbá diversos paralelos entre feminino primordial, águas profundas, geração, fertilidade e maternidade.
15.02 - O PRINCÍPIO MATERNO PRIMORDIAL
- GRANDE MÃE PRIMORDIAL
É, no Ẹlẹ́dàá, anterior às manifestações posteriores do feminino.
- YÁMI AGBÁ OLÓKUN
Pode ser compreendida, dentro do mapa do Projeto, como uma manifestação cósmica posterior do princípio materno primordial. “Participou da geração das condições, formas ou matrizes através das quais a vida se manifesta”.
Na comparação com a tradição yorùbá, encontramos ressonâncias com:
Ìyá Nlá
Odù Lógbóje
Olókun
as águas primordiais
fertilidade
maternidade
potencialidade.
Entretanto: ÌYÁ NLÁ = YÁMI AGBÁ OLÓKUN (Mãe ancestral geradora)
*não deve ser apresentado como equivalência tradicional yorùbá.
Dentro do Projeto, podemos considerá-las correspondentes funcionalmente, mas não precisamos afirmar que sejam historicamente a mesma entidade.
- ÌYÁ NLÁ — A GRANDE MÃE
Ìyá Nlá representa, em tradições ligadas especialmente ao Gẹ̀lẹ̀dé, a Grande Mãe primordial.
Ela pertence ao complexo do feminino primordial e das Mães.
*Em algumas tradições locais, Ìyá Nlá pode ser personificada como Onílẹ̀ e até como Odua/Odùduwà.
Isso demonstra que existe sobreposição entre essas figuras em algumas regiões, mas não uma identidade universal.
- ODÙ LÓGBÓJE
A pesquisa de Pierre Verger apresenta Odù Lógbóje como “Nossa Mãe”, relacionada às Ìyámi.
Ela recebe de Olódùmarè poder sobre os Òrìṣà(obs:01).
Esse poder é simbolizado pelo pássaro(obs:02).
Ela recebe também a cabaça(obs:03), imagem do mundo e recipiente de sua potência.
Portanto existe uma ligação muito forte:
ODÙ LÓGBÓJE
↔ ÌYÁMI
↔ ẸYẸ
↔ IGBÁ
↔ ÀJẸ́.
No Projeto Ẹlẹ́dàá, podemos aproximar Odù Lógbóje do grande campo das Mães, mas devemos evitar afirmar historicamente:
Odù Lógbóje = Odùduwà como regra geral yorùbá.
- ODÙDUWÀ — EVA
"Essa identificação com Adão e Eva pertence especificamente ao Projeto Ẹlẹ́dàá".
Contudo, a pesquisa encontrou tradições yorùbá nas quais Odùduwà é feminina e outras nas quais aparece em relação complementar com Ọbàtálá.
Assim, o caráter feminino de Odùduwà recebido no Projeto possui paralelos tradicionais, embora a correspondência com Eva seja uma chave própria do Ẹlẹ́dàá.
(obs:01) - "Ela recebe de Olódùmarè poder sobre os Òrìṣà". Pai Benedito nos explica que não é poder sobre os Orishás, mas que vão atuar no Axé principal de três mães Orishas à saber: Yemojá, Oxum e Yansã como veremos mais adiante.
(obs:02) - "Esse poder é simbolizado pelo pássaro" Pai Benedito nos explica que os passaros representam o poder das "ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ" de poderem ver tudo o que acontece com cada um de nós. Nossas ações sejam no bem, ou no mal.
15.03 - A COLETIVIDADE DAS MÃES
ÀWỌN ÌYÁ - “Nossas Mães.”
Representam a coletividade das potências maternas.
Dentro do Projeto, podemos compreender esse campo como uma manifestação posterior do princípio primordial feminino.
Odù Lógbóje
→ figura primordial ligada às Mães.
Àwọn Ìyá
→ coletividade das Mães.
Odùduwà
→ figura própria, que em algumas tradições pode aproximar-se regionalmente da "Grande Mãe".
No Ẹlẹ́dàá essas figuras podem ocupar posições relacionadas dentro de uma arquitetura maior como veremos a seguir.
15.04 - ONÍLẸ̀ — A MÃE TERRA
ILẸ̀
→ Terra, chão, solo.
ONÍLẸ̀
→ Senhora/possuidora da Terra.
No Projeto recebemos uma diferenciação adicional:
ONÍLẸ̀
→ corpo da Terra, a própria Terra(ELA É UM SER VIVO).
Aganjú
→ interior da Terra, comparável simbolicamente aos órgãos internos da Mãe Terra .
Òrìsà (orixá) primordial associado aos vulcões, ao fogo subterrâneo, às montanhas, às cavernas e aos desertos.
Onilé–Aganjú
→ potência administradora, mantenedora e vitalizadora dos ciclos terrestres.
Essa interpretação Onilé–Aganjú pertence ao Projeto e deve ser apresentada dessa maneira.
"A tradição pesquisada sustenta fortemente a dimensão de Onílẹ̀ como Terra sagrada, relacionada à vida, morte, ancestralidade, estabilidade social e autoridade moral".
“No Projeto, Aganjú representa simbolicamente o interior da Terra. Na tradição histórica de Ọ̀yọ́, Aganjú também aparece como antigo Aláàfin; associações com vulcões e fogo subterrâneo são especialmente desenvolvidas nas tradições afro-diaspóricas.”
15.05 - ONÍLẸ̀ COMO TESTEMUNHA
A expressão “Testemunha” pode ser compreendida no Projeto porque tudo que ocorre no Ayé deixa sua passagem sobre ou dentro da Terra:
nascimentos;
juramentos;
sangue derramado;
sepultamentos;
passagens ancestrais;
sacrifícios;
comunidades;
erros e acertos;
construções e destruições.
A Terra sustenta a existência, recebe seus acontecimentos e finalmente recebe novamente os corpos.
Assim:
Terra → nascimento → experiência → morte → ancestralidade → renovação.
"Dentro do Ẹlẹ́dàá, podemos chamar Onílẹ̀ de Testemunha desses ciclos".
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| Assentamento |
15.06 - ÒṢÒRÒNGÀ, ẸLẸ́YẸ E ÀJẸ́
Precisamos separar os conceitos.
ÒṢÒRÒNGÀ
É uma denominação/oríkì tradicional ligada ao complexo das Mães.
Não encontramos base suficientemente segura para traduzir Òṣòròngà literalmente como “pássaro”, “coruja” ou “feiticeira”.
Pai Benedito de Aruanda nos orienta que "ÒṢÒRÒNGÀ", é o nome da comunidade(Ẹgbẹ́ Ọ̀run) "ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ".
ẸLẸ́YẸ
Significa: “possuidora do pássaro”.
ẸYẸ
Significa: Pássaro.
Nas narrativas estudadas, o pássaro funciona como símbolo e agente do poder das Mães.
ÀJẸ́
Significa: Potência extraordinária associada ao campo das Mães e também denominação de suas portadoras.
Portanto:
Àwọn Ìyá
→ Mães
Àjẹ́
→ potência/capacidade
Ẹyẹ
→ símbolo/agente
Ẹlẹ́yẹ
→ possuidora do pássaro
Òṣòròngà
→ denominação tradicional pertencente a esse complexo.
15.07 - ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ NO PROJETO ẸLẸ́DÀÁ
Segundo as Orientações recebidas, podemos compreender Ìyámi Òṣòròngà como uma Comunidade de Grandes Mães ancestrais pertencentes ao campo dos Ìrúnmọlẹ̀(Divindades) e relacionadas à administração da vida em Ayé.
No Projeto, essa comunidade(Ẹgbẹ́ Ọ̀run) está relacionada à:
Lei;
manutenção da ordem;
aplicação da Justiça Divina;
geração;
correção;
proteção e continuidade da vida.
Essa caracterização precisa permanecer identificada como ensinamento próprio do Ẹlẹ́dàá.
A tradição yorùbá pesquisada oferece paralelos importantes: as Mães são relacionadas à fertilidade, poder, vida e morte, prosperidade e calamidade, equilíbrio comunitário e necessidade de respeito e propiciação.
Mas não encontramos uma doutrina tradicional uniforme que defina literalmente Ìyámi Òṣòròngà como “tribunal cósmico responsável pela Justiça Divina”.
