segunda-feira, 20 de julho de 2026

Cosmologia do Ẹlẹ́dàá


 


Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - "A História da Criação"


(Orientações da Escola de Pai Benedito de Aruanda)

Índice:
Cosmologia da Nossa Origem
"De onde vem, em última instância, aquilo que sou?"


(Parte N) "Nihil" - Nascimento do Universo-Filho


(Parte I) - “Como começa a criação consciente da vida?”


(Parte II) - "Como tudo funciona? - Guardiões do Ayê"


(Parte III) - “A preparação do Ayê por Pai Olodumarê”



(Parte V) - A Organização das Forças Divinas

OS ÌRÚNMỌ̀LẸ̀ (400) E ÌBAMOLÈ (200)
A ENCRUZILHADA SAGRADA




Cosmologia da Nossa Origem

Prefácio — "Cosmologia da Nossa Origem"
“De onde vem, em última instância, aquilo que sou?”

N.0 — O Vazio Cheio: antes da Grande Mãe Primordial

Antes de iniciarmos a história da Grande Mãe Primordial, precisamos retornar a uma expressão utilizada desde o princípio das orientações transmitidas por Pai Joaquim de Angola:

O Vazio Cheio

Durante muito tempo compreendemos essa expressão apenas como uma imagem relacionada ao princípio de todas as coisas.

As orientações recebidas posteriormente de Pai Benedito de Aruanda, entretanto, permitem-nos agora aprofundar seu significado.

O “Vazio Cheio” não representa simplesmente o nada.

Muito menos um espaço absolutamente vazio.

Ao contrário.

Ele representa uma condição primordial na qual tudo aquilo que poderia vir a manifestar-se já existia potencialmente, mas ainda sem a diferenciação que posteriormente daria origem às realidades que iremos estudar.

Chamamos de “Vazio” porque ainda não encontramos nele as formas, estruturas, mundos e individualidades que posteriormente reconheceremos.

Mas chamamos também de “Cheio” porque não se trata de ausência absoluta.

Existe ali uma totalidade ainda não diferenciada.

Antes da Grande Mãe.

Com as novas orientações recebidas, compreendemos que o “Vazio Cheio” antecede aquilo que posteriormente denominaremos Grande Mãe Primordial.

Isso significa que a Grande Mãe não deve ser entendida como o ponto absolutamente inicial de nossa investigação.

Antes dela encontramos uma condição ainda mais profunda: uma totalidade primordial não diferenciada.

Não sabemos ainda todos os detalhes dessa condição.

Por isso não devemos preenchê-la com conceitos que não nos foram apresentados.

Chamaremos simplesmente esse estágio de Vazio Cheio.

A contração primordial

“Dentro da compreensão que estamos organizando a partir das orientações recebidas, podemos representar simbolicamente essa passagem como uma contração primordial.”

Aquilo que se encontrava na totalidade indiferenciada converge para uma condição de unidade.

Não devemos entender essa imagem necessariamente como uma contração física semelhante ao movimento de matéria dentro do espaço.

Neste estágio, os próprios conceitos de espaço, matéria e tempo, tal como os conhecemos, ainda não são suficientes para descrever aquilo que está sendo apresentado.

A palavra “contração”, portanto, é utilizada como uma imagem para representar a passagem de uma totalidade indiferenciada para uma realidade unificada.

Podemos representar assim:

Vazio Cheio
↓
Convergência
↓
Contração primordial
↓
Unidade
↓
Grande Mãe Primordial

Assim, aquilo que anteriormente se encontrava em uma condição que chamamos de “Vazio Cheio” passa a constituir uma única Realidade Primordial Geradora.

Essa realidade será denominada Grande Mãe Primordial.

Por que “Vazio” e por que “Cheio”?

A aparente contradição começa agora a fazer sentido.

É Vazio porque ainda não existem, de maneira diferenciada, mundos, formas, corpos, criaturas, individualidades ou Universos-Filhos.

Mas é Cheio porque aquilo que posteriormente poderá manifestar-se encontra-se, de alguma maneira, contido nessa totalidade primordial.

Portanto, Vazio não significa inexistência.

E Cheio não significa matéria acumulada dentro de um espaço.

As duas palavras procuram expressar uma condição que nossa linguagem dificilmente consegue descrever: uma plenitude ainda sem diferenciação.

O nascimento da unidade primordial

Com a contração primordial surge uma nova condição.

“Aquilo que se encontrava em uma condição indiferenciada passa a constituir uma unidade.”

Essa unidade não é ainda Pai Nzambi Mpungu.

Também não é ainda um Universo-Filho.

É aquilo que denominamos Grande Mãe Primordial, a primeira Realidade Geradora que conseguimos reconhecer dentro das orientações recebidas.

É nela que posteriormente identificaremos a presença da força ou princípio primordial denominado Axé.

Aqui precisamos estabelecer um limite importante.

Não afirmamos, neste momento, que o Vazio Cheio seja o próprio Axé.

Também não afirmamos que o Axé tenha sido criado pela contração primordial.

As orientações recebidas até aqui permitem apenas afirmar que, quando encontramos a Grande Mãe Primordial, encontramos nela o Axé.

Sobre a condição do Axé antes desse estágio, ainda não recebemos informações suficientes.

E onde ainda não recebemos orientação, devemos conservar a pergunta aberta.

Duas contrações diferentes

A partir daqui também precisamos distinguir dois acontecimentos que poderão parecer semelhantes.

1 — Contração primordial
Ocorre antes da Grande Mãe.

Representa a convergência da totalidade indiferenciada do Vazio Cheio para uma condição de unidade:

Vazio Cheio
↓
Contração primordial
↓
Grande Mãe

2 — Contração simbólica do Axé
Ocorre posteriormente, quando já encontramos a Grande Mãe e o Axé.

Está relacionada à autorrelação da potencialidade existente nela e à formação simbólica do Útero Cósmico.

Portanto, não estamos descrevendo duas vezes o mesmo acontecimento.

Estamos falando de dois estágios diferentes da manifestação.

A nova sequência

Compreendemos agora nossa cosmologia da seguinte maneira:

Vazio Cheio
totalidade primordial não diferenciada
↓
Contração primordial
convergência para a unidade
↓
Grande Mãe Primordial
Realidade Primordial Geradora
↓
Axé
princípio ou força primordial existente nela
↓
Potencialidade
↓
Autorrelação
↓
Contração simbólica
↓
Útero Cósmico
↓
Gestação
↓
Universos-Filhos
↓
entre eles: Pai Nzambi Mpungu, o Filho Caçula — nosso Universo-Filho

O Vazio Cheio deixa, assim, de representar um “nada antes da criação”.

Ele passa a representar a plenitude ainda não diferenciada que antecede a Grande Mãe Primordial.

E talvez seja justamente por isso que Pai Joaquim utilizou uma expressão aparentemente contraditória:

Vazio para os olhos que procuram formas.

Cheio para aquele que reconhece a potencialidade da existência.

"É deste ponto que começa nossa Parte N — Nihil, Nascimento do Universo-Filho."




PARTE N (Nihil) - Nascimento do Universo-Filho


N.1 - A História do Nascimento de Pai Nzambi Mpungu

Prefácio — "Árvore de Ancestralidade da Existência"

“De onde vem aquilo que tornou possível a minha existência?”

Normalmente, quando estudamos uma cosmologia religiosa ou filosófica, nossa investigação começa pela figura de um Criador.

Nas orientações recebidas de Pai Benedito de Aruanda, porém, somos convidados a recuar ainda mais.

Antes de acompanharmos a criação consciente da vida por Pai Nzambi Mpungu, precisamos compreender aquilo que antecede sua própria manifestação.

Chamaremos simbolicamente este momento de "N — Nihil".

Não utilizamos *Nihil* simplesmente no sentido de “nada”, mas como indicação de um estágio anterior à sequência da criação que estudaremos a seguir: 

“A realidade primordial da qual procedem os Universos-Filhos, entre eles Pai Nzambi Mpungu — o Filho Caçula, nosso Universo-Filho.”

“É aqui que começa propriamente a história do nascimento dos Universos-Filhos.”

N.2 — A Grande Mãe Primordial

Segundo as orientações recebidas, antes da manifestação de Pai Nzambi Mpungu , "existe uma Realidade Primordial Geradora da qual procede Pai Nzambi Mpungu, nosso Universo-Filho.”

Chamaremos essa realidade primordial de: "Grande Mãe Primordial"

Ela não deve ser compreendida, inicialmente, como uma personagem antropomórfica, mas como a:

"Realidade Primordial Geradora."


Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, sua geração é "natural e inconsciente".

Nela não existe ainda a separação que experimentamos entre pensamento, intenção e ação.

Sua "mente e seu corpo" encontram-se perfeitamente alinhados, manifestando espontaneamente sua própria essência, sem os filtros do julgamento, da dúvida ou da autovigilância.

“Os termos ‘mente’ e ‘corpo’ são utilizados aqui por analogia e não devem ser entendidos como mente e corpo humanos.”

Ela simplesmente: **é.**

E, sendo aquilo que é, "gera de acordo com sua própria natureza".

Essa característica será fundamental mais adiante, quando chegarmos ao "nascimento de Pai Nzambi Mpungu".

Precisamos conservar desde já esta distinção:

"A Grande Mãe gera. Pai Nzambi cria."

A geração da Grande Mãe é natural e inconsciente.

A criação de Pai Nzambi será consciente, orientada pela vontade e pela intenção.

Existe na Grande Mãe Primordial aquilo que denominamos: "Axé".

Podemos representar:

GRANDE MÃE PRIMORDIAL  
↓  
AXÉ  
princípio/força primordial  
↓  
Potencialidade geradora

N.3 — Axé: O princípio primordial

O Axé é compreendido, nesta cosmologia, como princípio primordial e potencialidade existente na Grande Mãe.

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, o Axé é o: "Princípio ou força primordial existente nela."

Por isso precisamos estabelecer desde o início uma distinção fundamental:

"A Grande Mãe não é o Axé."


"O Axé é o princípio ou força primordial existente nela."

A Grande Mãe é a realidade primordial geradora.

O Axé é a força ou potencialidade primordial presente nessa realidade.

Essa diferença será muito importante para compreendermos posteriormente como uma realidade inicialmente não diferenciada começa a manifestar movimento, vibração, frequência e, finalmente, forma.

Duas aproximações para compreender o Axé:

O conceito de Axé apresentado nesta Cosmologia pertence às orientações espirituais recebidas no Projeto Ẹlẹ́dàá.

Entretanto, podemos utilizar alguns conceitos da Física e da Filosofia como "analogias", desde que não afirmemos que sejam exatamente a mesma coisa.

Essas comparações não pretendem transformar conceitos espirituais em teorias científicas.

Elas servem apenas como pontes de compreensão.

1 — Uma aproximação pela Física.

Na Física moderna, o chamado "vácuo quântico" não corresponde simplesmente a um “nada” absoluto.

Mesmo no estado de menor energia, existem campos quânticos presentes e fenômenos associados às suas propriedades.

Isso nos oferece uma imagem interessante para reflexão:

"O aparente vazio não precisa significar ausência absoluta de potencialidade."

Nesse sentido exclusivamente comparativo, podemos utilizar o vácuo quântico como uma analogia para imaginar uma realidade primordial na qual existem potencialidades ainda não manifestadas.

Mas é importante deixar claro: "O Axé não é o vácuo quântico".

O vácuo quântico pertence ao campo da Física e ainda não é perfeitamente compreendido.

O Axé, tal como apresentado aqui, pertence à Cosmologia espiritual do Ẹlẹ́dàá.

O que encontramos entre ambos é apenas uma "semelhança conceitual": 

Algo pode encontrar-se aparentemente em repouso ou não manifestado e, ainda assim, possuir potencial para manifestação.

Energia, vibração, frequência e manifestação: Segundo Pai Benedito de Aruanda, podemos imaginar o Axé como uma força/energia primordial que permanece em estado potencial até que algum princípio de ação provoque sua manifestação.

Ele utiliza, como imagem explicativa dessa força, algo semelhante a “cordas”.

Essas “cordas” não devem ser confundidas diretamente com as cordas propostas por determinadas teorias da Física.

Trata-se de uma "imagem simbólica".

Enquanto permanecem em repouso, encontram-se em estado potencial neutro.

“Quando, posteriormente, uma consciência atua sobre elas por meio do pensamento e da intenção, passam simbolicamente a vibrar.”

E essa vibração ocorre gerando determinada: Frequência.

A frequência da manifestação dependeria da natureza do impulso e, sobretudo, da: Intenção que o produz.

Assim, segundo a orientação recebida:

PENSAMENTO
↓
INTENÇÃO
↓
IMPULSO
↓
VIBRAÇÃO
↓
FREQUÊNCIA
↓
MANIFESTAÇÃO

Nota: “Esta relação entre "pensamento e intenção"descreve especialmente a atuação da consciência quando ela surgir na criação. Na Grande Mãe Primordial, entretanto, não há deliberação consciente: sua própria natureza produz espontaneamente o movimento do Axé.”

Essa relação será muito importante nos próximos capítulos.

Porque começa a nos mostrar como aquilo que se encontra inicialmente apenas em potencial pode adquirir movimento e diferenciação.

Pensamento e intenção: Pai Benedito chama nossa atenção para uma diferença importante.

"Pensamento não é necessariamente intenção."

Um pensamento pode surgir e desaparecer sem produzir uma ação definida.

A intenção acrescenta direção e potencial ao pensamento.

Podemos dizer simbolicamente:

Pensamento fornece o impulso; intenção determina sua direção e força.

Quando pensamento e intenção encontram-se perfeitamente alinhados, a manifestação corresponde diretamente àquilo que está sendo produzido.

É justamente aqui que voltamos à característica da Grande Mãe Primordial.

“Nela, natureza e manifestação encontram-se perfeitamente alinhadas. Se utilizarmos a palavra ‘pensamento’ neste estágio, ela deverá ser entendida apenas por analogia, e não como deliberação consciente.”

Por isso sua geração é natural.

Ela não precisa analisar aquilo que fará.

Não precisa escolher entre diferentes possibilidades.

Não existe nela conflito entre: "Ser" e "Manifestar-se".

Sua própria natureza gera.

2 — Uma aproximação pela Filosofia

Também encontramos imagens úteis na Filosofia.

Uma delas aparece em "Anaximandro", filósofo grego pré-socrático, que utilizou o termo: "Ápeiron" para falar de um princípio indeterminado, ilimitado ou indefinido do qual surgiriam as coisas determinadas.

Não afirmamos que o Ápeiron seja o Axé.

Mas encontramos uma semelhança interessante: Uma realidade primordial não determinada contém potencialmente aquilo que posteriormente poderá diferenciar-se.

Outra comparação possível aparece no conceito filosófico do: "Tao", especialmente quando compreendido como princípio anterior às diferenciações pelas quais o mundo manifesto é percebido.

Novamente: "Axé não é Ápeiron."; "Axé não é Tao."

Mas esses conceitos mostram que diferentes tradições filosóficas procuraram responder a uma pergunta semelhante:

Como a multiplicidade pode surgir de uma realidade primordial ainda não diferenciada?

O Axé como potencialidade primordial.

Dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, podemos então compreender o Axé, nesta etapa inicial, como: "Potencialidade primordial de manifestação."

Ele ainda não é uma estrela.

Não é um planeta.

Não é matéria organizada.

Não é uma criatura.

Não é sequer a criação consciente que posteriormente será realizada por Pai Nzambi.

É o: "Princípio ou força primordial a partir da qual a manifestação poderá ocorrer."

Podemos representá-lo assim:

GRANDE MÃE PRIMORDIAL
↓
contém em si
↓
AXÉ
↓
POTENCIALIDADE
↓
VIBRAÇÃO
↓
FREQUÊNCIA
↓
DIFERENCIAÇÃO
↓
MANIFESTAÇÃO

Entretanto, nesta etapa da história, ainda não chegamos à criação consciente.

Estamos apenas começando a compreender aquilo que existe na Grande Mãe e que permitirá o processo que conduzirá ao nascimento do Universo-Filho.

A distinção fundamental.

Precisamos, portanto, conservar com muita clareza: "A GRANDE MÃE" é a: "Realidade Primordial Geradora."

Enquanto: "O AXÉ é o: "Princípio ou força primordial existente nela.

Assim: "A Grande Mãe não é o Axé."

"O Axé existe na Grande Mãe."

E será através das propriedades dessa realidade primordial que começaremos, no próximo passo, a compreender aquilo que Pai Benedito chama simbolicamente de: "O Útero Cósmico."

É nesse processo que a realidade primordial começará a produzir uma nova condição.

E dessa condição nascerá aquele que posteriormente conheceremos como: "Pai Nzambi Mpungu — o Universo-Filho Caçula."

Síntese: 

“Antes da manifestação do Universo conhecido, encontramos não um ‘nada absoluto’, mas uma Realidade Primordial Geradora — a Grande Mãe — que contém em si a potencialidade primordial que denominamos Axé.”

Em linguagem simbólica, essa potencialidade estabelece uma relação consigo mesma, uma "autorrelação".

Podemos imaginar o processo como uma espécie de concentração ou “contração” simbólica dessa potencialidade.

Não estamos afirmando aqui a ocorrência de uma contração física do Universo.

Estamos descrevendo uma etapa "metafísica" da cosmologia do Ẹlẹ́dàá.

A sequência pode ser representada:

GRANDE MÃE PRIMORDIAL 
↓  
AXÉ 
↓  
POTENCIALIDADE  
↓  
AUTORRELAÇÃO  
↓  
“CONTRAÇÃO” SIMBÓLICA

N.4 — O Útero Cósmico

Da autorrelação dessa potencialidade constitui-se aquilo que podemos representar simbolicamente como um: Útero Cósmico.

O útero, nesta imagem, não deve ser entendido como um espaço vazio dentro do qual alguma coisa simplesmente é colocada.

Ele representa a "condição primordial na qual aquilo que existe potencialmente poderá manifestar-se".

A Grande Mãe é, portanto, geradora.

O Axé é o princípio/força primordial existente nela.

“E o Útero Cósmico representa a condição na qual ocorre a gestação de uma grande manifestação: o Universo-Filho que estamos procurando compreender.”

GRANDE MÃE PRIMORDIAL 
↓  
AXÉ/POTENCIALIDADE
↓  
AUTORRELAÇÃO  
↓  
CONTRAÇÃO SIMBÓLICA  
↓  
ÚTERO CÓSMICO  
↓  
GESTAÇÃO

N.5 — O nascimento de Pai Nzambi Mpungu, o Filho Caçula

Da gestação primordial manifesta-se o Filho Caçula: "PAI NZAMBI MPUNGU"


“O termo ‘caçula’ não significa que Pai Nzambi Mpungu tenha surgido recentemente em termos do tempo físico relacionado ao nosso Universo ou ao Big Bang.


Significa que ele ocupa a posição mais recente dentro de uma sequência de gerações cosmológicas dos Universos-Filhos.”

Nas orientações recebidas, Pai Nzambi Mpungu é apresentado como um dos Universos-Filhos.

Arquitetura proposta:

Grande Mãe Primordial
↓
gera vários Universos-Filhos
↓
entre eles existem irmãos mais antigos
↓  
Pai Nzambi Mpungu — o caçula
↓
nosso Universo-Filho
↓
consciência, vontade e intenção
↓
criação consciente da vida

Aqui encontramos outra distinção fundamental desta cosmologia:

"A Grande Mãe gera. Pai Nzambi cria."

A geração da Grande Mãe é apresentada como um processo "natural e inconsciente".

Pai Nzambi Mpungu, entretanto, manifesta-se como uma realidade "consciente", dotada de vontade e intenção.

Por isso, “Pai Nzambi Mpungu é, em nosso Universo, o Criador de toda a vida.”

“A Grande Mãe é a Realidade Primordial Geradora da qual Pai Nzambi Mpungu se manifesta como um de seus Universos-Filhos.”

Pai Nzambi, por sua vez, será aquele que "conscientemente criará a vida".

N.6 — O Universo-Filho

Podemos agora representar a primeira grande sequência:

GRANDE MÃE PRIMORDIAL 
realidade primordial geradora 
↓  
AXÉ  
princípio/força existente nela 
↓  
AUTORRELAÇÃO  
↓  
CONTRAÇÃO SIMBÓLICA  
↓  
ÚTERO CÓSMICO 
↓  
GESTAÇÃO NATURAL 
↓  
MANIFESTAÇÃO / NASCIMENTO  
↓  
PAI NZAMBI MPUNGU - O Universo-Filho

A Mãe permanece invisível enquanto o Filho corresponde àquilo que progressivamente se manifesta.

“Visível”, aqui, não significa necessariamente aquilo que pode ser observado pelos olhos, mas aquilo que passa da "potencialidade à manifestação".

“Nossa narrativa cosmológica, portanto, não começa com o surgimento de alguma coisa a partir de um nada absoluto.”

“Nossa narrativa cosmológica, portanto, não começa com o surgimento de alguma coisa a partir de um nada absoluto. Começamos no estágio que denominamos Vazio Cheio e acompanhamos o processo que conduz à Grande Mãe Primordial, à gestação e à manifestação dos Universos-Filhos.”

"potencialidade → gestação → manifestação."

N.7 — Do metafísico ao físico

Aqui precisamos estabelecer uma fronteira metodológica importante.

Até este ponto estamos descrevendo uma "cosmologia metafísica", baseada nas orientações recebidas de Pai Benedito de Aruanda.

Quando entramos no espaço-tempo, na expansão do Universo, na formação da matéria, das estrelas e das galáxias, entramos também em fenômenos estudados pela ciência.

Não devemos confundir essas duas linguagens.

Podemos, entretanto, colocá-las lado a lado para estabelecer "comparações simbólicas", desde que uma não seja apresentada como comprovação da outra.

Assim:

- Plano metafísico

"Grande Mãe → Axé → potencialidade → autorrelação → Útero Cósmico → gestação → manifestação"

- Plano físico

"Universo primordial" → expansão → Universo quente e denso → formação da matéria → estruturas cósmicas → estrelas → planetas

Dentro da cosmologia do Ẹlẹ́dàá, a passagem para o Universo manifesto pode ser simbolicamente aproximada daquilo que a cosmologia científica procura descrever nos primeiros estágios da evolução do Universo.

O "Big Bang", entretanto, não deve ser entendido como “Deus explodindo” ou como matéria explodindo dentro de um espaço previamente vazio.

Por isso, quando utilizarmos a expressão “nascimento físico do Universo-Filho”, estaremos empregando uma interpretação metafísica própria do nosso estudo, e não uma definição científica do Big Bang.

N.8 — O corpo de Nzambi Mpungu

Uma vez manifesto, Pai Nzambi Mpungu é compreendido como o próprio Universo.

Dentro dessa imagem, podemos estabelecer uma analogia:

NZAMBI MPUNGU — UNIVERSO-FILHO 
↓  
estrutura cósmica invisível  
↓  
matéria manifesta  
↓  
galáxias  
↓  
estrelas 
↓  
sistemas planetários  
↓  
vida

Assim como diferentes estruturas participam de um organismo sem deixarem de pertencer ao conjunto, cada manifestação do Universo participa do grande organismo cósmico denominado, nesta cosmologia, "Nzambi Mpungu".

"Pai Nzambi Mpungu é o Universo-Filho ao qual pertencemos; tudo o que existe em nosso Universo existe nele e participa de sua realidade".

N.9 — Matéria escura, energia escura e Axé: os limites da comparação

A cosmologia científica atual (ano 2026) descreve, aproximadamente, um Universo composto por:

~68% — energia escura 
~27% — matéria escura 
~5% — matéria comum

Esses valores são aproximados e dependem do modelo e dos parâmetros cosmológicos utilizados.

A matéria escura participa gravitacionalmente da formação e manutenção das grandes estruturas cósmicas.

A chamada energia escura está associada à expansão acelerada observada no Universo atual.

Na cosmologia do Ẹlẹ́dàá podemos utilizar essas estruturas como "analogias", mas não como identidades científicas.

Assim, podemos imaginar simbolicamente:

“Axé → princípio primordial de potencialidade e manifestação, cuja dinâmica pode ser comparada simbolicamente aos processos de transformação e expansão.”

"matéria escura" → analogia com uma matriz estrutural invisível;

"matéria comum" → corpo manifesto;

"galáxias, estrelas e planetas" → estruturas do organismo cósmico.

Entretanto: “Axé não é, no conceito científico, energia escura.”

Também não afirmamos que matéria escura seja literalmente o “esqueleto de Deus”.

Essas imagens pertencem exclusivamente à construção metafísica e comparativa do Ẹlẹ́dàá.

Da mesma maneira, modelos físicos denominados "quintessência" constituem apenas algumas das hipóteses propostas para explicar a energia escura; não identificamos o Axé cientificamente com esses modelos.

N.10 — Expansão e manifestação

A cosmologia científica trabalha com pelo menos dois contextos diferentes relacionados à expansão acelerada:

"Inflação cósmica" — fase hipotética extremamente primordial de expansão muito rápida, utilizada em modelos cosmológicos para explicar determinadas características observadas do Universo.

"Expansão acelerada tardia" — fenômeno observado no Universo relativamente recente e associado ao problema da energia escura.

Esses fenômenos não devem ser tratados simplesmente como uma única coisa.

Na cosmologia do Ẹlẹ́dàá, entretanto, podemos utilizar a ideia de expansão como uma imagem física que nos auxilia a pensar a passagem da potencialidade para a manifestação, sem afirmar que o Axé seja uma grandeza física atualmente reconhecida pela ciência convencional.

N.11 — Vida, consciência e criação

Aqui ocorre uma mudança fundamental.

Até o nascimento de Nzambi Mpungu estamos falando de "geração primordial".

Com Pai Nzambi entramos na "criação consciente".

Ele possui consciência, vontade e intenção.

Por isso: "Pai Nzambi Mpungu é o Criador de toda a vida."

A vida não é, dentro desta orientação, simplesmente um acidente pelo qual Nzambi posteriormente adquire consciência.

A consciência de Pai Nzambi "precede sua criação consciente da vida".

E é dele que procederão as primeiras centelhas de luz que iniciaremos estudando na Parte IV.

Podemos, portanto, distinguir:

"Grande Mãe Primordial"  
→ gera naturalmente.

"Pai Nzambi Mpungu"  
→ manifesta-se como Universo-Filho consciente.

"Pai Nzambi"  
→ cria conscientemente a vida.

"Vida criada"  
→ inicia sua própria trajetória de individualização, desenvolvimento e expansão da consciência.”

N.12 — A herança da Grande Mãe

Cada Universo-Filho carrega consigo aquilo que recebeu de sua origem: "o Axé."

Não porque o Axé seja criado pelo Universo-Filho.

O Axé já existia na Grande Mãe Primordial.

“Cada Universo-Filho procede dessa Realidade Primordial e, portanto, traz consigo o Axé como herança de sua origem.”

Assim podemos compreender a herança da Grande Mãe:




GRANDE MÃE PRIMORDIAL
↓
AXÉ
↓
GESTAÇÃO
↓
UNIVERSOS-FILHOS
↓
individualidades cósmicas

Entre essas individualidades encontra-se:

"Pai Nzambi Mpungu — o nosso Universo-Filho."

E é dentro dele que continuará a história que estamos procurando compreender.

“Segundo as orientações recebidas, cada Universo-Filho constitui uma individualidade cósmica procedente da mesma Realidade Primordial Geradora, permanecendo relacionado à origem comum.”

“Essa compreensão nos conduzirá posteriormente, em seus respectivos níveis, ao estudo dos multiversos e dos muitos Òrun.”

N.13 — Onde termina o "Nihil"

Chegamos então à fronteira entre duas histórias.

A primeira foi a história da "geração do Universo-Filho".

A segunda será a história da "criação consciente da vida".

“A primeira começa no Vazio Cheio e, passando pela manifestação da Grande Mãe Primordial, conduz ao nascimento dos Universos-Filhos.”


Podemos resumir:



→ Vazio Cheio
→ Totalidade primordial não diferenciada
→ Contração primordial
→ Grande Mãe Primordial
→ Axé
→ Potencialidade
→ Autorrelação
→ Contração simbólica
→ Útero Cósmico
→ Gestação
→ Universos-Filhos
→ Pai Nzambi Mpungu, o Filho Caçula
→ Consciência, Vontade e Intenção
→ Criação consciente da vida → 

E é exatamente aqui que termina nossa "Parte N — Nihil - Nascimento do Universo-Filho".

Passaremos a acompanhar algo ainda mais profundo dentro das orientações recebidas:

"Como Pai Nzambi Mpungu criou a vida?"

“Daqui em diante não estaremos mais procurando compreender apenas como se manifesta o Universo-Filho ao qual pertencemos. Passaremos a acompanhar algo ainda mais profundo dentro das orientações recebidas: como Pai Nzambi Mpungu iniciou conscientemente a criação da vida em seu próprio Universo?”



Cosmologia do Ẹlẹ́dàá — Parte I

“Como começa a criação consciente da vida?”

1. Pai Nzambi Mpungu — O Universo-Filho Consciente

“Após a manifestação de Pai Nzambi Mpungu como um dos Universos-Filhos da Grande Mãe Primordial, entramos em uma nova etapa da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá. Até aqui acompanhamos um processo de geração primordial. A partir deste ponto começaremos a acompanhar a criação consciente da vida realizada em nosso Universo-Filho.”

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2. A Primeira Manifestação – O Triângulo Divino

Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, chega o momento em que Pai Nzanbi manifesta Sua Vontade Criadora.

A primeira manifestação dessa Vontade é descrita por Pai Joaquim como o Triângulo Divino.

“O Triângulo Divino representa a primeira arquitetura através da qual a consciência, a vontade e a intenção de Pai Nzambi Mpungu começam a organizar a criação consciente da vida.”

I – Ìrókò

A Chama Eterna da Sabedoria Divina

No lado esquerdo do Triângulo manifesta-se Ìrókò.

Ìrókò é descrito como a Chama Divina que arde eternamente, preservando e sustentando toda a Sabedoria de Pai Nzanbi.

Essa chama nunca se extingue, pois representa a memória eterna da Origem e a permanência da Verdade Divina em toda a criação.

II – Orixé

A Luz Primordial

No lado direito manifesta-se Orixé.

Orixé é a Luz Eterna, reflexo da Luz primordial de Pai Nzanbi.

É essa luz que revela o propósito da criação, iluminando o caminho pelo qual todas as coisas encontram sua razão de existir.

Ela não apenas ilumina o universo, mas orienta toda manifestação para sua finalidade.

III – Orixalá

A Vontade Divina Manifestada

No vértice superior manifesta-se Orixalá.

Orixalá representa a manifestação da Vontade e dos Desígnios de Pai Nzanbi.

Por meio dele, a criação deixa de ser apenas potencialidade e inicia seu processo de organização.

Ele expressa a Inteligência Criadora que conduz toda a manifestação segundo o propósito estabelecido pelo Criador.

Síntese:

Assim, o Triângulo Divino representa as três primeiras manifestações da criação:

Orixalá — A Vontade Divina.

Ìrókò — Chama Divina, a Sabedoria Eterna e imutável.

Orixé — A Luz Primordial.

Essas três manifestações permanecem inseparáveis, sustentando toda a "arquitetura do universo conscientemente criado por Pai Nzambi".

Observação do autor: Considero importante para fortalecer a coerência filosófica do sistema que estamos procurando compreender nas revelações de Pai Benedito de Aruanda o seguinte:

No primeiro passo, descrevemos o nascimento de Pai Nzanbi (Universo Filho). No segundo passo, essa unidade passa a se manifestar sua vontade em três aspectos fundamentais. Isso lembra a ideia de uma tríade, mas não no sentido de três seres independentes. Pelo que entendemos das revelações de Pai Benedito de Aruanda, seria mais preciso dizer que Ìrókò, Orixé e Orixalá são três manifestações inseparáveis da única Vontade de Pai Nzanbi. Essa nuance é importante porque preserva a unidade do Mistério Absoluto. O Triângulo Divino não fragmenta Pai Nzanbi; ele revela três aspectos primordiais por meio dos quais a criação começa a tornar-se manifesta dentro de um propósito criacional. 

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3. O Princípio da Dualidade

Após a manifestação do Triângulo Divino, a criação consciente continua seu desdobramento.

Da unidade surge a diversidade.

Da Trindade manifesta-se a complementaridade.

Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, é nesse momento que se revela o Princípio da Dualidade, expressão do equilíbrio entre dois grandes aspectos geradores da criação manifestada.

Yàmí Àgbà Olókun

O Grande Princípio Materno da Criação Manifestada

Do lado esquerdo manifesta-se Yàmí Àgbà Olókun, a Grande Ancestral, expressão do Princípio Materno da Criação Manifestada.

Ela representa o Útero Sagrado da Criação, a matriz materna na qual a vida pode ser acolhida, gestada e conduzida à manifestação.

Senhora das Águas Primordiais, representa o princípio receptivo e gerador que acolhe em seu ventre as possibilidades da vida dentro da criação organizada por Pai Nzambi Mpungu.

Sua natureza é nutrir, gestar, proteger e transformar.

"É importante não confundirmos Yàmí Àgbà Olókun com a Grande Mãe Primordial apresentada na Parte N desta Cosmologia".

A "Grande Mãe Primordial" antecede o nascimento dos Universos-Filhos.

Yàmí Àgbà Olókun, por sua vez, manifesta-se já dentro da arquitetura consciente de nosso Universo-Filho, representando o grande princípio materno da criação manifestada.

Babá Àgbà Olórun

O Grande Princípio Paterno da Criação Manifestada

Do lado direito manifesta-se Babá Àgbà Olórun, o Grande Ancestral, expressão do Princípio Paterno da Criação Manifestada.

Senhor do Òrun, representa o Céu Ilimitado, o Mundo Espiritual, a dimensão invisível e o Reino Divino.

É apresentado como Arquiteto e Legislador da criação, estabelecendo a ordem, as leis e a harmonia que sustentam o Universo manifestado.

Sua natureza é orientar, organizar, estruturar e conduzir a criação segundo a Vontade Divina.

A União dos Dois

Yàmí Àgbà Olókun e Babá Àgbà Olórun não representam forças opostas.

São manifestações complementares dentro do mesmo Mistério Divino.

Ela oferece o ventre que acolhe e gesta.

Ele estabelece a ordem que orienta.

Ela representa o princípio gerador e receptivo da vida.

Ele representa o princípio ordenador que conduz essa vida segundo o propósito da criação.

Na complementaridade desses dois princípios, a criação encontra equilíbrio, continuidade e direção.

Nota do autor:

Há aqui uma observação filosófica que considero muito importante para compreendermos a arquitetura que está sendo apresentada.

A sequência revela uma organização progressiva:


Pai Nzambi Mpungu

→ a Unidade consciente de nosso Universo-Filho.

Triângulo Divino

→ Sabedoria, Luz e Vontade manifestadas através de Ìrókò, Orixé e Orixalá.

Princípio da Dualidade

→ os grandes aspectos complementares Materno e Paterno da criação manifestada.

Assim, o sistema não começa diretamente pela divisão entre masculino e feminino.

Antes da Dualidade encontramos uma Unidade consciente e, a partir dela, o Triângulo Divino.

Somente depois surgem os princípios complementares representados por Yàmí Àgbà Olókun e Babá Àgbà Olórun.

A Dualidade, portanto, não constitui a origem absoluta da criação.

Ela representa um novo estágio de organização dentro da criação consciente realizada em nosso Universo-Filho.

Podemos resumir essa sequência da seguinte maneira:

Pai Nzambi Mpungu
↓
Triângulo Divino
↓
Princípio da Dualidade
↓
Organização da criação consciente

"O Triângulo Celestial"

Existe ainda outro triângulo que precisamos considerar dentro da Ritualística de Abertura do Ẹlẹ́dàá.

Pai Joaquim de Angola o denomina Triângulo Celestial.

Ele é formado por:

Pai Nzambi Mpungu

Babá Àgbà Olórun

Yàmí Àgbà Olókun


Este Triângulo Celestial não deve ser confundido com o Triângulo Divino formado por Ìrókò, Orixé e Orixalá.

Os dois representam estruturas distintas dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.

O Triângulo Divino está relacionado à primeira arquitetura pela qual a consciência, a vontade e a intenção de Pai Nzambi Mpungu começam a organizar a criação consciente.

O Triângulo Celestial, por sua vez, possui importância especial dentro da Ritualística de Abertura do Ẹlẹ́dàá Mi.

Durante esse ritual, buscamos abrir nossa coroa mediúnica e estabelecer conscientemente nossa ligação com os diferentes elos sagrados da existência representados no mapa do Ẹlẹ́dàá.

Nesse contexto, o Triângulo Celestial estabelece uma ligação simbólica entre:

Pai Nzambi Mpungu

→ nosso Universo-Filho e origem da criação consciente da vida em nosso Universo.