15.08 - REGÊNCIA DAS GRANDES MÃES-ÒRÌṢÀ NO Ẹgbẹ́ Ọ̀run "ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ"
No Projeto temos três grandes regências maternas:
YEMỌJA
→ Fraternidade.
Ọ̀ṢUN
→ Educação.
YANSÃ / ỌYA
→ Correção.
Essas três funções — Fraternidade, Educação e Correção — pertencem às Orientações de Pai Benedito.
Encontramos, entretanto, correspondências tradicionais que ajudam a compreender essas atribuições.
15.09 - YEMỌJA — FRATERNIDADE
No Projeto:
Yemọja
→ Mãe fraternal.
Ela cuida, acolhe, sustenta e promove a continuidade da vida.
A pesquisa yorùbá encontrou Yemọja profundamente relacionada à:
maternidade;
geração;
fertilidade;
água;
continuidade da vida;
Gẹ̀lẹ̀dé;
Àwọn Ìyá;
Àjẹ́.
Portanto, a função “Fraternidade” não é uma tradução tradicional de Yemọja, mas encontra ressonância forte em sua dimensão materna e agregadora.
ÈLÀ - Ìrúnmọlẹ̀ que atua no Ẹgbẹ́ Ọ̀run "ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ".
Èlà não deve ser apresentado simplesmente como uma qualidade ou subordinado de Yemọja.
Ele pertence a outro eixo.
Em determinadas tradições de Ifá, e na confirmação de Pai Benedito, Èlà é compreendido como princípio ou Ìrúnmọlẹ̀ relacionado a:
libertação; abertura; salvação; restauração; proteção contra adversidades; recomposição da ordem.
Em algumas escolas está profundamente relacionado a Òrúnmìlà; em outras é tratado como entidade própria.
Assim, dentro do Ẹlẹ́dàá, se Èlà atuar junto ao campo de Yemọja, podemos compreendê-lo funcionalmente como força de libertação e restauração. Mais a frente em nossos estudos vamos ver o lado oposto desse Ìrúnmọlẹ̀,"Elenini".
15.10 - Ọ̀ṢUN — EDUCAÇÃO
No Projeto:
Ọ̀ṣun
→ Mãe educadora.
A tradição pesquisada associa Ọ̀ṣun fortemente à:
fertilidade;
gestação;
feminilidade;
prosperidade;
capacidade de realização;
àjẹ́;
participação indispensável no estabelecimento da ordem no mundo.
Ọ̀ṢUN ÀKỌ́KỌ́ - Ìrúnmọlẹ̀ que atua no Ẹgbẹ́ Ọ̀run "ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ".
Segundo as Orientações recebidas:
Ọ̀ṣun Àkọ́kọ́
→ Ìrúnmọlẹ̀ administrador do útero e dos nascimentos.
Essa denominação específica deve, por enquanto, permanecer identificada como parte das Orientações do Projeto, pois ainda precisamos encontrar documentação tradicional suficientemente forte para estabelecer exatamente esse título e função fora do Ẹlẹ́dàá.
Dentro do mapa recebido, entretanto:
Ọ̀ṣun Àkọ́kọ́
→ útero
→ gestação
→ nascimento
→ educação/formação inicial
→ manifestação da vida.
15.11 - YANSÃ / ỌYA — CORREÇÃO
No Projeto:
Yansã
→ Mãe corretiva.
Ela representa movimento, correção e redirecionamento.
YÁ MẸ́SÀN Ọ̀RUN / YAMESANORUN - Ìrúnmọlẹ̀ que atua no Ẹgbẹ́ Ọ̀run "ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ".
Segundo as Orientações recebidas:
→ Ìrúnmọlẹ̀ guardiã dos Nove Portais.
1 - Portal da Kalunga
2 - Portal das Encruzilhadas
3 - Portal das Matas
4 - Portal das Águas
5 - Portal dos Ẹgbẹ́ Ọ̀run distantes: Povos da Areia(Deserto), Montanhas e Tundras(Ártica,Alpina e Antartíca).
6 - Portais do Mar
7 - Portais Sagrados
8 - Portais Esquecidos / Escondidos(Ocultos)
9 - Portais Proibidos
Essa função específica deve permanecer identificada como Orientação do Ẹlẹ́dàá até conseguirmos verificar de forma independente sua correspondência exata nas fontes yorùbá.
Nota(01)
“Nas tradições em que Ọya e Yansã são compreendidas como a mesma divindade, encontramos relações com os ventos, a transformação, a morte e a ancestralidade. Essas correspondências oferecem um terreno comparativo importante, mas não devem ser utilizadas, por si sós, como prova da estrutura dos Nove Portais apresentada no Projeto Ẹlẹ́dàá.”
Nota(02)
YANSÃ E ỌYA: DUAS FUNÇÕES DISTINTAS NO PROJETO ẸLẸ́DÀÁ
YANSÃ — CORREÇÃO
No Projeto Ẹlẹ́dàá, Yansã é compreendida como a Mãe corretiva.
Está relacionada ao movimento, aos ventos, às tempestades e aos relâmpagos, mantendo proximidade com a compreensão tradicional afro-brasileira dessa força.
ỌYA — YÁ MẸ́SÀN Ọ̀RUN
No Projeto Ẹlẹ́dàá, Ọya é distinguida de Yansã e compreendida como Yá Mẹ́sàn Ọ̀run, Ìrúnmọlẹ̀ ligada à guarda dos Nove Portais.
Assim ficam muito claros os dois níveis:
Tradição afro-brasileira: frequentemente Ọya/Yansã aparecem como a mesma divindade.
Projeto Ẹlẹ́dàá:
Yansã → Correção, ventos, tempestades e relâmpagos
Ọya / Yá Mẹ́sàn Ọ̀run → guarda dos Nove Portais
ELENINI - Ìrúnmọlẹ̀ que atua no Ẹgbẹ́ Ọ̀run "ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ".
“Guardiã da nossa Consciência / nossa Sombra”.
- Testemunha do Destino (Ìpín): Ela está presente no momento em que cada espírito escolhe seus votos e realiza seus pedidos de vida antes de vir ao mundo.
- Guardiã e Provadora: Funciona como um filtro espiritual; testa a determinação, a paciência e o caráter humano, permitindo ou dificultando a realização dos propósitos.
- Abertura aos Ajogun: Quando o indivíduo se desvia por meio de vaidade, soberba, más palavras ou desarmonia, Elenini abre espaço para a entrada dos Ajogun, "forças espirituais adversas que, segundo as Orientações do Projeto, atuam no âmbito do "Ẹgbẹ́ Ọ̀run Èṣù" e no "Reino dos Senhores Exus".
- Superação: É vencida através do cultivo de Iwá Rere (bom caráter), do alinhamento com o Orí (consciência e guia interior).
15.12 - A SIMBOLOGIA DA GERAÇÃO
IGBÁ
Cabaça, recipiente.
No Projeto, simbolicamente:
IGBÁ
→ útero.
ODÙ
No contexto estudado:
→ potência;
→ conteúdo;
→ mistério feminino;
→ princípio contido.
IGBÁ ODÙ
→ recipiente de Odù.
IGBÁDÙ
No Projeto:
→ representação organizada do cosmos.
Existe forte paralelismo simbólico entre recipiente, mundo, potencialidade e geração.
Entretanto, a configuração específica do Igbádù recebida no Projeto não deve ser automaticamente atribuída à tradição yorùbá como um todo.
15.13 - ẸYIN — O OVO
Ẹyin significa ovo.
Nas narrativas relacionadas às Mães, ao feminino primordial e à criação, o ovo possui importante simbolismo de potencialidade e vida.
No Projeto recebemos uma interpretação adicional:
ẸYIN
→ o espírito a ser despertado durante a geração.
Não é um espírito criado naquele momento.
Ele é despertado.
Gerar, nesse sentido, aproxima-se de:
acordar;
ativar;
fazer manifestar uma vida potencial.
Essa interpretação pertence especificamente à cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
15.14 - EXU / ÈṢÙ — A MEDIAÇÃO
A tradição yorùbá oferece forte sustentação para compreender Èṣù como:
mediador;
mensageiro;
agente da passagem;
articulador de relações;
elemento indispensável à realização do ẹbọ.
No Projeto:
Exu / Èṣù
→ ponte;
→ passagem;
→ mediador;
→ guardião;
→ centro promotor do equilíbrio.
EXU BARA / Èṣù Bàrà
No Igbádù:
→ centro.
Segundo as Orientações recebidas, Bara equilibra "FORÇAS OPOSTAS":
masculino ↔ feminino
Axé ↔ Contra-Axé.
EXU ELEGBARA / Èṣù Elégbára
No Projeto:
→ guardião do Contra-Axé.
EXU ODARA / Èṣù Ọ̀dàrà
No Projeto:
→ guardião do Axé.
Essa arquitetura específica Elegbara–Bara–Odara deve ser apresentada como estrutura própria recebida no Ẹlẹ́dàá.
A tradição yorùbá oferece forte respaldo para a função geral de Èṣù como mediador e agente do equilíbrio e da eficácia, mas não encontramos até agora a mesma divisão tripartida formulada exatamente dessa maneira.
15.15 - ÒRÚNMÌLÀ
Òrúnmìlà representa o conhecimento, a consulta e a interpretação do destino.
No nosso mapa podemos compreender:
ODÙ
→ contém possibilidades.
ÒRÚNMÌLÀ
→ conhece e interpreta.
ÈṢÙ
→ medeia e possibilita a realização.
ẸBỌ
→ intervenção realizada.
Assim:
possibilidade
→ conhecimento
→ escolha
→ mediação
→ realização.
15.16 - CONCILIAÇÃO FINAL
A estrutura que emerge do Projeto Ẹlẹ́dàá pode ser organizada da seguinte maneira:
GRANDE MÃE PRIMORDIAL
→ geração primordial
AXÉ
→ potência
PAI NZAMBI MPUNGU
→ vontade, consciência e criação
↓
YÁMI AGBÁ OLÓKUN ↔ BABÁ AGBÁ OLÓRUN
→ polaridade materna/paterna
↓
manifestação da vida
↓
MÃES / POTÊNCIAS MATERNAS
→ geração, manutenção e transformação da vida
↓
YEMỌJA
→ Fraternidade
Ọ̀ṢUN
→ Educação
YANSÃ
→ Correção
↓
ONÍLẸ̀
→ Terra, manutenção dos ciclos e testemunho
↓
AYÉ
→ campo da experiência e da manifestação
Enquanto:
AXÉ
→ fornece potência
ÀJẸ́
→ utiliza essa potência dentro do campo das Mães
ODÙ
→ contém possibilidades/mistério
IGBÁ
→ contém
ẸYIN
→ representa a vida potencial que será despertada
ÒRÚNMÌLÀ
→ conhece e interpreta
ÈṢÙ
→ medeia e realiza
ONÍLẸ̀
→ sustenta, recebe e registra os ciclos da manifestação.
A pesquisa não demonstra que todas essas figuras sejam literalmente equivalentes.
Ela revela, porém, algo talvez mais importante:
as Orientações recebidas no Projeto Ẹlẹ́dàá apresentam uma arquitetura própria que encontra numerosos pontos de ressonância com conceitos antigos das tradições yorùbá — especialmente geração, potência, maternidade, recipiente, terra, vida e morte, mediação e destino.
Por isso, nosso método permanece:
não misturar as tradições;
não apagar suas diferenças;
não utilizar semelhança como prova de identidade;
mas reconhecer cuidadosamente as correspondências quando elas realmente existem.
Assim podemos preservar simultaneamente:
a tradição yorùbá;
a pesquisa histórica e acadêmica;
e as Orientações recebidas de Pai Benedito de Aruanda dentro do Projeto Ẹlẹ́dàá.
PARTE (V) — A ORGANIZAÇÃO DAS FORÇAS DIVINAS
16.00 - INTRODUÇÃO
16.10 - A ETIMOLOGIA DE ÌRÚNMỌ̀LẸ̀
16.11 - A ENCRUZILHADA SAGRADA
A REPRESENTAÇÃO CÚBICA DA ENCRUZILHADA SAGRADA
Para compreendermos a organização dos 400 Ìrúnmọlẹ̀, precisamos ampliar a representação geométrica da Encruzilhada Sagrada, inicialmente apresentada pelo cruzamento de duas linhas de forças.
16.12 - O SIGNIFICADO SIMBÓLICO DO NÚMERO 400
16.13 - PRIMEIRO NÍVEL — O NÚMERO QUATRO
16.14 - SEGUNDO NÍVEL — O NÚMERO CEM
16.15 - TERCEIRO NÍVEL — OS QUADRANTES SAGRADOS
16.16 - QUARTO NÍVEL — O SETENÁRIO SAGRADO
Todas as subdivisões dos Quadrantes Sagrados apresentam, na interpretação numerológica do Projeto, uma relação com o Setenário Sagrado.
16.17 - OS ÌRÚNMỌ̀LẸ̀ (400)
ORIGEM E MISSÃO
16.18 - O OESTE — OJÚKÒSÌ — LADO ESQUERDO
16.19 - O LESTE — OJÚKỌ̀TÚN — LADO DIREITO
16.20 - A LINHA HORIZONTAL DE FORÇAS
16.21 - O SIGNIFICADO DO +1
16.22 - EGBÉ ÒRUN (Òṣòròngá)
A COMUNIDADE SAGRADA DAS GRANDES MÃES
ORIGEM E SIGNIFICADO DOS NOMES
O PODER DAS GRANDES MÃES
O PÁSSARO COMO SÍMBOLO SAGRADO
A Águia:
O Corvo:
A LEI, A JUSTIÇA E A RESPONSABILIDADE PELA VIDA
A ATUAÇÃO NOS PLANOS MATERIAL E ESPIRITUAL
A COMPLEMENTARIDADE NO OJÚKÒSÌ
CONSIDERAÇÕES FINAIS
16.23 - ẸGBẸ́ Ọ̀RUN (ÈṢÙ)
A COMUNIDADE SAGRADA DOS GUARDIÕES DOS CAMINHOS E DA LEI DIVINA
ORIGEM E SIGNIFICADO DOS NOMES
A ENCRUZILHADA, OS CAMINHOS E AS ESCOLHAS
OS ÌRÚNMỌLẸ̀ DA COMUNIDADE ÈṢÙ - ẸGBẸ́ Ọ̀RUN (Èṣù)
EXU ÒDÀRÀ E EXU ELÉGBÁRA
EXU BARÁ — A PROTEÇÃO E A GUARDA
EXU BARÁ - Proteção individual(Nosso Bará pessoal).
EXU BARÁ - Proteção dos ambientes Sagrados(Comunidade).
EXU YANGI — A PEDRA E O PRINCÍPIO PRIMORDIAL
EXU ONÃ — O GUARDIÃO DAS PORTEIRAS
ONÍBODÈ — O GUARDIÃO DOS NOVE PORTAIS
OS SERES EXUS(REINO DE EXU) E SUAS QUATRO RESPONSABILIDADES
AS FORÇAS AJOGÚN E A ADMINISTRAÇÃO DA LEI
ORÍIRE E ORÍBURÚKÚ — AS CONDIÇÕES DOS CAMINHOS
Na tradição yorùbá, encontramos duas expressões que nos ajudam a compreender a relação entre a existência humana, o destino, as oportunidades e as adversidades: Oríire e Oríburúkú.
Para compreendê-las, precisamos primeiro conhecer o significado de Orí.
ORÍ — A CABEÇA E O DESTINO
Na língua yorùbá, Orí significa literalmente "cabeça". Entretanto, na filosofia e na espiritualidade yorùbá, seu significado ultrapassa o aspecto físico.
Orí também representa a dimensão interior da pessoa, associada à individualidade, ao destino e às possibilidades de realização durante sua existência.
Essa compreensão nos permite reconhecer a relação entre o ser humano, seus caminhos e as experiências que encontra ao longo da vida.
ORÍIRE — A CONDIÇÃO FAVORÁVEL
A expressão Oríire reúne Orí (cabeça, associado também ao destino) e Ire (bem, benefício, prosperidade).
Na utilização tradicional, Oríire está relacionado à boa sorte, à prosperidade, ao sucesso e aos acontecimentos favoráveis.
No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, utilizamos essa expressão para representar simbolicamente a condição dos caminhos favoráveis, ou seja, os caminhos que se encontram abertos às possibilidades positivas da existência.
Essa condição pode ser relacionada às oportunidades, ao aprendizado, ao desenvolvimento da consciência e às realizações que favorecem a caminhada evolutiva da criatura.