Babá Àgbà Olórun

→ o Princípio Paterno e ordenador do Òrun.

Yàmí Àgbà Olókun

→ o Princípio Materno e gerador da criação manifestada.

Podemos representar:

Pai Nzambi Mpungu

↓

Babá Àgbà Olórun ← TRIÂNGULO CELESTIAL → Yàmí Àgbà Olókun

Nesse momento ritualístico, não estamos apenas recordando conceitos cosmológicos.

Estamos procurando reconhecer nossa ligação com a própria arquitetura sagrada da existência.

A abertura da coroa mediúnica torna-se, assim, um gesto de religação.

Religação com nossa origem.

Religação com o Universo-Filho ao qual pertencemos.

Religação com o Òrun.

Religação com o princípio materno da criação.

E, progressivamente, religação com todos os demais elos sagrados representados no Ritual de Firmezas do Ẹlẹ́dàá Mi.

Por isso, podemos compreender o Triângulo Celestial como uma das primeiras grandes estruturas de conexão utilizadas na abertura ritualística do Ẹlẹ́dàá.

Ele recorda ao praticante que sua existência não está isolada.

Somos parte de uma arquitetura maior.

E o ritual procura justamente restabelecer, de maneira consciente, nossa ligação com essa Teia Sagrada da Vida. Axé!

 Vídeo explicativo do ritual do Eledá

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4. O Reino de Pai Oxalá

A Casa dos Orixás Funfun

Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após a manifestação da Unidade, da Trindade e da Dualidade, inicia-se uma nova etapa da criação.

Antes que os espíritos ingressem plenamente na experiência do universo manifestado, Pai Nzanbi estabelece um Reino destinado à preparação de cada criatura.

Esse Reino é conhecido como A Casa dos Orixás Funfun, ou O Reino de Pai Oxalá.

Pai Joaquim explica que essa Casa pode ser compreendida pela imagem de uma família amorosa que se prepara para receber seus filhos.

Antes mesmo do nascimento de uma criança, os pais organizam toda a estrutura necessária para sua vida.

Preparam o quarto.

Montam o berço.

Providenciam quem cuidará da criança.

Planejam sua educação.

Escolhem os caminhos para seu desenvolvimento intelectual, moral, filosófico e espiritual.

Nada é deixado ao acaso.

Da mesma maneira, antes da manifestação plena da vida, Pai Nzanbi estabelece uma estrutura sagrada destinada ao crescimento de cada espírito.

É nesse Reino que todo o planejamento divino da evolução é preparado.

O Triângulo Sagrado

No interior da Casa dos Orixás, Funfun manifesta-se um novo triângulo, denominado por Pai Joaquim de Angola como O Triângulo Sagrado.

Enquanto o primeiro Triângulo Divino revela os princípios universais da criação, este segundo triângulo revela os princípios da formação espiritual das criaturas.

Ele é composto por três grandes Mistérios.

Orixá Oxalá

O Pai da Certeza

Oxalá representa a certeza da origem divina.

“Oxalá mantém viva, no mais profundo do espírito, a certeza de sua origem Divina (Eu Divino).”

Mesmo quando essa consciência permanece adormecida durante a caminhada evolutiva, ela jamais desaparece.

É essa certeza interior que Pai Joaquim identifica como a verdadeira Fé.

A fé, portanto, não é apenas uma crença.

É a memória silenciosa da nossa origem divina.

Olódùmarè

O Arquiteto da Experiência

Olódùmarè estabelece o Ayé.

O mundo manifestado.

O ambiente onde os espíritos poderão amadurecer.

Pai Joaquim compara esse mundo ao espaço externo da casa dos pais.

É nele que aprendemos.

Erramos.

Construímos.

Experimentamos.

Crescemos.

O Ayé torna-se, assim, a grande escola da evolução.

Òrúnmìlà

O Guardião dos Destinos

Òrúnmìlà guarda os destinos.

Nele repousam os propósitos para os quais cada espírito foi criado.

Seu Mistério orienta a caminhada evolutiva para que cada criatura encontre o caminho que conduz ao cumprimento de sua missão.

Os Guardiões da Formação

Além do Triângulo Sagrado, Pai Joaquim descreve outros Mistérios pertencentes à Casa dos Orixás Funfun.

Cada um participa da formação integral dos espíritos.

Olúfã Babá

Guardião da Sabedoria.

Representa o conhecimento adquirido ao longo do tempo e das inúmeras experiências da existência.

Oguiã Babá

Guardião da Força.

Concede coragem, disciplina e perseverança para enfrentar as lutas necessárias ao desenvolvimento espiritual.

Os Irúnmọlẹ̀ Funfun

Os Irúnmọlẹ̀ Funfun atuam como auxiliares da formação das criaturas.

Entre eles, Pai Joaquim destaca:

Ìbejì

Guardião do coração.

Mantém viva a pureza, a alegria e a capacidade de amar.

Está sempre pronto a socorrer quando o espírito necessita de consolo e renovação.

Òṣùmàrè

Guardião das forças geradoras da vida.

Zela pelo equilíbrio das energias criativas e sexuais, compreendidas como expressão do poder da continuidade da criação.

Exu Mirim

Guardião da mente.

Auxilia na formação do pensamento, do discernimento e da responsabilidade pelas próprias escolhas.

Egúngún

Guardião das travessias.

Acompanha todas as passagens da existência, preservando a ligação entre os ancestrais do Ẹgbẹ́ Òrun e aqueles que vivem no Ayé.

Mantém vivo o auxílio mútuo entre os dois planos durante toda a caminhada evolutiva.

Síntese:

A Casa dos Orixás Funfun representa o grande centro de preparação da vida.

Nela, cada espírito recebe os princípios, os recursos e o acompanhamento necessários para iniciar sua jornada no Ayé.

Nada é fruto do acaso.

Tudo é cuidadosamente preparado para que cada criatura possa crescer em sabedoria, responsabilidade e consciência, retornando, ao final de sua caminhada, à Fonte Divina.

Na analogia da "casa dos pais". A cosmologia explicada por Pai Joaquim de Angola, fica acessível sem perder sua profundidade. Façamos, porém, uma distinção conceitual para fortalecer a estrutura do Codex:

  • Triângulo Divino → explica como o universo começa a existir.
  • Triângulo Sagrado → explica como os espíritos são preparados para viver nesse universo.

Essa diferença nos ajudará a compreendermos que um triângulo trata da arquitetura da criação, enquanto o outro trata da arquitetura da formação espiritual. Essa organização deixa a narrativa ainda mais clara, eu acredito.

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5. A Magia Divina Elemental

A Proteção dos Mistérios da Criação

Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após serem estabelecidos o programa da vida, a formação dos espíritos e toda a estrutura necessária para sua evolução, torna-se necessário assegurar que os Mistérios da Criação permaneçam preservados.

A Sabedoria Divina não pode ser entregue de forma indiscriminada.

Ela deve ser protegida, guardada e revelada progressivamente, conforme o amadurecimento das criaturas.

Esse princípio encontra paralelo nas palavras de Jesus quando ensina que os mistérios do Reino de Deus seriam compreendidos pouco a pouco, à medida que o coração humano estivesse preparado para recebê-los.

Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, essa proteção recebe o nome de Magia Divina Elemental.

Ela representa a arquitetura espiritual criada para preservar o equilíbrio, a ordem e a integridade da própria criação.

Os Quatro Cantos

Pai Joaquim descreve que, no Reino de Pai Oxalá, os Mistérios da Criação são organizados dentro de uma estrutura espiritual denominada Os Quatro Cantos.

Esses quatro pilares representam os fundamentos sobre os quais repousa toda a arquitetura espiritual do universo.

Seu objetivo não é ocultar o conhecimento, mas preservá-lo até que cada espírito esteja preparado para compreendê-lo corretamente.

Os Quatro Anciões

Cada um desses Quatro Cantos é confiado a um grande Guardião, chamado por Pai Joaquim de Os Quatro Anciões.

Esses Anciões são responsáveis por:

  • preservar a Sabedoria Divina;
  • manter a ordem espiritual da criação;
  • proteger os Mistérios Sagrados;
  • assegurar que tudo permaneça em perfeita harmonia com a Vontade de Pai Nzanbi.

Seu trabalho acontece no plano espiritual, sustentando a estrutura invisível da criação.

Exu Maioral

Na parte externa dessa arquitetura manifesta-se Exu Maioral.

Segundo Pai Joaquim de Angola, Exu Maioral é o grande Guardião dos limites sagrados.

Seu Mistério protege os acessos àquilo que foi consagrado por Pai Nzanbi.

Por essa razão, é chamado de:

Pai de todos os Exus Kimbandeiros.

Sua função não é apenas guardar, mas também manter a disciplina espiritual necessária para que os Mistérios sejam preservados.

Nenhuma força atravessa esses limites sem a devida autorização.

Ungangas (ou Ngangas) e Aungangas (ou Anhangás)

No Ayé, essa proteção manifesta-se por meio dos sacerdotes guardiões.

Pai Joaquim denomina:

  • Ungangas — sacerdotes masculinos.
  • Aungangas — sacerdotisas femininas.

Sua missão consiste em preservar a sacralidade dos ambientes dedicados ao culto, ao ensino e ao desenvolvimento espiritual.

São eles os responsáveis por zelar pelos templos, pelos altares e pelos espaços consagrados, mantendo-os harmonizados com a arquitetura espiritual sustentada por Exu Maioral.

Assim, o que é protegido no plano invisível encontra sua correspondência no mundo material.

Síntese:

A Magia Divina Elemental representa o sistema de proteção da criação.

Nada do que pertence ao Sagrado permanece sem guarda.

Os Quatro Anciões preservam a estrutura interna dos Mistérios.

Exu Maioral protege seus limites.

Ungangas e Aungangas tornam essa proteção visível no Ayé, zelando pelos templos e pelos espaços consagrados.

Dessa forma, a Sabedoria Divina permanece acessível, mas sempre revelada segundo o amadurecimento espiritual de cada criatura.

Arquitetura do Codex. Até agora, cada etapa responde a uma pergunta fundamental:

  1. Como tudo existia? → O Vazio Cheio.
  2. Como tudo começou? → O Triângulo Divino.
  3. Como a vida passou a existir? → O Princípio da Dualidade.
  4. Como os espíritos são preparados? → O Reino de Pai Oxalá.
  5. Como tudo isso é protegido? → A Magia Divina Elemental.

Essa progressão torna a cosmologia muito fácil de acompanhar. Podemos perceber que cada capítulo resolve uma questão essencial da criação antes de avançar para a seguinte. Ela cria uma narrativa contínua, quase como uma grande história da origem do universo segundo a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.

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6. Os Quatro Oshás Primordiais

A Fundação da Vida

Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após serem estabelecidos os princípios da criação, a preparação dos espíritos e a proteção dos Mistérios Divinos, inicia-se uma nova etapa da Obra Criadora.

Chega o momento de preparar os primeiros ambientes onde a vida poderá manifestar-se.

Antes mesmo da criação do Ayê, Pai Nzanbi estabelece quatro grandes Oshás Primordiais, realidades espirituais perfeitas que servirão de fundamento para toda a criação futura.

Esses Oshás existem em estado de absoluta harmonia e constituem a matriz original da vida.

O que é um Oshá?

Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, Oshá não significa apenas um Reino espiritual.

Segundo Pai Joaquim de Angola, um Oshá representa a totalidade de tudo aquilo que pertence a um determinado domínio da criação.

Cada Oshá reúne:

  • as Leis Divinas que o organizam;
  • os Mistérios nele manifestados;
  • os Orixás que o regem;
  • os Seres Elementais que nele habitam;
  • suas forças, características e propriedades;
  • toda a inteligência espiritual responsável por sua manutenção.

Assim, um Oshá não é apenas um lugar.

É uma realidade espiritual completa.

Òṣà Iná 

O Oshá das Chamas da Transmutação

Representa toda a realidade espiritual relacionada ao Mistério do Fogo Divino.

Seu princípio fundamental é a transmutação.

Nele manifestam-se as forças responsáveis pela purificação, renovação e aperfeiçoamento contínuo da criação.

Esse Oshá é regido por:

Orixá Egunitá

Senhora das Chamas Divinas (transmutação).

Seu fogo não destrói por destruir.

Ele purifica, transforma e conduz toda criatura ao aperfeiçoamento espiritual.

Nesse Oshá vivem os Elementais do Fogo, seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios da transmutação, podemos chamá-los de Salamandras.

Òṣà Omi

O Oshá das Águas

Representa toda a realidade espiritual das Águas Primordiais.

É o Oshá onde a vida encontra sua origem, continuidade e renovação.

Nele manifestam-se quatro grandes Mistérios Divinos.

Mãe Yemọjá

Senhora das águas agitadas.

Mistério da maternidade, da proteção e do movimento da vida.

Nesse Oshá das águas agitadas vivem as Ondinas, Sereias, seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios das águas e sua força.

Mãe Òṣun

Mistério da força das águas.

Expressa o amor, a fertilidade, a prosperidade e a beleza da criação.

Nesse Oshá, onde a água tem a sua força, lembremos as cachoeiras como exemplo para melhor compreendermos. Também vivem as Ondinas, Sereias, seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios das águas.

Mãe Nàná

Mistério da decantação.

Conduz o amadurecimento, a transformação lenta e a preparação para novos ciclos.

Pai Olókun

Senhor dos abismos dos oceanos.

Representa a profundidade dos Mistérios da Vida e da Consciência Primordial.

Os Elementais das Águas cooperam com esses Mistérios, preservando o equilíbrio e a continuidade da vida.

Òṣà Fùrùfù

O Oshá do Sopro da Vida

Representa toda a realidade espiritual do Ar.

Seu princípio fundamental é o movimento.

É o Oshá da comunicação, da inspiração, da circulação das energias e do sopro vital.

Seu mistério é regido por:

Mãe Yansã

Senhora do Sopro da Vida.

Move os ventos que levam e trazem.

Conduz as mudanças, as transformações e o dinamismo permanente da criação.

Os Elementais do Ar preservam o equilíbrio dos movimentos e da circulação das energias em todo o universo. Podemos chamá-los de Silfos.

Òṣà Ilẹ̀

O Oshá da Terra

Representa toda a realidade espiritual da sustentação e da estabilidade.

É o Oshá onde repousam os fundamentos da forma e da permanência.

Nele manifestam-se dois grandes Mistérios.

Mãe Onilé

Senhora da superfície da Terra.

Representa a fertilidade, o acolhimento e o sustento da vida. Pai Benedito de Aruanda nos diz que a terra tem vida, então podemos considerar que literalmente Nossa Mãe Onilé é uma Mãe viva que nos abriga a todos em seu próprio corpo.

Pai Aganjú

Senhor do interior da Terra.

Representa as forças profundas da estrutura planetária, da resistência e da estabilidade da criação. Pai Benedito de Aruanda nos diz que Aganjú pode ser considerado como os orgãos interiores da Mãe Terra Onilé.

Os Elementais da Terra preservam permanentemente a ordem e o equilíbrio desse Oshá, seja na superfície ou no interior.

Os Seres Elementais

Cada Oshá torna-se o lar de uma ordem específica de seres espirituais.

Pai Joaquim denomina esses seres de Elementais.

Os Elementais possuem:

  • individualidade;
  • inteligência;
  • sabedoria;
  • Consciência de sua missão.

Não são simples manifestações energéticas. Embora também existam os seres puramente energéticos, que chamamos de Elementares, não vamos confundir com Elementais que se referem a esse capítulo.

São criaturas espirituais conscientes, criadas para cooperar com os Mistérios Divinos presentes em cada Oshá.

Sua missão consiste em preservar, harmonizar e manter o perfeito funcionamento da realidade espiritual à qual pertencem.

Os Oshás Primordiais

Os quatro Oshás permanecem em estado de absoluta pureza.

Existem em uma dimensão própria.

Embora coexistam com o universo material, pertencem a uma realidade espiritual distinta.

Pai Joaquim explica que esses Oshás permanecem intimamente ligados ao Ayê.

Sem eles, o mundo material não poderia existir.

Toda manifestação da natureza encontra nesses Oshás sua causa espiritual mais profunda.

O Protótipo da Criação Material

Os quatro Oshás tornam-se o modelo original daquilo que mais tarde será conhecido, no Ayê, como:

  • Reino Mineral;
  • Reino Vegetal;
  • Reino Animal;
  • Reino Humano ou Hominal.

Esses reinos materiais não reproduzem integralmente a perfeição dos Oshás.

São adaptações destinadas ao processo evolutivo vivido na matéria.

A Criação do Ayê

Após estabelecer os quatro Oshás Primordiais, Pai Joaquim ensina que o próximo grande passo da criação será confiado a Olódùmarè.

Compete a Ele estruturar o Ayê, o plano físico ou o plano da matéria.

O Ayê não constitui uma cópia perfeita dos Oshás Primordiais.

É uma manifestação dimensional adaptada às limitações da matéria e dos seres que vão habitá-los.

Nele, os espíritos experimentarão o tempo, o espaço, as escolhas, os desafios e o amadurecimento.

Se os Oshás representam a perfeição da origem, o Ayê torna-se a grande escola da evolução.

Síntese:

Os quatro Oshás Primordiais constituem a fundação invisível da criação.

Cada Oshá é uma realidade espiritual completa, reunindo Leis Divinas, Mistérios, Orixás, Seres Elementais, forças e inteligências que atuam em perfeita harmonia.

São eles que sustentam toda a arquitetura espiritual da vida e servem de modelo para a futura criação do Ayê.


Nota do autor: Ocorreu-me uma analogia que pode ajudar o leitor a compreender esse conceito sem empobrecê-lo: um Oshá seria como um "ecossistema espiritual". Assim como um ecossistema reúne ambiente, leis naturais, seres vivos e relações que formam uma unidade, um Oshá reúne o domínio espiritual, seus Mistérios, Orixás, Elementais e princípios de funcionamento em uma única realidade integrada. Essa comparação pode ser útil como recurso didático, deixando claro que se trata apenas de uma analogia e não da definição propriamente dita. Isso é importante para nós entendermos.

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7. Os Guardiões dos Reinos Naturais

Os Primeiros Habitantes do Ayê

Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após a estruturação do Ayê por Olódùmarè, inicia-se uma nova etapa da criação.

Antes do surgimento da humanidade, Pai Nzanbi prepara aqueles que terão a missão de preservar o equilíbrio da natureza.

São criados espíritos especialmente destinados a cuidar dos territórios sagrados do mundo físico, assegurando que a vida permaneça em harmonia com os Mistérios Divinos presentes nos Oshás Primordiais.

Esses seres constituem os primeiros habitantes espirituais do Ayê.

Os Iwin

Entre os primeiros espíritos criados para essa missão encontram-se os Iwin.

Pai Joaquim de Angola ensina que sua missão consiste em guardar os territórios considerados sagrados na natureza.

Não exercem domínio sobre a criação.

São guardiões.

Preservam a ordem, a harmonia e os Mistérios confiados por Pai Nzanbi.


Sua atuação concentra-se principalmente em dois grandes domínios naturais:


  • o Reino das Águas;
  • o Reino das Matas.

Embora distintos, esses dois reinos trabalham em perfeita cooperação, sustentando o equilíbrio da vida no Ayê.

Os Iwin conhecem profundamente os mistérios da natureza e zelam para que permaneçam preservados.

Os Encantados

Juntamente com os Iwin, manifestam-se outros espíritos conhecidos como Encantados.

Sua missão consiste em proteger toda a vida presente nos Reinos Naturais.

Enquanto os Iwin guardam os territórios sagrados, os Encantados atuam diretamente na preservação das inúmeras formas de vida que neles habitam.

Sua presença assegura que a natureza continue expressando os propósitos estabelecidos por Pai Nzanbi desde a origem da criação.

Sua ligação com os Oshás

Cada Iwin e cada Encantado encontra-se vinculado a um dos Oshás Primordiais.

Essa ligação determina sua natureza, suas responsabilidades e os Mistérios Divinos com os quais cooperam.

Assim, cada um atua em perfeita sintonia com o Orixá regente do Oshá ao qual pertence.

Essa unidade garante que todas as forças da criação permaneçam integradas, desde os Reinos Espirituais Primordiais até sua manifestação no Ayê.

Os Primeiros Habitantes do Mundo Material (Ayê)

Pai Joaquim explica que os Iwin e os Encantados são os primeiros espíritos destinados a habitar o Ayê.

Muito antes da humanidade, já cumpriam sua missão de preservar o equilíbrio dos ambientes naturais.

Por conhecerem profundamente os Mistérios da criação, dominam naturalmente aquilo que Pai Joaquim denomina Magia Divina Elemental.

Essa magia não representa poder pessoal nem instrumento de domínio.

É a expressão do conhecimento das Leis Divinas que regem a natureza.

Por meio dela, cumprem suas responsabilidades de proteção, equilíbrio e conservação da vida.

Os Guardiões da Natureza

Os Reinos Mineral, Vegetal e Animal permanecem sob constante cuidado desses espíritos.

Nada existe de forma isolada.

Toda montanha.

Toda floresta.

Todo rio.

Toda nascente.

Toda espécie.

Possui guardiões responsáveis por preservar sua integridade e seu propósito dentro da Obra Criadora.

Assim, a natureza manifesta-se como um grande templo vivo, sustentado por inteligências espirituais que cooperam silenciosamente para manter o equilíbrio da criação.

Síntese:

Os Iwin e os Encantados representam a primeira presença espiritual no Ayê.

Criados antes da humanidade, tornam-se os guardiões dos Reinos Naturais e dos territórios sagrados.

Em profunda sintonia com os Oshás Primordiais e seus respectivos Orixás, utilizam a Magia Divina como expressão das Leis da Criação, preservando o equilíbrio, a vida e os Mistérios da natureza para todas as gerações.


Nota do autor: Considero muito importante para a compreensão da arquitetura da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá observarmos o seguinte:.

Até agora, a narrativa de Pai Joaquim de Angola segue uma ordem natural, que nos faz compreender a sabedoria Divina:


  • 1–6: preparação do universo.
  • 7: preparação do mundo natural (Elemental).
  • 8 (a próxima): preparação para a criação da humanidade.

Essa divisão cria três grandes fases:

  1. Cosmologia da Criação (origem do universo).
  2. Cosmologia da Natureza (origem e organização do Ayê e de seus guardiões).
  3. Cosmologia Humana (origem da raça humana, de onde viemos, seu propósito e sua evolução).

Pai Benedito de Aruanda escolheu essa sequência de estudo trazida por Pai Joaquim de Angola, para que o nosso Codex Ẹlẹ́dàá, forme uma estrutura muito clara e fácil de acompanhar. Ela organiza a narrativa em grandes blocos temáticos, sem perder a continuidade cronológica da criação.

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8. A Criação do Homem

O Início da Jornada Humana (primeira escola)

Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, transmitidas por Pai Joaquim de Angola, após a criação do Ayê por Olódùmarè, o mundo material encontrava-se plenamente estruturado.

Os reinos Mineral, Vegetal e Animal já existiam, assim como os Espíritos da Natureza encarregados de sua preservação.

Entretanto, a humanidade ainda não havia iniciado sua jornada.

Antes de ingressar no Ayê, o homem seria preparado em outro domínio da criação.

O Reino dos Espíritos da Natureza

Além do Ayê, Pai Benedito revela a existência de um domínio espiritual denominado Reino dos Elementais.

Esse Reino não corresponde ao plano físico.

É um mundo paralelo, preservado em sua pureza original.

Nele habitam inúmeras ordens de espíritos responsáveis pela sustentação da natureza.

Pai Benedito chama esses espíritos de ESPÍRITOS DA NATUREZA.

Entre eles encontram-se:

  • os Ébórá, que podem ser: Encantados, Iluminados e Divinizados;
  • os Iwin (protetores, guardiões);
  • os Ajá (curandeiros);
  • os Gnomos (trabalhadores da terra);
  • as Fadas (responsáveis pela vegetação);
  • os Silfos (ventos, correntes de ar);
  • as ondinas (águas, tanto dos mares como dos rios);
  • as Salamandras (fogo);

E muitas outras ordens espirituais cuja missão consiste em cooperar com os Orixás na preservação da criação.

Cada grupo atua em sintonia com um dos Oshás Primordiais e com o Orixá correspondente, recebendo deles o Axé necessário para cumprir sua missão.

A Criação do Homem

Diferentemente das demais criaturas, o homem é criado com uma característica singular.

Recebe o livre-arbítrio.

Não nasce moralmente perfeito nem inclinado ao mal.

É criado em condição de neutralidade, possuindo a liberdade de escolher o caminho que seguirá durante sua evolução.

Essa liberdade constitui o fundamento de todo o seu aprendizado espiritual.

O Sopro da Vida - ẹ̀mí (emi-princípio vital)

Inicialmente, o homem manifesta-se como espírito.

É Olódùmarè (portador do título de Elémí “Senhor/Proprietário do Ẹ̀mí”) quem lhe concede o Èmí, o Sopro da Vida.

“Ẹ̀mí não representa a criação da consciência individual. O espírito já possui sua individualidade. Ẹ̀mí é o princípio vital que anima o recipiente corporal, permitindo que o espírito nele se manifeste e realize sua experiência.”

O Reino dos Elementais

Segundo Pai Benedito, o primeiro ambiente habitado pelo homem não é o Ayê.

Sua primeira morada é o Reino dos Elementais.

Esse Reino corresponde ao estado primordial da criação.

Na compreensão da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, é esse ambiente que a tradição bíblica descreve simbolicamente como o Paraíso.

Não se trata do mundo material.

É um domínio espiritual onde a criação permanece íntegra, equilibrada e plenamente harmonizada.

A Harmonia Original

No Reino dos Elementais, toda a criação manifesta sua condição primordial.

Os reinos mineral, vegetal e animal coexistem em perfeita harmonia.

Os Espíritos da natureza convivem naturalmente com todas as formas de vida.

Não existem desequilíbrios.

Não há violência.

Não existem fenômenos destrutivos.

A criação expressa integralmente a ordem estabelecida por Pai Nzanbi.

Pai Benedito descreve esse estado afirmando que toda a natureza comunica-se livremente.

Os animais.

As plantas.

Os Elementais.

E até mesmo a própria Terra manifesta sua consciência.

Toda a criação participa de uma única comunhão de vida.

A Primeira Escola da Humanidade

É nesse Reino que o homem inicia seu aprendizado.

Antes de conhecer os desafios do Ayê, convive com os Elementais e com todos os Espíritos da natureza.

Aprende diretamente com a natureza em seu estado puro.

Conhece os Mistérios da criação sem conflito, sofrimento ou separação.

Sua formação acontece por meio da convivência com a própria vida.

A Preparação para o Ayê

Somente após esse período de formação é que o homem estará preparado para ingressar no Ayê.

Ali encontrará uma realidade diferente.

No mundo material, o aprendizado ocorrerá por meio das escolhas (Encruzilhadas), das consequências (Lei), do tempo e da experiência.

O Reino dos Elementais representa, portanto, a primeira escola da humanidade.

O Ayê tornar-se-á sua segunda grande escola.


Síntese:

Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, o homem não inicia sua existência no Ayê.

Sua primeira morada é o Reino dos Elementais, um domínio espiritual onde toda a criação permanece em estado de perfeita harmonia.

É nesse ambiente que o espírito humano recebe sua formação inicial, convivendo com os Espíritos da Natureza, os Elementais e toda a natureza antes de iniciar sua jornada evolutiva no mundo material.

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9. O Homem no Ayê

A Jornada da Liberdade

Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, transmitidas por Pai Joaquim de Angola, a narrativa bíblica da tentação da serpente e da expulsão do Paraíso deve ser compreendida em linguagem simbólica.

Ela não descreve apenas um acontecimento isolado.

Representa o início da jornada evolutiva da criatura em direção ao pleno exercício de sua liberdade.

Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, o chamado "Paraíso" corresponde ao Reino dos Elementais, onde o espírito inicia sua existência em estado de pureza, convivendo com os Espíritos da Natureza e aprendendo diretamente com a criação em perfeita harmonia.

A saída desse Reino não representa uma punição.

Representa o início de uma nova etapa da evolução.

A Evolução do Espírito

Pai Benedito compara o desenvolvimento espiritual ao crescimento de um ser humano.

Assim como a vida corporal atravessa diferentes fases, também o espírito percorre sucessivas etapas de amadurecimento.

Essas etapas podem ser compreendidas simbolicamente como:

  • Infância — aprendizado, pureza e dependência.
  • Adolescência — descobertas, escolhas e transformações.
  • Vida adulta — responsabilidade, consolidação e amadurecimento.
  • Velhice — sabedoria, síntese e preparação para novos ciclos.

Da mesma maneira, a evolução espiritual acontece progressivamente.

Cada etapa prepara a seguinte.

A Infância Espiritual

A primeira etapa acontece no Reino dos Elementais.

Ali o espírito vive em estado de pureza.

Aprende diretamente com os Espíritos da Natureza.

Conhece os Mistérios da criação em sua forma original.

Nesse estágio, ainda não experimenta plenamente as consequências do livre-arbítrio.

Assim como uma criança é acompanhada por seus pais, o espírito permanece protegido enquanto desenvolve suas primeiras compreensões da vida.

O Início das Escolhas

Chega, porém, o momento em que o espírito precisa experimentar sua própria liberdade.

É nesse ponto que começa aquilo que a narrativa bíblica representa simbolicamente pela saída do Paraíso.

Segundo Pai Benedito, não se trata de uma expulsão motivada pela ira Divina.

É uma passagem natural do processo educativo da criação.

O espírito deixa o ambiente protegido para iniciar sua própria experiência.

Os Muitos Ayê

Pai Benedito ensina que não existe apenas um Ayê no Universo de Pai Nzanbi.

Existem inúmeros mundos materiais, destinados aos diferentes níveis de desenvolvimento espiritual.

Cada espírito habita aquele mundo mais adequado às suas necessidades evolutivas.

Assim, a criação oferece múltiplos ambientes de aprendizado, todos subordinados às Leis Divinas.

Os Mundos Escuros

A primeira experiência da criatura nos mundos da matéria ocorre naquilo que Pai Benedito denomina Mundos Escuros.

Essa expressão não significa ausência da presença Divina.

Refere-se ao fato de que, nesses mundos, o espírito ainda vive predominantemente identificado com suas limitações, seus conflitos e sua ignorância espiritual.

É nesse ambiente que o livre-arbítrio começa a ser exercido de maneira efetiva.

Ali o espírito aprende por meio das consequências de suas próprias escolhas.

Os Mundos de Provas

Após percorrer os Mundos Escuros, o espírito continua sua caminhada.

Passa então a habitar os Mundos de Provas.

Segundo Pai Benedito, é nessa categoria que se encontra o planeta Terra.

Aqui, o espírito já possui maior consciência de suas responsabilidades.

Entretanto, continua sendo chamado a decidir, inúmeras vezes (sucessivas reencarnações), entre diferentes caminhos.

Cada escolha representa uma encruzilhada espiritual.

Cada existência constitui uma nova oportunidade de aprendizado.

Por essa razão, a Terra é compreendida como um verdadeiro mundo de provas.

Os Mundos de Luz

Quando o espírito desperta plenamente para sua natureza Divina, inicia uma nova etapa.

Passa a habitar os chamados Mundos de Luz.

Nesses mundos, a consciência volta a estabelecer ligação direta com o Orixé, recordando a unidade vivida originalmente no Reino dos Elementais.

Não se trata de um retorno à infância espiritual.

É uma conquista consciente daquilo que antes era vivido de forma inocente.

O espírito permanece livre, mas agora escolhe espontaneamente viver em harmonia com as Leis Divinas.

Os Mundos das Trevas

Pai Benedito também descreve a existência dos Mundos das Trevas.

Segundo esses ensinamentos, correspondem ao destino daqueles espíritos que, após sucessivas oportunidades de aprendizado, nas sucessivas reencarnações e migrações entre mundos, escolhem definitivamente afastar-se da Luz.

Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, essa condição é apresentada como consequência da liberdade plenamente exercida pela criatura. Pai Joaquim de Angola nos disse que é uma escolha sem volta!

O Nosso Caminho

Embora a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá apresente a existência desses diferentes mundos, o objetivo deste estudo concentra-se na compreensão do Ayê onde atualmente vivemos.

Conhecer as etapas anteriores da jornada permite compreender melhor o propósito da vida presente.

Somente entendendo de onde viemos podemos compreender para onde caminhamos.


Síntese (parte I):

Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, a saída do Reino dos Elementais representa o início da experiência consciente do livre-arbítrio.

A criatura percorre sucessivos mundos de aprendizado, amadurecimento e provas, até despertar plenamente para sua natureza, onde escolherá em plena consciência, Luz ou Trevas.

A Terra constitui uma dessas etapas na condição de "Mundos de Provas".

É aqui que o espírito consolida suas escolhas e prepara o caminho para sua futura migração aos Mundos segundo a sua escolha.

O Paraíso não é perdido; ele é conquistado.

A primeira parte da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá apresentou a origem da criação e da jornada humana.

A segunda parte convida-nos a contemplar essa criação por outro ângulo.

Agora deixamos a narrativa cronológica para entrar na contemplação da arquitetura espiritual que sustenta o Mundo de Provas.

O Mapa da Criação torna-se, assim, a chave para compreender como Pai Olódùmarè preparou o Ayê e como Pai Olórun organizou, em perfeita harmonia, todos os Mistérios que conduzem à evolução da vida.

Até agora, Pai Benedito de Aruanda nos respondeu às seguintes perguntas:

Parte N: “De onde procede nosso Universo-Filho?”

Parte I: “Como começa a criação consciente da vida?”

Parte II: “Como o Mundo de Provas foi organizado?”

Parte III: “Como o Ayê foi preparado para receber o homem?”

Na Parte IV, ele passa a responder:  “Como o homem é formado e inicia sua jornada evolutiva?”

Vamos seguindo todos juntos nesse estudo!

Axé!

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Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - Parte II "A Arquitetura da Criação" (introdução)

A Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas

Vimos o surgimento da criação a partir do Mistério Absoluto, a manifestação do Triângulo Divino, o Princípio da Dualidade, a organização da Casa dos Orixás Funfun, a Magia Divina Elemental, os Oshás Primordiais, os Guardiões dos Reinos Naturais, a criação do homem e o início de sua jornada evolutiva.

Toda essa preparação conduziu a um momento decisivo.

O ingresso da humanidade no Ayê, o Mundo de Provas.

Entretanto, segundo Pai Benedito, o Ayê não foi criado ao acaso.

Antes da chegada da humanidade, todo esse mundo foi cuidadosamente preparado por duas grandes manifestações da Inteligência Divina.

Pai Olódùmarè preparou a estrutura material do Ayê.

Pai Olórun organizou sua estrutura espiritual.

Essa organização constitui aquilo que Pai Benedito denomina:

A Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas.

Ou, de forma mais sintética, O Mapa da Criação.

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O Mapa da Criação

Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, o Mapa da Criação não representa apenas um símbolo.

Ele descreve a organização espiritual do Ayê.

- Cada linha (Ponto Riscado - Lei de Pemba).

- Cada direção (Forças Magisticas).

- Cada portal dimensional.

- Cada centro de forças e linhas espirituais.

- Cada movimento ritualístico.


Expressa uma função específica dentro da dinâmica da criação.

Assim como uma planta arquitetônica permite compreender a estrutura de uma grande construção, o Mapa da Criação revela a estrutura invisível que sustenta a experiência da vida no Mundo de Provas.

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O Ẹlẹ́dàá

É nesse contexto que começamos a compreender o verdadeiro significado do Ẹlẹ́dàá.

O Ẹlẹ́dàá não é apresentado apenas como um conjunto de símbolos.

É uma linguagem espiritual.

Um mapa vivo.

Uma representação da Inteligência Divina organizada para conduzir a evolução da criatura.

Cada símbolo possui uma função.

Cada direção possui um propósito.

Cada Mistério manifesta uma Lei.

À medida que Pai Joaquim apresenta esse mapa, percebemos que toda a criação funciona como uma única arquitetura, onde nada existe de forma isolada.

Tudo está interligado.

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Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - Parte II "Como tudo funciona"


10. A Primeira Encruzilhada

O Início dos Caminhos da Escolha

Na primeira parte da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, acompanhamos a humanidade durante sua infância espiritual.

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, antes de ingressar plenamente nos mundos materiais, o espírito humano vive em um ambiente de aprendizado e proteção, simbolicamente identificado com o Paraíso bíblico e denominado, nesta cosmologia, Reino dos Elementais.

Ali, a criatura ainda aprende diretamente com a natureza e com os Espíritos da Natureza, vivendo em uma realidade preservada da experiência plena das consequências de suas próprias escolhas.