Entretanto, não devemos confundir caminhos favoráveis com uma existência livre de dificuldades. Muitas experiências desafiadoras também podem contribuir para o crescimento espiritual.
ORÍBURÚKÚ — A CONDIÇÃO ADVERSA
A expressão Oríburúkú reúne Orí e Burúkú, palavra associada ao que é ruim, desfavorável ou prejudicial.
Na utilização tradicional, está relacionada ao infortúnio, ao fracasso e às circunstâncias adversas.
No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, utilizamos essa expressão para representar simbolicamente as condições contrárias dos caminhos, nas quais a criatura encontra dificuldades, obstáculos, limitações e experiências desfavoráveis.
Essas condições podem envolver consequências das escolhas individuais, acontecimentos externos e circunstâncias que ultrapassam o controle imediato da criatura.
É importante esclarecer que Oríburúkú não significa necessariamente um destino condenado, uma punição divina ou a existência de uma pessoa espiritualmente inferior.
Da mesma forma, não podemos afirmar que todas as dificuldades sejam provocadas por forças espirituais negativas ou por erros cometidos pela própria pessoa.
POTENCIAL, FORÇA E CONDIÇÃO
Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, precisamos distinguir três aspectos fundamentais da organização espiritual apresentada no Projeto:
O POTENCIAL — Axé e Contra-axé representam, respectivamente, os potenciais positivo e negativo.
AS FORÇAS — Ajogún representam forças de atuação adversa. Existem também forças favoráveis, entre as quais se destaca Ìwà Pẹ̀lẹ́, compreendida no Projeto como uma força positiva desenvolvida no próprio interior da criatura.
AS CONDIÇÕES — Oríire e Oríburúkú representam os estados favoráveis e adversos dos caminhos sobre os quais essas forças podem atuar.
Portanto, potencial não é força, e força não é condição.
Também não devemos confundir essas condições com os seres espirituais responsáveis pela administração das forças na organização apresentada pelo Projeto.
AS ESCOLHAS E A TRANSFORMAÇÃO DOS CAMINHOS
Uma das orientações centrais do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi é que a criatura participa de sua própria caminhada por meio das escolhas, das atitudes e das consequências que delas resultam.
Nesse contexto, Ìwà Pẹ̀lẹ́, relacionado ao bom caráter, à integridade, à consciência, à retidão e à perseverança, possui especial importância.
"Segundo Pai Joaquim de Angola, preservarmos o nosso Ìwà Pẹ̀lẹ́ é a maior garantia contra todas as forças contrárias em nossas vidas".
Seu desenvolvimento favorece a capacidade de enfrentar adversidades, reconhecer erros, corrigir atitudes e procurar caminhos mais equilibrados.
Entretanto, o bom caráter não representa uma garantia automática de prosperidade material, assim como uma experiência de sofrimento não constitui prova de falta de virtude.
Na compreensão do Projeto, as condições dos caminhos não precisam ser interpretadas como estados imutáveis. Elas fazem parte da dinâmica da existência, na qual aprendizado, escolhas, circunstâncias e transformações se relacionam continuamente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Oríire e Oríburúkú são expressões tradicionais yorùbá relacionadas à prosperidade e ao infortúnio.
Sua utilização como condições de caminhos abertos e caminhos adversos, dentro da organização de Axé, Contra-axé e Ajogún, corresponde à interpretação espiritual específica do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi.
Essa interpretação não pretende substituir o significado tradicional dessas palavras.
O objetivo é oferecer uma linguagem que permita compreender a relação entre as forças, as condições da existência e a responsabilidade da consciência diante dos caminhos que encontra.
Assim, os caminhos favoráveis e adversos não devem ser compreendidos como uma separação definitiva entre criaturas boas e más, mas como condições que podem participar das experiências e do aprendizado da vida.
Na Encruzilhada Sagrada, a existência não se resume aos caminhos que encontramos, mas também à maneira como escolhemos percorrê-los.
Potenciais Axé Contra-axé
Forças Ìwà Pẹ̀lẹ́, entre outras Ajogún
Condições Oríire Oríburúkú
Correspondências conceituais Ire — benefício, prosperidade Ibi — adversidade, infortúnio
NOTA DE ESCLARECIMENTO — AJOGÚN
Em determinadas fontes tradicionais de Ifá, os Ajogún são apresentados como espíritos ou agentes espirituais associados à morte, às enfermidades, às perdas e a outras adversidades da existência.
Entretanto, segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi os Ajogún são compreendidos como "forças de atuação adversa", e não como entidades espirituais individuais.
Essa distinção não pretende contestar as interpretações tradicionais, mas esclarecer a organização espiritual específica apresentada no Projeto.
ẸGBẸ́ Ọ̀RUN ÀNJÒNÚ — HABITANTES DOS ESPAÇOS LIMINARES
Na compreensão espiritual que estamos desenvolvendo no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, os Ànjònú são descritos como espíritos errantes, associados aos espaços liminares, isto é, regiões de transição entre diferentes condições, ambientes e dimensões da existência.
Esses espíritos seriam encontrados especialmente em locais isolados, de passagem ou considerados espiritualmente densos, como florestas profundas (Igbó), margens de rios, encruzilhadas, caminhos pouco frequentados e estradas desertas.
Entretanto, não devemos compreender que esses ambientes sejam necessariamente negativos, mas que determinadas condições poderiam favorecer a presença e a atuação desses espíritos.
Segundo essa interpretação, possuem individualidade, desejos, interesses e temperamentos próprios.
Muitos teriam escolhido não retornar ao processo reencarnatório, permanecendo vinculados a desejos, hábitos e experiências relacionados à existência material.
Por essa razão, buscariam aproximar-se dos habitantes do Ayé (mundo material), procurando, por intermédio deles, satisfazer desejos, impulsos e vícios que não conseguem realizar diretamente em sua atual condição espiritual.
Por serem considerados espíritos de longa trajetória existencial, alguns desenvolveram conhecimentos e habilidades magísticas significativas, adquiridas ao longo de suas experiências.
Esses conhecimentos são utilizados tanto para influenciar ambientes e pessoas quanto para criar ilusões, dissimular intenções e manipular aqueles que se encontram espiritualmente vulneráveis.
"Dentro da organização que estamos investigando, é importante distinguir esses agentes espirituais das forças Àjogun".
Os Àjogun são compreendidos, segundo as orientações recebidas no Projeto, como forças que atuam no sentido adverso.
Já os espíritos aqui estudados seriam individualidades que, em determinadas circunstâncias, poderiam aproveitar-se dessas forças e das condições negativas existentes para exercer influências perturbadoras.
Assim, não devemos confundir a força adversa com o espírito que eventualmente se utiliza dela.
Essa interpretação pertence ao campo de investigação espiritual do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi e não deve ser apresentada como uma classificação universalmente estabelecida pelas tradições yorùbá.
AXÉ, CONTRA-AXÉ E O EQUILÍBRIO DOS CAMINHOS
A COMPLEMENTARIDADE COM AS GRANDES MÃES
A ATUAÇÃO NOS PLANOS MATERIAL E ESPIRITUAL
CONSIDERAÇÕES FINAIS
16.24 - EGBÉ ÒRUN (Egúngún)
17.00 - OS ÌBAMOLÈ (200)
A SUSTENTAÇÃO ESPIRITUAL E O CUMPRIMENTO DA LEI DIVINA
A POSIÇÃO NA ENCRUZILHADA SAGRADA
A NATUREZA DOS ÌGBAMOLÈ
A SUSTENTAÇÃO DOS ESPÍRITOS QUE MIGRAM DE OUTROS Ọ̀RUN
O REINO DE EXU E OS SERES EXUS
AS QUATRO RESPONSABILIDADES DOS SERES EXUS
A ORGANIZAÇÃO DAS PASSAGENS — ONÍBODÈ ODÈRÒ
AS FORÇAS ÀJOGUN E A ADMINISTRAÇÃO DA LEI
A LEI DIVINA E A RESPONSABILIDADE PELAS ESCOLHAS
O EQUILÍBRIO ENTRE OJÚKÒTUN E OJÚKÒSÌ
A DIFERENÇA ENTRE O REINO DOS SENHORES EXU E A ZONA UMBRALINA
17.01 - ORIGEM E MISSÃO
17.02 - A PRIMEIRA DIFERENÇA ENTRE ÌBAMOLÈ E ÌRÚNMỌ̀LẸ̀
17.03 - O NORTE — REGÊNCIA DE ỌBÀTÁLÁ
17.04 - O SUL — REGÊNCIA DO ORIXÁ EXU
17.05 - A LINHA VERTICAL DE FORÇAS
18.00 - O QUADRANTE SAGRADO INTERIOR
A CASA DOS ORIXÁS FUNFUN OU A CASA DE PAI OXALÁ
18.01 - A MIGRAÇÃO DOS ESPÍRITOS E A INTERMEDIAÇÃO DAS FORÇAS DOS ÌGBAMOLÈ
18.02 - REINO DE EXU (LINHAS RAIZ DOS SENHORES EXUS) — LINHA DA ESQUERDA
A ORIGEM DOS SERES EXUS
A identificação de Pai Exu com Miguel Arcanjo, apresentada neste capítulo, corresponde a uma orientação espiritual de Pai Benedito de Aruanda, no contexto da cosmologia própria do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi.