Entretanto, chega um momento em que esse aprendizado precisa avançar.
A criatura não poderá permanecer indefinidamente protegida.
Para amadurecer, deverá exercer aquilo que recebeu como uma de suas maiores dádivas:

O livre-arbítrio

É nesse momento que surge aquilo que Pai Benedito nos ensina a compreender simbolicamente como a Encruzilhada.

A Encruzilhada não representa apenas um lugar onde diferentes caminhos se encontram.
Ela representa o instante em que, diante de diferentes possibilidades, a criatura precisa escolher qual caminho seguirá.

E toda escolha produz consequências.
É nesse contexto que a narrativa bíblica da primeira família humana passa a adquirir, para a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, um significado simbólico especial.

A Família Sagrada

Para compreendermos essa linguagem, Pai Benedito utiliza a primeira família apresentada no livro do Gênesis.

Adão representa simbolicamente o Pai de todos os futuros pais.
Dentro do Cosmograma que estamos procurando compreender, essa função será associada a Orixá Obàtálá.

Eva, apresentada na narrativa bíblica como mãe dos viventes, representa simbolicamente a Mãe de todas as futuras mães.
No Cosmograma, essa função será associada a Odùduwà.

Não estamos afirmando que Adão seja literalmente Obàtálá ou que Eva seja literalmente Odùduwà.

A Cosmologia do Ẹlẹ́dàá utiliza essas figuras como uma linguagem simbólica, permitindo que conceitos pertencentes a diferentes tradições nos auxiliem na compreensão da arquitetura espiritual que estamos estudando.

Dessa primeira família surgem três filhos que representarão três condições diferentes diante da liberdade:

Caim, Abel e Sete.

Caim — A Escolha do Caminho do Erro

Na narrativa bíblica, antes que Caim cometa o ato que mudará sua história, ele recebe uma advertência.

Diante dele existe uma possibilidade.
Ele pode dominar seus impulsos e escolher outro caminho.
Entretanto, Caim escolhe agir contra aquilo que lhe havia sido orientado.
Na leitura apresentada por Pai Benedito, Caim representa aquele que, diante da encruzilhada, escolhe o caminho do erro.

Isso não significa que tenha sido criado para o mal.
Ao contrário.

Sua história somente possui sentido porque ele poderia ter escolhido de maneira diferente.
É exatamente por existir liberdade que pode existir responsabilidade.
A partir de sua escolha, Caim ingressará no caminho das experiências por meio das quais aprenderá pelas consequências de seus próprios atos.

Seu destino, portanto, não é uma condenação estabelecida previamente.
Ele passa a experimentar aquilo que sua própria liberdade colocou em movimento.

Abel — A Confiança nos Desígnios Maiores

Abel representa uma condição diferente.

Segundo Pai Benedito, ele simboliza aquele que aceitou, compreendeu e confiou nos Desígnios Maiores de Pai Olórun, Senhor do Òrun.
Diante da mesma possibilidade de escolha, sua consciência encontra-se em consonância com uma ordem maior.

Por essa razão, dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, Abel não necessitará percorrer os mesmos caminhos de provas destinados àqueles que ainda precisam aprender por meio das experiências do Ayê.

Isso não significa, porém, que sua participação na criação esteja encerrada.
Segundo as orientações recebidas, espíritos nessa condição poderão posteriormente ser chamados a auxiliar seus irmãos que ingressam nos mundos de provas.
Assim, aquele que já compreendeu pode tornar-se servidor daquele que ainda está aprendendo.

Sete — A Escolha do Caminho do Bem

Mais adiante surge Sete.
Ele representa aquele que, diante da encruzilhada, escolhe conscientemente o caminho do bem.

Entretanto, sua escolha ainda deverá ser confirmada por meio da experiência.
Por isso, Sete, assim como Caim, ingressará no Ayê e atravessará os mundos destinados às provas e ao amadurecimento.
Essa diferença é importante.

Escolher o bem não significa estar dispensado da experiência.
Significa escolher uma direção que precisará ser consolidada através das inúmeras decisões que surgirão ao longo da jornada.

A Encruzilhada e o Mistério de Exu

É justamente nesse ponto que começamos a compreender uma das afirmações mais conhecidas das tradições afro-brasileiras:

Exu é o Senhor da Encruzilhada.

Segundo os ensinamentos de Pai Benedito, essa expressão não significa simplesmente que Exu governe cruzamentos ou caminhos físicos.
A Encruzilhada representa o momento da escolha.
E o Reino dos Senhores Exus representa a atuação da Lei sobre as escolhas realizadas pelas criaturas.

Exu não escolhe por nós.

Exu não obriga ninguém a seguir determinado caminho.
A escolha pertence à criatura.
Mas, depois que a escolha foi realizada, suas consequências precisam manifestar-se.
Por isso, Pai Benedito sintetiza esse Mistério por meio de uma antiga expressão:

“Exu dá para quem merece e cobra de quem deve.”

Nesse entendimento, Exu não representa o mal.
Representa a Lei que assegura a responsabilidade sobre aquilo que escolhemos.
Podemos compreender essa arquitetura da seguinte maneira:

Encruzilhada → Escolha → Lei → Consequência → Aprendizado.

A Encruzilhada oferece os caminhos.
O livre-arbítrio permite escolher.
A Lei estabelece as consequências.

E a experiência transforma essas consequências em aprendizado.

Três Caminhos

Assim, a primeira família torna-se uma linguagem simbólica para compreendermos três condições diante da liberdade:

Caim

Escolhe o caminho do erro e aprenderás através das consequências.

Abel

Compreende e confia nos Desígnios Maiores, não necessitando percorrer os mesmos caminhos de prova no Ayê e podendo futuramente auxiliar seus irmãos.

Sete

Escolhe o caminho do bem, mas deverá confirmá-lo e amadurecê-lo através das experiências do Ayê.

Não estamos diante de três destinos arbitrariamente impostos pelo Criador.
Estamos diante de três respostas possíveis da criatura ao exercício da liberdade.
E justamente por isso começa aqui a grande experiência dos Mundos de Provas.

A Primeira Lei da Jornada

Livre-arbítrio → Encruzilhada → Escolha → Consequência → Aprendizado → Evolução.

A partir deste momento, o espírito passa a compreender uma verdade fundamental:

Ser livre significa também tornar-se responsável.

Não há aprendizado verdadeiro sem escolha.

Não há escolha verdadeira sem possibilidade de erro.

E não existe responsabilidade sem consequências.

A Encruzilhada torna-se, portanto, um dos primeiros grandes Mistérios da Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas.
É nela que o caminho deixa de ser apenas recebido e passa também a ser escolhido.
E é através dessas escolhas que começará cada criatura a construir sua própria história dentro do Ayê.
A Encruzilhada não determina nosso destino.
Ela revela aquilo que escolhemos fazer com a liberdade que recebemos.

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Nota do autor:

1. Adão → Obàtálá:

Na Bíblia, Adão funciona como cabeça genealógica da humanidade. 


Gênesis 5 começa apresentando justamente a “linhagem de Adão”. Eva recebe uma formulação ainda mais explícita: é chamada de “mãe de todos os viventes”.

No universo yorùbá, encontramos uma correspondência funcional importante: Obàtálá aparece em tradições cosmogônicas como aquele que modela a humanidade, enquanto o princípio vital procede da Divindade suprema. Fontes acadêmicas também reconhecem Obàtálá e Odùduwà como figuras centrais das diferentes tradições yorùbás sobre a criação. Portanto, a associação proposta pelo Ẹlẹ́dàá:

Adão → Pai de todos os futuros pais → Obàtálá

E isso combina muito bem com algo que já tínhamos recebido para o Cosmograma:

Obàtálá = Pai de todos os Pais Orixás.

2. Eva → Odùduwà: Aqui precisamos explicar a diversidade yorùbá.

A Bíblia é inequívoca ao chamar Eva de “mãe de todos os viventes”. Já Odùduwà possui tradições bastante diferentes. Em grande parte da tradição histórica yorùbá, Odùduwà aparece como personagem masculino e ancestral fundador de dinastias. Entretanto, existem também antigas tradições nas quais Odùduwà é feminina, associada à Terra e apresentada como esposa de Obàtálá. Um estudo acadêmico  sobre essas tradições registra explicitamente essa variante; trabalhos sobre a antiga religião de Ifẹ̀ também reconhecem uma identidade feminina/terrestre de Odùduwà em certos contextos.

Nesse contexto, continuaremos seguindo as orientações de Pai Benedito de Aruanda:

Eva → Mãe de todas as futuras mães → Odùduwà

Mas, acrescentando:

“Esta correspondência pertence à Cosmologia do Ẹlẹ́dàá e dialoga particularmente com tradições yorùbás que preservam o aspecto feminino primordial de Odùduwà; outras tradições apresentam Odùduwà de maneira diferente.”

3. E aqui aparece uma ponte bíblica extraordinária: a primeira Encruzilhada

Antes de Caim matar Abel, Deus fala diretamente com ele:

“Se fizeres o bem...” / “se não fizeres o bem...”

E acrescenta que o pecado está à porta, mas que Caim deve dominá-lo. Ou seja: Caim ainda não cometeu o ato. Existem diante dele possibilidades e ele precisa escolher.

A Bíblia não chama isso de “encruzilhada”. Essa interpretação é nossa. Mas estruturalmente temos exatamente:

Um caminho → uma escolha → duas possibilidades → responsabilidade → consequência.

E aqui a ponte com a filosofia yorùbá fica fortíssima.

Na cosmologia yorùbá, oríta, a encruzilhada, constitui um domínio liminar associado a Èṣù; estudos acadêmicos descrevem Èṣù justamente em relação à consciência, responsabilidade, julgamento, recompensa e sanção decorrentes da ação humana.

Portanto:

Encruzilhada não significa mal.

Encruzilhada significa possibilidade de escolha.

4. Caim: não representa necessariamente “o mal”; representa uma escolha

Caim recebe a advertência antes do assassinato. Após escolher matar Abel, sofre consequências. Entretanto, Deus/Pai Olorum também coloca sobre ele uma marca para impedir que outras pessoas o matem. Caim continua vivendo, constitui família e sua descendência desenvolve cidade, criação de animais, música e metalurgia.

Isso produz uma leitura muito mais interessante que vamos abordar um pouco mais a frente.

Ele simboliza:

O filho que, diante da encruzilhada, escolhe o caminho do erro e passa a aprender por meio das consequências de suas escolhas.

Isso se encaixa extraordinariamente bem no conceito dos Mundos de Provas.

Porque prova só faz sentido quando há liberdade.

E a filosofia yorùbá do Orí também preserva uma tensão entre destino e responsabilidade individual. Estudos sobre o tema registram escolha do destino antes da vinda ao mundo, Òrúnmìlà como Ẹlẹ́rìí-Ìpín, testemunha do destino, e ao mesmo tempo conceitos de responsabilidade pessoal pelas ações realizadas no Ayê.

Temos então:

Destino ≠ ausência de escolha.

5. Abel: Na orientação de Pai Benedito de Aruanda, Abel, como aquele que aceitou, compreendeu e confiou nos desígnios superiores, encontra um paralelo bíblico bastante direto.

Hebreus apresenta Abel como aquele que agiu pela fé, foi reconhecido como justo e, curiosamente, acrescenta:

Mesmo morto, Abel “ainda fala”.

Isso é muito importante para o que o Pai Benedito está ensinando.

Entretanto, precisamos separar cuidadosamente as coisas:

A Bíblia não diz que Abel foi dispensado de mundos de provas, nem que passou a auxiliar espíritos encarnados. Essa é uma revelação específica da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá através de Pai Benedito.

Mas encontramos uma pequena ponte simbólica:

Abel morre fisicamente → permanece como testemunho espiritual → “ainda fala”.

Hebreus 12 utiliza posteriormente a imagem de uma “grande nuvem de testemunhas” que antecederam aqueles que continuam sua jornada.

Não é mediunidade nem doutrina de auxílio espiritual no sentido apresentado pelo Ẹlẹ́dàá. Mas é uma analogia digna de registro.

6. A tradição africana nos oferece outra ponte para Abel

Aqui entramos no universo Bakongo, e achei particularmente interessante por causa da presença de Nzambi na própria construção do Ẹlẹ́dàá.

Na cosmologia Kongo, o mundo dos vivos e o mundo espiritual dos ancestrais permanecem relacionados; estudos históricos e arqueológicos registram a ideia de que espíritos ancestrais podem continuar relacionados aos vivos, procurados para auxílio e orientação. O Cosmograma Kongo/Bakongo também apresenta um limiar entre esses mundos.

Isso não prova as revelações de Pai Benedito a respeito de Abel.

Mas fornece uma excelente ponte africana para uma ideia mais ampla:

Alguns daqueles que atravessaram para o mundo espiritual continuam participando da caminhada daqueles que permanecem no mundo material.

7. Sete talvez contenha a descoberta mais interessante de todas

Vejamos o que acontece no próprio texto bíblico.

Depois da morte de Abel, Eva tem Sete e declara que Deus lhe concedeu outro descendente em lugar de Abel. Depois, Sete gera Enos, e o texto associa esse período ao início de invocar o nome do Senhor.

Isso cria uma relação direta:

Abel → Sete.

Não são simplesmente dois irmãos independentes.

Sete surge biblicamente como continuidade de Abel.

E Gênesis 5 passa justamente a acompanhar a linhagem de Sete até Noé.

Agora comparemos com a orientação de Pai Benedito:

Abel — escolheu confiar nos Desígnios Maiores; não precisará percorrer os Mundos de Provas e auxiliará seus irmãos.

Sete — escolheu o caminho do bem, mas seguirá para o Ayê e será provado.

Surge uma interpretação extremamente lógica:

Abel poderia representar o princípio do Bem já compreendido, a origem ou nascimento no plano espiritual das primeiras Colônias e Postos de socorro à humanidade.

Sete poderia representar esse mesmo princípio que precisa ser realizado por meio da experiência.

Um permanece como referência.

O outro entra na história.

Um “ainda fala”.

O outro continua a linhagem.

No decorrer das orientações de Pai Benedito, vamos juntos amadurecer essa ideia.

8. Talvez a “Família Sagrada” não seja propriamente uma genealogia

Depois desta pesquisa, eu comecei a enxergar a primeira família bíblica no Ẹlẹ́dàá como uma linguagem iniciática da condição humana:

Adão / Obàtálá

→ princípio paterno da humanidade.

Eva / Odùduwà

→ princípio materno da humanidade.

E, diante dos filhos, surge algo novo:

A ENCRUZILHADA.

Daí aparecem três respostas possíveis à existência:

Caim

→ Conhece a orientação, mas escolhe contrariá-la.

→ Caminho do erro e aprendizado pelas consequências.

Abel

→ Compreende, aceita e confia.

→ Caminho da consonância com os Desígnios Maiores.

Sete

→ Escolhe o bem, mas precisa realizá-lo por meio da experiência.

→ caminho da prova e do amadurecimento.

E isso conversa de maneira muito profunda com a sequência da Parte I:

Livre-arbítrio → Encruzilhada → Escolha → Consequência → Aprendizado → Evolução.

9. A encruzilhada não é simplesmente um cruzamento de caminhos físicos. Ela representa o momento da escolha. E, se há escolha, precisa haver consequência. É justamente aí que entra Exu.

Então podemos organizar assim:

Encruzilhada → Escolha → Lei → Consequência

Nesse entendimento, dizer que Exu é o dono da encruzilhada significa que o Reino dos Senhores Exus está ligado à aplicação da Lei sobre aquilo que escolhemos. Exu não escolhe por nós, não nos obriga a seguir um caminho e também não representa o mal. Ele atua sobre as consequências da decisão tomada.

Por isso a frase:

“Exu dá para quem merece e cobra de quem deve.”

Vamos juntos continuar nossos estudos e refletir passo a passo, Axé!

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10.1. A Marca de Caim — O Mapa da Criação

A abertura poderia ser construída em torno desta ideia:

Após realizar sua escolha na Primeira Encruzilhada, Caim precisa deixar o ambiente em que até então vivera e iniciar uma nova etapa de sua jornada.

Segundo a narrativa bíblica, temendo aquilo que encontraria fora daquele ambiente protegido, Caim manifesta seu medo de ser morto. Deus então lhe concede um sinal e estabelece que aquele que atentasse contra sua vida responderia sete vezes por seu ato.

A Bíblia não explica qual era a forma desse sinal.

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, entretanto, essa passagem preserva simbolicamente um ensinamento muito mais amplo. A “marca” de Caim representa a arquitetura espiritual do mundo para o qual ele estava sendo conduzido.

Caim não partiria para um universo abandonado ou desprovido da presença Divina. Ele ingressaria no Ayê, um Mundo de Provas cuidadosamente estruturado por Leis, forças, guardiões e caminhos destinados a permitir que o espírito exercesse sua liberdade e aprendesse através das consequências de suas próprias escolhas.

Essa arquitetura é representada no Projeto Ẹlẹ́dàá pelo Mapa da Criação.

Cada círculo, eixo, direção, símbolo e posição existente nesse mapa possui uma função. Nada está isolado. Todos os elementos participam de uma única estrutura espiritual destinada a sustentar a experiência da criatura no Ayê.

Portanto, compreender a “Marca de Caim”, na linguagem apresentada por Pai Benedito, significa começar a compreender como funciona espiritualmente o Mundo de Provas.

Não vamos explicar o mapa seguindo simplesmente a lista da esquerda para a direita.

O mapa possui uma arquitetura. Então devemos lê-lo por camadas, partindo dos seus fundamentos e avançando para suas manifestações.

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11. A Linha da Kalunga — A Primeira Fronteira

Segundo esse ensinamento, a Linha da Kalunga é guardada por Senhor Pambu Nzila, o Senhor da Primeira Fronteira. Ela delimita o sistema protegido do nosso orbe, compreendendo o Ayê — sua estrutura material sustentada pelas forças dos Quatro Oshás — e a arquitetura espiritual organizada por Pai Olórun.

Além dessa fronteira encontra-se aquilo que Pai Joaquim denomina Òrun aberto, pertencente ao vasto universo de Pai Nzambi. Pai Joaquim nos explica que existem muitos Òrun e muitos orbes ou mundos na Criação, entre os quais podem existir diferentes condições e até conflitos que estudaremos mais adiante.

É importante compreender, portanto, que aquilo que Pai Benedito denomina Universo ou Reino das Trevas não corresponde a todo esse ambiente exterior. Refere-se especificamente, neste ensinamento, aos grupos de espíritos que se encontram nas proximidades da fronteira do nosso orbe e que se colocam em oposição às leis estabelecidas por Pai Olórun.

Esses espíritos podem contrariar as leis que regem o nosso mundo, mas não podem ultrapassar a Lei Maior de Pai Nzambi, que é universal, soberana e imutável em toda a Criação.

A Linha da Kalunga não representa, contudo, uma barreira absolutamente fechada. Por meio da sintonia vibratória, a criatura pode estabelecer correspondência com determinadas condições e/ou espíritos existentes além dessa fronteira, criando aberturas pelas quais poderá sofrer pressões e influências muito perigosas.

Ainda assim, essas forças não possuem o direito de anular o livre-arbítrio. Sua atuação permanece submetida aos limites estabelecidos pela Lei Maior (Tribunal de Forças Maiores).

Pai Nzambi concede ao opositor (trevas) um direito limitado de oposição e provação.

Isso significa que a oposição possui função dentro do processo educativo do Mundo de Provas, mas não possui soberania sobre a criatura. Ela pode criar resistência, pressão e circunstâncias de prova; não pode retirar do espírito o direito fundamental de escolher.

É importante para compreendermos inicialmente o universo, considerarmos  três realidades, e não apenas “dentro” e “fora”:

Ayê e sua arquitetura espiritual protegida → Linha da Kalunga / Pambu Nzila → Òrun aberto, dentro do qual existe, nas proximidades de nosso orbe, o Reino das Trevas/opositores.

Isso resolve uma questão conceitual importante: nem tudo que está fora da Kalunga são trevas. O Reino das Trevas seria apenas uma condição existente dentro de uma Criação muito maior.

“A Linha da Kalunga não impede a prova; ela garante que, mesmo em meio à prova, a liberdade da criatura permaneça resguardada pela Lei.”

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12. A Organização das Guardas da Kalunga

À medida que avançamos na leitura do Mapa da Criação, começamos a perceber que a proteção do nosso orbe não está organizada em uma única barreira.

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, existe uma verdadeira arquitetura de fronteiras, portais e linhas protetoras, cada qual com seus respectivos Guardiões e funções.

Essa estrutura deve ser compreendida progressivamente, de fora para dentro.

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12.1. Senhor Pambu Nzila — O General da Primeira Fronteira

A primeira grande fronteira é a Linha da Kalunga.

Sua proteção exterior está sob o comando do Senhor Pambu Nzila.

Pai Benedito nos explica que Pambu Nzila não deve ser compreendido apenas como um guardião colocado diante de uma passagem.

Ele é apresentado como um General.

Sob seu comando encontram-se os exércitos espirituais encarregados de proteger externamente a Primeira Fronteira.

Sua responsabilidade está diretamente relacionada à preservação dos limites estabelecidos pela Lei, assegurando que as forças existentes no ambiente exterior não possam penetrar arbitrariamente no espaço protegido do nosso orbe.

A oposição pode existir.

A pressão pode existir.

A provação pode existir.

Mas existem limites.

E a Primeira Fronteira constitui uma das estruturas destinadas a preservar esses limites.

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12.2. As Sete Vibrações do Setenário Sagrado

Os exércitos e falanges responsáveis pela proteção da Kalunga encontram-se relacionados às sete vibrações do Setenário Sagrado dos Orixás:




Pai Obàtálá, Pai Oxóssi, Pai Xangô, Pai Ogum, Mãe Yemojá, Mãe Oxum, Mãe Yansã.

Cada uma dessas vibrações reúne falanges de espíritos que trabalham dentro da força correspondente.

Portanto, não devemos compreender esses agrupamentos como sete exércitos isolados ou independentes.

Eles fazem parte de uma única arquitetura de proteção, organizada segundo as diferentes vibrações do Setenário Sagrado.

Essa organização começa na proteção da Kalunga e terá continuidade no interior do Ẹlẹ́dàá.

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12.3. Senhor Exu Kahanka — O Guardião da Segunda Fronteira

Depois da Primeira Fronteira, encontramos uma Segunda Fronteira.

Ela está sob a guarda do Senhor Exu Kahanka.

Pai Benedito o denomina:

“Guardião das Oito Bandeiras”.

Essas oito bandeiras representam, segundo o ensinamento recebido, oito grandes portais de entrada e saída do nosso orbe.

Essa informação acrescenta um elemento importante à compreensão do Mapa da Criação.

A passagem entre diferentes ambientes espirituais não acontece de maneira aleatória.

Existem pontos determinados para entrada e saída.

Existem Guardiões.

Existem Leis.

E existem condições para que a passagem seja autorizada.

Exu Kahanka e Hachimanjin

Segundo as orientações de Pai Benedito, Senhor Exu Kahanka, aqui no Japão, é chamado de Hachimanjin — Senhor dos Exércitos.

Dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, essa correspondência estabelece uma ponte particularmente importante com o Japão, um dos pontos fundamentais de nossa caminhada e do próprio desenvolvimento deste estudo.

Obs.: Por enquanto, devemos compreender essa identificação exatamente no contexto em que ela foi transmitida por Pai Benedito:

Exu Kahanka → Hachimanjin → Senhor dos Exércitos → Guardião da Segunda Fronteira.

Isso não significa que devamos, neste momento, afirmar que todas as tradições japonesas identificam Hachimanjin com Exu Kahanka.

Essa correspondência pertence às orientações apresentadas dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.

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12.4. As Oito Bandeiras e as Oito Horas Grandes

Senhor Exu Kahanka também recebe outro título:

“Senhor Guardião das Oito Horas Grandes”.

Segundo Pai Benedito, essa expressão está relacionada aos mesmos portais representados pelas Oito Bandeiras.

Ela nos revela que a organização das entradas e saídas não possui apenas uma dimensão espacial.

Existe também uma ordem temporal.

Há momentos nos quais determinadas passagens são permitidas e outros nos quais permanecem fechadas.

Assim, as Oito Bandeiras e as Oito Horas Grandes representam dois aspectos de um mesmo Mistério:

Onde se pode atravessar e quando se pode atravessar.

Ainda precisaremos receber mais orientações para compreender plenamente essa organização.

Obs.: Por enquanto, devemos preservar exatamente aquilo que nos foi transmitido, sem antecipar suas funções específicas.

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12.5. A Primeira Porteira — Senhor Caboclo Sete Raios

Depois da Segunda Fronteira, encontramos uma estrutura diferente.

Não se trata de uma terceira fronteira.

Trata-se de uma Porteira.

Essa distinção é muito importante para a leitura do mapa.

A Porteira encontra-se sob a guarda do Senhor Caboclo Sete Raios.

Seu próprio nome preserva uma chave para compreendermos sua função.

Os Sete Raios representam as sete vibrações do Setenário Sagrado:

Obàtálá — Oxóssi — Xangô — Ogum — Yemojá — Oxum — Yansã.

A Porteira encontra-se, portanto, diretamente relacionada à organização dessas sete forças.

Se as fronteiras estabelecem os grandes limites do orbe, a Porteira começa a nos introduzir no sistema de distribuição das forças protetoras que atuarão em seu interior.

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12.6. Das Falanges da Kalunga às Linhas de Ogum de Lei

Dentro de cada uma das sete vibrações do Setenário Sagrado existem falanges espirituais ligadas à proteção da Kalunga.

Essas falanges não permanecem atuando somente nas fronteiras exteriores.

Sua organização possui continuidade dentro do próprio Ẹlẹ́dàá.

Segundo Pai Benedito, é a partir dessa estrutura que chegamos àquilo que conhecemos como:


Ogum de Lei

No interior do Ẹlẹ́dàá, Ogum de Lei atua por meio das chamadas Linhas Protetoras.

São sete:

Ogum Yara, Ogum Beira-Mar, Ogum Rompe-Mato, Ogum Megê, Ogum Malê, Ogum Nagô

Ogum Naruê.

Assim, começamos a perceber uma continuidade entre a proteção exterior e a proteção interior.

As forças que guardam o orbe não desaparecem depois que atravessamos suas fronteiras.

Elas assumem novas formas de organização e atuação dentro do ambiente protegido.

Podemos representar provisoriamente essa arquitetura da seguinte maneira:

- Ambiente Exterior

- Linha da Kalunga — Primeira Fronteira

- Senhor Pambu Nzila — General dos Exércitos Externos

- Segunda Fronteira

- Senhor Exu Kahanka / Hachimanjin — Senhor dos Exércitos

- Oito Bandeiras / Oito Portais / Oito Horas Grandes

Primeira Porteira

Senhor Caboclo Sete Raios — Setenário Sagrado

Interior do Ẹlẹ́dàá

Falanges Protetoras → Ogum de Lei → Sete Linhas Protetoras

Uma arquitetura de proteção:

Essa nova compreensão nos mostra que a defesa espiritual do Mundo de Provas não funciona como uma simples muralha.

Ela possui camadas.

Possui comando.

Possui portais.

Possui horários.

Possui Guardiões.

Possui falanges.

E possui forças especializadas que continuam trabalhando no interior do mundo protegido.

A Primeira Fronteira estabelece o limite exterior.

A Segunda Fronteira controla os grandes portais de entrada e saída.

A Primeira Porteira organiza a passagem para o interior do Ayê através de falanges nas sete vibrações fundamentais.

E, no interior do Ẹlẹ́dàá, as Linhas de Ogum de Lei dão continuidade à proteção do caminho da criatura.

Nota do autor: Ainda não conhecemos todos os detalhes dessa arquitetura. Por isso, continuaremos registrando cada orientação à medida que ela nos for apresentada, procurando compreender como cada peça se relaciona com o conjunto. Da fronteira ao caminho interior, a proteção não elimina a prova: ela assegura que a prova aconteça dentro da Lei.


Síntese (parteII):

A primeira parte da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá apresentou a origem da criação e da jornada humana.

Na Parte II da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, começamos a compreender a Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas.

A primeira família bíblica passa a ser utilizada como linguagem simbólica da condição humana: Adão/Obàtálá e Eva/Odùduwà representam os princípios paterno e materno, enquanto Caim, Abel e Sete revelam diferentes respostas diante da primeira grande Encruzilhaa — o momento da escolha.

A partir dela, compreendemos:

Livre-arbítrio → Encruzilhada → Escolha → Lei → Consequência → Aprendizado.

Nesse contexto, Exu é apresentado como expressão da Lei, assegurando que cada escolha encontre suas consequências.

A Marca de Caim passa então a simbolizar o próprio Mapa da Criação, código que revela a arquitetura espiritual do Ayê e as Leis que sustentam a experiência no Mundo de Provas.

Começamos sua leitura de fora para dentro:

Linha da Kalunga (círculo externo)

- Primeira Fronteira, protegida pelos exércitos comandados pelo General Pambu Nzila.

- Segunda Fronteira, guardada por Exu Kahanka/Hachimanjin, Senhor dos Exércitos, Guardião das Oito Bandeiras, dos oito portais e das Oito Horas Grandes.

- Primeira Porteira, guardada pelo Caboclo Sete Raios, representando as sete vibrações do 

Setenário Sagrado:

Obàtálá — Oxóssi — Xangô — Ogum — Yemojá — Oxum — Yansã.

Dentro dessas sete vibrações atuam falanges espirituais ligadas à proteção da Kalunga, que no interior do Ẹlẹ́dàá se manife stam através das Linhas Protetoras de Ogum de Lei:

Ogum Yara, Ogum Beira-Mar, Ogum Rompe-Mato, Ogum Megê, Ogum Malê, Ogum Nagô e Ogum Naruê.

Asim, começamos a perceber que o Mundo de Provas não está entregue ao acaso: possui fronteiras, Guardiões, portais, exércitos, falanges e Leis destinadas a permitir a provação sem retirar da criatura o direito de escolher.

Se a Parte I respondeu:

“Como tudo começou?”

A Parte II começa agora a revelar:

“Como tudo foi organizado para que pudéssemos escolher, aprender e evoluir?”

Axé!

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(Parte III) — A preparação do Ayê por Pai Olodumarê

13.0 - O barro

Curiosamente, encontramos em diferentes civilizações antigas a imagem do ser humano sendo formado a partir da terra, do barro ou da argila.

No Egito, em determinadas tradições, Khnum aparece como o divino oleiro que modela seres humanos em sua roda.Na Mesopotâmia, diferentes narrativas descrevem a formação da humanidade a partir da argila, associada a um elemento divino, com a participação de divindades como Enki/Ea.

Na Grécia, tradições posteriores apresentam Prometeu modelando os seres humanos a partir da terra e da água.

Entre os Yorùbá, determinadas tradições contam que Ọbàtálá modela a forma humana utilizando a matéria da terra, enquanto Olódùmarè concede-lhe o princípio da vida.

Essa recorrência, presente em culturas que desenvolveram suas próprias cosmologias, mostra como o simbolismo da terra enquanto matéria da vida se tornou uma das grandes imagens da origem humana.

Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàá

Pai Benedito de Aruanda nos explica que o barro representa o "Axé de Mãe Onilé — a Mãe Terra".

Mãe Onilé alimenta e sustenta o Reino Elemental da Terra — "Òṣá Ilé" — e todos os seres que nele habitam, inclusive o próprio homem.

Assim, quando as antigas narrativas afirmam que o homem foi formado do barro, podemos compreender, dentro da leitura do Ẹlẹ́dàá, que o corpo destinado à experiência material pertence à própria Terra e recebe dela os elementos necessários para sua existência.

O homem traz consigo, portanto, duas dimensões simbólicas: a matéria que procede da Terra e o princípio da vida que procede do Sagrado.

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13.1 - O Jardim do Éden e suas divisões

Éden e Jardim do Éden não são exatamente a mesma coisa.

Gênesis 2:8 afirma:

“O Senhor Deus plantou um jardim no Éden, no Oriente, e ali colocou o homem que havia formado.”

O texto bíblico apresenta, portanto, "Éden como uma região", dentro da qual se encontra o "jardim".

Mais adiante, Gênesis 2:10 relata que:

“Um rio saía do Éden para regar o jardim e, dali, dividia-se em quatro braços.”

Esses quatro braços recebem os nomes de:

"Pisom — Giom — Tigre — Eufrates."

Gênesis não afirma que existiam quatro jardins. Essa compreensão pertence à interpretação que passaremos a apresentar dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.

Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàá

Pai Benedito de Aruanda denomina essa região primordial de "Quadrante Sagrado".

É o ambiente relacionado aos seres elementais puros e à condição primordial do homem antes de sua experiência na matéria.

Segundo essas orientações, o Quadrante Sagrado pode ser compreendido como dividido em "quatro campos ou jardins", simbolicamente relacionados aos quatro rios descritos em Gênesis.

Pisom, Giom, Tigre e Eufrates passam, nessa leitura, a representar não apenas águas, mas "direções ou caminhos".

Encontramos aqui a imagem de uma primeira grande "encruzilhada".

Diante dela, o espírito encontra caminhos diferentes segundo suas próprias escolhas.

Um desses caminhos conduz para a experiência do erro, da consequência e do aprendizado.

Segundo Pai Benedito, esse caminho é simbolicamente representado pela direção do "Oriente — o nascer do Sol".

Não devemos compreender esse Oriente apenas como um ponto geográfico. Trata-se principalmente de uma "direção espiritual", de um percurso composto por diferentes estágios.

À entrada desses caminhos existem fronteiras.

O texto bíblico apresenta os "Querubins" guardando o caminho de retorno à Árvore da Vida. Na leitura do Ẹlẹ́dàá, essa imagem encontra correspondência funcional com os "Guardiões de Fronteira", responsáveis pelo controle da passagem entre diferentes regiões.

Segundo as orientações recebidas, após essas fronteiras existem ainda "Sentinelas responsáveis por cada estágio do percurso".

Assim, o caminho não representa apenas deslocamento: representa uma jornada.

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13.2 - O Oriente e a entrada do homem na experiência material

O Apocalipse de Moisés

Uma antiga tradição preservada na chamada "Vida de Adão e Eva", cuja versão grega ficou conhecida como "Apocalipse de Moisés", acrescenta uma informação que não aparece em Gênesis. Segundo esse texto, depois de saírem do Paraíso, Adão tomou Eva e seguiu em direção ao "nascer do Sol, isto é, para o Oriente".

Ali permaneceram durante "18 anos e 2 meses", e nessa região nasceram Caim e Abel.

Outra antiga tradição, preservada no "Livro dos Jubileus 3:32", afirma:

Adão e Eva saíram do Jardim do Éden e passaram a habitar na terra de "Elda", “na terra de sua criação”.
Jubileus acrescenta ainda que Adão havia sido criado nessa terra antes de ser introduzido no Jardim do Éden.
Temos, portanto, duas tradições antigas que devem permanecer distintas:
"Jubileus:" Terra de "Elda", terra da criação de Adão.
"Apocalipse de Moisés:" direção do "Oriente", onde Adão e Eva teriam vivido e onde nasceriam Caim e Abel.
Os textos não afirmam que Elda e a região oriental sejam necessariamente o mesmo lugar.
Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàá
Pai Benedito de Aruanda nos orienta que Adão e Eva iniciaram sua experiência na matéria nessa região identificada simbolicamente com a "Terra de Elda".
No Éden, a existência humana é apresentada dentro da condição de pureza espiritual.
Ao deixar esse estado e entrar na nova terra, começa uma experiência diferente: 


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13.3 - As consequências da escolha


Em Gênesis, Deus não pronuncia um único discurso conjunto a Adão e Eva no momento da expulsão.
Primeiramente são apresentadas as consequências da escolha à serpente, à mulher e ao homem.
À mulher, Gênesis 3:16 associa sua nova ondição às dores da gestação e do parto e às dificuldades que passariam a marcar a relação entre homem e mulher.
Ao homem, Gênesis 3:17–19 declara que “o solo — adamah — seria amaldiçoado por causa dele.”
Seu sustento passaria a exigir esforço.
Espinhos e dificuldades fariam parte de sua experiência, e o homem trabalharia até retornar ao próprio solo do qual havia sido formado:
“Porque tu és pó e ao pó retornarás.”
Surge novamente o simbolismo do barro.
O homem havia sido formado da terra.
Passaria a viver da terra.
E, ao fim da experiência material, devolveria seu corpo à terra.


13.4 - O conhecimento do bem e do mal


Depois das consequências apresentadas ao casal, encontramos uma declaração divina:
 “Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal…”
Segundo a interpretação do Ẹlẹ́dàá
Pai Benedito nos orienta a compreender simbolicamente essa passagem da seguinte maneira:
“Eis que o homem reivindicou o seu direito de escolha entre os dois caminhos.”
Não significa que essa seja a tradução literal da frase bíblica.
Trata-se da "interpretação dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá".
O conhecimento do bem e do mal representa, nessa compreensão, o início da experiência consciente da escolha.
A encruzilhada está diante do homem.
Escolher significa também assumir as consequências do caminho escolhido.


13.5 - A Árvore da Vida e as fronteiras


Gênesis continua dizendo que Deus impediu que o homem tomasse também do fruto da "Árvore da Vida, comesse e vivesse para sempre”.
Por isso:
“O Senhor Deus o expulsou do Jardim do Éden para cultivar o solo do qual havia sido tomado.”
- Gênesis 3:23
O texto bíblico termina essa etapa com uma imagem extraordinária:
Deus colocou querubins a leste do Jardim do Éden e uma espada flamejante para guardar o caminho da Árvore da Vida.
- Gênesis 3:24
Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàá
A expressão bíblica “viver para sempre” pode ser compreendida, dentro da leitura do Ẹlẹ́dàá, como a permanência contínua naquela condição, sem a necessidade das sucessivas experiências na matéria.
“Segundo essa orientação, no Éden a experiência humana ainda transcorria em uma condição de pureza espiritual.”
E os querubins que guardam o caminho da Árvore da Vida apresentam uma imagem que se tornará fundamental para compreendermos a arquitetura espiritual do Ayê:
- existem caminhos;
- existem fronteiras;
- existem guardiões;
- existem leis de passagem;
- e existe um caminho de retorno.
A expulsão do Éden deixa, assim, de representar apenas uma porta que se fecha.
Ela também revela o início de uma jornada.


14.0 — A Terra de Elda: O próximo passo evolutivo


O início da jornada humana — a Segunda Escola

Até este ponto, acompanhamos o homem em sua condição primordial no Éden.

A partir de agora, inicia-se uma nova etapa.

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, a Terra de Elda representa o "próximo passo evolutivo da humanidade": a primeira transição do espírito, vindo dos Mundos Puros, em direção aos mundos onde a experiência da matéria começará efetivamente a acontecer.

Elda não corresponde ainda ao mundo físico denso tal como hoje o conhecemos.

Trata-se de um "mundo semimaterial", formado por uma matéria tão sutil e quintessenciada que escaparia completamente aos nossos atuais sentidos físicos.

Pai Benedito nos explica que podemos compreendê-lo como um "primeiro molde da matéria", um mundo que ainda espelha de maneira muito próxima a realidade do mundo puro de onde o espírito procede.

É uma realidade intermediária. Não é mais o Éden. Mas também ainda não é amaterialidade densa que conhecemos atualmente.

Elda representa, portanto, "a primeira escola de adaptação do espírito à experiência material".

O Livro dos Jubileus e a Terra de Elda

O "Livro dos Jubileus, capítulo 3", preserva uma sequência bastante significativa dos acontecimentos posteriores à transgressão.

Segundo essa narrativa:

Adão e Eva deixam a condição do Jardim do Éden.

Adão oferece incenso e substâncias aromáticas.

Os animais que anteriormente possuíam a capacidade de falar perdem essa faculdade.

Os seres vivos são dispersos.

Então, "no início do quarto mês", Adão e Eva deixam a região do Éden e passam a habitar na "Terra de Elda", chamada pelo próprio texto de: “a terra de sua criação”.

Somente depois dessa passagem começa a narrativa relacionada aos filhos de Adão e Eva e à formação da primeira família humana.

Dentro do nosso estudo, essa sequência é particularmente importante.

Ela sugere uma mudança gradual de condição:

Éden → ruptura → consequência → transição → Elda → formação da família humana.

O quarto mês e as quatro fases

Segundo Pai Benedito de Aruanda, a referência de Jubileus ao “início do quarto mês” pode também ser compreendida simbolicamente como a entrada do homem em uma "quarta fase da experiência".

Essas quatro etapas podem ser organizadas da seguinte maneira:

1 — Criação / nascimento

O homem é criado e vive no Éden.

É a experiência primordial em condição de pureza.

2 — Instrução Divina

O homem recebe orientação, conhece sua origem, seu propósito e os limites necessários à preservação daquela condição.

3 — Tentação

Surge a possibilidade concreta da escolha.

A consciência encontra-se diante da encruzilhada.

4 — Rompimento das muralhas

A escolha produz consequência.

O homem perde a condição necessária para permanecer no estado anterior e começa uma nova experiência.

É nessa "quarta fase" que se inicia a caminhada em direção a Elda.

A perda da condição do Éden

Aqui Pai Benedito faz uma distinção fundamental.

Qando dizemos que Adão e Eva foram “expulsos do Éden”, não devemos imaginar simplesmente Deus retirando duas pessoas fisicamente de um jardim e fechando uma porta atrás delas.

Segundo a orientação recebida, "Adão e Eva perderam a pureza necessária para continuar vivendo naquela condição".

O Éden não precisou deixar de existir. Muito pelo contrário, nos aguarda o retorno. De volta para a casa!

Foram eles que deixaram de possuir a condição espiritual compatível com aquele ambiente.

Assim, a chamada “expulsão” pode ser compreendida, dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, como uma "mudança de estado vibratório e existencial".

O homem não é simplesmente mandado embora.

Ele passa a pertencer a outro estágio da experiência.

Nota importante: mantendo a consciência e preservando a lembrança de todos os acontecimentos.

O reconhecimento do erro.

O Livro dos Jubileus apresenta Adão oferecendo incenso e substâncias aromáticas.

Segundo Pai Benedito, esse gesto simboliza o "reconhecimento do erro e o arrependimento".

- Adão compreendeu.

- Reconheceu sua escolha.

- Procurou reconciliar-se com o Sagrado.

Mas aqui encontramos uma das grandes lições da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá: "Arrependimento não significa cancelamento das consequências."

As Leis do Criador são imutáveis. O perdão pode existir. O reconhecimento pode existir. A reconciliação pode começar.

Mas aquilo que foi desequilibrado precisa ser novamente colocado em equilíbrio.

É necessário "corrigir, aprender e reparar".

Assim começa a escola da consequência.

Quando os animais deixam de falar

Jubileus preserva uma tradição curiosa segundo a qual os animais, que anteriormente falavam, perderam essa capacidade.

Perguntamos a Pai Benedito sobre essa passagem.

Segundo sua orientação, não devemos compreender essa ruptura como limitada aos animais.

Ela alcança também: as plantas; a Terra; os seres elementais(perdemos o contato); e todos os demais seres vivos de todos os Reinos que coabitavam com o homem naquela condição primordial, mesmo quando não são mencionados pela narrativa bíblica.

Cada Reino e cada tipo de vida passaram a ter suas próprias linguagens.

A imagem representa uma condição muito mais profunda: havia comunicação e comunhão entre os diferentes reinos da vida.

Quando o homem perde sua condição original, perde também a capacidade de perceber plenamente essa comunicação.

O mundo não necessariamente ficou silencioso.

O homem é que deixou de conseguir ouvi-lo como antes.

A dispersão dos seres vivos

O Livro dos Jubileus afirma ainda que os seres vivos foram dispersos.

Segundo Pai Benedito, essa dispersão representa a "perda da harmonia entre o homem e os diferentes reinos que anteriormente coabitavam com ele".

Aquilo que antes constituía uma convivência integrada começa a se separar.

O homem passa a experimentar: distância; limitação; conflito; medo; necessidade; e aprendizado.

A separação entre os seres torna-se, assim, parte da própria experiência educativa.

“A terra de sua criação”

Uma das expressões mais intrigantes do Livro dos Jubileus é justamente a definição de Elda como: “a terra de sua criação”.

Perguntamos: Onde exatamente Adão havia sido criado antes de ser colocado no Jardim?

Segundo Pai Benedito de Aruanda, a resposta não deve ser procurada apenas em uma localização geográfica.

A expressão refere-se ao "mundo de onde foi retirado o corpo perispiritual utilizado por Adão e Eva naquele estágio da existência".

Em outras palavras, antes da experiência da matéria física densa, o espírito precisava possuir um veículo adequado à realidade semimaterial em que passaria a viver.

Esse veículo pode ser chamado, dentro de nossa linguagem espiritualista, de "corpo perispiritual".

Assim, Elda seria o mundo cuja matéria forneceria o veículo utilizado por: Adão; Eva; e seus descendentes; e também pelos demais reinos que compartilhassem aquele estágio existencial.

Cada ambiente possui uma condição própria.

E cada ser necessita de um corpo compatível com o mundo no qual deverá manifestar-se.

Elda não é outro nome para o Éden. Essa distinção também foi esclarecida por Pai Benedito.

Elda não é simplesmente outro nome para o Éden. É o estágio seguinte.

É a realidade imediatamente posterior à perda da condição edênica e, por isso, ainda muito próxima daquele mundo.

Podemos representá-la simbolicamente assim:

Mundos Puros

↓ perda da condição original

Elda — primeira realidade semimaterial

↓ experiências sucessivas

Mundos Imperfeitos

↓ aprofundamento da experiência

Mundos de Provas

Elda funciona, assim, como uma espécie de "ponte entre a pureza espiritual e a experiência progressivamente mais materializada".

A consciência ainda permanecia desperta

Apesar da transição, segundo Pai Benedito, o homem ainda não havia perdido completamente a consciência de sua origem espiritual.

Na Terra de Elda, permaneciam vivos: a memória da origem; a consciência do propósito; a compreensão do destino espiritual; e a percepção da presença do Criador.

O "Eu Divino", representado pelas "Sete Virtudes Sagradas", ainda permanecia desperto no coração humano.

O homem entrava na experiência da matéria, mas ainda sabia de onde vinha.

Ainda sabia por que existia.

E ainda compreendia para onde deveria retornar.

É nesse sentido que podemos dizer, dentro da linguagem do Ẹlẹ́dàá, que naquele estágio o homem ainda: “caminhava consciente da presença de Deus.”

Adão, Eva, Ọbàtálá e Odùduwà

É também nesse contexto que devemos compreender a correspondência simbólica anteriormente apresentada dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá:

Adão — pai da primeira família humana.

Ọbàtálá — Pai de todos os Pais Orixás — Babá Orixás.

Eva — mãe da primeira família humana.

Odùduwà — Mãe de todas as Mães Orixás — Yámi Orixás.

Essa correspondência "não significa que Adão seja Ọbàtálá nem que Eva seja Odùduwà dentro das tradições bíblica ou yorùbá".

Trata-se de uma leitura simbólica própria da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.

As tradições yorùbá preservam diferentes versões sobre a preparação do Ayé.

Em determinadas narrativas, Ọbàtálá está relacionado à formação da terra e especialmente à modelagem da forma humana.

Em outras, Odùduwà assume papel fundamental no estabelecimento da terra firme, na organização de Ilé-Ifẹ̀ e no desenvolvimento das futuras linhagens.

Dentro das orientações do Ẹlẹ́dàá, essas imagens são utilizadas para compreender dois princípios fundamentais:

Adão / Ọbàtálá — princípio paterno, preparação e organização.

Eva / Odùduwà — princípio materno, geração e continuidade da vida.

Assim começa a organização da primeira família humana.

Preparar a terra.

Quando Gênesis apresenta Adão cultivando o solo depois de sua saída do Éden, Pai Benedito nos orienta a não compreender essa tarefa apenas como o trabalho físico de um agricultor.

Dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá: "preparar a terra significa organizar as condições necessárias para que a vida possa desenvolver-se naquele mundo."

Isso envolve: o ambiente; os diferentes reinos; as relações entre os seres; a constituição das famílias; o aprendizado; as leis; e as condições necessárias para as próximas experiências evolutivas.

Adão prepara. Eva gera. A família começa. E a jornada humana prossegue.

A Segunda Escola

É nesse sentido que Pai Benedito denomina essa nova etapa de "Segunda Escola".

O homem vinha dos "Mundos Puros", mas iniciava sua passagem para os "Mundos Imperfeitos".

A descida não deve ser entendida simplesmente como abandono ou condenação.

Ela representa uma nova forma de aprendizado.

Na primeira condição, o homem conhecia.

Agora precisaria "experimentar aquilo que conhecia".

Saber o que é correto é uma coisa.

Escolher corretamente diante das dificuldades é outra.

Por isso começa: a escola da experiência; a escola da consequência; a escola da reparação; a escola da escolha consciente.

Os sete ambientes da jornada evolutiva

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, podemos organizar os ambientes relacionados à jornada do espírito da seguinte maneira:

1 — Mundos Celestiais

2 — Mundos Divinos

3 — Mundos Puros

4 — Mundos Imperfeitos

5 — Mundos de Provas

Ao final dessa trajetória apresenta-se uma grande encruzilhada relacionada ao destino do espírito:

6 — Mundos das Trevas ou...

7 — Mundos de Luz

Os "Mundos de Luz" representam o caminho no qual o espírito será preparado para o retorno à sua origem.

Os "Mundos das Trevas" representam o resultado da persistência em escolhas contrárias às Leis Divinas.

Segundo as orientações transmitidas por Pai Joaquim de Angola, essa escolha final possui "caráter definitivo".

O grande percurso

Podemos representar simbolicamente a jornada:

1 — Celestiais

↑

2 — Divinos

↑

3 — Puros

ORIGEM DA EXPERIÊNCIA

↓

ELDA — primeira transição semimaterial

↓

4 — Imperfeitos

↓

5 — Provas

↓

ENCRUZILHADA DO DESTINO

         ↙     ↘

6 — Trevas    7 — Luz

      ↓

Preparação para o retorno

Assim, Elda passa a ocupar um lugar muito importante nessa arquitetura.

Ela é a "ponte".

O primeiro degrau depois dos Mundos Puros.

O mundo em que o espírito começa a experimentar uma matéria ainda sutil antes de seguir para ambientes progressivamente mais densos.

Uma referência para compreendermos Elda

Pai Benedito nos orienta que não possuímos atualmente uma experiência física capaz de representar exatamente o que foi a Terra de Elda.

Podemos, entretanto, utilizar como referência aproximada alguns dos "mundos ou faixas espirituais percebidos após o desencarne".

Essa comparação é apenas didática.

Não significa que esses ambientes sejam Elda.

Considerando o estágio atual da humanidade, o caminho de retorno até condições semelhantes ainda seria muito longo.

Segundo as orientações recebidas, a realidade mais próxima desse padrão de que temos notícia seria a "Fraternidade de Aruanda".

Aqui é importante fazer uma distinção: "Fraternidade de Aruanda" não deve ser confundida com "Colônia Espiritual de Aruanda."

São realidades distintas dentro das orientações transmitidas no decorrer deste estudo.

Síntese — O que representa a Terra de Elda?

Dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, podemos compreender Elda como:

o primeiro mundo semimaterial da experiência humana;

o estágio mais próximo do Éden após a perda da pureza;

o primeiro molde da matéria destinada à experiência;

o mundo relacionado ao corpo perispiritual da primeira família humana;

o início das consequências decorrentes da escolha;

o começo da Segunda Escola;

e a primeira ponte entre os Mundos Puros e os Mundos Imperfeitos.

Elda não representa simplesmente uma punição.

Representa "continuidade".

O homem perdeu uma condição.

Mas a jornada não terminou.

Uma nova escola foi preparada.

Um novo corpo tornou-se necessário.

Um novo mundo foi apresentado.

E uma nova oportunidade de aprender começou.

"Do Éden para Elda, o espírito não deixa de caminhar."

"Ele apenas dá o próximo passo evolutivo."

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14.1 - Igbádù: A Cabaça da Existência

A representação do cosmos

Dentro das tradições yorùbá, a "cabaça - igbá" aparece como uma importante representação simbólica da existência.

Em determinadas concepções cosmológicas, o universo pode ser compreendido simbolicamente como uma grande cabaça formada por duas partes complementares:

A parte superior — Ọ̀run, relacionada à dimensão espiritual;

A parte inferior — Ayé, relacionada à dimensão da existência manifestada.

Assim, a cabaça reúne, em uma única imagem, duas dimensões fundamentais da existência:

Ọ̀run e Ayé. O invisível e o visível. O espiritual e o material.

Aquilo que existe em potência e aquilo que se manifesta.

Entretanto, é importante lembrar que, nessa visão cosmológica, Ọ̀run e Ayé não estão completamente separados.

São dimensões distintas, porém relacionadas entre si, participando de uma mesma realidade cósmica.

Em tradições relacionadas a Ifá, encontramos também referências ao Igbá Odù — Igbádù, a Cabaça de Odù, relacionada aos mistérios da existência, da manifestação e do destino.

Existem diferentes tradições acerca de sua composição e de seus significados internos. Por isso, nem todas as correspondências apresentadas sobre cores, elementos, Odù ou direções devem ser entendidas como uma única doutrina universal yorùbá.

A partir deste ponto, apresentaremos a compreensão transmitida por Pai Benedito de Aruanda dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.

Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàá, Pai Benedito de Aruanda nos orienta a compreender o Igbádù como uma representação da própria arquitetura da existência.

A grande cabaça reúne, em sua estrutura, Céu e Terra, o princípio espiritual e o princípio gerador, formando um único sistema no qual a vida pode se manifestar e seguir sua jornada.

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14.2 - A parte superior: Ọ̀run e Pai Olórun

A parte superior do Igbádù representa o Ọ̀run, a dimensão espiritual

Segundo Pai Benedito, ela representa também simbolicamente Pai Olórun — o Senhor do Ọ̀run.

Assim, a parte superior da cabaça não representa apenas um lugar.

Ela expressa também o princípio celeste e ordenador da criação.

Pai Olórun representa, nessa leitura: O alto; O princípio espiritual; A ordem; A direção Divina — o propósito existencial; A dimensão celeste da existência.

É do alto que procede a orientação.

É no Ọ̀run que se encontra a dimensão espiritual da criação.

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14.3 - A parte inferior: Ayé e Mãe Olókun

A metade inferior da cabaça representa o Ayé

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, ela representa igualmente Mãe Olókun, compreendida simbolicamente como o grande útero gerador da vida.

O Ayé, portanto, não deve ser compreendido apenas como uma superfície física ou simplesmente como o planeta Terra.

Ele representa o ambiente no qual aquilo que pertence à dimensão espiritual poderá:Ser recebido; ser gestado; manifestar-se; experimentar; aprender; transformar-se.

Mãe Olókun representa, nessa leitura do Ẹlẹ́dàá, o princípio receptivo e gerador que acolhe em seu ventre a manifestação da vida.

Temos, portanto: Acima — Ọ̀run — Pai Olórun e Abaixo — Ayé — Mãe Olókun.

São duas dimensões distintas, mas pertencentes à mesma grande Cabaça da Existência.

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14.4 - As quatro pembas no interior do Igbádù

Segundo as orientações transmitidas por Pai Benedito de Aruanda, encontramos simbolicamente no interior do Igbádù **quatro pembas**, representadas por quatro cores: Branco — ẹfun; Vermelho — osùn; Preto — carvão / èédú; Marrom — terra ou lama, relacionada a Mãe Onílẹ̀ — a Mãe Terra.

A palavra "pemba", nesta apresentação, pertence à linguagem utilizada dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá e aproxima simbolicamente elementos provenientes de diferentes tradições africanas.

As quatro cores representam quatro direções fundamentais da existência.

Não se trata apenas de posições espaciais.

Elas representam: Caminhos; encruzilhadas; possibilidades; escolhas.

São caminhos que se apresentam diante do espírito.

Por isso, Pai Benedito os relaciona simbolicamente às "encruzilhadas da existência e aos caminhos que percorremos segundo nossas próprias escolhas".

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14.5 - Os quatro caminhos

As quatro cores correspondem, dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, às seguintes direções:

Branco — Acima; Representa o caminho orientado para o alto, para a dimensão espiritual e para nossa origem divina.

Marrom — Abaixo; Representa o caminho da matéria, da Terra e da experiência dentro do Ayé.

Está relacionado a Mãe Onílẹ̀, a Mãe Terra, que sustenta a experiência material.

Preto — Esquerda; Representa o caminho situado à esquerda: Ojúkòsì.

Vermelho — Direita

Representa o caminho situado à direita: Ojúkòtún.

As grafias desses compostos podem apresentar pequenas variações de transcrição nas fontes yorùbá, mas conservamos aqui esta forma para manter a uniformidade de nosso estudo.

Temos, portanto, quatro direções: Acima; Abaixo; Esquerda; Direita.

Essas quatro direções formam uma grande "Encruzilhada Primordial".

O espírito encontra-se diante de caminhos possíveis. Cada caminho implica movimento. Cada movimento produz experiência.

E cada escolha traz consigo suas próprias consequências.

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14.6 - A linha de divisão e união da Cabaça

Entre a parte superior e a parte inferior do Igbádù existe uma linha de divisão e, ao mesmo tempo, de união.

Acima está o Ọ̀run. Abaixo está o Ayé. Essa linha representa o limite entre as duas dimensões, mas representa igualmente o ponto pelo qual elas podem se relacionar.

Ela não é apenas separação.

Ela também é:Limiar; fronteira; comunicação; passagem/travessias.

É exatamente nessa região central que, segundo Pai Benedito de Aruanda, encontramos o Orixá Exu.

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14.7 - Orixá Exu: o equilíbrio de forças entre Céu e Terra

Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, "Orixá Exu" ocupa uma posição fundamental no centro do Igbádù.

Ele está no ponto de encontro entre: Ọ̀run e Ayé; Céu e Terra; Espírito e Matéria; Alto e Baixo; Esquerda e Direita; Luz e Trevas; as diferentes possibilidades de escolha e suas respectivas consequências.

Isso não significa que Exu seja simplesmente uma mistura dessas forças.

Sua função é estabelecer o equilíbrio necessário entre elas e permitir que o Axé circule através da criação.

Exu está no limiar.

Está na passagem/travessia.

Está na encruzilhada.

É aquele que participa da dinâmica que permite que as forças circulem e que os caminhos permaneçam abertos de acordo com as Leis da Criação e com nossas próprias escolhas.

Dentro dessa leitura, Orixá Exu pode ser compreendido como: Guardião do equilíbrio; Senhor da encruzilhada; Regulador e vitalizador do Axé; Mediador entre Céu e Terra; Orixá que mantém os caminhos da existência em movimento.

Por isso, encontrá-lo na linha divisória da Cabaça possui profundo significado.

O centro é o ponto onde todas as direções podem se encontrar.

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14.8 - O Igbádù como primeira grande encruzilhada na Geometria Sagrada da Existência

Podemos agora compreender o Igbádù não apenas como a imagem de uma cabaça dividida em duas metades.

Ela se torna um verdadeiro Mapa da existência, uma primeira arquitetura básica do mapa do Ẹlẹ́dàá.

Na parte superior: Ọ̀run — Pai Olórun.

No interior: Quatro caminhos representados pelas quatro pembas nas seguintes cores: Acima — Branco — Ọ̀run; Abaixo — Marrom — Ayé / Mãe Onílẹ̀; Esquerda — Preto — Ojúkòsì; Direita — Vermelho — Ojúkòtún.

No centro(linha horizontal que divide e une as duas partes da Cabaça): Orixá Exu — equilíbrio, passagem e vitalização do Axé.

Na parte inferior: Ayé — Mãe Olókun.

As direções energéticas de Ilé-Ifẹ̀

Dentro da interpretação do Ẹlẹ́dàá, podemos ainda representar simbolicamente essas forças em relação ao estabelecimento da experiência humana no mundo físico.

"Ilé-Ifẹ̀", reconhecida nas tradições yorùbá como centro sagrado e berço da civilização yorùbá, passa a representar, em nossa leitura simbólica, o estabelecimento da experiência humana organizada no Ayé.

A estrutura pode ser representada da seguinte maneira:

                    (BRANCO - ACIMA)

                             Ọ̀RUN

                                                                                ↑                      

                              (PAI OLÓRUN - Senhor do Ọ̀run)

                               ↑                             

                    (PRETO -ESQUERDA) - (CENTRO — EQUILÍBRIO, AXÉ) - (VERMELHO — DIREITA)

                                                                              ↑

                            OJÚKÒSÌ - ODÙDUWÀ    ← (ORIXÁ EXU) →   OJÚKÒTÚN - ỌBÀTÁLÁ 

                                                                             ↓

                                                           (MARROM — ABAIXO)

                                                                          AYÉ

                                                                           ↓

                             (MÃE OLÓKUN — útero primordial da manifestação da vida)

                                                                           ↓

                        (MÃE ONÍLẸ̀ — Mãe Terra)

                                                                          ↓

                    (YORIMÁ — Axé primordial dos Quatro Reinos, segundo o Ẹlẹ́dàá)

                                                                          ↓

              (AGANJÚ — Fogo Interior da Terra, segundo o Ẹlẹ́dàá os orgãos interiores da terra)


Essa imagem nos permite compreender por que a "Encruzilhada" ocupa uma posição tão importante dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.

Antes mesmo de representar uma estrada física, ela representa a possibilidade da escolha.

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14.9 - Entre a tradição yorùbá e a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá

Para preservarmos o princípio de respeito absoluto às tradições adotado neste trabalho, é importante fazermos uma distinção.

A representação da "cabaça como imagem do cosmos", assim como a relação complementar entre "Ọ̀run e Ayé", encontra correspondências dentro das tradições yorùbá.

Também encontramos, em determinados contextos relacionados a Ifá, referências ao "Igbá Odù — Igbádù" e a estruturas simbólicas existentes em seu interior.

Da mesma forma, conceitos como "ẹfun, osùn, Odù, Ọ̀run, Ayé, Ọbàtálá, Odùduwà, Olókun, Onílẹ̀ e Exu" pertencem ao vasto universo religioso e filosófico yorùbá, embora seus significados, atributos e relações possam variar entre diferentes tradições e linhagens.

Entretanto, a arquitetura específica apresentada neste estudo — incluindo: Pai Olórun na parte superior; Mãe Olókun na parte inferior; as quatro pembas representando Acima, Abaixo, Esquerda e Direita; Odùduwà posicionada à esquerda como Mãe das Mães Orixás; Ọbàtálá posicionado à direita como Pai dos Pais Orixás; Mãe Onílẹ̀ relacionada ao eixo inferior da Terra; Yorimá como Axé primordial dos Quatro Reinos; Aganjú relacionado ao Fogo Interior da Terra; e Orixá Exu localizado na linha central como força de equilíbrio, passagem e vitalização do Axé pertence às "orientações recebidas de Pai Benedito de Aruanda e à interpretação desenvolvida dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá".

No caso específico de "Yorimá", sua presença nesta estrutura não deve ser confundida com um Òrìṣà universalmente reconhecido nas tradições tradicionais yorùbá. Sua utilização pertence ao contexto espiritual e doutrinário no qual se desenvolve nossa própria compreensão do Ẹlẹ́dàá.

Da mesma forma, a associação específica de Aganjú ao Fogo Interior da Terra é apresentada aqui segundo as orientações recebidas dentro deste estudo.

Não pretendemos, portanto, apresentar essa arquitetura como doutrina universal da religião tradicional yorùbá.

Nosso propósito é registrar com clareza:

"o que encontramos nas antigas tradições;"

"as aproximações que podemos estabelecer;"

"e onde começam os ensinamentos próprios recebidos no decorrer do estudo do Ẹlẹ́dàá."

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14.10 - A Cabaça e o início da jornada em Ilé-Ifẹ̀

O Igbádù nos apresenta uma imagem extraordinariamente simples e, ao mesmo tempo, profunda.

Uma única Cabaça. Dois grandes campos. Quatro caminhos. Um centro. No alto, a origem espiritual.

Abaixo, o ambiente da manifestação e da experiência.

À esquerda e à direita, forças e possibilidades.

No centro, o equilíbrio.

O espírito encontra-se diante da existência.

E existir significa também "escolher".

Cada escolha movimenta a encruzilhada.

Cada caminho produz experiências.

Cada experiência produz consequências.

E cada consequência participa da construção de nosso destino.

Ilé-Ifẹ̀ aparece nas tradições yorùbá como um centro primordial e sagrado da civilização yorùbá.

Dentro da leitura do Ẹlẹ́dàá, essa imagem pode representar também o momento no qual a organização da existência deixa de permanecer apenas como potencial e começa a se manifestar concretamente na experiência humana dentro do Ayé.

Assim, antes de compreendermos como o homem começa sua caminhada através dos diferentes mundos, precisamos compreender a estrutura na qual essa caminhada acontece.

O Igbádù é a Cabaça da Existência.

Mas, dentro da leitura do Ẹlẹ́dàá, ele é também "o primeiro grande mapa dos caminhos da criação e o cordão umbilical cósmico que nos une aos pais ancestrais."

A Cabaça nos mostra onde estamos.

A encruzilhada nos mostra que existem caminhos.

E Orixá Exu, no centro, recorda-nos que "todo caminho implica movimento, equilíbrio, escolha e consequência."

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(Parte IV) — O Mundo das Provas e da Escolha


INTRODUÇÃO:

Antes de chegar a este mundo, o homem já havia percorrido outros caminhos.

A experiência humana não começa na Terra, nem a existência do espírito se limita a uma única passagem por um único orbe. Em etapas anteriores de sua caminhada, o espírito experimentou outras condições de vida, outros ambientes e outras formas de aprendizado, adquirindo experiências que contribuíram para sua formação e preparação.

Ao ingressar neste mundo, porém, inicia-se uma nova etapa.

O homem entra em um Mundo de Provas.

Não apenas um lugar para viver, mas um campo de experiências no qual deverá aprender a escolher.

Aqui, cada encontro, cada dificuldade, cada oportunidade, cada desejo e cada decisão colocam diante dele possibilidades distintas.

Escolher construir ou destruir.

Escolher unir ou separar.

Escolher servir ou dominar.

Escolher amar ou odiar.

Escolher utilizar conscientemente o Axé ou desviá-lo de sua finalidade.

Por isso, este mundo não deve ser compreendido simplesmente como um lugar de sofrimento ou punição.

Ele é uma escola da escolha.

“É no exercício da escolha que o homem começa a revelar o seu Ìwà — aquilo que verdadeiramente constitui o seu caráter — e, através das experiências e de suas próprias escolhas, aprende a desenvolver o Ìwà Pẹ̀lẹ́, o caráter bom, equilibrado e consciente.”

Entretanto, nenhuma escola pode cumprir sua finalidade sem ordem, disciplina e Lei.

O livre-arbítrio permite ao homem escolher o caminho, mas não lhe concede o poder de eliminar as consequências de suas próprias escolhas.

"Existe uma Lei Universal".

Ela não nasce das conveniências humanas, não se modifica de acordo com interesses pessoais e não deixa de atuar simplesmente porque o homem desconhece sua existência.

"Ela é universal e imutável".

É dentro dessa nova condição que, segundo as Orientações recebidas de Pai Benedito de Aruanda, passam a exercer papel fundamental duas grandes Comunidades do Ọ̀run a fim de que a "LEI" seja cumprida e a "JUSTIÇA" seja aplicada:

a "Comunidade das Grandes Mães" — Ìyámi Òṣòròngà, o Ẹgbẹ́ Ọ̀run Òṣòròngà;

e a "Comunidade dos Senhores Exus" — o Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu.

Essas duas grandes Comunidades passam a desempenhar, simbolicamente, a função de pais diante da humanidade que ingressa neste Mundo de Provas.

Não pais no sentido biológico.

"Pais no sentido da responsabilidade de educar".

São forças encarregadas de acompanhar, orientar, limitar, corrigir, proteger e assegurar que o aprendizado possa acontecer dentro da ordem estabelecida pela Lei.

As Grandes Mães representam o princípio que gera, mantém, educa, corrige e administra os ciclos da vida.

Os Senhores Exus representam o princípio que guarda as passagens, estabelece os limites, promove o movimento, medeia as relações e assegura que cada escolha encontre o caminho correspondente às suas consequências.

Mães e Exus não retiram do homem sua liberdade.

Ao contrário.

A existência da Lei é justamente o que torna a escolha verdadeira.

Se todas as escolhas produzissem o mesmo resultado, não haveria responsabilidade.

Se construir e destruir conduzissem ao mesmo destino, não existiria aprendizado.

Se toda ação pudesse ser anulada sem consequência, a liberdade perderia seu significado.

Assim, a Lei não existe para impedir a escolha.

A Lei permite que o homem aprenda através dela.

As Ìyámi Òṣòròngà e os Senhores Exus tornam-se, dentro dessa etapa evolutiva, guardiões dessa ordem.

Uma força acompanha a geração, manutenção, educação e correção da vida.

A outra guarda os caminhos, encruzilhadas, limites, passagens e consequências.

Entre ambas encontra-se o homem.

Diante dele, os caminhos.

Dentro dele, a capacidade de escolher.

Ao redor dele, a "LEI e a JUSTIÇA DIVINA".

E acima de qualquer escolha individual permanece o princípio universal e imutável que assegura que cada ser possa aprender, corrigir seus passos e continuar sua caminhada.

"A cada um segundo as suas obras"

A partir daqui começa uma nova fase da história do homem.

Depois de aprender a existir, ele deverá aprender a escolher.

E, ao aprender a escolher, começará finalmente a descobrir quem deseja se tornar.

Nota: "A presente organização não pretende afirmar que a cosmologia tradicional yorùbá e a cosmologia apresentada no Projeto Ẹlẹ́dàá sejam idênticas".

"Nosso objetivo é reconhecer pontos de convergência, correspondências funcionais e símbolos semelhantes, mantendo claramente separado aquilo que encontramos nas tradições yorùbá daquilo que recebemos como orientação própria de Pai Benedito de Aruanda".

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15.00 - DA CRIAÇÃO À ESCOLHA

Os Princípios da Vida, da Lei e da Experiência em Ayé

Antes de avançarmos ao ponto de chegada do homem nesse orbe, vamos fazer uma recapitulação dos princípios básicos: depois de recordarmos como a criação se organiza, finalmente chegamos ao homem entrando no mundo onde deverá escolher.


15.01 - Recordando os Princípios Básicos


- GRANDE MÃE PRIMORDIAL (Nossa Origem)




No Projeto Ẹlẹ́dàá, a Grande Mãe Primordial representa a realidade geradora anterior à criação consciente.

Ela gera naturalmente. 

Nela existe o princípio primordial de potência que denominamos Axé.

A Grande Mãe gera.

- PAI NZAMBI MPUNGU

Pai Nzambi Mpungu manifesta-se como Universo-Filho dotado de vontade, consciência e intenção.

Ele não apenas gera: cria conscientemente.

“A Grande Mãe gera. Pai Nzambi cria.”

"Essa distinção entre geração e criação consciente pertence à cosmologia própria do Projeto Ẹlẹ́dàá".

- AXÉ / ÀṢẸ

Princípio universal de potência, eficácia e realização.

É a força pela qual aquilo que existe como possibilidade pode produzir efeitos.

Dentro do Projeto Ẹlẹ́dàá, compreendemos o Axé como força primordial criadora e realizadora.

AXÉ / ÀṢẸ = potência universal.

- ÀJẸ́

Uma capacidade ou modalidade específica de exercício dessa potência, particularmente ligada ao campo das Mães.

A pesquisa mostra seu caráter polar: pode favorecer vida, fertilidade, cura, prosperidade e construção, mas também pode retirar, impedir, destruir ou conduzir à morte.

Assim:

“Àjẹ́ não deve ser reduzido às categorias de ‘bruxaria’ ou ‘feitiçaria’.”

“Àjẹ́ não é, por natureza, exclusivamente benéfico ou maléfico; seus efeitos dependem da direção e do exercício da potência.”

Seu resultado depende da direção dada à essa força.

- O Primeiro Desdobramento da Criação

YÁMI AGBÁ OLÓKUN ↔ BABÁ AGBÁ OLÓRUN

No Projeto Ẹlẹ́dàá, representam uma polaridade cósmica fundamental:

Yámi Agbá Olókun

→ princípio materno (gerador).

Babá Agbá Olórun

→ princípio paterno (sêmen - vitalizador).

Não afirmamos que essa estrutura seja uma fórmula tradicional yorùbá encontrada dessa maneira nas fontes.

Ela pertence às Orientações recebidas no Projeto.

Entretanto, encontramos na tradição yorùbá diversos paralelos entre feminino primordial, águas profundas, geração, fertilidade e maternidade.

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15.02 - O PRINCÍPIO MATERNO PRIMORDIAL

- GRANDE MÃE PRIMORDIAL

É, no Ẹlẹ́dàá, anterior às manifestações posteriores do feminino.



- YÁMI AGBÁ OLÓKUN

Pode ser compreendida, dentro do mapa do Projeto, como uma manifestação cósmica posterior do princípio materno primordial. “Participou da geração das condições, formas ou matrizes através das quais a vida se manifesta”.