"Nosso propósito é favorecer a reflexão sobre possíveis correspondências simbólicas e funcionais entre diferentes tradições, mantendo o respeito às suas identidades e particularidades".
18.03 - OS SETE SUBMUNDOS
18.04 - OS SERES EXUS COMO EXECUTORES DA LEI
18.05 - LINHAS RAIZ DOS MENTORES E GUIAS — LINHA DA DIREITA
A ORIGEM DOS GUIAS E MENTORES
18.06 - OS GUIAS E MENTORES DA HUMANIDADE
18.07 - A RELAÇÃO ENTRE AS DUAS LINHAS RAIZ
18.08 - POMBA GIRA (ou Pombagira)
19.00 - CONSIDERAÇÕES FINAIS - RESUMO
19.01 - OS CAMINHOS DA ENCRUZILHADA SAGRADA
19.03 - A ATUAÇÃO DOS ÌRÚNMỌ̀LẸ̀ NOS ASPECTOS MATERIAL E ESPIRITUAL
19.04 - A UNIDADE DE ATUAÇÃO DOS ÌRÚNMỌ̀LẸ̀
São os mesmos as mesmas Divindades que exercem suas atribuições em ambos os planos.
Na representação cúbica da Encruzilhada Sagrada, as quatro faces laterais permitem visualizar simbolicamente esses campos de atuação, sem representar uma duplicação da quantidade de divindades.
Duas faces correspondem ao aspecto material e duas ao aspecto espiritual.
A distribuição geométrica de 200 unidades em cada aspecto não deve ser interpretada como a existência de duas populações independentes de Ìrúnmọlẹ̀.
Yamì Osòròngá, Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu, Ẹgbẹ́ Ọ̀run Egúngún e os demais agrupamentos exercem suas funções nos dois aspectos da existência.
Essa organização está fundamentada na compreensão cosmológica do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, segundo a qual tudo pertence ao Òrun.
Assim, a distinção entre material e espiritual representa diferentes condições de manifestação de uma mesma realidade, e não universos separados.
19.05 - A LINHA VERTICAL E AS POLARIDADES DA ENCRUZILHADA SAGRADA
Na representação tridimensional da Encruzilhada Sagrada, a Linha Vertical dos Ìbamolè (200) permanece inalterada.
19.06 - A ENCRUZILHADA SAGRADA — OS CAMINHOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS
NOTA EXPLICATIVA — O ALTO E O BAIXO NA ENCRUZILHADA SAGRADA
No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, as expressões ALTO e BAIXO possuem um significado simbólico relacionado aos caminhos, às escolhas e às consequências que delas resultam.
O ALTO representa a direção da elevação espiritual, da consciência, da luz, do amor e da aproximação com o Sagrado.
O BAIXO representa, simbolicamente, os caminhos de afastamento desses princípios, nos quais predominam a ignorância, o orgulho, o egoísmo, os erros e as atitudes contrárias às Leis Divinas.
É fundamental esclarecer que essa representação não estabelece uma divisão entre Orixás bons e maus, tampouco identifica o Orixá Exu com o Mal, as Trevas ou o Profano.
Na estrutura da Encruzilhada Sagrada, Pai Ọbàtálá ocupa o vértice superior e o Orixá Exu ocupa o vértice inferior. Ambos desempenham funções divinas fundamentais e complementares na sustentação do equilíbrio, da ordem e das Leis da Criação.
O Orixá Exu, portanto, não representa o Mal. Sua posição inferior expressa uma responsabilidade sagrada dentro da organização das forças divinas, especialmente em relação aos caminhos, às escolhas, às consequências e à aplicação da Lei.
Assim, ALTO e BAIXO não devem ser interpretados como lugares físicos destinados exclusivamente ao Bem ou ao Mal, mas como referências simbólicas que ajudam a compreender os diferentes caminhos que a consciência pode escolher percorrer.
A Encruzilhada Sagrada não representa uma divisão entre divindades boas e más. Ela representa a organização divina que permite à criatura escolher seus caminhos, experimentar suas consequências, aprender, corrigir seus erros e prosseguir em sua evolução espiritual.
"Essa compreensão pertence à arquitetura espiritual apresentada no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, conforme os ensinamentos atribuídos a Pai Benedito de Aruanda".
19.07 - ỌBÀTÁLÁ E ORIXÁ EXU — A LUZ E A CONSCIÊNCIA DOS CAMINHOS
Ọbàtálá representa a Luz que ilumina o caminho, indicando a direção e convidando a criatura a seguir em busca da elevação espiritual.
Entretanto, a criatura possui liberdade para escolher seus próprios caminhos.
Caso decida seguir na direção oposta à Luz, encontrará a atuação do Orixá Exu, cuja função será conscientizá-la de que está caminhando em sentido contrário.
Assim, Exu não deve ser confundido com o mal, nem compreendido como uma força que conduz deliberadamente a criatura ao erro.
Sua atuação está relacionada à conscientização e às consequências dos caminhos escolhidos.
Na arquitetura do Ẹlẹ́dàá, a Linha Horizontal apresenta os caminhos e as possibilidades de escolha, enquanto a Linha Vertical expressa suas consequências, indicando movimentos de ascensão ou descensão.
Ọbàtálá orienta em direção à Luz.
Orixá Exu conscientiza sobre o afastamento dessa direção.
Ambos desempenham funções distintas dentro da organização das Leis Divinas, conforme a cosmologia própria do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi.
19.08 - ORÍ, BARÁ E ORIXÁ EXU — A ORIENTAÇÃO E AS CONSEQUÊNCIAS DOS CAMINHOS
19.09 - OS ORIXÁS COMO NÓS DA ESTRUTURA SAGRADA
20.00 - MAPA DA CONEXÃO DE TODAS AS FORÇAS PRIMÁRIAS DA CRIAÇÃO
20.01 - O CENTRO — OXALÁ E A MAGIA DIVINA ELEMENTAL
20.02 - ỌBÀTÁLÁ — A LUZ QUE ORIENTA
20.03 - OXÓSSI — O FOCO E O OBJETIVO
20.04 - OGUM — A CORAGEM
20.05 - ORIXÁ EXU — A BASE EQUILIBRADORA
20.06 - YANSÃ — A MÃE CORRETIVA
20.07 - YEMOJÁ — A MÃE FRATERNAL
20.08 - A LINHA DO EQUILÍBRIO — OXUM - XANGÔ E OBÁ
20.09 - O HEXAGRAMA SAGRADO — A CONEXÃO DAS FORÇAS
20.10 - A ENCRUZILHADA SAGRADA — CAMINHOS E CONSEQUÊNCIAS
20.11 - A LINHA DA KALUNGA E O MOVIMENTO CÍCLICO
NOTA EXPLICATIVA — O MOVIMENTO DO CUBO SAGRADO, A ESPIRAL E O TEMPO
No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, a representação do movimento anti-horário do Cubo Sagrado e da espiral em seu interior faz parte da interpretação cosmológica apresentada segundo os ensinamentos de Pai Benedito de Aruanda.
O Cubo Sagrado representa a organização e a sustentação das Forças Divinas, enquanto seu movimento e a espiral simbolizam a dinâmica contínua da existência, os ciclos da vida, as transformações e os caminhos percorridos pela consciência.
A associação desse movimento ao ciclo de 24 horas constitui uma referência simbólica à passagem do tempo, à continuidade dos acontecimentos e aos processos de renovação presentes na Criação.