Na comparação com a tradição yorùbá, encontramos ressonâncias com:

Ìyá Nlá

Odù Lógbóje

Olókun

as águas primordiais

fertilidade

maternidade

potencialidade.

Entretanto: ÌYÁ NLÁ = YÁMI AGBÁ OLÓKUN (Mãe ancestral geradora)

*não deve ser apresentado como equivalência tradicional yorùbá.

Dentro do Projeto, podemos considerá-las correspondentes funcionalmente, mas não precisamos afirmar que sejam historicamente a mesma entidade.

- ÌYÁ NLÁ — A GRANDE MÃE

Ìyá Nlá representa, em tradições ligadas especialmente ao Gẹ̀lẹ̀dé, a Grande Mãe primordial.

Ela pertence ao complexo do feminino primordial e das Mães.

*Em algumas tradições locais, Ìyá Nlá pode ser personificada como Onílẹ̀ e até como Odua/Odùduwà.

Isso demonstra que existe sobreposição entre essas figuras em algumas regiões, mas não uma identidade universal.

- ODÙ LÓGBÓJE

A pesquisa de Pierre Verger apresenta Odù Lógbóje como “Nossa Mãe”, relacionada às Ìyámi.

Ela recebe de Olódùmarè poder sobre os Òrìṣà(obs:01).

Esse poder é simbolizado pelo pássaro(obs:02).

Ela recebe também a cabaça(obs:03), imagem do mundo e recipiente de sua potência.

Portanto existe uma ligação muito forte:

ODÙ LÓGBÓJE

↔ ÌYÁMI

↔ ẸYẸ

↔ IGBÁ

↔ ÀJẸ́.

No Projeto Ẹlẹ́dàá, podemos aproximar Odù Lógbóje do grande campo das Mães, mas devemos evitar afirmar historicamente:

Odù Lógbóje = Odùduwà como regra geral yorùbá.

- ODÙDUWÀ — EVA

"Essa identificação com Adão e Eva pertence especificamente ao Projeto Ẹlẹ́dàá".

Contudo, a pesquisa encontrou tradições yorùbá nas quais Odùduwà é feminina e outras nas quais aparece em relação complementar com Ọbàtálá.

Assim, o caráter feminino de Odùduwà recebido no Projeto possui paralelos tradicionais, embora a correspondência com Eva seja uma chave própria do Ẹlẹ́dàá.

(obs:01) - "Ela recebe de Olódùmarè poder sobre os Òrìṣà". Pai Benedito nos explica que não é poder sobre os Orishás, mas que vão atuar no Axé principal de três mães Orishas à saber: Yemojá, Oxum e Yansã como veremos mais adiante.

(obs:02) - "Esse poder é simbolizado pelo pássaro" Pai Benedito nos explica que os passaros representam o poder das "ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ" de poderem ver tudo o que acontece com cada um de nós. Nossas ações sejam no bem, ou no mal.

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15.03 - 
A COLETIVIDADE DAS MÃES

ÀWỌN ÌYÁ - “Nossas Mães.”

Representam a coletividade das potências maternas.

Dentro do Projeto, podemos compreender esse campo como uma manifestação posterior do princípio primordial feminino.

Odù Lógbóje

→ figura primordial ligada às Mães.

Àwọn Ìyá

→ coletividade das Mães.

Odùduwà

→ figura própria, que em algumas tradições pode aproximar-se regionalmente da "Grande Mãe".

No Ẹlẹ́dàá essas figuras podem ocupar posições relacionadas dentro de uma arquitetura maior como veremos a seguir.

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15.04 - 
ONÍLẸ̀ — A MÃE TERRA

ILẸ̀

→ Terra, chão, solo. 

ONÍLẸ̀

→ Senhora/possuidora da Terra.

No Projeto recebemos uma diferenciação adicional:

ONÍLẸ̀

→ corpo da Terra, a própria Terra(ELA É UM SER VIVO).

Aganjú

→ interior da Terra, comparável simbolicamente aos órgãos internos da Mãe Terra .

Òrìsà (orixá) primordial associado aos vulcões, ao fogo subterrâneo, às montanhas, às cavernas e aos desertos.

Onilé–Aganjú

→ potência administradora, mantenedora e vitalizadora dos ciclos terrestres.

Essa interpretação Onilé–Aganjú pertence ao Projeto e deve ser apresentada dessa maneira.

"A tradição pesquisada sustenta fortemente a dimensão de Onílẹ̀ como Terra sagrada, relacionada à vida, morte, ancestralidade, estabilidade social e autoridade moral".

“No Projeto, Aganjú representa simbolicamente o interior da Terra. Na tradição histórica de Ọ̀yọ́, Aganjú também aparece como antigo Aláàfin; associações com vulcões e fogo subterrâneo são especialmente desenvolvidas nas tradições afro-diaspóricas.”

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15.05 - ONÍLẸ̀ COMO TESTEMUNHA

 A expressão “Testemunha” pode ser compreendida no   Projeto porque tudo que ocorre no Ayé deixa sua   passagem sobre ou dentro da Terra:



 nascimentos;

 juramentos;

 sangue derramado;

 sepultamentos;

passagens ancestrais;

sacrifícios;

comunidades;

erros e acertos;

construções e destruições.

A Terra sustenta a existência, recebe seus acontecimentos e finalmente recebe novamente os corpos.

Assim:

Terra → nascimento → experiência → morte → ancestralidade → renovação.

"Dentro do Ẹlẹ́dàá, podemos chamar Onílẹ̀ de Testemunha desses ciclos".

Assentamento


“Nota comparativa do autor: dentro do espiritualismo, surge a hipótese de investigar se o conceito denominado psicometria poderia oferecer uma analogia à ideia, recebida no Projeto, de Onílẹ̀ como depositária/testemunha dos registros das experiências ocorridas sobre a Terra.” Assim não apresentamos a parapsicologia como comprovação científica dessa memória terrestre.

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15.06 - ÒṢÒRÒNGÀ, ẸLẸ́YẸ E ÀJẸ́

Precisamos separar os conceitos.

ÒṢÒRÒNGÀ

É uma denominação/oríkì tradicional ligada ao complexo das Mães.

Não encontramos base suficientemente segura para traduzir Òṣòròngà literalmente como “pássaro”, “coruja” ou “feiticeira”.

Pai Benedito de Aruanda nos orienta que "ÒṢÒRÒNGÀ", é o nome da comunidade(Ẹgbẹ́ Ọ̀run) "ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ". 

ẸLẸ́YẸ

Significa: “possuidora do pássaro”.

ẸYẸ

Significa: Pássaro.

Nas narrativas estudadas, o pássaro funciona como símbolo e agente do poder das Mães.

ÀJẸ́

Significa: Potência extraordinária associada ao campo das Mães e também denominação de suas portadoras.

Portanto:

Àwọn Ìyá

→ Mães

Àjẹ́

→ potência/capacidade

Ẹyẹ

→ símbolo/agente

Ẹlẹ́yẹ

→ possuidora do pássaro

Òṣòròngà

→ denominação tradicional pertencente a esse complexo.

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15.07 - ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ NO PROJETO ẸLẸ́DÀÁ

Segundo as Orientações recebidas, podemos compreender Ìyámi Òṣòròngà como uma Comunidade de Grandes Mães ancestrais pertencentes ao campo dos Ìrúnmọlẹ̀(Divindades) e relacionadas à administração da vida em Ayé.

No Projeto, essa comunidade(Ẹgbẹ́ Ọ̀run) está relacionada à:

Lei;

manutenção da ordem;

aplicação da Justiça Divina;

geração;

correção;

proteção e continuidade da vida.

Essa caracterização precisa permanecer identificada como ensinamento próprio do Ẹlẹ́dàá.

A tradição yorùbá pesquisada oferece paralelos importantes: as Mães são relacionadas à fertilidade, poder, vida e morte, prosperidade e calamidade, equilíbrio comunitário e necessidade de respeito e propiciação.

Mas não encontramos uma doutrina tradicional uniforme que defina literalmente Ìyámi Òṣòròngà como “tribunal cósmico responsável pela Justiça Divina”.

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15.08 - REGÊNCIA DAS GRANDES MÃES-ÒRÌṢÀ NO Ẹgbẹ́ Ọ̀run "ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ"

No Projeto temos três grandes regências maternas:

YEMỌJA

→ Fraternidade.

Ọ̀ṢUN

→ Educação.

YANSÃ / ỌYA

→ Correção.

Essas três funções — Fraternidade, Educação e Correção — pertencem às Orientações de Pai Benedito.

Encontramos, entretanto, correspondências tradicionais que ajudam a compreender essas atribuições.

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15.09 - YEMỌJA — FRATERNIDADE

No Projeto:

Yemọja

→ Mãe fraternal.

Ela cuida, acolhe, sustenta e promove a continuidade da vida.

A pesquisa yorùbá encontrou Yemọja profundamente relacionada à:

maternidade;

geração;

fertilidade;

água;

continuidade da vida;

Gẹ̀lẹ̀dé;

Àwọn Ìyá;

Àjẹ́.

Portanto, a função “Fraternidade” não é uma tradução tradicional de Yemọja, mas encontra ressonância forte em sua dimensão materna e agregadora.

ÈLÀ - 
 Ìrúnmọlẹ̀ que atua no Ẹgbẹ́ Ọ̀run "ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ". 

Èlà não deve ser apresentado simplesmente como uma qualidade ou subordinado de Yemọja.

Ele pertence a outro eixo.

Em determinadas tradições de Ifá, e na confirmação de Pai Benedito, Èlà é compreendido como princípio ou Ìrúnmọlẹ̀ relacionado a:

libertação; abertura; salvação; restauração; proteção contra adversidades; recomposição da ordem.

Em algumas escolas está profundamente relacionado a Òrúnmìlà; em outras é tratado como entidade própria.

Assim, dentro do Ẹlẹ́dàá, se Èlà atuar junto ao campo de Yemọja, podemos compreendê-lo funcionalmente como força de libertação e restauração. Mais a frente em nossos estudos vamos ver o lado oposto desse Ìrúnmọlẹ̀,"Elenini".

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15.10 - Ọ̀ṢUN — EDUCAÇÃO

No Projeto:

Ọ̀ṣun

→ Mãe educadora.

A tradição pesquisada associa Ọ̀ṣun fortemente à:

fertilidade;

gestação;

feminilidade;

prosperidade;

capacidade de realização;

àjẹ́;

participação indispensável no estabelecimento da ordem no mundo.

Ọ̀ṢUN ÀKỌ́KỌ́ - 
Ìrúnmọlẹ̀ que atua no
Ẹgbẹ́ Ọ̀run "ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ". 

Segundo as Orientações recebidas:

Ọ̀ṣun Àkọ́kọ́

→ Ìrúnmọlẹ̀ administrador do útero e dos nascimentos.

Essa denominação específica deve, por enquanto, permanecer identificada como parte das Orientações do Projeto, pois ainda precisamos encontrar documentação tradicional suficientemente forte para estabelecer exatamente esse título e função fora do Ẹlẹ́dàá.

Dentro do mapa recebido, entretanto:

Ọ̀ṣun Àkọ́kọ́

→ útero

→ gestação

→ nascimento

→ educação/formação inicial

→ manifestação da vida.

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15.11 - YANSÃ / ỌYA — CORREÇÃO

No Projeto:

Yansã

→ Mãe corretiva.

Ela representa movimento, correção e redirecionamento.

YÁ MẸ́SÀN Ọ̀RUN / YAMESANORUN - 
Ìrúnmọlẹ̀ que atua no Ẹgbẹ́ Ọ̀run "ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ". 

Segundo as Orientações recebidas:

→ Ìrúnmọlẹ̀ guardiã dos Nove Portais.



1 - Portal da Kalunga

2 - Portal das Encruzilhadas

3 - Portal das Matas

4 - Portal das Águas

5 - Portal dos Ẹgbẹ́ Ọ̀run distantes: Povos da Areia(Deserto), Montanhas e Tundras(Ártica,Alpina e Antartíca). 

6 - Portais do Mar

7 - Portais Sagrados

8 - Portais Esquecidos / Escondidos(Ocultos)

9 - Portais Proibidos

Essa função específica deve permanecer identificada como Orientação do Ẹlẹ́dàá até conseguirmos verificar de forma independente sua correspondência exata nas fontes yorùbá.

Nota(01)

“Nas tradições em que Ọya e Yansã são compreendidas como a mesma divindade, encontramos relações com os ventos, a transformação, a morte e a ancestralidade. Essas correspondências oferecem um terreno comparativo importante, mas não devem ser utilizadas, por si sós, como prova da estrutura dos Nove Portais apresentada no Projeto Ẹlẹ́dàá.”

Nota(02)

YANSÃ E ỌYA: DUAS FUNÇÕES DISTINTAS NO PROJETO ẸLẸ́DÀÁ

YANSÃ — CORREÇÃO

No Projeto Ẹlẹ́dàá, Yansã é compreendida como a Mãe corretiva.

Está relacionada ao movimento, aos ventos, às tempestades e aos relâmpagos, mantendo proximidade com a compreensão tradicional afro-brasileira dessa força.

ỌYA — YÁ MẸ́SÀN Ọ̀RUN

No Projeto Ẹlẹ́dàá, Ọya é distinguida de Yansã e compreendida como Yá Mẹ́sàn Ọ̀run, Ìrúnmọlẹ̀ ligada à guarda dos Nove Portais.

Assim ficam muito claros os dois níveis:

Tradição afro-brasileira: frequentemente Ọya/Yansã aparecem como a mesma divindade.

Projeto Ẹlẹ́dàá:

Yansã → Correção, ventos, tempestades e relâmpagos

Ọya / Yá Mẹ́sàn Ọ̀run → guarda dos Nove Portais

ELENINI -
Ìrúnmọlẹ̀ que atua no Ẹgbẹ́ Ọ̀run "ÌYÁMI ÒṢÒRÒNGÀ".



“Guardiã da nossa Consciência / nossa Sombra”.



Principais características de Elenini:

  • Testemunha do Destino (Ìpín): Ela está presente no momento em que cada espírito escolhe seus votos e realiza seus pedidos de vida antes de vir ao mundo.
  • Guardiã e Provadora: Funciona como um filtro espiritual; testa a determinação, a paciência e o caráter humano, permitindo ou dificultando a realização dos propósitos.
  • Abertura aos Ajogun: Quando o indivíduo se desvia por meio de vaidade, soberba, más palavras ou desarmonia, Elenini abre espaço para a entrada dos Ajogun, "forças espirituais adversas que, segundo as Orientações do Projeto, atuam no âmbito do "Ẹgbẹ́ Ọ̀run Èṣù" e no "Reino dos Senhores Exus".
  • Superação: É vencida através do cultivo de Iwá Rere (bom caráter), do alinhamento com o Orí (consciência e guia interior).



15.12 - A SIMBOLOGIA DA GERAÇÃO

IGBÁ

Cabaça, recipiente.

No Projeto, simbolicamente:

IGBÁ

→ útero.

ODÙ

No contexto estudado:

→ potência;

→ conteúdo;

→ mistério feminino;

→ princípio contido.

IGBÁ ODÙ

→ recipiente de Odù.

IGBÁDÙ

No Projeto:

→ representação organizada do cosmos.

Existe forte paralelismo simbólico entre recipiente, mundo, potencialidade e geração.

Entretanto, a configuração específica do Igbádù recebida no Projeto não deve ser automaticamente atribuída à tradição yorùbá como um todo.

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15.13 - ẸYIN — O OVO

Ẹyin significa ovo.

Nas narrativas relacionadas às Mães, ao feminino primordial e à criação, o ovo possui importante simbolismo de potencialidade e vida.

No Projeto recebemos uma interpretação adicional:

ẸYIN

→ o espírito a ser despertado durante a geração.

Não é um espírito criado naquele momento.

Ele é despertado.

Gerar, nesse sentido, aproxima-se de:

acordar;

ativar;

fazer manifestar uma vida potencial.

Essa interpretação pertence especificamente à cosmologia do Ẹlẹ́dàá.

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15.14 - EXU / ÈṢÙ — A MEDIAÇÃO

A tradição yorùbá oferece forte sustentação para compreender Èṣù como:

mediador;

mensageiro;

agente da passagem;

articulador de relações;

elemento indispensável à realização do ẹbọ.

No Projeto:

Exu /  Èṣù

→ ponte;

→ passagem;

→ mediador;

→ guardião;

→ centro promotor do equilíbrio.

EXU BARA / Èṣù Bàrà

No Igbádù:

→ centro.

Segundo as Orientações recebidas, Bara equilibra "FORÇAS OPOSTAS":

masculino ↔ feminino

Axé ↔ Contra-Axé.

EXU ELEGBARA /  Èṣù Elégbára

No Projeto:

→ guardião do Contra-Axé.

EXU ODARA / Èṣù Ọ̀dàrà

No Projeto:

→ guardião do Axé.

Essa arquitetura específica Elegbara–Bara–Odara deve ser apresentada como estrutura própria recebida no Ẹlẹ́dàá.

A tradição yorùbá oferece forte respaldo para a função geral de Èṣù como mediador e agente do equilíbrio e da eficácia, mas não encontramos até agora a mesma divisão tripartida formulada exatamente dessa maneira.

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15.15 - ÒRÚNMÌLÀ

Òrúnmìlà representa o conhecimento, a consulta e a interpretação do destino.

No nosso mapa podemos compreender:

ODÙ

→ contém possibilidades.

ÒRÚNMÌLÀ

→ conhece e interpreta.

ÈṢÙ

→ medeia e possibilita a realização.

ẸBỌ

→ intervenção realizada.

Assim:

possibilidade

→ conhecimento

→ escolha

→ mediação

→ realização.

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15.16 - CONCILIAÇÃO FINAL

A estrutura que emerge do Projeto Ẹlẹ́dàá pode ser organizada da seguinte maneira:

GRANDE MÃE PRIMORDIAL

→ geração primordial

AXÉ

→ potência

PAI NZAMBI MPUNGU

→ vontade, consciência e criação

↓

YÁMI AGBÁ OLÓKUN ↔ BABÁ AGBÁ OLÓRUN

→ polaridade materna/paterna

↓

manifestação da vida

↓

MÃES / POTÊNCIAS MATERNAS

→ geração, manutenção e transformação da vida

↓

YEMỌJA

→ Fraternidade

Ọ̀ṢUN

→ Educação

YANSÃ

→ Correção

↓

ONÍLẸ̀

→ Terra, manutenção dos ciclos e testemunho

↓

AYÉ

→ campo da experiência e da manifestação

Enquanto:

AXÉ

→ fornece potência

ÀJẸ́

→ utiliza essa potência dentro do campo das Mães

ODÙ

→ contém possibilidades/mistério

IGBÁ

→ contém

ẸYIN

→ representa a vida potencial que será despertada

ÒRÚNMÌLÀ

→ conhece e interpreta

ÈṢÙ

→ medeia e realiza

ONÍLẸ̀

→ sustenta, recebe e registra os ciclos da manifestação.

A pesquisa não demonstra que todas essas figuras sejam literalmente equivalentes.

Ela revela, porém, algo talvez mais importante:

as Orientações recebidas no Projeto Ẹlẹ́dàá apresentam uma arquitetura própria que encontra numerosos pontos de ressonância com conceitos antigos das tradições yorùbá — especialmente geração, potência, maternidade, recipiente, terra, vida e morte, mediação e destino.

Por isso, nosso método permanece:

não misturar as tradições;

não apagar suas diferenças;

não utilizar semelhança como prova de identidade;

mas reconhecer cuidadosamente as correspondências quando elas realmente existem.

Assim podemos preservar simultaneamente:

a tradição yorùbá;

a pesquisa histórica e acadêmica;

e as Orientações recebidas de Pai Benedito de Aruanda dentro do Projeto Ẹlẹ́dàá.

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PARTE (V) — A ORGANIZAÇÃO DAS FORÇAS DIVINAS



16.00 - INTRODUÇÃO

Na cosmologia tradicional yorùbá, os Ìrúnmọlẹ̀ são apresentados, em determinadas narrativas, como divindades ou potências primordiais que já existiam no Òrun antes de sua participação na organização do mundo terrestre.

Em algumas interpretações religiosas, sua origem é atribuída diretamente a Olódùmarè, reconhecido como princípio divino supremo.

"No nosso caso, segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, os "Ìrúnmọlẹ̀ são Divindades" criadas por Pai Olorum com a finalidade de administrar, fiscalizar, fazer cumprir as Leis Divinas, prover segurança, harmonizar, educar e disciplinar a vida no Ayé".

A descida dos Ìrúnmọlẹ̀ ao Ayé representa, portanto, uma etapa de sua atuação e não necessariamente o momento de seu surgimento.

A tradição frequentemente menciona quatrocentas ou quatrocentas e uma divindades, embora existam diferentes contagens e interpretações conforme as fontes e as linhagens religiosas.

Uma das interpretações estudadas apresenta duzentas entidades à esquerda, duzentas à direita e quatrocentas e uma destinadas à missão terrestre. Essa organização, entretanto, não representa um consenso universal das tradições yorùbá.

No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, partimos dessas referências para desenvolver uma compreensão própria, fundamentada nas orientações do "Mentor espiritual Pai Benedito de Aruanda".

É importante distinguir os ensinamentos tradicionais yorùbá das interpretações simbólicas e das orientações espirituais que constituem a arquitetura particular do nosso Projeto.

16.10 - A ETIMOLOGIA DE ÌRÚNMỌ̀LẸ̀

A palavra Ìrúnmọlẹ̀ é frequentemente associada às quatrocentas divindades primordiais.

Em yorùbá, o número quatrocentos é expresso por irinwó.

O pesquisador Babatunde Lawal registra interpretações que relacionam irún a uma forma abreviada de irinwó, mas ressalta que não existe consenso definitivo sobre a origem e o significado de mọlẹ̀ ou imale.

A decomposição da palavra em irún, ì, mọ e ilẹ̀, interpretada como uma referência aos quatrocentos formadores da Terra, não constitui uma etimologia historicamente comprovada.

Entretanto, dentro da interpretação simbólica do Projeto Ẹlẹ́dàá, podemos estudar essa decomposição como um recurso comparativo.

Irún — Associação ao número quatrocentos.

Ì — Interpretado nessa decomposição como elemento de formação nominal.

Mọ — Associado simbolicamente à ideia de formar, moldar e estruturar.

Ilẹ̀ — Terra ou solo, relacionado simbolicamente ao campo de atuação das forças criadoras.

"Essas associações representam uma tradução interpretativa da palavra Ìrúnmọlẹ̀, simbólicamente adotada para o desenvolvimento da cosmologia do Projeto".

16.11 -  A ENCRUZILHADA SAGRADA

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, a organização das "Forças Divinas" relacionadas aos "Ìrúnmọlẹ̀" e "Ìbamolè" pode ser compreendida por meio de uma estrutura geométrica denominada "ENCRUZILHADA SAGRADA", ponto inicial de toda a arquitetura das linhas de força do Mapa Espiritual do Eledá. 

Essa estrutura é formada pelo cruzamento de duas linhas fundamentais de forças.

A "LINHA HORIZONTAL" corresponde ao campo de atuação dos ÌRÚNMỌ̀LẸ̀ (400), distribuídos entre os eixos Oeste e Leste.

A "LINHA VERTICAL" corresponde ao campo de atuação dos ÌBAMOLÈ (200), distribuídos entre os eixos Norte e Sul.

O encontro dessas duas linhas estabelece a ENCRUZILHADA SAGRADA, na qual se articulam as diferentes funções das forças divinas responsáveis pela administração, manutenção, orientação e aplicação das Leis que regem a vida no Ayé.

Os pontos cardeais utilizados nessa representação possuem inicialmente uma função referencial interna, e não necessariamente geográfica.

Entretanto, essa arquitetura também apresenta correspondências exteriores com o corpo humano e com aquilo que denominamos "Corpo do Trabalho", ou seja, o ambiente destinado à realização das atividades espirituais.

Na configuração ritualística(fundamentos) do "Corpo do Trabalho", encontraremos as seguintes correspondências:

Norte — Congá.

Sul — Tronqueira.

Oeste — Cruzeiro.

Leste — Firmezas dos pontos dos Orixás, Guias e Mentores.

A disposição dessas referências integra a organização das linhas de forças espirituais do ambiente, tendo como elemento central o assentamento do hexagrama riscado segundo a Lei de Pemba no centro do ambiente onde será realizada a "Gira".

Essa configuração será aprofundada posteriormente, quando estudarmos os fundamentos do espaço ritual e sua relação com a arquitetura do Ẹlẹ́dàá.

A REPRESENTAÇÃO CÚBICA DA ENCRUZILHADA SAGRADA



Para compreendermos a organização dos 400 Ìrúnmọlẹ̀, precisamos ampliar a representação geométrica da Encruzilhada Sagrada, inicialmente apresentada pelo cruzamento de duas linhas de forças.

A Linha Vertical, correspondente aos Ìbamolè (200), permanece inalterada.

Entretanto, a Linha Horizontal, correspondente aos Ìrúnmọlẹ̀ (400), deve ser compreendida em uma representação tridimensional, pois suas forças atuam paralelamente nos aspectos material e espiritual da existência.

Na visualização cúbica, duas faces laterais representam o aspecto material e outras duas representam o aspecto espiritual.

Cada face lateral é constituída por quatro setores de vinte e cinco unidades.

4 × 25 = 100

Dessa maneira, encontramos:

Aspecto material: 2 × 100 = 200

Aspecto espiritual: 2 × 100 = 200

Total: 200 + 200 = 400

A relação fundamental permanece:

400 = 4 × 100 = 4 × 4 × 25 = 16 × 25

"É importante esclarecer que essa divisão não representa a existência de dois universos independentes".

Segundo a compreensão cosmológica apresentada nas orientações de Pai Benedito de Aruanda, tudo é Òrun.

O aspecto material e o aspecto espiritual constituem diferentes condições de manifestação dentro da totalidade da existência.

Os pontos cardeais utilizados na Encruzilhada Sagrada possuem função simbólica e referencial, permitindo visualizar os caminhos e suas intersecções.

Portanto, não devem ser confundidos automaticamente com posições geográficas ou com a identificação física das faces do cubo.

No interior dessa arquitetura encontramos o Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental, também denominado Casa dos Orixás Funfun ou Casa de Pai Oxalá, cuja estrutura inicial apresenta quatro setores de vinte e cinco unidades.

4 × 25 = 100

"A relação geométrica desse quadrante central com as faces laterais e com a Linha Vertical será aprofundada nas próximas etapas do estudo".

Na imagem abaixo, representamos a Encruzilhada Sagrada com mais clareza, destacando a cruz, a Linha Vertical, a Linha da Kalunga, o campo dos Ìrúnmọlẹ̀ e os nomes simbólicos dos eixos.





16.12 - O SIGNIFICADO SIMBÓLICO DO NÚMERO 400

A referência ao número quatrocentos deve ser compreendida, na arquitetura do Projeto, por meio de uma organização geométrica e simbólica(Geometria Sagrada).

Inicialmente, o diagrama é dividido em quatro partes fundamentais.

Cada parte é subdividida em "(4)quatro setores", formando "(16)dezesseis setores".

A expressão matemática básica é:

400 = 4 × 100 = 4 × 4 × 25 = 16 × 25

Essa relação permite desenvolver quatro níveis de interpretação simbólica.

16.13 - PRIMEIRO NÍVEL — O NÚMERO QUATRO

O número quatro corresponde aos Quatro Cantos, compreendidos como fundamentos ou pilares da Arquitetura Espiritual Sagrada.

Sua primeira representação geométrica é o quadrado.

No diagrama do Ẹlẹ́dàá, o quadrado constitui uma estrutura fundamental para compreendermos a distribuição e o equilíbrio das forças que participam da organização da existência.

16.14 - SEGUNDO NÍVEL — O NÚMERO CEM

Na interpretação magística adotada pelo Projeto, o número cem apresenta três elementos simbólicos:

1 — 0 — 0

O número um representa o Princípio Único, aquilo de onde parte uma manifestação, relacionado à intenção criadora.

O primeiro zero representa o Vazio Potencial, denominado Vazio Cheio nas orientações de Pai Joaquim de Angola.

Esse vazio não deve ser compreendido como ausência absoluta, mas como um estado de potencialidade, no qual se encontra o Axé, princípio primordial de força.

O segundo zero representa o potencial de manifestação ou de ampliação dessa potencialidade.

Matematicamente, o número cem pode ser expresso como:

100 = 1 × 10²

Essa expressão é utilizada no Projeto como referência simbólica à potencialização, não como demonstração matemática dos significados espirituais atribuídos aos algarismos.

Pela redução numerológica, temos:

1 + 0 + 0 = 1

Dessa maneira, o número cem é interpretado como uma representação da plenitude, do equilíbrio perfeito ou da perfeição ordinal, conforme a linguagem simbólica adotada no Projeto.

A aplicação dessa estrutura aos quatro cantos resulta em:

4 × 100 = 400

16.15 - TERCEIRO NÍVEL — OS QUADRANTES SAGRADOS

A expressão quatro vezes quatro representa as subdivisões fundamentais da arquitetura do Ẹlẹ́dàá.

Na representação do ponto riscado, encontramos simbolicamente dois quadrados: um exterior e outro interior.

Essas estruturas recebem a denominação de "Quadrantes Sagrados".

O quadrado exterior representa os campos de atuação das forças organizadas ao redor da Encruzilhada Sagrada.

O quadrado interior corresponde à estrutura central, relacionada à Casa dos Orixás Funfun, ou Casa de Pai Oxalá.

A distribuição detalhada dessas estruturas e sua correspondência com as duas linhas de forças serão examinadas no desenvolvimento do diagrama.

16.16 - QUARTO NÍVEL — O SETENÁRIO SAGRADO


Todas as subdivisões dos Quadrantes Sagrados apresentam, na interpretação numerológica do Projeto, uma relação com o Setenário Sagrado.

Essa relação pode ser observada nas seguintes reduções:

25 → 2 + 5 = 7

16 → 1 + 6 = 7




O número vinte e cinco constitui a unidade de distribuição dos setores adotada no diagrama.

O número dezesseis representa a quantidade total dessas subdivisões na estrutura geométrica dos quatrocentos.

Ambos apresentam uma redução numerológica ao número sete.

Assim, o Setenário Sagrado é interpretado como um princípio simbólico presente na organização e na atuação das forças divinas representadas pelos setores.

A redução numerológica não altera os valores matemáticos originais, mas acrescenta uma leitura espiritual própria do Projeto.


16.17 - OS ÌRÚNMỌ̀LẸ̀ (400)

ORIGEM E MISSÃO

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, os "Ìrúnmọlẹ̀ são Divindades" criadas por Pai Olorum com a finalidade de administrar, fiscalizar, fazer cumprir as Leis Divinas, prover segurança, harmonizar, educar e disciplinar a vida no Ayé.

Sua existência está diretamente relacionada ao cumprimento dessas responsabilidades.

São seres criados para funções específicas e, por esse motivo, considerados irrepreensíveis aos olhos do Criador, conforme essa orientação.

Entretanto, possuem autonomia e capacidade de decisão no exercício de suas atribuições, podendo cometer equívocos.

No Projeto Ẹlẹ́dàá, essa possibilidade de erro deverá ser examinada em relação à natureza e às responsabilidades dessas divindades.

Seu campo de atuação corresponde à LINHA HORIZONTAL DE FORÇAS da Encruzilhada Sagrada.


16.18 - O OESTE — OJÚKÒSÌ — LADO ESQUERDO

O eixo Oeste, identificado no Projeto como Ojúkọ̀sì, representa o lado esquerdo da Encruzilhada Sagrada.

Nesse campo encontram-se os Ìrúnmọlẹ̀ responsáveis pelas funções relacionadas à Lei.

Sua organização apresenta dois agrupamentos principais.

Na parte superior encontram-se Yamì Osòròngá e o Ẹgbẹ́ Ọ̀run correspondente à sua organização, compreendendo dois setores de vinte e cinco unidades.

2 × 25 = 50

Esse agrupamento de cinquenta representa uma composição que necessita de uma força complementar para alcançar a plenitude do setor.

Na parte inferior encontra-se o Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu, igualmente constituído por dois setores de vinte e cinco unidades.

2 × 25 = 50

A reunião dos dois agrupamentos estabelece a relação:

50 + 50 = 100

Assim, o lado Oeste alcança o equilíbrio de suas potencialidades pela complementaridade das forças representadas nesses agrupamentos.

Essa relação constitui, na interpretação do Projeto, uma regra de equilíbrio e polarização das forças.

16.19 - O LESTE — OJÚKỌ̀TÚN — LADO DIREITO

O eixo Leste, identificado no Projeto como Ojúkọ̀tún, representa o lado direito da Encruzilhada Sagrada.

Na parte superior encontra-se o Ẹgbẹ́ Ọ̀run Egúngún, organizado em dois setores de vinte e cinco unidades.

2 × 25 = 50

Na parte inferior encontram-se as forças relacionadas a Ìbejì, Olódùmarè, Exu Mirim e Yewá, conforme a disposição específica apresentada nas orientações do Projeto.

Essa organização também corresponde a dois setores de vinte e cinco unidades.

2 × 25 = 50

Aplicando a mesma regra de equilíbrio utilizada no Oeste, temos:

50 + 50 = 100

Dessa forma, as potencialidades do lado direito são compreendidas por meio de sua relação de complementaridade.



16.20 - A LINHA HORIZONTAL DE FORÇAS

Os agrupamentos do Oeste e do Leste compõem a Linha Horizontal da Encruzilhada Sagrada.

Nessa linha, encontram-se os campos de atuação dos Ìrúnmọlẹ̀, relacionados à administração e à aplicação das Leis Divinas.

As forças representadas nos dois lados devem ser compreendidas em suas relações de polarização, complementaridade e equilíbrio.

Os agrupamentos explicitamente descritos até aqui representam cem unidades a Oeste e cem a Leste.

A distribuição restante da estrutura geral dos quatrocentos, bem como sua relação com o Quadrante Sagrado Interior, deverá ser esclarecida no desenvolvimento definitivo do diagrama.


16.21 - O SIGNIFICADO DO +1

Para compreender o elemento adicional da expressão 400 + 1, devemos considerar os fundamentos da Magia Divina Elemental apresentados nas orientações de Pai Benedito de Aruanda.

Nesse sistema, três pembas representam condições fundamentais das operações mágicas.

A pemba preta, Dúdú, corresponde à polaridade negativa.

A pemba vermelha, Pupa, corresponde à polaridade positiva.

A pemba branca, Funfun, representa a intenção.

As polaridades positiva e negativa não devem ser automaticamente interpretadas como bem e mal. Na arquitetura apresentada, correspondem a condições operativas cuja natureza e funcionamento serão aprofundados posteriormente.

O elemento +1 corresponde ao poder de intervenção sobre as polaridades.

Essa função não se limita à simples adição de uma entidade à quantidade de quatrocentos seres divinos.

Na compreensão do Projeto, o +1 representa uma possibilidade de atuação sobre as condições estabelecidas pelas polaridades, em relação com o princípio da intenção.

A identificação exata desse elemento no diagrama, suas atribuições e sua relação com o centro da Encruzilhada Sagrada permanecem como questões a serem aprofundadas.

16.22 - EGBÉ ÒRUN (Òṣòròngá)

A COMUNIDADE SAGRADA DAS GRANDES MÃES

Segundo as orientações recebidas de Pai Benedito de Aruanda, na organização dos 400 Ìrúnmọlẹ̀ encontramos, no setor superior do Oeste (Ojúkọ̀sì), a comunidade espiritual denominada Ẹgbẹ́ Ọ̀run Òṣòròngá, relacionada às Grandes Mães e às responsabilidades sagradas de proteção, administração, educação e disciplina da vida.

Na geometria apresentada pelo Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, essa região ocupa dois setores de 25 unidades, totalizando 50 unidades da organização simbólica dos Ìrúnmọlẹ̀. Sua atuação complementa as responsabilidades do Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu, situado na região inferior do mesmo lado Oeste.

Essas comunidades integram uma estrutura de administração da vida e cumprimento das Leis Divinas, não devendo ser confundidas com agrupamentos de espíritos humanos desencarnados.

ORIGEM E SIGNIFICADO DOS NOMES

Na língua yorùbá, Ẹgbẹ́ significa grupo, associação ou comunidade, enquanto Ọ̀run designa o mundo espiritual ou a dimensão celeste da existência.

No contexto deste Projeto, Ẹgbẹ́ Ọ̀run identifica uma comunidade de seres espirituais que compartilham responsabilidades específicas dentro da organização sagrada da criação.

A expressão Ìyámi, frequentemente associada a Òṣòròngà, significa literalmente “minha mãe”, sendo utilizada com respeito e reverência para se referir às Grandes Mães.

As tradições yorùbá também apresentam denominações como Ìyá Àgbà, relacionadas às Mães Ancestrais, e Ẹlẹ́yẹ, expressão associada àquela que possui o pássaro.

É importante esclarecer que Òṣòròngà não possui uma tradução literal seguramente estabelecida como “pássaro”, “coruja” ou “feiticeira”. Trata-se de uma denominação tradicional inserida em um complexo conjunto de conhecimentos, símbolos e narrativas Sagradas.

O PODER DAS GRANDES MÃES

As pesquisas sobre as tradições yorùbá apresentam as Grandes Mães como manifestações de uma potência ancestral relacionada à geração, à fertilidade, à continuidade da vida, à proteção e também às consequências da utilização dos poderes espirituais.

Essa potência é frequentemente relacionada ao conceito de Àjẹ́.

Embora a palavra Àjẹ́ tenha recebido traduções associadas à feitiçaria, especialmente em interpretações externas às tradições africanas, seu significado religioso não deve ser reduzido à prática do mal.

A potência das Grandes Mães apresenta aspectos geradores, protetores e também perigosos. Sua compreensão exige reconhecer que a mesma capacidade de agir sobre a existência pode participar de processos de proteção, transformação ou correção.

Segundo a orientação de Pai Benedito, a potência Àjẹ́ deve ser compreendida no contexto das responsabilidades sagradas dessas Mães, não sendo sua natureza definida simplesmente como positiva ou negativa.

O PÁSSARO COMO SÍMBOLO SAGRADO

Entre os símbolos mais conhecidos das Grandes Mães encontra-se o pássaro, chamado Ẹyẹ em yorùbá.

Nas narrativas tradicionais, ele aparece associado ao poder de atuação das Ìyámi, podendo representar a manifestação ou o instrumento simbólico dessa potência.

Por essa razão, encontramos a expressão Ẹlẹ́yẹ, relacionada à possuidora do pássaro.

Entretanto, é necessário distinguir o símbolo da natureza dos seres representados.

As Grandes Mães não são simplesmente aves, nem o pássaro deve ser interpretado como uma definição literal de Òṣòròngà.

A associação com aves, árvores e outros elementos da natureza pertence a uma linguagem religiosa simbólica, cuja interpretação varia conforme as narrativas e as tradições.

Em nossa “interpretação”, usamos a Águia e o Corvo.

A Águia:


1. Visão espiritual – As mães, tudo estão vendo, possuem a capacidade de enxergar além das aparências, perceber aquilo que está oculto e compreender realidades que escapam à nossa percepção e compreensão.

2. Elevação – A altura, ou seja, na condição de Divindades que são, possuem a capacidade de discernir em consciência muito acima das nossas limitações materiais, mentais e espirituais.

3. Liberdade – Representa a independência espiritual administrativa em seu "Ẹgbẹ́ Ọ̀run", não existem amarras que impedem a sua autonomia na aplicação da "LEI DIVINA".

4. Sabedoria – Simboliza a capacidade de observar, discernir e agir com conhecimento e experiência, sem se deixar conduzir por impulsos ou apelos que nós façamos.

5. Força – Representa a “magnitude” do potencial que possuem, a determinação em cumprirem a LEI DIVINA independente de qualquer obstáculo.

6. Coragem – Simboliza a disposição de enfrentar o antagonismo de forças contrárias, atravessar desafios e assumir os riscos necessários ao próprio cumprimento da LEI e dos propósitos que estabelecem.

7. Nobreza – Representa a dignidade na condição de seres Divinos e Mães Espirituais, a integridade e a grandeza de seu AMOR.

8. Vigilância – Simboliza a atenção permanente, a percepção dos movimentos ao redor e a capacidade de reconhecer melindres, perigos e oportunidades.

9. Renovação – Representa a transformação, a superação dos antigos limites e a capacidade de prover novos ciclos de desenvolvimento e crescimento.

10. Conexão com o Alto – Por sua capacidade de alcançar grandes altitudes, a águia simboliza a ligação entre o plano terreno e as dimensões celestiais ou espirituais.

O Corvo:


O Corvo é um símbolo espiritual tão rico quanto a Águia, mas sua simbologia segue um caminho bastante diferente:

1. Inteligência – Representa a capacidade de compreender situações complexas, estabelecer relações e encontrar soluções para problemas aparentemente insolúveis.

2. Sabedoria oculta – Simboliza o conhecimento que não está imediatamente acessível, a compreensão dos mistérios e a busca por verdades mais profundas.

3. Transformação – Representa a capacidade de atravessar mudanças, superar ciclos e encontrar novas possibilidades em nossas existência.

4. Adaptabilidade – Simboliza a habilidade de ajustar-se a diferentes circunstâncias, ambientes e realidades sem perder suas características essenciais de Mães.

5. Percepção – Representa a atenção aos detalhes, a observação cuidadosa e a capacidade de identificar aquilo que passa despercebido a todos nós.

6. Memória – Simboliza a preservação do conhecimento, das experiências e dos acontecimentos, reconhecendo a importância do passado na construção do presente. 

"As Mães possuem o nosso histórico completo de todas as nossas existências."

7. Mistério – As Mães são Guardiãs de todo o conhecimento ancestral e segredos da nossa existência e pelas dimensões que ainda não foram compreendidas.

8. Discernimento – Simboliza a capacidade de distinguir aparências de realidades, reconhecer intenções e avaliar situações antes de agir.

9. Comunicação – Representa a transmissão de mensagens, os esforços em nos orientar em nossas condutas, despertar nossas consciências e a capacidade de compartilhar conhecimentos e recursos com aqueles que se tornem merecedores de sua confiança.

10. Transição – Simboliza a passagem entre diferentes estados de consciência, ciclos de existência ou dimensões espirituais.

A LEI, A JUSTIÇA E A RESPONSABILIDADE PELA VIDA


Nas orientações de Pai Benedito de Aruanda, a comunidade Ẹgbẹ́ Ọ̀run Òṣòròngá integra os Ìrúnmọlẹ̀ que participam da administração e fiscalização das Leis Divinas estabelecidas para a existência no Ayé.

Suas responsabilidades relacionam-se à preservação da ordem, à proteção da vida, à educação e à correção dos desequilíbrios produzidos pelo exercício da liberdade e pelas consequências das escolhas.

Nesse entendimento, as Grandes Mães não são apresentadas como seres cuja finalidade seja castigar indiscriminadamente, mas como integrantes de uma organização sagrada que trabalha para a manutenção da Lei e da Justiça Divina.

A correção não deve ser confundida com crueldade, assim como a proteção não significa ausência de consequências.

A vida necessita de condições para nascer, desenvolver-se e continuar. Mas também necessita de limites, responsabilidade e aprendizado.

É nesse sentido que podemos compreender a função maternal dessas potências: gerar, amparar, proteger, orientar e corrigir quando necessário.

Essa interpretação da comunidade Òṣòròngá como participante da administração da Lei e da Justiça Divina pertence especificamente à cosmologia apresentada pelo Projeto Ẹlẹ́dàá Mi.

A ATUAÇÃO NOS PLANOS MATERIAL E ESPIRITUAL

Segundo Pai Benedito, os Ìrúnmọlẹ̀ que integram essa comunidade exercem suas responsabilidades tanto no plano material quanto no espiritual.

Não estamos tratando de duas comunidades distintas ou de uma divisão entre seres materiais e espirituais.

São os mesmos Ìrúnmọlẹ̀, cujas responsabilidades alcançam diferentes condições da existência no Ayé.

Dessa maneira, os processos de geração, preservação, educação, correção e continuidade da vida devem ser compreendidos dentro de uma organização que não se limita à realidade material.

A COMPLEMENTARIDADE NO OJÚKÒSÌ

A comunidade Òṣòròngá ocupa a região superior do Oeste, enquanto o Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu ocupa sua região inferior.

Ambas participam da organização horizontal dos Ìrúnmọlẹ̀ e do cumprimento das responsabilidades atribuídas ao lado Ojúkòsì da Encruzilhada Sagrada.

Essa disposição não representa uma separação entre o bem e o mal.

As responsabilidades são distintas, porém complementares, e o equilíbrio geral da estrutura depende do balanço entre Ojúkòsì e Ojúkòtun.

Na compreensão do Projeto, não existe oposição absoluta entre proteção e correção, pois ambas podem ser necessárias ao desenvolvimento da consciência e à manutenção da vida.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo das Grandes Mães convida-nos a reconhecer uma dimensão da existência frequentemente incompreendida: a responsabilidade de preservar a vida não termina no ato de gerá-la.

É necessário protegê-la, educá-la, estabelecer limites e oferecer condições para que cada consciência aprenda com suas próprias escolhas.

No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, essa é uma das responsabilidades atribuídas à comunidade Ẹgbẹ́ Ọ̀run Òṣòròngá.

Ao estudá-la, procuramos respeitar as tradições yorùbá, reconhecer a diversidade de suas interpretações e apresentar separadamente as orientações espirituais recebidas de Pai Benedito de Aruanda.

Assim, compreendemos as Grandes Mães não apenas como símbolos do poder gerador, mas, dentro da cosmologia do Projeto, também como participantes da preservação, da educação e da continuidade da vida sob a Lei Divina.

A vida não é apenas gerada. Ela precisa ser amparada, orientada e conduzida ao desenvolvimento da consciência.

Caso você não tenha lido os itens abaixo, por favor leia antes de continuar!


16.23 - ẸGBẸ́ Ọ̀RUN (ÈṢÙ)

A COMUNIDADE SAGRADA DOS GUARDIÕES DOS CAMINHOS E DA LEI DIVINA


Segundo as orientações recebidas de Pai Benedito de Aruanda, na organização dos 400 Ìrúnmọlẹ̀ encontramos, na região inferior do Oeste (Ojúkọ̀sì), a comunidade espiritual denominada Ẹgbẹ́ Ọ̀run Èṣù.

Essa comunidade participa da administração dos caminhos, das passagens, da comunicação e das responsabilidades relacionadas à aplicação das Leis Divinas que regem a existência.

Na geometria apresentada pelo Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, sua região ocupa dois setores de 25 unidades, totalizando 50 unidades da organização simbólica dos Ìrúnmọlẹ̀.

Sua atuação é complementar à comunidade Ẹgbẹ́ Ọ̀run Òṣòròngá, situada na região superior do mesmo lado Oeste, conforme estudamos no item 16.22.

As duas comunidades possuem responsabilidades próprias, mas participam de uma mesma "Organização Sagrada", na qual proteção, orientação, vigilância, disciplina e correção contribuem para a manutenção do equilíbrio da vida.

É importante compreender que essa estrutura não representa uma divisão entre seres bons e seres maus.

No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, Ojúkọ̀sì não é o território do mal, assim como Ojúkọ̀tún não representa exclusivamente o bem.

Ambos fazem parte da "Encruzilhada Sagrada", cuja organização depende da complementaridade e do equilíbrio entre suas responsabilidades.


ORIGEM E SIGNIFICADO DOS NOMES


Na língua yorùbá, Ẹgbẹ́ significa grupo, associação ou comunidade, enquanto Ọ̀run designa o mundo espiritual.

A palavra Èṣù identifica uma importante Divindade das tradições religiosas yorùbá, associada especialmente à comunicação, aos caminhos, às encruzilhadas, ao movimento, às escolhas e às consequências das ações.

Nas narrativas de Ifá, Èṣù aparece frequentemente como mediador entre diferentes dimensões da existência, participando dos acontecimentos que envolvem os seres humanos, as divindades e o cumprimento das responsabilidades espirituais.

"Sua presença não deve ser interpretada  como a representação do mal ou de uma entidade demoníaca".

"A identificação de Èṣù com o diabo pertence a processos históricos de interpretação e demonização religiosa que não correspondem adequadamente à complexidade de suas funções nas tradições yorùbá".

No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, entretanto, precisamos estabelecer uma distinção adicional.

Quando utilizamos a expressão Ẹgbẹ́ Ọ̀run Èṣù, estamos nos referindo especificamente a uma comunidade de Ìrúnmọlẹ̀ apresentada nas orientações de Pai Benedito de Aruanda.

"Um pouco mais a frente em nossos estudos vamos conhecer o "REINO DOS SENHORES EXUS" no SUL — (Ìbamolè - OJÚKỌ̀SÌ — LADO INFERIOR) , mas por hora  vamos compreender bem e com atenção os seres Divinos no ÌRÚNMỌ̀LẸ̀ - Ẹgbẹ́ Ọ̀run Èṣù".

Essa organização própria do Projeto não deve ser confundida automaticamente com todas as interpretações tradicionais do Òrìṣà Èṣù, nem com as diversas entidades conhecidas como Exus nas religiões afro-brasileiras.


A ENCRUZILHADA, OS CAMINHOS E AS ESCOLHAS


A encruzilhada representa um dos símbolos mais importantes relacionados a Èṣù.

Ela não deve ser compreendida apenas como o encontro físico de ruas ou estradas.

Simbolicamente, representa os momentos em que diferentes possibilidades se apresentam diante de uma consciência, exigindo decisões e produzindo consequências.

Cada escolha estabelece uma direção.

Cada direção oferece experiências.

E cada experiência participa do desenvolvimento da consciência.

"Segundo as orientações de Pai Benedito, a liberdade de escolher não significa estar livre das consequências das escolhas realizadas".

Por essa razão, os caminhos e as encruzilhadas estão intimamente relacionados à aplicação das Leis Divinas.

Os guardiões não existem simplesmente para facilitar ou impedir a passagem de alguém conforme seus desejos pessoais.

Suas responsabilidades estão relacionadas às condições de acesso, ao cumprimento das determinações sagradas e à preservação da ordem estabelecida para a existência.

Nem todo caminho desejado corresponde necessariamente ao caminho permitido ou adequado.

Da mesma forma, nem todo obstáculo representa uma punição.

Algumas dificuldades podem oferecer oportunidades de aprendizado, revisão de conduta e desenvolvimento da consciência.

Essa compreensão não significa que todo sofrimento seja consequência de uma falta moral, mas que nossas escolhas e atitudes possuem responsabilidades próprias dentro da experiência da vida.


OS ÌRÚNMỌLẸ̀ DA COMUNIDADE ÈṢÙ - ẸGBẸ́ Ọ̀RUN (Èṣù)


Nas pesquisas e orientações que fundamentam este Projeto, identificamos diferentes denominações relacionadas às responsabilidades dos Ìrúnmọlẹ̀ do campo Ojúkòsì.

Entre elas, destacamos:

 Èṣù Òdàrà (ou Exu Òdàrà), Èṣù Elégbára (ou Exu Elégbára / Elegba), Èṣù Bará (ou Exu Bará), Èṣù Yangí (ou Exu Yangi), Èṣù Ọ̀nà (ou Exu Onã) e Oníbodè (ou Onibodé).

"Esses nomes não devem ser compreendidos como uma relação completa dos 50 Ìrúnmọlẹ̀ dessa região".

Um pouco mais a frente em nossos estudos, vamos conhecer outros Exus com suas atribuições e responsabilidades.

Estamos apresentando os nomes e as responsabilidades que conseguimos identificar até este momento, mantendo em aberto os estudos necessários para compreender toda a organização.


EXU ÒDÀRÀ E EXU ELÉGBÁRA


Segundo a orientação de Pai Benedito, Exu Òdàrà e Exu Elégbára são dois Ìrúnmọlẹ̀ distintos.

Essa distinção é importante porque, em diferentes tradições yorùbá, nomes como Èṣù, Elégbára e Òdàrà podem aparecer associados à mesma divindade ou a seus títulos e manifestações.

No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, entretanto, a orientação recebida estabelece duas individualidades espirituais com responsabilidades próprias.

Exu Òdàrà(Guardião do Axé) está relacionado à administração do potencial positivo, denominado Axé.

Exu Elégbára(Guardião do Contra-axé) está relacionado à administração do potencial negativo, denominado Contra-axé.

Entretanto, essa diferenciação não significa que Exu Òdàrà represente simplesmente o bem e Exu Elégbára represente o mal.

O potencial positivo e o potencial negativo não devem ser confundidos automaticamente com bondade e maldade moral.

Trata-se, dentro da cosmologia do Projeto, de princípios que participam da dinâmica da existência e cujas aplicações estão submetidas à Lei Divina.

Suas responsabilidades são distintas, mas não estabelecem uma oposição entre dois inimigos.

Ambos participam de uma mesma organização sagrada, na qual a administração dos potenciais e das forças deve respeitar os princípios de equilíbrio, justiça e responsabilidade.


EXU BARÁ — A PROTEÇÃO E A GUARDA


Entre as denominações estudadas encontramos Exu Bará, associado à guarda e à proteção.

Nas orientações que estamos organizando, essa responsabilidade aparece em dois contextos importantes.

O primeiro relaciona-se à proteção pessoal, vinculada ao acompanhamento e à guarda do indivíduo.

O segundo relaciona-se à proteção dos espaços sagrados internos, especialmente dos pontos de força, das firmezas e dos assentamentos existentes nos templos.

Um exemplo é o Congá, entendido em nossa prática religiosa como espaço de referência e sustentação espiritual.

Essas duas aplicações demonstram a importância da guarda tanto na dimensão individual quanto na organização dos ambientes sagrados.

Essas responsabilidades correspondem a responsabilidade de Exus distintas.

EXU BARÁ - Proteção individual(Nosso Bará pessoal).

EXU BARÁ - Proteção dos ambientes Sagrados(Comunidade).


EXU YANGI — A PEDRA E O PRINCÍPIO PRIMORDIAL


Exu Yangi encontra correspondência em importantes tradições relacionadas à pedra primordial de Èṣù.

Nas religiões afro-brasileiras, especialmente em determinados contextos do Candomblé, a pedra de laterita constitui um dos elementos materiais tradicionalmente associados à presença e à representação sagrada de Exu.

No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, Exu Yangi está relacionado ao princípio primordial de Exu, enquanto a pedra participa simbolicamente da sustentação de sua força e dos Orixás nos assentamentos e nas firmezas.

A pedra não deve ser compreendida apenas como um objeto material.

Dentro da linguagem ritualística, representa a permanência, a sustentação e a referência concreta de uma realidade espiritual.

"Otá (Pedra): O coração e o ponto de fixação central das energias dos Orixás e ou ÌRÚNMỌ̀LẸ̀".

A pedra é o elo de sustentação, magnetismo espiritual, magístico e a presença do Axé naquele fundamento.

É um elemento que passa por consagrações, ritualística para pedir autorização, banhos de ervas e firmezas para despertar o potencial que se encontra adormecido.

Entretanto, precisamos distinguir o significado ritualístico da pedra da natureza do Ìrúnmọlẹ̀.

Exu Yangi não é simplesmente uma pedra.

A pedra é um dos elementos utilizados para representar e firmar sua presença na organização sagrada.


EXU ONÃ — O GUARDIÃO DAS PORTEIRAS


Segundo as orientações recebidas de Pai Benedito, Exu Onã possui responsabilidades relacionadas à guarda das porteiras de entrada dos Templos Sagrados.

A palavra yorùbá ọ̀nà está relacionada a caminho ou estrada, oferecendo uma aproximação linguística interessante com essa responsabilidade.

Entretanto, a identificação específica de Exu Onã como guardião das porteiras dos templos pertence à organização espiritual apresentada no Projeto, não devendo ser considerada uma definição universal da tradição yorùbá.

A porteira representa mais do que uma abertura física.

É um ponto de passagem(portal espiritual) entre diferentes condições e dimensões, responsabilidades e espaços.

Por isso, sua guarda está relacionada à proteção, à vigilância e ao respeito às condições estabelecidas para o "Acesso ao Sagrado".

A existência de um Guardião não significa apenas impedir entradas indevidas.

Também significa preservar as condições necessárias para que a passagem aconteça de maneira adequada quando permitido.


ONÍBODÈ — O GUARDIÃO DOS NOVE PORTAIS


Nas orientações de Pai Benedito encontramos também a denominação Oníbodè, relacionada à responsabilidade de guardar portais.

Na língua yorùbá, oníbodè significa guardião ou responsável por uma entrada ou passagem.

No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, encontramos um Ìrúnmọlẹ̀ Ojúkọ̀sì denominado Oníbodè, apresentado como Guardião dos Nove Portais.

Esses portais estão relacionados à (1)Kalunga, às (2)Encruzilhadas, às (3)Matas, às (4)Águas, ao (5)Ẹgbẹ́ Ọ̀run — incluindo regiões distantes, como montanhas, regiões geladas e desertos —, ao (6)Mar, aos (7)Portais Sagrados, aos (8)Portais Esquecidos e aos (9)Portais Proibidos.

Essa classificação dos Nove Portais pertence especificamente às orientações recebidas para o Projeto.

Ela apresenta uma organização ampla das passagens e dos limites existentes na estrutura espiritual da criação.

É necessário esclarecer que esse Oníbodè não deve ser confundido com o Ìgbamolè Ojúkòsì Oníbodè Odèrò, também apresentado por Pai Benedito.

"Enquanto o primeiro está relacionado à guarda dos Nove Portais, o segundo possui responsabilidades relacionadas às passagens dos espíritos que migram de outros Ọ̀run".

São dois responsáveis distintos, situados em campos diferentes da organização apresentada pelo Projeto.

"A diferença também demonstra a importância de não confundir os Ìrúnmọlẹ̀ da linha horizontal com os Ìgbamolè da linha vertical".


OS SERES EXUS(REINO DE EXU) E SUAS QUATRO RESPONSABILIDADES


Outro esclarecimento fundamental diz respeito à diferença entre os Ìrúnmọlẹ̀ no ẸGBẸ́ Ọ̀RUN (Èṣù)  e os Seres Exus(REINO DE EXU).

Segundo Pai Benedito, os Seres Exus não são espíritos humanos desencarnados.

São seres espirituais de natureza não humana, relacionados a outras condições e mundos da existência, que exercem responsabilidades específicas no cumprimento da Lei Divina.

No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, identificamos quatro grandes responsabilidades funcionais dos Seres Exus:

1. COMUNICAÇÃO

Relacionada à transmissão de informações, à intermediação de mensagens e às condições necessárias para a comunicação entre diferentes campos de atuação espiritual.

2. CAMINHOS

Relacionada à vigilância, à proteção e à execução das responsabilidades estabelecidas para caminhos, acessos e passagens.

3. SAGRADO

Relacionada à guarda dos espaços e fundamentos sagrados, respeitando as condições necessárias à sua preservação.

4. CONDUTA

Relacionada à observação e à execução das responsabilidades que envolvem comportamentos, escolhas e consequências perante a Lei Divina.

Cada uma dessas responsabilidades é assumida por um grupo funcional de Seres Exus, e cada Ser Exu possui sua própria responsabilidade de atuação.

Esses quatro grupos representam uma organização funcional, não quatro individualidades espirituais.

Também não devem ser confundidos com os quatro setores ou com as unidades numéricas utilizadas na geometria dos Ìrúnmọlẹ̀.

Embora suas atividades possam ser complementares, os Seres Exus não são os próprios Ìrúnmọlẹ̀.

Da mesma forma, não devemos confundir os Seres Exus com os espíritos humanos que, em diferentes tradições brasileiras, trabalham sob a denominação religiosa de Exu.

São classificações diferentes, cuja aproximação exige cuidado.

No REINO DE EXU, os seres que migraram de outros Orum(Mundos), estarão configurados na linha vertical do Ẹlẹ́dàá.

A organização fica assim:
- Linha vertical superior: direita — Igbamole Ojúkọ̀tún.
- Linha vertical inferior: esquerda — Igbamole Ojúkọ̀sì - "REINO DE EXU". 

"Porém abordaremos esse Reino em um capítulo exclusivo, de forma a compreendermos toda essa extrutura de Trabalho conhecida como":



AS FORÇAS AJOGÚN E A ADMINISTRAÇÃO DA LEI


Entre os assuntos que estamos aprofundando encontra-se a atuação das forças denominadas Ajogún.

Nas tradições yorùbá, os Ajogún aparecem associados a adversidades como morte, doenças, perdas, conflitos e outras condições que podem afetar a vida humana.

Entretanto, segundo as orientações de Pai Benedito, no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi os  Ajogún devem ser compreendidos como forças de atuação adversa, e não como uma comunidade de entidades espirituais individuais.

Essa distinção é essencial.

Uma força não é necessariamente o ser responsável por sua administração.

Segundo a organização que estamos estudando, no campo dos Ìrúnmọlẹ̀ Ojúkọ̀sì, a administração dessas forças está relacionada aos Ìrúnmọlẹ̀ do Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu.

Já no campo dos Ìgbamolè Ojúkọ̀sì, correspondente à organização vertical, Pai Benedito apresenta responsabilidades administrativas individuais e distintas de Exu Òdàrà, Exu Elégbára e a atuação das forças do "REINO DE EXU" sobre essas forças.

"Essas orientações não significam que os dois Ìrúnmọlẹ̀ passem a pertencer à categoria dos Ìgbamolè, pois são forças que atuam paralelamente no cumprimento da LEI DIVINA".

Significam que suas responsabilidades podem alcançar diferentes campos de atuação da estrutura sagrada.

Também não devemos concluir que as forças Ajogun sejam necessariamente malignas em sua essência.

No Projeto, o sentido adverso de sua atuação precisa ser compreendido dentro da administração dos potenciais, das forças, das escolhas e de suas consequências.

A existência de forças adversas não elimina a necessidade de equilíbrio.

O que precisamos compreender é como essas forças são administradas, quais são seus limites e de que maneira suas atuações se relacionam com as condições da existência.

Um exemplo de atuação dessas forças é descrito na tabela abaixo:

Força         Significado básico           Campo de manifestação
Ikú                 Morte                                       Finitude e interrupção da vida física
Àrùn         Doença                                   Enfermidades e adoecimento
Òfò                 Perda                                   Perdas materiais e outras privações
Ẹgbà         Paralisia                                   Imobilidade,  incapacidade e ou bloqueios
Ọ̀ràn         Problema grave                   Conflitos e tribulações
Èpè                 Maldição                           Malefícios e imprecações
Ẹ̀wọ̀n         Aprisionamento                   Prisão, cativeiro e restrição
Èṣe                 Aflição                                                   Sofrimento e outras adversidades

Outros exemplos:

Seca, fome e escassez.
Infertilidade humana, animal e agrícola.
Pragas e epidemias.
Fracasso na caça e na pesca.
Fracasso nos negócios.
Conflitos e outras formas de sofrimento etc...

Administração: no Ìrúnmọlẹ̀ Ojúkọ̀sì, são administradas pelos Ìrúnmọlẹ̀ do Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu; no Igbamole Ojúkòsì, por Exu Òdàrà (axé) e Exu Elégbára (contra-axé) e "REINO DE EXU".

Segundo Pai Joaquim de Angola, para evitarmos a atuação das forças de "ÀJOGUN", precisamos manter o nosso "Ìwà Pẹ̀lẹ́".

O significado tradicional de"Ìwà Pẹ̀lẹ́"

Na filosofia yorùbá, ìwà está relacionado ao caráter e à maneira de ser; pẹ̀lẹ́, à gentileza, moderação e serenidade.

A expressão Ìwà Pẹ̀lẹ́ é geralmente compreendida como bom caráter, conduta gentil ou caráter equilibrado.

Na orientação de Pai Benedito, porém, esforço, resignação, retidão e outras virtudes são compreendidos como forças positivas atuantes.

Essa é uma ampliação espiritual do conceito, não uma tradução literal que possamos atribuir indistintamente a todas as tradições yorùbá.

A força interior de Ìwà Pẹ̀lẹ́

Segundo a orientação recebida, essa força é desenvolvida por meio de:

- Caráter: aquilo que somos e demonstramos nas escolhas.
- Integridade moral: coerência entre consciência, palavra e ação.
- Honra: fidelidade aos princípios que reconhecemos como justos.
- Resignação: capacidade de enfrentar dificuldades sem abandonar o caminho.
- Consciência: compreensão das próprias escolhas e consequências.
- Convicção: firmeza interior na certeza do caminho que estamos trilhando.

Para continuarmos, vamos antes rever alguns conceitos...

ORÍIRE E ORÍBURÚKÚ — AS CONDIÇÕES DOS CAMINHOS

Na tradição yorùbá, encontramos duas expressões que nos ajudam a compreender a relação entre a existência humana, o destino, as oportunidades e as adversidades: Oríire e Oríburúkú.

Para compreendê-las, precisamos primeiro conhecer o significado de Orí.

ORÍ — A CABEÇA E O DESTINO

Na língua yorùbá, Orí significa literalmente "cabeça". Entretanto, na filosofia e na espiritualidade yorùbá, seu significado ultrapassa o aspecto físico.

Orí também representa a dimensão interior da pessoa, associada à individualidade, ao destino e às possibilidades de realização durante sua existência.

Essa compreensão nos permite reconhecer a relação entre o ser humano, seus caminhos e as experiências que encontra ao longo da vida.

ORÍIRE — A CONDIÇÃO FAVORÁVEL

A expressão Oríire reúne Orí (cabeça, associado também ao destino) e Ire (bem, benefício, prosperidade).

Na utilização tradicional, Oríire está relacionado à boa sorte, à prosperidade, ao sucesso e aos acontecimentos favoráveis.

No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, utilizamos essa expressão para representar simbolicamente a condição dos caminhos favoráveis, ou seja, os caminhos que se encontram abertos às possibilidades positivas da existência.

Essa condição pode ser relacionada às oportunidades, ao aprendizado, ao desenvolvimento da consciência e às realizações que favorecem a caminhada evolutiva da criatura.

Entretanto, não devemos confundir caminhos favoráveis com uma existência livre de dificuldades. Muitas experiências desafiadoras também podem contribuir para o crescimento espiritual.

ORÍBURÚKÚ — A CONDIÇÃO ADVERSA

A expressão Oríburúkú reúne Orí e Burúkú, palavra associada ao que é ruim, desfavorável ou prejudicial.

Na utilização tradicional, está relacionada ao infortúnio, ao fracasso e às circunstâncias adversas.

No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, utilizamos essa expressão para representar simbolicamente as condições contrárias dos caminhos, nas quais a criatura encontra dificuldades, obstáculos, limitações e experiências desfavoráveis.

Essas condições podem envolver consequências das escolhas individuais, acontecimentos externos e circunstâncias que ultrapassam o controle imediato da criatura.

É importante esclarecer que Oríburúkú não significa necessariamente um destino condenado, uma punição divina ou a existência de uma pessoa espiritualmente inferior.

Da mesma forma, não podemos afirmar que todas as dificuldades sejam provocadas por forças espirituais negativas ou por erros cometidos pela própria pessoa.

POTENCIAL, FORÇA E CONDIÇÃO

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, precisamos distinguir três aspectos fundamentais da organização espiritual apresentada no Projeto:

O POTENCIAL — Axé e Contra-axé representam, respectivamente, os potenciais positivo e negativo.

AS FORÇAS — Ajogún representam forças de atuação adversa. Existem também forças favoráveis, entre as quais se destaca Ìwà Pẹ̀lẹ́, compreendida no Projeto como uma força positiva desenvolvida no próprio interior da criatura.

AS CONDIÇÕES — Oríire e Oríburúkú representam os estados favoráveis e adversos dos caminhos sobre os quais essas forças podem atuar.

Portanto, potencial não é força, e força não é condição.

Também não devemos confundir essas condições com os seres espirituais responsáveis pela administração das forças na organização apresentada pelo Projeto.

AS ESCOLHAS E A TRANSFORMAÇÃO DOS CAMINHOS

Uma das orientações centrais do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi é que a criatura participa de sua própria caminhada por meio das escolhas, das atitudes e das consequências que delas resultam.

Nesse contexto, Ìwà Pẹ̀lẹ́, relacionado ao bom caráter, à integridade, à consciência, à retidão e à perseverança, possui especial importância.

"Segundo Pai Joaquim de Angola, preservarmos o nosso Ìwà Pẹ̀lẹ́ é a maior garantia contra todas as forças contrárias em nossas vidas".

Seu desenvolvimento favorece a capacidade de enfrentar adversidades, reconhecer erros, corrigir atitudes e procurar caminhos mais equilibrados.

Entretanto, o bom caráter não representa uma garantia automática de prosperidade material, assim como uma experiência de sofrimento não constitui prova de falta de virtude.

Na compreensão do Projeto, as condições dos caminhos não precisam ser interpretadas como estados imutáveis. Elas fazem parte da dinâmica da existência, na qual aprendizado, escolhas, circunstâncias e transformações se relacionam continuamente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Oríire e Oríburúkú são expressões tradicionais yorùbá relacionadas à prosperidade e ao infortúnio.

Sua utilização como condições de caminhos abertos e caminhos adversos, dentro da organização de Axé, Contra-axé e Ajogún, corresponde à interpretação espiritual específica do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi.

Essa interpretação não pretende substituir o significado tradicional dessas palavras.

O objetivo é oferecer uma linguagem que permita compreender a relação entre as forças, as condições da existência e a responsabilidade da consciência diante dos caminhos que encontra.

Assim, os caminhos favoráveis e adversos não devem ser compreendidos como uma separação definitiva entre criaturas boas e más, mas como condições que podem participar das experiências e do aprendizado da vida.

Na Encruzilhada Sagrada, a existência não se resume aos caminhos que encontramos, mas também à maneira como escolhemos percorrê-los.

E o equilíbrio continua relacionado ao balanço entre Ojúkòtun e Ojúkòsì, sem reduzir direita a bem e esquerda a mal.

Resumo:

Categoria                                               Aspecto favorável                        Aspecto adverso

Potenciais                                             Axé                                                  Contra-axé

Forças                                                    Ìwà Pẹ̀lẹ́, entre outras                  Ajogún

Condições                                            Oríire                                               Oríburúkú

Correspondências conceituais        Ire — benefício, prosperidade     Ibi — adversidade,                                                                                                                                    infortúnio  

Nosso entendimento até agora permanece assim:

- Àjogun: forças adversas identificadas.
- Forças favoráveis: Ìwà Pẹ̀lẹ́
- Oríire e Oríburúkú: condições sobre as quais essas forças podem atuar.
- Ojúkòtun e Ojúkòsì: campos cujo balanço mantém o equilíbrio na organização do Projeto.

NOTA DE ESCLARECIMENTO — AJOGÚN

Em determinadas fontes tradicionais de Ifá, os Ajogún são apresentados como espíritos ou agentes espirituais associados à morte, às enfermidades, às perdas e a outras adversidades da existência.

Entretanto, segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi os Ajogún são compreendidos como "forças de atuação adversa", e não como entidades espirituais individuais.

Essa distinção não pretende contestar as interpretações tradicionais, mas esclarecer a organização espiritual específica apresentada no Projeto.

Ainda precisamos considerar a existência de espíritos que possam utilizar ou explorar essas forças e nossas fraquezas, dentro da organização dos diferentes Ẹgbẹ́ Ọ̀run como segue: 

 
ẸGBẸ́ Ọ̀RUN ÀNJÒNÚ  — HABITANTES DOS ESPAÇOS LIMINARES

Na compreensão espiritual que estamos desenvolvendo no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, os Ànjònú são descritos como espíritos errantes, associados aos espaços liminares, isto é, regiões de transição entre diferentes condições, ambientes e dimensões da existência.

Esses espíritos seriam encontrados especialmente em locais isolados, de passagem ou considerados espiritualmente densos, como florestas profundas (Igbó), margens de rios, encruzilhadas, caminhos pouco frequentados e estradas desertas.

Entretanto, não devemos compreender que esses ambientes sejam necessariamente negativos, mas que determinadas condições poderiam favorecer a presença e a atuação desses espíritos.

Segundo essa interpretação, possuem individualidade, desejos, interesses e temperamentos próprios.

Muitos teriam escolhido não retornar ao processo reencarnatório, permanecendo vinculados a desejos, hábitos e experiências relacionados à existência material.

Por essa razão, buscariam aproximar-se dos habitantes do Ayé (mundo material), procurando, por intermédio deles, satisfazer desejos, impulsos e vícios que não conseguem realizar diretamente em sua atual condição espiritual.

Por serem considerados espíritos de longa trajetória existencial, alguns desenvolveram conhecimentos e habilidades magísticas significativas, adquiridas ao longo de suas experiências.

Esses conhecimentos são utilizados tanto para influenciar ambientes e pessoas quanto para criar ilusões, dissimular intenções e manipular aqueles que se encontram espiritualmente vulneráveis.

"Dentro da organização que estamos investigando, é importante distinguir esses agentes espirituais das forças Àjogun".

Os Àjogun são compreendidos, segundo as orientações recebidas no Projeto, como forças que atuam no sentido adverso.

Já os espíritos aqui estudados seriam individualidades que, em determinadas circunstâncias, poderiam aproveitar-se dessas forças e das condições negativas existentes para exercer influências perturbadoras.

Assim, não devemos confundir a força adversa com o espírito que eventualmente se utiliza dela.