É importante esclarecer que essa representação não pretende afirmar que exista um cubo espiritual fisicamente girando no espaço, nem que seus movimentos e sua relação com o tempo tenham sido demonstrados cientificamente.
Trata-se de um modelo espiritual e simbólico próprio do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, utilizado para facilitar a compreensão das relações entre as Forças Divinas, o espaço, o tempo e a evolução da consciência.
Da mesma forma, a espiral não deve ser interpretada necessariamente como uma estrutura física, mas como uma representação do movimento contínuo da existência, no qual cada experiência, escolha e consequência participa do aprendizado e da transformação do ser.
Assim, o propósito dessa representação não é substituir as explicações científicas sobre o espaço e o tempo, mas oferecer uma linguagem simbólica que favoreça o estudo, a reflexão e a compreensão dos ensinamentos espirituais recebidos.
21.00 — CUBO SAGRADO — ARQUITETURA ESPIRITUAL
A ORGANIZAÇÃO DAS FORÇAS DIVINAS E A RELAÇÃO ENTRE Ọ̀RUN E AYÉ
Ao longo dos estudos da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, desenvolvemos progressivamente a compreensão da Encruzilhada Sagrada, das Linhas Horizontal e Vertical, dos Ìrúnmọlẹ̀, dos Ìgbamolè e do Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental.
Inicialmente, essas organizações foram apresentadas por meio de uma representação plana, na qual quatro direções simbólicas estabeleciam os caminhos e as correspondências entre as forças divinas.
Posteriormente, compreendemos que essa representação precisava ser ampliada para uma estrutura tridimensional, capaz de demonstrar não apenas a disposição dessas forças, mas também suas relações com os aspectos espiritual e material da existência.
Essa estrutura será denominada CUBO SAGRADO — ARQUITETURA ESPIRITUAL.
Segundo as orientações espirituais que estamos organizando no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, o Cubo Sagrado representa uma arquitetura de organização, correspondência, sustentação e intercâmbio das forças divinas.
Não devemos compreendê-lo como um objeto material existente no espaço físico, mas como uma representação geométrica e simbólica de uma organização espiritual.
Sua finalidade é auxiliar nossa compreensão das relações entre as Divindades, os planos de manifestação da existência e os princípios que regem a Magia Divina Elemental.
A PRIMEIRA COMPREENSÃO — Ọ̀RUN E AYÉ
Antes de examinarmos as seis faces do Cubo Sagrado, precisamos recordar um princípio fundamental da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
O AYÉ ESTÁ CONTIDO NO Ọ̀RUN
Isso significa que o mundo material não constitui uma realidade absolutamente separada da existência espiritual.
O Ayé representa uma condição de manifestação dentro de uma realidade muito mais abrangente, que denominamos Ọ̀run.
Portanto, quando distinguimos o plano espiritual do plano material, não estamos apresentando dois universos independentes, mas condições distintas e relacionadas da manifestação da existência.
Essa compreensão será essencial para entendermos a arquitetura das quatro faces laterais do Cubo Sagrado.
A MATRIZ NUMÉRICA — AS DEZESSEIS POSIÇÕES
A organização que estamos estudando tem como referência uma matriz quadrada composta por dezesseis posições numeradas de 1 a 16.
Essas posições estão distribuídas em quatro linhas e quatro colunas.
Cada posição corresponde a um conjunto de vinte e cinco unidades.
Assim, temos:
16 × 25 = 400
Entretanto, para compreendermos a distribuição das forças, precisamos dividir essas dezesseis posições em dois agrupamentos principais, denominados Configuração A e Configuração B.
CONFIGURAÇÃO "A"
2 – 3 – 8 – 12 – 14 – 15 – 5 – 9
CONFIGURAÇÃO "B"
1 – 4 – 16 – 13 – 6 – 7 – 10 – 11
Cada configuração reúne oito posições.
Portanto:
A = 8 × 25 = 200
B = 8 × 25 = 200
A + B = 400
Essas duas configurações serão utilizadas para identificar diferentes agrupamentos de Divindades e campos de atuação das forças sagradas.
É importante observar que as letras A e B representam posições organizacionais. Seu significado funcional dependerá da face do Cubo Sagrado em que estiverem sendo aplicadas.
AS QUATRO FACES LATERAIS — A LINHA HORIZONTAL
A primeira organização do Cubo Sagrado corresponde às quatro faces laterais, identificadas como La, Lb, Lc e Ld.
Duas representam organizações do plano espiritual, enquanto as outras duas representam suas correspondências no plano material.
La — OESTE — OJÚKÒSÌ — LADO ESQUERDO
Lb — LESTE — OJÚKỌ̀TÚN — LADO DIREITO
Ld — MANIFESTAÇÃO MATERIAL DE La
Lc — MANIFESTAÇÃO MATERIAL DE Lb
Os lados La e Lb representam dois conjuntos distintos de Ìrúnmọlẹ̀, cada qual organizado em dezesseis posições.
Os lados Ld e Lc representam suas respectivas correspondências no Ayé.
Entretanto, essa relação não acontece em apenas uma direção.
Assim como aquilo que é estabelecido no plano espiritual encontra possibilidades de manifestação no mundo material, aquilo que acontece no Ayé também pode produzir correspondências e consequências no plano espiritual.
Portanto, as relações são:
La ↔ Ld
Lb ↔ Lc
As setas de mão dupla representam simbolicamente o intercâmbio entre os dois aspectos da existência.
Essa característica será fundamental para compreendermos o funcionamento espiritual das firmezas, dos assentamentos e das práticas ritualísticas.
A ORGANIZAÇÃO DO OESTE — OJÚKÒSÌ — La
No lado Oeste encontramos um conjunto de quatrocentos Ìrúnmọlẹ̀, distribuídos em dois agrupamentos principais.
CONFIGURAÇÃO A — ẸGBẸ́ Ọ̀RUN ÒṢÒRÒNGÀ
Posições: 2 – 3 – 8 – 12 – 14 – 15 – 5 – 9
8 × 25 = 200 Ìrúnmọlẹ̀.
CONFIGURAÇÃO B — ẸGBẸ́ Ọ̀RUN EXU
Posições: 1 – 4 – 16 – 13 – 6 – 7 – 10 – 11
8 × 25 = 200 Ìrúnmọlẹ̀.
Assim, a organização completa do Oeste corresponde a:
200 + 200 = 400 Ìrúnmọlẹ̀ Ojúkòsì.
Esses dois agrupamentos possuem responsabilidades próprias dentro da arquitetura espiritual, relacionadas à organização, à administração e ao cumprimento das Leis Divinas.
As particularidades de suas funções foram introduzidas nos estudos anteriores, especialmente quando examinamos as comunidades espirituais relacionadas às Grandes Mães e ao Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu.
Nesta etapa, estamos ampliando a compreensão de sua distribuição geométrica.
A ORGANIZAÇÃO DO LESTE — OJÚKỌ̀TÚN — Lb
No lado Leste encontramos outro conjunto de quatrocentos Ìrúnmọlẹ̀, distinto daquele existente no Oeste.
Sua organização também utiliza as Configurações A e B.
CONFIGURAÇÃO A — ẸGBẸ́ Ọ̀RUN EGÚNGÚN (DIREITA)
Posições: 2 – 3 – 8 – 12 – 14 – 15 – 5 – 9
8 × 25 = 200 Ìrúnmọlẹ̀.
CONFIGURAÇÃO B — ẸGBẸ́ Ọ̀RUN EGÚNGÚN (ESQUERDA)
Posições: 1 – 4 – 16 – 13 – 6 – 7 – 10 – 11
8 × 25 = 200 Ìrúnmọlẹ̀.
Portanto:
200 + 200 = 400 Ìrúnmọlẹ̀ Ojúkòtun.
Aqui precisamos estabelecer uma distinção importante.
As expressões Direita e Esquerda, utilizadas para identificar esses dois agrupamentos do Ẹgbẹ́ Ọ̀run Egúngún, não correspondem às direções geográficas Leste e Oeste.
Referem-se às chamadas Linhas de Trabalho Espiritual da Direita e da Esquerda.
Portanto, uma organização pertencente à Linha Espiritual da Esquerda pode encontrar-se no lado Leste do Cubo Sagrado, sem qualquer contradição.