Essa interpretação pertence ao campo de investigação espiritual do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi e não deve ser apresentada como uma classificação universalmente estabelecida pelas tradições yorùbá.



AXÉ, CONTRA-AXÉ E O EQUILÍBRIO DOS CAMINHOS


Segundo Pai Benedito, precisamos distinguir o potencial positivo, denominado Axé, do potencial negativo, denominado Contra-axé.

Também precisamos distinguir esses potenciais das forças que atuam sobre as condições da existência.

Os Àjogun representam forças que atuam no sentido adverso.

Existem igualmente forças positivas, capazes de favorecer a sustentação e o desenvolvimento dos caminhos.

Entre elas, Pai Benedito destaca Ìwà Pẹ̀lẹ́ como a principal força positiva desenvolvida em nosso próprio interior.

Ela está relacionada ao caráter, à integridade moral, à honra, à resignação, à consciência e à convicção no caminho que escolhemos trilhar.

Segundo essa orientação, Ìwà Pẹ̀lẹ́ contribui para impedir a negativação provocada pelas forças Àjogun.

Essa compreensão nos ensina que a proteção espiritual não depende exclusivamente de agentes externos.

Existe também uma responsabilidade pessoal relacionada à maneira como cultivamos nossos pensamentos, nossas atitudes e nossas escolhas.

No Projeto, utilizamos ainda as denominações Oríire e Oríburúkú para representar, respectivamente, condições favoráveis e contrárias dos caminhos.

Essas condições não devem ser confundidas com as forças ou com os seres espirituais que participam de sua administração.

O equilíbrio permanece relacionado ao balanço entre Ojúkòtun e Ojúkòsì.


A COMPLEMENTARIDADE COM AS GRANDES MÃES


No item anterior, estudamos a comunidade Ẹgbẹ́ Ọ̀run Òṣòròngá, situada na região superior do Oeste.

Agora, ao estudarmos o Ẹgbẹ́ Ọ̀run Èṣù, compreendemos que ambas as comunidades participam de uma organização complementar.

As Grandes Mães estão relacionadas, na cosmologia do Projeto, à geração, à preservação, à educação, à proteção e à correção da vida.

A comunidade Èṣù está relacionada às responsabilidades de comunicação, caminhos, passagens, guarda e administração de forças vinculadas ao cumprimento da Lei.

Essa apresentação não significa que cada responsabilidade pertença exclusivamente a uma comunidade, impedindo qualquer atuação complementar da outra.

Ao contrário, estamos estudando uma organização na qual diferentes responsabilidades participam da manutenção da mesma Lei Divina.

A proteção necessita de vigilância.

A educação exige responsabilidade.

A liberdade pressupõe escolhas.

E as escolhas produzem consequências.

Por essa razão, não devemos interpretar o Oeste como o lugar onde se concentram exclusivamente forças negativas.

Ojúkòsì representa um campo de responsabilidades indispensáveis à existência e ao equilíbrio da Encruzilhada Sagrada.


A ATUAÇÃO NOS PLANOS MATERIAL E ESPIRITUAL


Segundo as orientações de Pai Benedito, as responsabilidades dos Ìrúnmọlẹ̀ não estão limitadas à dimensão material da existência.

Sua atuação alcança também os campos espirituais relacionados à vida no Ayé.

Dessa maneira, caminhos, passagens, comunicação, proteção e aplicação da Lei não devem ser compreendidos exclusivamente como acontecimentos físicos.

Também representam relações e responsabilidades que participam das diferentes condições da existência.

É importante esclarecer que não estamos dividindo a comunidade Ẹgbẹ́ Ọ̀run Èṣù em duas comunidades independentes, uma material e outra espiritual.

Estamos tratando da mesma organização de Ìrúnmọlẹ̀, cujas responsabilidades alcançam diferentes campos de atuação.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


O estudo da comunidade Ẹgbẹ́ Ọ̀run Èṣù permite compreender que a vida não se desenvolve apenas pela existência de oportunidades.

Ela necessita de caminhos, comunicação, proteção, limites, responsabilidades e consequências.

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, os Ìrúnmọlẹ̀ dessa comunidade participam da organização sagrada que assegura o cumprimento dessas responsabilidades.

Sua atuação não deve ser confundida com a prática indiscriminada do bem ou do mal, nem interpretada a partir de conceitos demonizadores que reduzam Èṣù a uma figura de oposição à Divindade.

Estamos diante de uma estrutura espiritual que, na cosmologia do Projeto, participa da manutenção da Lei Divina e do equilíbrio da existência.

Ao apresentar essas informações, procuramos respeitar as tradições yorùbá, reconhecer a diversidade das interpretações religiosas e distinguir os registros históricos das orientações espirituais recebidas de Pai Benedito de Aruanda.

Nossa pesquisa continua aberta ao aprofundamento das responsabilidades individuais dos Ìrúnmọlẹ̀, da organização dos Seres Exus e da atuação dos potenciais e das forças que participam da dinâmica da vida.

Na Encruzilhada Sagrada, os caminhos não existem apenas para serem percorridos.

Eles também nos ensinam que a liberdade de escolher exige consciência, responsabilidade e respeito às consequências de cada escolha.

A Lei não elimina nossa liberdade. Ela nos ensina a responsabilidade de exercê-la.

16.24 - EGBÉ ÒRUN (Egúngún)

Texto em construção...


17.00 - OS ÌBAMOLÈ (200)

ÌGBAMOLÈ OJÚKÒSÌ — A LINHA VERTICAL DA ESQUERDA

A SUSTENTAÇÃO ESPIRITUAL E O CUMPRIMENTO DA LEI DIVINA


Segundo as orientações recebidas de Pai Benedito de Aruanda, na organização da Encruzilhada Sagrada encontramos uma comunidade de divindades denominada Ìgbamolè Ojúkòsì.

Essas Divindades integram a Linha Vertical de Forças, ocupando sua região inferior, correspondente ao eixo Sul, sob a regência do Orixá Exu.

No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, essa organização está relacionada à sustentação espiritual de seres provenientes de outros Ọ̀run, à intermediação de forças e às responsabilidades que envolvem a execução e o cumprimento das Leis Divinas.

Sua atuação é complementar à dos Ìgbamolè Ojúkòtun, situados na região superior da Linha Vertical, sob a regência de Ọbàtálá.

"É importante esclarecer que essas posições não representam uma divisão absoluta entre o bem e o mal".

Ojúkòtun e Ojúkòsì representam campos de responsabilidades distintas, cuja complementaridade participa do equilíbrio da Encruzilhada Sagrada.

A POSIÇÃO NA ENCRUZILHADA SAGRADA


Na geometria apresentada pelo Projeto, precisamos distinguir duas organizações fundamentais.

A Linha Horizontal corresponde à organização dos 400 Ìrúnmọlẹ̀, distribuídos entre Oeste e Leste.

A Linha Vertical corresponde à organização dos 200 Ìgbamolè, relacionados aos eixos Norte e Sul.

Na classificação recebida, a Linha Vertical apresenta a seguinte disposição:

REGIÃO SUPERIOR — NORTE — DIREITA

- Ìgbamolè Ojúkòtun, sob a regência de Ọbàtálá.

REGIÃO INFERIOR — SUL — ESQUERDA

- Ìgbamolè Ojúkòsì, sob a regência do Orixá Exu.

Na representação geométrica inicial, o setor Sul apresenta duas unidades organizacionais de 25, totalizando 50 unidades.

2 × 25 = 50.

Entretanto, essa representação corresponde apenas à parte da estrutura já identificada.

Como o conjunto dos Ìgbamolè compreende 200 unidades na organização apresentada pelo Projeto, sua distribuição completa será compreendida a partir das próximas configurações.

"Não devemos, portanto, considerar que as 50 unidades inicialmente identificadas representem a totalidade dos Ìgbamolè Ojúkòsì".

A NATUREZA DOS ÌGBAMOLÈ


Segundo Pai Benedito, os Ìgbamolè são divindades criadas por Pai Olórun para desempenhar responsabilidades relacionadas à administração, fiscalização, segurança, harmonização, educação, disciplina e cumprimento das Leis Divinas.

Assim como os Ìrúnmọlẹ̀, participam da organização sagrada da existência.

Entretanto, existem diferenças importantes entre essas duas categorias de Divindades.

Os Ìrúnmọlẹ̀ possuem autonomia funcional para desempenhar as responsabilidades que lhes foram atribuídas.

Os Ìgbamolè, por sua vez, encontram-se sob a regência dos Orixás e exercem parte fundamental de suas responsabilidades por intermédio de outros seres espirituais vinculados às suas forças.

No caso dos Ìgbamolè Ojúkòsì, essa regência pertence ao Orixá Exu.

A diferença fundamental está na maneira como essas Divindades participam da administração e da execução das responsabilidades sagradas.

"Não estamos tratando de uma categoria superior e outra inferior em valor espiritual, mas de funções distintas dentro de uma mesma organização".

A SUSTENTAÇÃO DOS ESPÍRITOS QUE MIGRAM DE OUTROS Ọ̀RUN


Uma das orientações mais importantes recebidas de Pai Benedito refere-se à existência de diferentes Ọ̀run, compreendidos no Projeto como mundos ou sistemas de existência.

Segundo essa cosmologia, espíritos provenientes de outros mundos podem migrar para nosso sistema de existência com a finalidade de cumprir missões específicas.

Essas migrações são compreendidas como acontecimentos relacionados aos propósitos e às permissões da organização Divina.

Entretanto, ao se estabelecerem em um mundo diferente de sua origem, esses seres necessitariam de condições apropriadas de sustentação e adaptação espiritual.

Segundo Pai Benedito, essa é uma das responsabilidades fundamentais dos Ìgbamolè.

Essas Divindades participariam da sustentação espiritual necessária à permanência e à atuação dos seres migrantes durante o cumprimento de suas missões.

Na interpretação do Projeto, essa sustentação relaciona-se às condições energéticas e espirituais dos seres, incluindo seus campos de consciência e suas possibilidades de interação com o ambiente físico e espiritual do nosso orbe.

"Esses conhecimentos pertencem às orientações espirituais recebidas e não devem ser apresentados como fenômenos físicos ou biológicos cientificamente demonstrados".

O REINO DE EXU E OS SERES EXUS


No campo de atuação dos Ìgbamolè Ojúkòsì encontramos uma organização espiritual denominada "Reino dos Senhores Exu", também relacionada à Linha Raiz dos Senhores Exus.

Segundo as orientações de Pai Benedito, os Seres Exus não pertencem à humanidade terrestre.

São seres espirituais de natureza não humana, provenientes de outras condições e mundos da existência, que desempenham missões relacionadas ao cumprimento das Leis Divinas.

No Projeto, esses seres são apresentados como executores da Lei.

É fundamental compreender, entretanto, que os Seres Exus não são os próprios Ìgbamolè.

Os Ìgbamolè são Divindades que participam da sustentação e da administração espiritual das condições necessárias ao cumprimento das missões.

Os Seres Exus são individualidades espirituais que desempenham essas missões conforme as responsabilidades que lhes são atribuídas.

"Assim, embora estejam funcionalmente relacionados, não pertencem à mesma categoria de seres".

Também não devemos confundir esses "Seres Exus" com os espíritos humanos que, em diferentes tradições religiosas afro-brasileiras, trabalham sob a denominação de "Exu".

Exemplo: Exunizados, Compadres, Catiços, Povo de Rua, Povo da Esquerda, Exu de Lei, Exu Batizado, Exu Coroado, Exu Cruzado, Exu Espadado,  Exu Pagão, etc...

"As origens e responsabilidades dessas categorias serão abordadas na sequência de nossos estudos com o Título: "Na Escola dos Exunizados".

AS QUATRO RESPONSABILIDADES DOS SERES EXUS


Segundo as orientações que estamos organizando, os Seres Exus desempenham quatro grandes responsabilidades funcionais.

COMUNICAÇÃO

Relacionada à transmissão de informações, à intermediação de mensagens e às condições necessárias para a comunicação entre diferentes campos de atuação espiritual.

CAMINHOS

Relacionada à vigilância, à proteção e ao cumprimento das responsabilidades estabelecidas para caminhos, acessos, passagens e deslocamentos.

SAGRADO

Relacionada à guarda e à preservação dos espaços, fundamentos e condições necessárias ao acesso e à manutenção do Sagrado.

CONDUTA

Relacionada à observação e à execução das responsabilidades que envolvem comportamentos, escolhas e consequências perante a Lei Divina.

Cada uma dessas responsabilidades é assumida por um grupo funcional de Seres Exus, e cada Ser Exu possui sua própria responsabilidade de atuação.

Esses quatro grupos não representam quatro individualidades espirituais, nem devem ser confundidos com os setores e as unidades numéricas da geometria dos Ìrúnmọlẹ̀ ou dos Ìgbamolè.

A ORGANIZAÇÃO DAS PASSAGENS — ONÍBODÈ ODÈRÒ


Entre as individualidades apresentadas nas orientações de Pai Benedito encontramos o Ìgbamolè Ojúkòsì denominado Oníbodè Odèrò.

Sua responsabilidade está relacionada à guarda e à organização das passagens dos espíritos que migram de outros Ọ̀run.

Essa função participa do conjunto de responsabilidades vinculadas ao deslocamento e à integração de seres provenientes de diferentes mundos.

Entretanto, precisamos distinguir Oníbodè Odèrò do Ìrúnmọlẹ̀ Ojúkòsì Oníbodè, apresentado anteriormente como Guardião dos Nove Portais.

São duas individualidades espirituais distintas.

O primeiro pertence à organização vertical dos Ìgbamolè Ojúkòsì e está relacionado às passagens dos espíritos migrantes.

O segundo pertence à organização horizontal dos Ìrúnmọlẹ̀ Ojúkòsì e está relacionado à guarda dos Nove Portais estabelecidos nas orientações do Projeto.

A palavra Oníbodè está relacionada, na língua yorùbá, ao guardião de uma entrada ou passagem.

Já a grafia Odèrò permanece como denominação adotada no Projeto, aguardando confirmação linguística e etimológica.

Essa distinção demonstra novamente a importância de não confundirmos responsabilidades semelhantes desempenhadas por individualidades pertencentes a categorias diferentes.

AS FORÇAS ÀJOGUN E A ADMINISTRAÇÃO DA LEI


Outro aspecto importante da organização que estamos estudando refere-se à atuação das forças denominadas Àjogun.

Nas tradições yorùbá, os Àjogun são frequentemente associados a adversidades como morte, doenças, perdas, conflitos e outras condições que afetam a existência.

Entretanto, segundo Pai Benedito, no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi essas denominações representam forças de atuação adversa, e não necessariamente individualidades espirituais.

Uma força não deve ser confundida com o ser responsável por sua administração.

Na organização horizontal dos Ìrúnmọlẹ̀ Ojúkòsì, a administração dessas forças está relacionada aos Ìrúnmọlẹ̀ pertencentes ao Ẹgbẹ́ Ọ̀run Èṣù.

Já no campo vertical dos Ìgbamolè Ojúkòsì, as orientações recebidas apresentam a atuação dessas forças em relação às responsabilidades individuais de Exu Òdàrà e Exu Elégbára, bem como às responsabilidades executivas relacionadas ao "Reino dos Senhores Exu".

Segundo Pai Benedito, Exu Òdàrà e Exu Elégbára são dois Ìrúnmọlẹ̀ distintos.

Exu Òdàrà está relacionado à administração do Axé, compreendido no Projeto como potencial positivo.

Exu Elégbára está relacionado à administração do Contra-axé, compreendido como potencial negativo.

Essa distinção não significa que um represente o bem e o outro represente o mal.

Também não significa que esses dois Ìrúnmọlẹ̀ pertençam à categoria dos Ìgbamolè apenas porque suas responsabilidades alcançam o campo vertical.

Trata-se de atuações distintas e paralelas, relacionadas ao cumprimento da mesma Lei Divina.

O estudo dessas relações exige preservar a diferença entre os potenciais, as forças, os administradores e os seres responsáveis pela execução das determinações espirituais.

A LEI DIVINA E A RESPONSABILIDADE PELAS ESCOLHAS


No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, a atuação dos Ìgbamolè Ojúkòsì não deve ser interpretada como uma organização destinada simplesmente a castigar ou prejudicar os seres humanos.

Sua responsabilidade está relacionada à sustentação e à aplicação das condições estabelecidas para o cumprimento da Lei Divina.

A liberdade de escolher faz parte da experiência da existência.

Entretanto, essa liberdade não elimina as consequências de nossas atitudes.

A proteção necessita de limites.

A justiça exige responsabilidade.

E a educação da consciência também envolve o reconhecimento dos resultados das próprias escolhas.

Segundo as orientações recebidas, as forças adversas não devem ser confundidas automaticamente com manifestações de maldade moral.

Da mesma maneira, não devemos interpretar toda doença, sofrimento ou dificuldade humana como consequência de faltas pessoais ou da atuação de forças espirituais negativas.

As condições da existência envolvem múltiplas circunstâncias, algumas relacionadas às nossas escolhas e outras que ultrapassam nosso controle imediato.

O EQUILÍBRIO ENTRE OJÚKÒTUN E OJÚKÒSÌ


Uma das características fundamentais da Encruzilhada Sagrada é a complementaridade entre seus campos de atuação.

Na Linha Vertical, os Ìgbamolè Ojúkòtun encontram-se sob a regência de Ọbàtálá, relacionados especialmente às responsabilidades de orientação e ao trabalho espiritual dos Mentores e Guias.

Os Ìgbamolè Ojúkòsì encontram-se sob a regência do Orixá Exu, relacionados especialmente à sustentação e à execução das responsabilidades da Lei por intermédio dos Seres Exus.

Essa organização não significa que uma região seja exclusivamente positiva e a outra exclusivamente negativa.

Segundo as orientações recebidas, tanto as forças favoráveis quanto as adversas podem participar da dinâmica espiritual dos diferentes campos, conforme suas responsabilidades e administrações.

O equilíbrio permanece relacionado ao balanço entre Ojúkòtun e Ojúkòsì.

Não se trata de estabelecer a vitória de um lado sobre o outro, mas de compreender a complementaridade necessária ao cumprimento da Lei Divina.

A DIFERENÇA ENTRE O REINO DOS SENHORES EXU E A ZONA UMBRALINA


Precisamos preservar também outra distinção importante.

Nas orientações mais recentes, encontramos a referência à "Zona Umbralina", região da existência espiritual habitada por diferentes tipos de espíritos.

Entre eles, estamos estudando a comunidade Ẹgbẹ́ Ọ̀run Ànjònú, relacionada, na interpretação do Projeto, aos habitantes dos espaços liminares.

"Entretanto, ainda não recebemos informações suficientes para estabelecer a posição completa da Zona Umbralina dentro da geometria da Encruzilhada Sagrada".

Por essa razão, não devemos identificar automaticamente essa região com o Reino de Exu ou com o campo dos Ìgbamolè Ojúkòsì.

São assuntos que exigem estudos próprios e esclarecimentos adicionais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os Ìgbamolè Ojúkòsì representam, na cosmologia apresentada pelo Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, uma organização de Divindades que atua na Linha Vertical da Encruzilhada Sagrada, sob a regência do Orixá Exu.

Uma de suas principais responsabilidades está relacionada à sustentação espiritual dos seres provenientes de outros Ọ̀run, permitindo que participem das missões estabelecidas para sua atuação em nosso mundo.

No campo dessa organização encontramos o "Reino dos Senhores Exu", formado pelos "Seres Exus", que desempenham responsabilidades relacionadas à comunicação, aos caminhos, ao Sagrado e à conduta.

Esses seres são apresentados como executores da Lei, mas não devem ser confundidos com os Ìgbamolè que participam de sua sustentação espiritual.

Da mesma forma, a relação funcional com os Ìrúnmọlẹ̀ do Ẹgbẹ́ Ọ̀run Èṣù não elimina a distinção entre a Linha Horizontal e a Linha Vertical.

Cada categoria possui sua própria natureza, responsabilidades e campos de atuação.

Ao estudarmos essa estrutura, precisamos compreender que o equilíbrio não depende apenas da existência de forças favoráveis.

Também depende da administração responsável dos potenciais, das forças, das escolhas e de suas consequências.

A atuação dos Ìgbamolè Ojúkòsì integra, segundo Pai Benedito de Aruanda, essa organização sagrada destinada à sustentação da vida e ao cumprimento da Lei Divina.

O propósito de nossa pesquisa é continuar identificando essas responsabilidades, respeitando os conhecimentos tradicionais e distinguindo as orientações espirituais recebidas das interpretações comparativas.

A sustentação espiritual permite o cumprimento das missões. A consciência orienta nossas escolhas. E a Lei Divina estabelece as responsabilidades que delas resultam.

17.01 - ORIGEM E MISSÃO

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, os Ìbamolè são igualmente divindades criadas por Pai Olorum para desempenhar funções relacionadas à administração, fiscalização, segurança, harmonização, educação, disciplina e cumprimento das Leis Divinas no Ayé.

Sua existência também está diretamente relacionada ao cumprimento dessas responsabilidades.

São considerados irrepreensíveis aos olhos do Criador, conforme sua natureza e finalidade descritas nas orientações recebidas.

Entretanto, apresentam particularidades que os distinguem dos Ìrúnmọlẹ̀.

Seu campo de atuação corresponde à LINHA VERTICAL DE FORÇAS, distribuída entre os eixos Norte e Sul da Encruzilhada Sagrada.


17.02 - A PRIMEIRA DIFERENÇA ENTRE ÌBAMOLÈ E ÌRÚNMỌ̀LẸ̀

Na arquitetura do Projeto, os Ìrúnmọlẹ̀ possuem autonomia funcional para desempenhar suas missões e não se encontram subordinados à regência direta de um Orixá da mesma maneira que os Ìbamolè.

Essa autonomia permite que tomem decisões no exercício de suas atribuições, embora possam cometer equívocos.

Os Ìbamolè, por sua vez, encontram-se sob a regência de Orixás.

Outra diferença importante está na forma de atuação.

Enquanto os Ìrúnmọlẹ̀ podem exercer suas funções diretamente nos campos de ação que lhes são atribuídos, os Ìbamolè atuam sobre a humanidade por intermédio de outros espíritos vinculados às suas forças.

Esses espíritos cumprem funções específicas de orientação, execução e intermediação.


17.03 - O NORTE — REGÊNCIA DE ỌBÀTÁLÁ

No eixo Norte encontramos a regência de Ọbàtálá.

Essa região integra a Linha Vertical da Encruzilhada Sagrada e está relacionada às forças de orientação e ao trabalho espiritual dos Guias e Mentores.

Na organização inicial do Quadrante Sagrado Exterior, foram identificados dois setores de vinte e cinco unidades.

2 × 25 = 50

Essa composição representa uma parte da organização das forças presentes sob a regência de Ọbàtálá.

A distribuição completa dos Ìbamolè vinculados a esse eixo ainda deverá ser especificada no diagrama.

17.04 - O SUL — REGÊNCIA DO ORIXÁ EXU

No eixo Sul encontramos a regência do Orixá Exu.

Essa região integra a Linha Vertical da Encruzilhada Sagrada e está relacionada às forças de execução e aplicação da Lei.

Na organização inicial do Quadrante Sagrado Exterior, também foram identificados dois setores de vinte e cinco unidades.

2 × 25 = 50

Essa composição representa uma parte da organização das forças presentes sob a regência do Orixá Exu.

A distribuição completa dos Ìbamolè vinculados a esse eixo ainda deverá ser especificada.


17.05 - A LINHA VERTICAL DE FORÇAS

Os eixos Norte e Sul constituem a Linha Vertical da Encruzilhada Sagrada.

Nessa linha, os Ìbamolè atuam sob as regências correspondentes, estabelecendo relações com as forças responsáveis pela orientação e pela execução da Lei.

As potencialidades desses dois eixos devem ser compreendidas em suas relações de polarização e equilíbrio.

A organização inicial apresentada descreve cinquenta unidades ao Norte e cinquenta ao Sul, totalizando cem unidades.

Como a categoria dos Ìbamolè é apresentada com duzentas unidades, será necessário esclarecer a distribuição das cem unidades restantes antes de concluir o desenho dessa estrutura.

18.00 - O QUADRANTE SAGRADO INTERIOR

A CASA DOS ORIXÁS FUNFUN OU A CASA DE PAI OXALÁ

No centro da Encruzilhada Sagrada encontra-se uma organização particular, denominada Quadrante Sagrado Interior.

Essa estrutura corresponde à Casa dos Orixás Funfun, também chamada Casa de Pai Oxalá.

Sua composição inicial apresenta quatro setores de vinte e cinco unidades.

4 × 25 = 100

Segundo a interpretação recebida, essa organização representa um campo de perfeito equilíbrio, não necessitando de polarização complementar com outras forças para alcançar sua plenitude.

Esse quadrante também recebe a denominação de Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental.

Sua relação geométrica e funcional com os Ìrúnmọlẹ̀ da Linha Horizontal, os Ìbamolè da Linha Vertical e o elemento +1 deverá ser especificada antes da conclusão do diagrama.

18.01 - A MIGRAÇÃO DOS ESPÍRITOS E A INTERMEDIAÇÃO DAS FORÇAS DOS ÌGBAMOLÈ

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, existem muitos Òrun, compreendidos no Projeto como mundos ou sistemas de existência, distribuídos no Universo-Filho de Pai Nzambi.

Tudo aquilo que podemos observar e perceber pertence, nessa cosmologia, ao universo cuja existência é atribuída a Pai Nzambi Mpungu.

Pai Olórun é apresentado como Senhor do sistema planetário que habitamos.

No intercâmbio entre os diferentes mundos, segundo essas orientações, podem ocorrer migrações de espíritos destinadas ao cumprimento de missões específicas.

Essas migrações são compreendidas como acontecimentos permitidos ou organizados segundo propósitos providenciais.

Nesta primeira etapa do estudo, não examinaremos os mecanismos envolvidos nesses deslocamentos, concentrando nossa atenção na natureza dos espíritos participantes e nas funções que lhes são atribuídas.

18.02 - REINO DE EXU (LINHAS RAIZ DOS SENHORES EXUS) — LINHA DA ESQUERDA

A ORIGEM DOS SERES EXUS

Entre os muitos espíritos provenientes de outros sistemas planetários(Orum) que não pertencem à raça humana.

No Projeto Ẹlẹ́dàá, no primeiro passo para compreendermos essa realidade, vamos juntos por enquanto conhecer esses espíritos que serão chamados de  "SERES EXUS" dado o elo Sagrado e comprometimento de suas Missões com as duas Divindades, ÌRÚNMỌ̀LẸ̀ e  ÌBAMOLÈ.

De acordo com nossa compreensão e conciliando com as orientações recebidas, nessa cosmologia espiritual, os seres EXUS, também necessitam de corpos físicos para viver no Ayé.

Entretanto, os corpos que utilizam são descritos como possuidores de densidade material, força mental e energética, bem como de uma estrutura áurica, muito diferentes das condições humanas.

Na compreensão que já possuímos do que é "COROA MEDIÚNICA", entendemos que os mesmos, uma vez que não estarão mais em seus mundos de origem, precisarão se ajustarem não tão somente ao novo ambiente físico, mas principalmente ao ambiente espiritual de forma que possa prover, tanto energéticamente os corpos mentais, áurico e as suas "COROA MEDIÚNICA" com os elos espirituais que os estarão sustentando.

"Essas características pertencem à descrição espiritual recebida no Projeto e não constituem afirmações demonstradas sobre a constituição material e ou espiritual desses seres".

Pai Benedito de Aruanda nos explica que essa é a função principal dos ÌBAMOLÈ, onde essas DIVINDADES foram criadas por Pai Olorum com o Propósito Divino de sustentar espiritualmente todos os seres que migram para nosso Orum de forma providencial, ou seja, com Missões a cumprirem.

No que diz respeito à MISSÃO que deverão cumprir, estarão sobre a regência dos ÌRÚNMỌ̀LẸ̀ do EGBÉ ÒRUN (Èṣù). 

O "REINO DE EXU", é o local onde habitarão em nosso orbe, segundo as orientações que recebemos do Sr. Tranca Ruas, os Exus possuem um LÍDER que chamam de "PAI EXU", esse espírito na tradição bíblica está descrito, segundo essas interpletações em: Livro de Daniel — Daniel 10:13, 10:21 e 12:1., Epístola de Judas — Judas 1:9., Apocalipse — Apocalipse 12:7–9., como: Mikha'el (מִיכָאֵל), ou como na tradição cristã "São Miguel Arcanjo".

Nota de Esclarecimento — Pai Exu e Miguel Arcanjo

A identificação de Pai Exu com Miguel Arcanjo, apresentada neste capítulo, corresponde a uma orientação espiritual de Pai Benedito de Aruanda, no contexto da cosmologia própria do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi.

"Nosso propósito é favorecer a reflexão sobre possíveis correspondências simbólicas e funcionais entre diferentes tradições, mantendo o respeito às suas identidades e particularidades".

18.03 - OS SETE SUBMUNDOS

Segundo essa orientação, o interior da Terra apresenta sete camadas habitáveis, denominadas SUBMUNDOS.

Essas camadas são representadas pelos números de um a sete.

Os Seres Exus habitariam a quinta camada, denominada REINO DOS SENHORES EXUS.

"Essa divisão pertence à cosmologia espiritual do Projeto e não deve ser confundida com a estrutura geológica da Terra descrita pelas ciências tradicionais".

Os detalhes relativos à organização dessas camadas, seus habitantes e suas relações com outros reinos serão estudados posteriormente.

18.04 - OS SERES EXUS COMO EXECUTORES DA LEI

Sob a influência dos Ìbamolè regidos pelo Orixá Exu, os Seres Exus desempenham missões relacionadas à execução das Leis Divinas.

Por essa razão, são apresentados como EXECUTORES DA LEI.

Embora atuem sob as forças vinculadas à Linha Vertical dos Ìbamolè, mantêm uma relação paralela com os Ìrúnmọlẹ̀ situados na Linha Horizontal, especialmente com o Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu, localizado no eixo Oeste, Ojúkòsì.

Essa ligação estabelece uma relação funcional entre os campos divinos responsáveis pela Lei e os espíritos que participam de sua execução.

Segundo as orientações recebidas, esses seres possuem uma capacidade natural de desprendimento de seus corpos físicos, possibilitando fenômenos de manifestação espiritual e incorporação.

Os mecanismos dessas manifestações serão examinados em outra etapa do Projeto.

18.05 - LINHAS RAIZ DOS MENTORES E GUIAS — LINHA DA DIREITA

A ORIGEM DOS GUIAS E MENTORES

Diferentemente dos Seres Exus descritos anteriormente, a "Linha Raiz dos Mentores e Guias Espirituais" é formada por espíritos humanos pertencentes à nossa ancestralidade.

Esses espíritos participam de missões relacionadas à orientação, ao esclarecimento e ao desenvolvimento espiritual da humanidade.

É importante compreendermos que não estamos nos referindo a ancestralidade biológica, ou cultural, mas da "Ancestralidade Espiritual".

Quando pensamos na ancestralidade não apenas como a origem de uma família, mas como uma rede de vínculos que pode envolver inúmeros processos evolutivos caracterizando na sua expressão máxima, o significado do "Amaivos Uns aos Outros",  e nessa tarefa que chamamos de: MEDIUNATO (Missão Providencial dos Médiuns), poderemos sobre as benção do "Plano Maior" e sua organização, nos ajudarmos verdadeiramente, e dentro de nossas limitações e dificuldades, estarão sempre igualmente nos auxiliando a cumprir essa tarefa.

Sua atuação ocorre sob a influência dos Ìbamolè regidos por Ọbàtálá no Ẹgbẹ́ Ọ̀run Egúngún.

18.06 - OS GUIAS E MENTORES DA HUMANIDADE

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, esses espíritos desempenham funções de assistência, educação e orientação espiritual.

Por essa razão, são apresentados como GUIAS E MENTORES DA HUMANIDADE.

Embora atuem sob as forças da Linha Vertical relacionadas à regência de Ọbàtálá, mantêm uma relação paralela com os Ìrúnmọlẹ̀ localizados no eixo Leste, Ojúọtún, especialmente com o Ẹgbẹ́ Ọ̀run Egúngún.

Essa relação estabelece uma correspondência funcional entre os campos divinos de orientação e os espíritos humanos que participam das atividades de assistência espiritual.

Da mesma forma que ocorre com a Linha Raiz dos Senhores Exus, o equilíbrio dessas forças constitui um fundamento importante da arquitetura da Encruzilhada Sagrada.

18.07 - A RELAÇÃO ENTRE AS DUAS LINHAS RAIZ

A Linha Raiz dos Senhores Exus e a Linha Raiz dos Guias e Mentores representam, na arquitetura apresentada, duas formas distintas de intermediação das forças divinas.

A primeira encontra-se associada aos Seres Exus, sob influência dos Ìbamolè regidos pelo Orixá Exu, com funções relacionadas à execução da Lei.

A segunda encontra-se associada aos espíritos humanos, sob influência dos Ìbamolè regidos por Ọbàtálá, com funções relacionadas à orientação.

Ambas mantêm relações paralelas com os campos dos Ìrúnmọlẹ̀ dispostos na Linha Horizontal.

Assim, a Encruzilhada Sagrada não representa apenas o cruzamento geométrico de duas linhas, mas também uma estrutura de correspondências entre as funções divinas e suas formas de atuação no Ayé.

A compreensão completa dessas relações dependerá do aprofundamento das funções de cada grupo, das regências dos Orixás e dos mecanismos de manifestação espiritual apresentados nas orientações de Pai Benedito de Aruanda.

18.08 - POMBA GIRA (ou Pombagira)

Texto em construção...

ERRO COMUM - Etimologia: O nome "NÃO" deriva de "Mpambu Njila" (ou Pamboanidila), uma divindade dos caminhos de origem banta (dos povos de Angola e do Congo).

19.00 - CONSIDERAÇÕES FINAIS - RESUMO

Nesta primeira etapa do estudo, apresentamos a organização inicial das "Forças Divinas" relacionadas aos Ìrúnmọlẹ̀ e Ìbamolè, conforme as orientações de Pai Benedito de Aruanda.

Os Ìrúnmọlẹ̀, associados ao número quatrocentos, ocupam a Linha Horizontal da Encruzilhada Sagrada.

Os Ìbamolè, associados ao número duzentos, ocupam a Linha Vertical.

O cruzamento dessas duas linhas estabelece a "Encruzilhada Sagrada", cujo desenvolvimento geométrico inclui os "Quadrantes Sagrados internos( Casa dos Orixás Funfun ou Casa de Oxála) e externos", os princípios simbólicos relacionados aos números quatro, cem, dezesseis, vinte e cinco e sete.

O elemento +1 acrescenta uma interpretação funcional relativa à possibilidade de intervenção sobre as polaridades, em relação com o princípio da intenção.

19.01 - OS CAMINHOS DA ENCRUZILHADA SAGRADA


Na arquitetura espiritual do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi
, os pontos cardeais Norte, Sul, Leste e Oeste são utilizados como referências simbólicas para facilitar a visualização dos caminhos que formam a Encruzilhada Sagrada.

Essas referências não devem ser interpretadas necessariamente como direções geográficas, mas como elementos de orientação para a compreensão da organização das forças divinas.

A representação inicial da Encruzilhada Sagrada apresenta o cruzamento de duas linhas fundamentais: a Linha Horizontal dos Ìrúnmọlẹ̀ (400) e a Linha Vertical dos Ìbamolè (200).


19.02 - A REPRESENTAÇÃO CÚBICA DA ENCRUZILHADA SAGRADA
A Linha Vertical, correspondente aos Ìbamolè (200), permanece inalterada.

Entretanto, a Linha Horizontal, correspondente aos Ìrúnmọlẹ̀ (400), deve ser compreendida em uma representação tridimensional, pois suas forças atuam paralelamente nos aspectos material e espiritual da existência.

Na visualização cúbica, duas faces laterais representam o aspecto material e outras duas representam o aspecto espiritual.

Cada face lateral é constituída por quatro setores de vinte e cinco unidades.

4 × 25 = 100

Dessa maneira, encontramos:

Aspecto material: 2 × 100 = 200

Aspecto espiritual: 2 × 100 = 200

Total: 200 + 200 = 400

A relação fundamental permanece:

400 = 4 × 100 = 4 × 4 × 25 = 16 × 25

É importante esclarecer que essa divisão não representa a existência de dois universos independentes.

Segundo a compreensão cosmológica apresentada nas orientações de Pai Benedito de Aruanda, tudo é Òrun.

O aspecto material e o aspecto espiritual constituem diferentes condições de manifestação dentro da totalidade da existência.