Também não devemos confundir essas classificações com uma separação automática entre Bem e Mal.
A CONTAGEM DOS ÌRÚNMỌLẸ̀
Com essa nova configuração, compreendemos que o número quatrocentos deve ser aplicado separadamente a cada um dos dois conjuntos espirituais da Linha Horizontal.
OESTE — OJÚKÒSÌ = 400
LESTE — OJÚKỌ̀TÚN = 400
TOTAL = 800 ÌRÚNMỌLẸ̀ DISTINTOS.
Essa compreensão amplia a distribuição numérica inicialmente apresentada nos estudos anteriores, nos quais examinávamos o número quatrocentos como referência geral da organização.
Na arquitetura agora apresentada, cada lado espiritual possui sua própria organização de quatrocentas Divindades.
As faces materiais correspondentes não representam outros oitocentos Ìrúnmọlẹ̀, mas os campos de manifestação dos mesmos conjuntos espirituais.
AS FACES SUPERIOR E INFERIOR — A LINHA VERTICAL
Concluída a organização das faces laterais, passamos às duas faces restantes do Cubo Sagrado.
A face superior encontra-se sob a regência de Ọbàtálá.
A face inferior encontra-se sob a regência do Orixá Exu.
Essas duas faces correspondem à Linha Vertical da Encruzilhada Sagrada, anteriormente relacionada às forças de orientação, sustentação, disciplina e cumprimento das Leis Divinas.
Entretanto, a organização das Configurações A e B apresenta uma característica diferente daquela observada nas faces laterais.
Nas faces superior e inferior, uma das configurações corresponde aos Ìgbamolè, enquanto a outra corresponde a um dos dois polos da Magia Divina Elemental.
A FACE SUPERIOR — REGÊNCIA DE ỌBÀTÁLÁ
Na parte superior do Cubo Sagrado encontramos:
CONFIGURAÇÃO A — ÌGBAMOLÈ OJÚKÒTUN
8 × 25 = 200 Ìgbamolè.
Essas Divindades encontram-se sob a regência de Ọbàtálá, correspondendo ao campo superior da Linha Vertical.
CONFIGURAÇÃO B — QUADRANTE SAGRADO DA MAGIA DIVINA ELEMENTAL BRANCA.
A Configuração B representa o campo correspondente a um dos polos da Magia Divina Elemental.
Não constitui outro conjunto de duzentos Ìgbamolè e, portanto, não deve ser acrescentada à contagem dessas Divindades.
A FACE INFERIOR — REGÊNCIA DO ORIXÁ EXU
Na parte inferior encontramos uma organização complementar.
CONFIGURAÇÃO B — ÌGBAMOLÈ OJÚKÒSÌ
8 × 25 = 200 Ìgbamolè.
Essas Divindades são distintas daquelas existentes na face superior e encontram-se sob a regência do Orixá Exu.
CONFIGURAÇÃO A — QUADRANTE SAGRADO DA MAGIA DIVINA ELEMENTAL NEGRA.
Essa configuração representa o outro polo da Magia Divina Elemental.
Assim, temos:
PARTE SUPERIOR — ỌBÀTÁLÁ
A = 200 Ìgbamolè Ojúkòtun.
B = Magia Divina Elemental Branca.
PARTE INFERIOR — ORIXÁ EXU
A = Magia Divina Elemental Negra.
B = 200 Ìgbamolè Ojúkòsì.
Portanto:
200 Ìgbamolè superiores + 200 Ìgbamolè inferiores = 400 ÌGBAMOLÈ DISTINTOS.
A organização dos Ìgbamolè encontra correspondência com os estudos anteriores sobre as Linhas Raiz dos Guias e Mentores e dos Senhores Exus.
Essas linhas participam dos trabalhos de orientação, intermediação e execução das responsabilidades espirituais sob as respectivas regências.
Entretanto, os espíritos que atuam nessas linhas não devem ser automaticamente confundidos com os próprios Ìgbamolè.
OS DOIS QUADRANTES DA MAGIA DIVINA ELEMENTAL
Chegamos agora a um dos princípios mais importantes desta arquitetura.
Na parte superior encontramos o Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental Branca.
Na parte inferior encontramos o Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental Negra.
Inicialmente, essas denominações poderiam sugerir uma oposição entre duas forças moralmente diferentes.
Entretanto, não é essa a compreensão apresentada pelas orientações que estamos estudando.
- MAGIA BRANCA NÃO SIGNIFICA NECESSARIAMENTE O BEM.
- MAGIA NEGRA NÃO SIGNIFICA NECESSARIAMENTE O MAL.
Ambas correspondem a polos complementares de uma mesma organização de forças.
Na concepção espiritual do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, a Magia Divina Elemental é compreendida como uma força em potencial, cuja manifestação depende da relação entre seus polos.
Sem essa bipolaridade, a força permaneceria em estado potencial, não produzindo os efeitos correspondentes à sua atuação.
A ANALOGIA COM A ELETRICIDADE
Podemos utilizar um exemplo da Física para facilitar nossa compreensão.
Em um circuito elétrico, uma diferença de potencial elétrico, conhecida como ddp, pode produzir corrente quando existe um caminho condutor fechado e adequado.
Essa diferença de potencial estabelece a condição necessária para o movimento das cargas elétricas no circuito.
Os sinais positivo (+) e negativo (−) não representam valores morais.
São referências utilizadas para descrever condições de polaridade.
Analogamente, na arquitetura espiritual que estamos estudando, os dois Quadrantes da Magia Divina Elemental representam polos complementares, cuja relação possibilitaria a manifestação da força mágica.
Não estamos afirmando que a Magia Divina Elemental seja eletricidade ou que obedeça às mesmas leis físicas.
A comparação é exclusivamente conceitual e simbólica.
Seu objetivo é facilitar a compreensão da bipolaridade e da passagem de uma condição potencial para uma condição de atuação.
Também não devemos concluir, apenas pela analogia, que Magia Branca corresponda literalmente ao polo elétrico positivo e Magia Negra ao negativo.
O princípio que desejamos compreender é a complementaridade entre os polos, e não sua identificação com grandezas físicas mensuráveis.
A MAGIA DIVINA ELEMENTAL E O QUADRANTE SAGRADO INTERIOR
Nos capítulos anteriores, apresentamos o "Quadrante Sagrado Interior" como a Casa de Pai Oxalá, também denominada Casa dos Orixás Funfun.
Essas denominações identificam uma mesma estrutura sagrada, relacionada ao centro da Encruzilhada Sagrada.
Sua organização simbólica inicial foi apresentada como quatro setores de vinte e cinco unidades:
4 × 25 = 100.
Essa referência central permanece importante para nossa compreensão.
A identificação dos Quadrantes da Magia Divina Elemental Branca e Negra nas faces superior e inferior não significa que estejamos criando duas Casas de Pai Oxalá independentes.
Estamos distinguindo dois aspectos da representação: a estrutura central, associada à unidade e ao equilíbrio, e a organização bipolar da força mágica, representada nas faces superior e inferior.
"O centro permanece como referência da integração das forças, enquanto a bipolaridade permite compreender simbolicamente sua atuação".
Essa relação aprofunda os conceitos já apresentados sobre o Quadrante Sagrado Interior e a conexão das forças divinas.
AS FIRMЕZAS, OS ASSENTAMENTOS E A COMUNICAÇÃO ENTRE OS PLANOS
A organização bipolar e a correspondência entre o plano espiritual e o plano material oferecem uma nova possibilidade de compreensão das práticas ritualísticas.
Nas tradições afro-brasileiras, as firmezas e os assentamentos são compreendidos, conforme os fundamentos de cada tradição, como elementos e espaços consagrados destinados ao estabelecimento e à sustentação de determinadas relações com o Sagrado.
Na interpretação espiritual do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, podemos compreendê-los como pontos de correspondência entre as forças do Ọ̀run e suas manifestações no Ayé.
Essa relação apresenta duas direções complementares.
DO ESPIRITUAL PARA O MATERIAL
As forças espirituais encontram condições de manifestação e sustentação nos pontos consagrados.
DO MATERIAL PARA O ESPIRITUAL
As ações ritualísticas realizadas no Ayé também estabelecem correspondências e reflexos no plano espiritual.
Assim, firmezas e assentamentos podem ser compreendidos, dentro dessa arquitetura, como pontos de envio e recepção de forças.
Não representam uma comunicação limitada a uma única direção, mas uma relação de intercâmbio.
Isso não significa que toda prática ritualística produza automaticamente os efeitos desejados.
Na compreensão espiritual que estamos desenvolvendo, a intenção, a responsabilidade, a sintonia e a observância das Leis Divinas continuam sendo fundamentais.
A INTENÇÃO E O SIGNIFICADO DO +1
Essa nova compreensão também permite retomar o significado simbólico do elemento +1, apresentado anteriormente no estudo dos Ìrúnmọlẹ̀.
Naquele capítulo, relacionamos as polaridades positiva e negativa às condições de atuação das forças, enquanto a intenção foi representada pela pemba branca.
A intenção participa da orientação e do direcionamento da atuação.
É importante distinguir a pemba branca, utilizada naquele contexto como símbolo da intenção, do Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental Branca, apresentado agora como um dos polos do sistema.
Embora utilizem a mesma referência de cor, não devemos considerá-los automaticamente idênticos.
O elemento +1 permanece relacionado à intervenção e à orientação das potencialidades, não representando necessariamente uma Divindade adicional na contagem da arquitetura.
A ENCRUZILHADA SAGRADA E OS CAMINHOS DA EXISTÊNCIA
Com essa organização, podemos retornar à compreensão inicial da Encruzilhada Sagrada.
A Linha Horizontal representa os caminhos, as possibilidades e as escolhas.
A Linha Vertical representa as correspondências, as orientações e as consequências relacionadas a esses caminhos.
Ọbàtálá permanece como referência superior da Luz e da orientação.
Orixá Exu permanece como base equilibradora e referência da aplicação das Leis Divinas e das consequências das escolhas.
Sua posição inferior não representa inferioridade espiritual nem identificação com o Mal.
Da mesma forma, a localização do Quadrante da Magia Divina Elemental Negra na parte inferior não significa que essa força seja moralmente negativa.
Essas distinções são necessárias para que não confundamos posições geométricas, polaridades funcionais e valores morais.
Na jornada individual, Orí orienta a criatura, Bará auxilia sua caminhada, e a Lei Divina estabelece as responsabilidades decorrentes das escolhas realizadas.
A arquitetura espiritual representa, portanto, uma organização integrada, na qual as forças não atuam como sistemas completamente isolados.
O CUBO SAGRADO E OS ORIXÁS COMO NÓS DA ESTRUTURA
No Mapa da Conexão das Forças Primárias da Criação, apresentamos os Orixás como nós de sustentação da estrutura sagrada.
Ọbàtálá ocupa a referência superior, enquanto o Orixá Exu ocupa a referência inferior, constituindo a base equilibradora.
Os demais Orixás apresentados — Oxóssi, Xangô, Ogum, Yemojá, Oxum e Yansã — integram os outros pontos de sustentação e articulação das forças.
No centro da representação encontramos Pai Oxalá e o Quadrante Sagrado Interior.
O Hexagrama Sagrado representa simbolicamente a conexão e a complementaridade das forças que constituem essa organização.
Essas correspondências permanecem como fundamentos da representação geométrica anteriormente apresentada.
O círculo exterior, relacionado à Linha da Kalunga, continua representando simbolicamente a fronteira e a proteção da arquitetura espiritual de nosso orbe.
Da mesma forma, o movimento anti-horário do cubo e a espiral interna, apresentados anteriormente em correspondência simbólica com o ciclo de vinte e quatro horas, permanecem como representações dos ciclos da existência e do retorno à origem.
Não estamos descrevendo movimentos físicos comprovados, mas recursos simbólicos utilizados para compreender a organização espiritual e seus processos de transformação.
SÍNTESE DA ORGANIZAÇÃO DO CUBO SAGRADO
Podemos agora apresentar a distribuição geral das Divindades:
LINHA HORIZONTAL — ÌRÚNMỌLẸ̀
La — Oeste — Ojúkòsì:
Configuração A = Ẹgbẹ́ Ọ̀run Òṣòròngà — 200.
Configuração B = Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu — 200.
Total do Oeste = 400 Ìrúnmọlẹ̀.
Lb — Leste — Ojúkòtun:
Configuração A = Ẹgbẹ́ Ọ̀run Egúngún (Direita) — 200.
Configuração B = Ẹgbẹ́ Ọ̀run Egúngún (Esquerda) — 200.
Total do Leste = 400 Ìrúnmọlẹ̀.
Ld e Lc representam, respectivamente, as manifestações materiais correspondentes a La e Lb, sem duplicar o número de Divindades.
TOTAL DA LINHA HORIZONTAL = 800 ÌRÚNMỌLẸ̀ DISTINTOS.
LINHA VERTICAL — ÌGBAMOLÈ
Face Superior — Ọbàtálá:
Configuração A = 200 Ìgbamolè Ojúkòtun.
Configuração B = Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental Branca.
Face Inferior — Orixá Exu:
Configuração A = Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental Negra.
Configuração B = 200 Ìgbamolè Ojúkòsì.
TOTAL DA LINHA VERTICAL = 400 ÌGBAMOLÈ DISTINTOS.
Dessa forma, a organização numérica ampliada apresenta:
800 Ìrúnmọlẹ̀ + 400 Ìgbamolè = 1.200 DIVINDADES DISTINTAS.
Os reflexos materiais, os Quadrantes da Magia Divina Elemental e o elemento simbólico +1 não são acrescentados novamente a essa contagem.
Essa distribuição representa a compreensão atual da arquitetura no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi e atualiza as referências quantitativas apresentadas em etapas anteriores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS — A UNIDADE NA COMPLEMENTARIDADE
O Cubo Sagrado permite ampliar nossa compreensão da Encruzilhada Sagrada, demonstrando que a organização das forças divinas não se limita ao cruzamento de duas linhas.
Estamos diante de uma representação tridimensional na qual diferentes organizações espirituais se relacionam com a manifestação material da existência.
As faces laterais demonstram as correspondências entre Ọ̀run e Ayé.
As faces superior e inferior apresentam a organização dos Ìgbamolè e os dois polos complementares da Magia Divina Elemental.
O centro representa a integração e a referência do equilíbrio sagrado.
A bipolaridade não deve ser interpretada como uma disputa entre forças boas e más, mas como um princípio de complementaridade, necessário, segundo a concepção apresentada, à manifestação da força mágica.
Essa arquitetura também nos convida a refletir sobre nossa própria existência.
Se nossas escolhas realizadas no Ayé possuem correspondências no plano espiritual, então aquilo que pensamos, desejamos e praticamos assume uma responsabilidade ainda maior diante da vida.
Não somos simplesmente espectadores passivos da Criação.
Participamos dela por nossas escolhas, atitudes e consequências.
Assim, a compreensão do Cubo Sagrado não se destina apenas ao conhecimento das forças espirituais, mas também ao desenvolvimento da consciência e da responsabilidade diante das Leis Divinas.
É nesse sentido que continuamos nossa caminhada no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi: compreender nossa origem, reconhecer nossa condição presente e aprender a conduzir nossas escolhas em direção ao reencontro com o Eu Divino.
NOTA DOUTRINÁRIA
A organização apresentada neste capítulo pertence à interpretação espiritual própria do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, desenvolvida a partir das orientações atribuídas a Pai Benedito de Aruanda e transmitidas por Pai Joaquim de Angola.
Não deve ser apresentada como classificação universal das tradições yorùbá, do Candomblé ou da Umbanda, que possuem fundamentos e interpretações próprios.
As comparações com geometria, eletricidade e outras áreas do conhecimento possuem finalidade didática e simbólica, não constituindo demonstrações científicas da existência ou do funcionamento dessas forças espirituais.
Caro leitor,
A jornada continua...
A Parte (VI) da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá está sendo construída passo a passo, seguindo as orientações recebidas e o compromisso de organizar este conhecimento com fidelidade, responsabilidade e profundo respeito ao Sagrado.
Em breve, compartilharemos os próximos capítulos neste espaço.
Agradecemos sua compreensão e sua companhia nesta caminhada.
Que o Axé, a Luz e a Paz de Pai Nzanbi iluminem sempre o nosso caminho.

























































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