Os pontos cardeais utilizados na Encruzilhada Sagrada possuem função simbólica e referencial, permitindo visualizar os caminhos e suas intersecções.

Portanto, não devem ser confundidos automaticamente com posições geográficas ou com a identificação física das faces do cubo.

No interior dessa arquitetura encontramos o "Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental", também denominado Casa dos Orixás Funfun ou Casa de Pai Oxalá, cuja estrutura inicial apresenta quatro setores de vinte e cinco unidades.

4 × 25 = 100

Os caminhos da Encruzilhada Sagrada funcionam como referências para a leitura dessa estrutura, sem determinar automaticamente a identidade ou a posição de cada face do cubo.

19.03 - A ATUAÇÃO DOS ÌRÚNMỌ̀LẸ̀ NOS ASPECTOS MATERIAL E ESPIRITUAL

Os agrupamentos(Sociedades) de Ìrúnmọlẹ̀ representados na Encruzilhada Sagrada exercem suas funções tanto no aspecto material quanto no espiritual da existência.

Yamì Osòròngá, Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu, Ẹgbẹ́ Ọ̀run Egúngún e os demais agrupamentos não estão restritos a um único plano de manifestação.

Todos atuam igualmente nos dois aspectos.

Na representação cúbica, duas faces laterais correspondem ao aspecto material e duas ao aspecto espiritual, permitindo visualizar a atuação paralela das forças.

Essa distinção não representa a separação do Òrun em dois universos independentes, pois, conforme a cosmologia do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, tudo pertence ao Òrun.

A Linha Horizontal dos Ìrúnmọlẹ̀ deve, portanto, ser compreendida em sua atuação abrangente, enquanto a Linha Vertical dos Ìbamolè permanece com sua organização própria.

19.04 - A UNIDADE DE ATUAÇÃO DOS ÌRÚNMỌ̀LẸ̀

Os Ìrúnmọlẹ̀ não constituem agrupamentos(Sociedades) distintos para atuar nos aspectos material e espiritual.

São os mesmos as mesmas Divindades que exercem suas atribuições em ambos os planos.

Na representação cúbica da Encruzilhada Sagrada, as quatro faces laterais permitem visualizar simbolicamente esses campos de atuação, sem representar uma duplicação da quantidade de divindades.

Duas faces correspondem ao aspecto material e duas ao aspecto espiritual.

A distribuição geométrica de 200 unidades em cada aspecto não deve ser interpretada como a existência de duas populações independentes de Ìrúnmọlẹ̀.

Yamì Osòròngá, Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu, Ẹgbẹ́ Ọ̀run Egúngún e os demais agrupamentos exercem suas funções nos dois aspectos da existência.

Essa organização está fundamentada na compreensão cosmológica do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, segundo a qual tudo pertence ao Òrun.

Assim, a distinção entre material e espiritual representa diferentes condições de manifestação de uma mesma realidade, e não universos separados.

19.05 - A LINHA VERTICAL E AS POLARIDADES DA ENCRUZILHADA SAGRADA

Na representação tridimensional da Encruzilhada Sagrada, a Linha Vertical dos Ìbamolè (200) permanece inalterada.


Diferentemente da Linha Horizontal dos Ìrúnmọlẹ̀, cuja atuação abrange paralelamente os aspectos material e espiritual da existência, a Linha Vertical estabelece uma relação entre o superior e o inferior.

Essa relação permite compreender simbolicamente diferentes condições de oposição e polaridade, expressas pelos conceitos de luz e trevas, sagrado e profano, bem e mal, certo e errado.

Na arquitetura espiritual do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, essas referências constituem elementos para o estudo das Leis Divinas, da orientação, da disciplina e das consequências das escolhas.

A Linha Vertical continua relacionada às forças dos Ìbamolè, sob as regências de Ọbàtálá e do Orixá Exu, conforme as orientações de Pai Benedito de Aruanda.

O cruzamento dessa Linha Vertical com a Linha Horizontal dos Ìrúnmọlẹ̀ constitui a Encruzilhada Sagrada, representando a integração entre os campos de manifestação da existência e as forças responsáveis pela administração e aplicação das Leis Divinas.

19.06 - A ENCRUZILHADA SAGRADA — OS CAMINHOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS

A  Encruzilhada Sagrada representa não apenas a organização das forças divinas, mas também a relação entre os caminhos escolhidos e as consequências dessas escolhas.

A Linha Horizontal, correspondente aos Ìrúnmọlẹ̀ (400), representa os caminhos que se apresentam à existência, abrangendo igualmente os aspectos material e espiritual.

A Linha Vertical, correspondente aos Ìbamolè (200), permanece estruturada entre o alto e o baixo.

O ALTO representa o caminho da Luz, do Sagrado, do Bem, da paz e do amor.

O BAIXO representa o caminho das Trevas, do Profano, do Mal e dos Erros.

"Dessa maneira, a Linha Vertical estabelece a direção das consequências resultantes dos caminhos escolhidos na Linha Horizontal".

Conforme as escolhas realizadas e suas consequências perante as Leis Divinas, a criatura poderá encontrar-se em um movimento de ascensão ou descensão.

Assim, a Encruzilhada Sagrada expressa uma relação fundamental entre escolha e consequência, demonstrando que os caminhos percorridos possuem implicações no desenvolvimento espiritual.

A Linha Horizontal apresenta os caminhos, enquanto a Linha Vertical expressa a direção das consequências.

NOTA EXPLICATIVA — O ALTO E O BAIXO NA ENCRUZILHADA SAGRADA

No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, as expressões ALTO e BAIXO possuem um significado simbólico relacionado aos caminhos, às escolhas e às consequências que delas resultam.

O ALTO representa a direção da elevação espiritual, da consciência, da luz, do amor e da aproximação com o Sagrado.

O BAIXO representa, simbolicamente, os caminhos de afastamento desses princípios, nos quais predominam a ignorância, o orgulho, o egoísmo, os erros e as atitudes contrárias às Leis Divinas.

É fundamental esclarecer que essa representação não estabelece uma divisão entre Orixás bons e maus, tampouco identifica o Orixá Exu com o Mal, as Trevas ou o Profano.

Na estrutura da Encruzilhada Sagrada, Pai Ọbàtálá ocupa o vértice superior e o Orixá Exu ocupa o vértice inferior. Ambos desempenham funções divinas fundamentais e complementares na sustentação do equilíbrio, da ordem e das Leis da Criação.

O Orixá Exu, portanto, não representa o Mal. Sua posição inferior expressa uma responsabilidade sagrada dentro da organização das forças divinas, especialmente em relação aos caminhos, às escolhas, às consequências e à aplicação da Lei.

Assim, ALTO e BAIXO não devem ser interpretados como lugares físicos destinados exclusivamente ao Bem ou ao Mal, mas como referências simbólicas que ajudam a compreender os diferentes caminhos que a consciência pode escolher percorrer.

A Encruzilhada Sagrada não representa uma divisão entre divindades boas e más. Ela representa a organização divina que permite à criatura escolher seus caminhos, experimentar suas consequências, aprender, corrigir seus erros e prosseguir em sua evolução espiritual.

"Essa compreensão pertence à arquitetura espiritual apresentada no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, conforme os ensinamentos atribuídos a Pai Benedito de Aruanda".

19.07 - ỌBÀTÁLÁ E ORIXÁ EXU — A LUZ E A CONSCIÊNCIA DOS CAMINHOS

Podemos compreender a atuação de Ọbàtálá e do Orixá Exu na Linha Vertical da Encruzilhada Sagrada por meio da imagem de uma criatura caminhando por um túnel escuro.

Ọbàtálá representa a Luz que ilumina o caminho, indicando a direção e convidando a criatura a seguir em busca da elevação espiritual.

Entretanto, a criatura possui liberdade para escolher seus próprios caminhos.

Caso decida seguir na direção oposta à Luz, encontrará a atuação do Orixá Exu, cuja função será conscientizá-la de que está caminhando em sentido contrário.

Assim, Exu não deve ser confundido com o mal, nem compreendido como uma força que conduz deliberadamente a criatura ao erro.

Sua atuação está relacionada à conscientização e às consequências dos caminhos escolhidos.

Na arquitetura do Ẹlẹ́dàá, a Linha Horizontal apresenta os caminhos e as possibilidades de escolha, enquanto a Linha Vertical expressa suas consequências, indicando movimentos de ascensão ou descensão.

Ọbàtálá orienta em direção à Luz.

Orixá Exu conscientiza sobre o afastamento dessa direção.

Ambos desempenham funções distintas dentro da organização das Leis Divinas, conforme a cosmologia própria do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi.

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19.08 - ORÍ, BARÁ E ORIXÁ EXU — A ORIENTAÇÃO E AS CONSEQUÊNCIAS DOS CAMINHOS

A Encruzilhada Sagrada estabelece uma relação fundamental entre os caminhos escolhidos pela criatura e as consequências dessas escolhas.

Na Linha Horizontal encontram-se os caminhos e as possibilidades de escolha.

Entretanto, a criatura não percorre esses caminhos sem orientação.

Orí atua como uma luz interior, mostrando a direção que deve ser seguida.

Bará auxilia a criatura a caminhar na direção correta, participando de seu encaminhamento ao longo da existência.

A Linha Vertical, por sua vez, representa as consequências decorrentes das escolhas realizadas.

Na regência superior encontramos Ọbàtálá, associado à Luz, ao Sagrado e à direção da elevação espiritual.

Na regência inferior encontramos o Orixá Exu, cuja atuação está relacionada às consequências das escolhas e à aplicação das Leis Divinas.

Sua função não consiste em conduzir a criatura ao erro, mas em atuar sobre as consequências dos caminhos que ela escolheu percorrer.

Assim, Orí mostra o caminho, Bará auxilia na caminhada e Orixá Exu atua nas consequências das escolhas.


19.09 - OS ORIXÁS COMO NÓS DA ESTRUTURA SAGRADA

Os Orixás podem ser compreendidos, na representação geométrica da Encruzilhada Sagrada, como nós fundamentais de sustentação e articulação das forças divinas.

Na visualização cúbica, encontramos oito vértices.

Sete desses vértices correspondem a Ọbàtálá, Oxóssi, Xangô, Ogum, Yemojá, Oxum e Yansã.

O oitavo vértice, situado na extremidade inferior do eixo vertical fixo, corresponde ao Orixá Exu.

Nessa arquitetura, o Orixá Exu representa a base equilibradora sobre a qual os demais sete Orixás encontram sustentação.

O Orixá Exu tem uma função estrutural fundamental para o equilíbrio da Encruzilhada Sagrada.

O vértice superior corresponde a Ọbàtálá, estabelecendo a referência da Luz.

Entre essas duas extremidades, os demais Orixás constituem os nós de articulação das forças que sustentam a estrutura.

A Linha Horizontal imaginária representa os caminhos e as escolhas, encontrando seu equilíbrio entre os princípios da Justiça e do Amor, simbolizados por Xangô e Oxum.

O cubo gira simbolicamente em torno de seu eixo vertical fixo, enquanto o círculo exterior corresponde à Linha da Kalunga.

As Linhas Raiz dos Senhores Exus e dos Guias e Mentores representam formas específicas de intermediação das forças dos Ìbamolè, mantendo correspondências com os campos de atuação dos Ìrúnmọlẹ̀.

20.00 - MAPA DA CONEXÃO DE TODAS AS FORÇAS PRIMÁRIAS DA CRIAÇÃO

PROJETO ẸLẸ́DÀÁ MI

Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda

INTRODUÇÃO

O Mapa da Conexão de Todas as Forças Primárias da Criação representa simbolicamente a organização e a interligação das forças Divinas que sustentam a arquitetura espiritual do Orum no Ayê.

Sua estrutura geométrica tem como fundamento a representação de um "cubo sagrado", cujos vértices, linhas de conexão e centro expressam diferentes funções das forças Divinas.

Quando observado ao longo de sua diagonal principal, o cubo apresenta uma projeção hexagonal, permitindo estabelecer uma relação geométrica com a formação do "Hexagrama Sagrado".

Segundo a interpretação adotada no Projeto, o Hexagrama constitui uma referência fundamental para a construção e a compreensão de toda a arquitetura espiritual-magística.

Sua presença, ou a possibilidade de identificá-lo por meio das conexões geométricas, é considerada um dos critérios de coerência das estruturas desenvolvidas nesse sistema.

20.01 - O CENTRO — OXALÁ E A MAGIA DIVINA ELEMENTAL

No centro do mapa encontramos Oxalá, representando a Casa de Pai Oxalá, também denominada Casa dos Orixás Funfun ou "Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental".

Essas denominações correspondem à mesma estrutura sagrada.

O centro representa simbolicamente nossa origem pura e o princípio de equilíbrio que sustenta a organização das forças divinas.

Na representação geométrica do Projeto, esse Quadrante Sagrado apresenta quatro setores de vinte e cinco unidades.

4 × 25 = 100

Sua organização representa um campo de equilíbrio próprio, relacionado aos fundamentos da Magia Divina Elemental.

O centro também constitui o ponto de referência para o retorno simbólico à origem, associado ao movimento cíclico da estrutura sagrada.

20.02 - ỌBÀTÁLÁ — A LUZ QUE ORIENTA

Na posição superior encontramos Ọbàtálá, denominado no Projeto "Pai da Luz".

Sua posição representa a referência da Luz, do Sagrado, do Bem e do Certo.

Segundo as orientações de Pai Benedito, podemos compreender essa função por meio da imagem de uma luz que ilumina a saída de um túnel escuro.

Ọbàtálá representa a direção da elevação espiritual, convidando a criatura a caminhar em direção à Luz.

Sua posição estabelece a extremidade superior do eixo vertical fixo da Encruzilhada Sagrada.

20.03 - OXÓSSI — O FOCO E O OBJETIVO

Seguindo o sentido horário, encontramos Oxóssi.

No Projeto, Oxóssi representa o foco e o objetivo.

Sua função simbólica está relacionada à capacidade de direcionar esforços, estabelecer propósitos e concentrar a vontade na realização de uma finalidade.

Dentro da arquitetura sagrada, sua presença representa uma das forças necessárias à organização dos caminhos e ao direcionamento da existência.

20.04 - OGUM — A CORAGEM

Na sequência encontramos Ogum.

Ogum representa a coragem necessária para enfrentar dificuldades, superar obstáculos e prosseguir nos caminhos escolhidos superando todas as adversidades.

Enquanto Oxóssi está relacionado ao foco e ao objetivo, Ogum expressa a disposição para agir e enfrentar os desafios encontrados durante a caminhada.

Essas funções são complementares dentro da organização espiritual do Projeto.

20.05 - ORIXÁ EXU — A BASE EQUILIBRADORA

Na extremidade inferior encontramos o Orixá Exu.

Segundo as orientações recebidas, Exu constitui a base equilibradora da estrutura, oferecendo sustentação à organização dos demais sete Orixás representados nos vértices.

"Sua posição inferior não significa inferioridade espiritual nem identificação com o mal".

Na arquitetura da Encruzilhada Sagrada, o Orixá Exu atua no campo das consequências decorrentes dos caminhos escolhidos, nos conduzindo a consciência de nossos erros, discernimento nas nossas escolhas.

Sua função está relacionada ao equilíbrio das forças que vão prover à execução e à aplicação das Leis Divinas.

Desse modo, a extremidade inferior do eixo vertical representa simbolicamente a possibilidade de descensão decorrente das escolhas contrárias às Leis, sem que isso signifique atribuir ao próprio Orixá Exu uma natureza maligna.

20.06 - YANSÃ — A MÃE CORRETIVA

Prosseguindo no sentido horário, encontramos Yansã.

No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, Yansã é compreendida como a Mãe Corretiva.

Sua função simbólica está relacionada à correção, à disciplina e aos processos necessários ao desenvolvimento da criatura.

A correção constitui uma dimensão importante do aprendizado espiritual, pois permite reconhecer equívocos e desenvolver novas atitudes diante das experiências vividas.

20.07 - YEMOJÁ — A MÃE FRATERNAL

Na sequência encontramos Yemojá.

Yemojá representa a Mãe Fraternal, associada ao acolhimento, à proteção e ao cuidado.

Sua presença expressa a dimensão fraternal das forças divinas, necessária ao equilíbrio entre disciplina, responsabilidade e amparo espiritual.

Na arquitetura do Projeto, sua função complementa as demais forças que participam do desenvolvimento da consciência.

20.08 - A LINHA DO EQUILÍBRIO — OXUM - XANGÔ E OBÁ

Atravessando horizontalmente o centro do mapa encontramos uma linha fundamental, denominada LINHA DO EQUILÍBRIO.

Na extremidade esquerda encontra-se Oxum.

Na extremidade direita encontra-se Xangô.

Oxum representa o Amor e, na organização do Projeto, exerce também a função de Mãe Educadora.

Xangô representa a Justiça e a aplicação dos princípios que orientam o equilíbrio das relações.

Essas duas forças devem ser compreendidas em sua complementaridade.

O Amor sem Justiça pode perder a medida necessária à responsabilidade.

A Justiça sem Amor pode deixar de considerar a dimensão fraternal e educativa da existência.

Assim, a Linha do Equilíbrio representa a necessidade de conciliar esses dois fundamentos.

AMOR — JUSTIÇA = SABEDORIA = ORIXÁ OBÁ

Nessa expressão simbólica, a Sabedoria representa o resultado do equilíbrio entre Amor e Justiça, sendo associada ao Orixá Obá, conforme a interpretação própria do Projeto.

O traço entre Amor e Justiça indica a relação entre esses princípios, não uma operação matemática de subtração.

A Linha do Equilíbrio atravessa a região central da estrutura, representando uma referência fundamental na organização dos caminhos e das escolhas.

20.09 - O HEXAGRAMA SAGRADO — A CONEXÃO DAS FORÇAS

No centro da representação encontramos a formação geométrica de dois triângulos sobrepostos, constituindo um hexagrama.

Essa figura representa, dentro do Projeto, a conexão e a complementaridade das forças primárias da criação.

É importante distinguir o hexágono, que apresenta seis lados, do hexagrama, formado pela sobreposição de dois triângulos.

Na projeção geométrica de um cubo observado ao longo de sua diagonal principal, seis vértices aparecem distribuídos ao redor do centro, formando um hexágono regular.

As conexões internas entre esses pontos permitem construir diferentes figuras geométricas, entre elas o hexagrama.

Segundo a compreensão desenvolvida no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, o "Hexagrama Sagrado" representa o coração da arquitetura espiritual-magística.

Por essa razão, sua identificação constitui um princípio fundamental para a organização e a validação simbólica das estruturas que estamos estudando.

20.10 - A ENCRUZILHADA SAGRADA — CAMINHOS E CONSEQUÊNCIAS

A organização apresentada no mapa também pode ser relacionada à Encruzilhada Sagrada.

Sua Linha Horizontal corresponde ao campo de atuação dos Ìrúnmọlẹ̀ (400), representando os caminhos e as possibilidades de escolha.

Os mesmos Ìrúnmọlẹ̀ atuam nos aspectos material e espiritual da existência, pois, segundo a cosmologia do Projeto, ambos pertencem à totalidade do Òrun.

A Linha Vertical corresponde ao campo dos Ìbamolè (200), mantendo a referência superior e inferior.

Esse eixo expressa as consequências dos caminhos escolhidos.

O alto representa a direção da Luz, enquanto o baixo representa o afastamento dessa direção.

Na orientação individual da criatura, Orí atua como luz que mostra o caminho, enquanto Bará auxilia na caminhada.

O Orixá Exu atua nas consequências decorrentes das escolhas realizadas.

Essas funções devem ser compreendidas como complementares, e não como forças concorrentes.

20.11 - A LINHA DA KALUNGA E O MOVIMENTO CÍCLICO

Na representação ampliada da arquitetura sagrada, o círculo que envolve o cubo corresponde à Linha da Kalunga.

O cubo gira simbolicamente em sentido anti-horário ao redor de seu eixo vertical fixo.

Esse movimento produz, na interpretação espiritual do Projeto, uma espiral interna relacionada ao retorno à origem, representada pelo centro sagrado.

Segundo as orientações recebidas, o ciclo fundamental desse movimento corresponde simbolicamente a vinte e quatro horas, em referência ao ciclo diário solar.

Essa organização temporal serve como modelo para compreendermos ciclos mais amplos da existência, como os anos, as décadas, os séculos, os milênios e os ciclos evolutivos.

Assim, a arquitetura espiritual não representa apenas uma organização espacial, mas também um princípio de movimento, transformação e retorno à origem.

NOTA EXPLICATIVA — O MOVIMENTO DO CUBO SAGRADO, A ESPIRAL E O TEMPO

No Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, a representação do movimento anti-horário do Cubo Sagrado e da espiral em seu interior faz parte da interpretação cosmológica apresentada segundo os ensinamentos de Pai Benedito de Aruanda.

O Cubo Sagrado representa a organização e a sustentação das Forças Divinas, enquanto seu movimento e a espiral simbolizam a dinâmica contínua da existência, os ciclos da vida, as transformações e os caminhos percorridos pela consciência.

A associação desse movimento ao ciclo de 24 horas constitui uma referência simbólica à passagem do tempo, à continuidade dos acontecimentos e aos processos de renovação presentes na Criação.

É importante esclarecer que essa representação não pretende afirmar que exista um cubo espiritual fisicamente girando no espaço, nem que seus movimentos e sua relação com o tempo tenham sido demonstrados cientificamente.

Trata-se de um modelo espiritual e simbólico próprio do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, utilizado para facilitar a compreensão das relações entre as Forças Divinas, o espaço, o tempo e a evolução da consciência.

Da mesma forma, a espiral não deve ser interpretada necessariamente como uma estrutura física, mas como uma representação do movimento contínuo da existência, no qual cada experiência, escolha e consequência participa do aprendizado e da transformação do ser.

Assim, o propósito dessa representação não é substituir as explicações científicas sobre o espaço e o tempo, mas oferecer uma linguagem simbólica que favoreça o estudo, a reflexão e a compreensão dos ensinamentos espirituais recebidos.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Mapa da Conexão de Todas as Forças Primárias da Criação representa uma síntese da arquitetura espiritual desenvolvida no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi.

Em seu centro encontramos Oxalá e o Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental, representando a origem pura.

Ao redor encontramos os Orixás como nós de sustentação e conexão das forças divinas.

Ọbàtálá representa a Luz.

Oxóssi representa o foco e o objetivo.

Ogum representa a coragem.

Orixá Exu representa a base equilibradora e sua atuação no campo das consequências.

Yansã representa a Mãe Corretiva.

Yemojá representa a Mãe Fraternal.

Oxum representa o Amor e a Mãe Educadora.

Xangô representa a Justiça.

Na Linha do Equilíbrio, a relação entre Amor e Justiça expressa a Sabedoria, associada no Projeto ao Orixá Obá.

O Hexagrama Sagrado representa a conexão central dessas forças e constitui uma referência fundamental da arquitetura espiritual-magística.

Dessa maneira, o mapa procura demonstrar que as diferentes forças divinas não atuam de maneira isolada, mas de forma organizada e complementar, contribuindo para a manutenção do equilíbrio, da orientação e do desenvolvimento da existência.


NOTA DOUTRINÁRIA

A presente interpretação pertence à cosmologia própria do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, segundo as orientações espirituais de Pai Benedito de Aruanda.

Embora utilize nomes de Orixás e elementos conhecidos das tradições africanas e afro-brasileiras, a distribuição geométrica, as correspondências funcionais, a interpretação do Hexagrama e a associação entre Amor, Justiça, Sabedoria e Orixá Obá constituem formulações específicas do Projeto.

Essas interpretações não devem ser apresentadas como doutrina universal das tradições yorùbá ou do Candomblé.


21.00 — CUBO SAGRADO — ARQUITETURA ESPIRITUAL

A ORGANIZAÇÃO DAS FORÇAS DIVINAS E A RELAÇÃO ENTRE Ọ̀RUN E AYÉ

Ao longo dos estudos da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, desenvolvemos progressivamente a compreensão da Encruzilhada Sagrada, das Linhas Horizontal e Vertical, dos Ìrúnmọlẹ̀, dos Ìgbamolè e do Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental.

Inicialmente, essas organizações foram apresentadas por meio de uma representação plana, na qual quatro direções simbólicas estabeleciam os caminhos e as correspondências entre as forças divinas.

Posteriormente, compreendemos que essa representação precisava ser ampliada para uma estrutura tridimensional, capaz de demonstrar não apenas a disposição dessas forças, mas também suas relações com os aspectos espiritual e material da existência.

Essa estrutura será denominada CUBO SAGRADO — ARQUITETURA ESPIRITUAL.

Segundo as orientações espirituais que estamos organizando no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, o Cubo Sagrado representa uma arquitetura de organização, correspondência, sustentação e intercâmbio das forças divinas.

Não devemos compreendê-lo como um objeto material existente no espaço físico, mas como uma representação geométrica e simbólica de uma organização espiritual.

Sua finalidade é auxiliar nossa compreensão das relações entre as Divindades, os planos de manifestação da existência e os princípios que regem a Magia Divina Elemental.

A PRIMEIRA COMPREENSÃO — Ọ̀RUN E AYÉ

Antes de examinarmos as seis faces do Cubo Sagrado, precisamos recordar um princípio fundamental da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.

O AYÉ ESTÁ CONTIDO NO Ọ̀RUN

Isso significa que o mundo material não constitui uma realidade absolutamente separada da existência espiritual.

O Ayé representa uma condição de manifestação dentro de uma realidade muito mais abrangente, que denominamos Ọ̀run.

Portanto, quando distinguimos o plano espiritual do plano material, não estamos apresentando dois universos independentes, mas condições distintas e relacionadas da manifestação da existência.

Essa compreensão será essencial para entendermos a arquitetura das quatro faces laterais do Cubo Sagrado.

A MATRIZ NUMÉRICA — AS DEZESSEIS POSIÇÕES

A organização que estamos estudando tem como referência uma matriz quadrada composta por dezesseis posições numeradas de 1 a 16.

Essas posições estão distribuídas em quatro linhas e quatro colunas.

Cada posição corresponde a um conjunto de vinte e cinco unidades.

Assim, temos:

16 × 25 = 400

Entretanto, para compreendermos a distribuição das forças, precisamos dividir essas dezesseis posições em dois agrupamentos principais, denominados Configuração A e Configuração B.

CONFIGURAÇÃO "A"

2 – 3 – 8 – 12 – 14 – 15 – 5 – 9

CONFIGURAÇÃO "B"

1 – 4 – 16 – 13 – 6 – 7 – 10 – 11

Cada configuração reúne oito posições.

Portanto:

A = 8 × 25 = 200

B = 8 × 25 = 200

A + B = 400

Essas duas configurações serão utilizadas para identificar diferentes agrupamentos de Divindades e campos de atuação das forças sagradas.

É importante observar que as letras A e B representam posições organizacionais. Seu significado funcional dependerá da face do Cubo Sagrado em que estiverem sendo aplicadas.

AS QUATRO FACES LATERAIS — A LINHA HORIZONTAL

A primeira organização do Cubo Sagrado corresponde às quatro faces laterais, identificadas como La, Lb, Lc e Ld.

Duas representam organizações do plano espiritual, enquanto as outras duas representam suas correspondências no plano material.

La — OESTE — OJÚKÒSÌ — LADO ESQUERDO

Lb — LESTE — OJÚKỌ̀TÚN — LADO DIREITO

Ld — MANIFESTAÇÃO MATERIAL DE La

Lc — MANIFESTAÇÃO MATERIAL DE Lb

Os lados La e Lb representam dois conjuntos distintos de Ìrúnmọlẹ̀, cada qual organizado em dezesseis posições.

Os lados Ld e Lc representam suas respectivas correspondências no Ayé.

Entretanto, essa relação não acontece em apenas uma direção.

Assim como aquilo que é estabelecido no plano espiritual encontra possibilidades de manifestação no mundo material, aquilo que acontece no Ayé também pode produzir correspondências e consequências no plano espiritual.

Portanto, as relações são:

La ↔ Ld

Lb ↔ Lc

As setas de mão dupla representam simbolicamente o intercâmbio entre os dois aspectos da existência.

Essa característica será fundamental para compreendermos o funcionamento espiritual das firmezas, dos assentamentos e das práticas ritualísticas.

A ORGANIZAÇÃO DO OESTE — OJÚKÒSÌ — La

No lado Oeste encontramos um conjunto de quatrocentos Ìrúnmọlẹ̀, distribuídos em dois agrupamentos principais.

CONFIGURAÇÃO A — ẸGBẸ́ Ọ̀RUN ÒṢÒRÒNGÀ

Posições: 2 – 3 – 8 – 12 – 14 – 15 – 5 – 9

8 × 25 = 200 Ìrúnmọlẹ̀.

CONFIGURAÇÃO B — ẸGBẸ́ Ọ̀RUN EXU

Posições: 1 – 4 – 16 – 13 – 6 – 7 – 10 – 11

8 × 25 = 200 Ìrúnmọlẹ̀.

Assim, a organização completa do Oeste corresponde a:

200 + 200 = 400 Ìrúnmọlẹ̀ Ojúkòsì.

Esses dois agrupamentos possuem responsabilidades próprias dentro da arquitetura espiritual, relacionadas à organização, à administração e ao cumprimento das Leis Divinas.

As particularidades de suas funções foram introduzidas nos estudos anteriores, especialmente quando examinamos as comunidades espirituais relacionadas às Grandes Mães e ao Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu.

Nesta etapa, estamos ampliando a compreensão de sua distribuição geométrica.

A ORGANIZAÇÃO DO LESTE — OJÚKỌ̀TÚN — Lb

No lado Leste encontramos outro conjunto de quatrocentos Ìrúnmọlẹ̀, distinto daquele existente no Oeste.

Sua organização também utiliza as Configurações A e B.

CONFIGURAÇÃO A — ẸGBẸ́ Ọ̀RUN EGÚNGÚN (DIREITA)

Posições: 2 – 3 – 8 – 12 – 14 – 15 – 5 – 9

8 × 25 = 200 Ìrúnmọlẹ̀.

CONFIGURAÇÃO B — ẸGBẸ́ Ọ̀RUN EGÚNGÚN (ESQUERDA)

Posições: 1 – 4 – 16 – 13 – 6 – 7 – 10 – 11

8 × 25 = 200 Ìrúnmọlẹ̀.

Portanto:

200 + 200 = 400 Ìrúnmọlẹ̀ Ojúkòtun.

Aqui precisamos estabelecer uma distinção importante.

As expressões Direita e Esquerda, utilizadas para identificar esses dois agrupamentos do Ẹgbẹ́ Ọ̀run Egúngún, não correspondem às direções geográficas Leste e Oeste.

Referem-se às chamadas Linhas de Trabalho Espiritual da Direita e da Esquerda.

Portanto, uma organização pertencente à Linha Espiritual da Esquerda pode encontrar-se no lado Leste do Cubo Sagrado, sem qualquer contradição.

Também não devemos confundir essas classificações com uma separação automática entre Bem e Mal.

A CONTAGEM DOS ÌRÚNMỌLẸ̀

Com essa nova configuração, compreendemos que o número quatrocentos deve ser aplicado separadamente a cada um dos dois conjuntos espirituais da Linha Horizontal.

OESTE — OJÚKÒSÌ = 400

LESTE — OJÚKỌ̀TÚN = 400

TOTAL = 800 ÌRÚNMỌLẸ̀ DISTINTOS.

Essa compreensão amplia a distribuição numérica inicialmente apresentada nos estudos anteriores, nos quais examinávamos o número quatrocentos como referência geral da organização.

Na arquitetura agora apresentada, cada lado espiritual possui sua própria organização de quatrocentas Divindades.

As faces materiais correspondentes não representam outros oitocentos Ìrúnmọlẹ̀, mas os campos de manifestação dos mesmos conjuntos espirituais.

AS FACES SUPERIOR E INFERIOR — A LINHA VERTICAL

Concluída a organização das faces laterais, passamos às duas faces restantes do Cubo Sagrado.

A face superior encontra-se sob a regência de Ọbàtálá.

A face inferior encontra-se sob a regência do Orixá Exu.

Essas duas faces correspondem à Linha Vertical da Encruzilhada Sagrada, anteriormente relacionada às forças de orientação, sustentação, disciplina e cumprimento das Leis Divinas.

Entretanto, a organização das Configurações A e B apresenta uma característica diferente daquela observada nas faces laterais.

Nas faces superior e inferior, uma das configurações corresponde aos Ìgbamolè, enquanto a outra corresponde a um dos dois polos da Magia Divina Elemental.

A FACE SUPERIOR — REGÊNCIA DE ỌBÀTÁLÁ

Na parte superior do Cubo Sagrado encontramos:

CONFIGURAÇÃO A — ÌGBAMOLÈ OJÚKÒTUN

8 × 25 = 200 Ìgbamolè.

Essas Divindades encontram-se sob a regência de Ọbàtálá, correspondendo ao campo superior da Linha Vertical.

CONFIGURAÇÃO B — QUADRANTE SAGRADO DA MAGIA DIVINA ELEMENTAL BRANCA.

A Configuração B representa o campo correspondente a um dos polos da Magia Divina Elemental.

Não constitui outro conjunto de duzentos Ìgbamolè e, portanto, não deve ser acrescentada à contagem dessas Divindades.

A FACE INFERIOR — REGÊNCIA DO ORIXÁ EXU

Na parte inferior encontramos uma organização complementar.

CONFIGURAÇÃO B — ÌGBAMOLÈ OJÚKÒSÌ

8 × 25 = 200 Ìgbamolè.

Essas Divindades são distintas daquelas existentes na face superior e encontram-se sob a regência do Orixá Exu.

CONFIGURAÇÃO A — QUADRANTE SAGRADO DA MAGIA DIVINA ELEMENTAL NEGRA.

Essa configuração representa o outro polo da Magia Divina Elemental.

Assim, temos:

PARTE SUPERIOR — ỌBÀTÁLÁ

A = 200 Ìgbamolè Ojúkòtun.

B = Magia Divina Elemental Branca.

PARTE INFERIOR — ORIXÁ EXU

A = Magia Divina Elemental Negra.

B = 200 Ìgbamolè Ojúkòsì.

Portanto:

200 Ìgbamolè superiores + 200 Ìgbamolè inferiores = 400 ÌGBAMOLÈ DISTINTOS.

A organização dos Ìgbamolè encontra correspondência com os estudos anteriores sobre as Linhas Raiz dos Guias e Mentores e dos Senhores Exus.

Essas linhas participam dos trabalhos de orientação, intermediação e execução das responsabilidades espirituais sob as respectivas regências.

Entretanto, os espíritos que atuam nessas linhas não devem ser automaticamente confundidos com os próprios Ìgbamolè.

OS DOIS QUADRANTES DA MAGIA DIVINA ELEMENTAL

Chegamos agora a um dos princípios mais importantes desta arquitetura.

Na parte superior encontramos o Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental Branca.

Na parte inferior encontramos o Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental Negra.

Inicialmente, essas denominações poderiam sugerir uma oposição entre duas forças moralmente diferentes.

Entretanto, não é essa a compreensão apresentada pelas orientações que estamos estudando.

- MAGIA BRANCA NÃO SIGNIFICA NECESSARIAMENTE O BEM.

- MAGIA NEGRA NÃO SIGNIFICA NECESSARIAMENTE O MAL.

Ambas correspondem a polos complementares de uma mesma organização de forças.

Na concepção espiritual do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, a Magia Divina Elemental é compreendida como uma força em potencial, cuja manifestação depende da relação entre seus polos.

Sem essa bipolaridade, a força permaneceria em estado potencial, não produzindo os efeitos correspondentes à sua atuação.

A ANALOGIA COM A ELETRICIDADE

Podemos utilizar um exemplo da Física para facilitar nossa compreensão.

Em um circuito elétrico, uma diferença de potencial elétrico, conhecida como ddp, pode produzir corrente quando existe um caminho condutor fechado e adequado.

Essa diferença de potencial estabelece a condição necessária para o movimento das cargas elétricas no circuito.

Os sinais positivo (+) e negativo (−) não representam valores morais.

São referências utilizadas para descrever condições de polaridade.

Analogamente, na arquitetura espiritual que estamos estudando, os dois Quadrantes da Magia Divina Elemental representam polos complementares, cuja relação possibilitaria a manifestação da força mágica.

Não estamos afirmando que a Magia Divina Elemental seja eletricidade ou que obedeça às mesmas leis físicas.

A comparação é exclusivamente conceitual e simbólica.

Seu objetivo é facilitar a compreensão da bipolaridade e da passagem de uma condição potencial para uma condição de atuação.

Também não devemos concluir, apenas pela analogia, que Magia Branca corresponda literalmente ao polo elétrico positivo e Magia Negra ao negativo.

O princípio que desejamos compreender é a complementaridade entre os polos, e não sua identificação com grandezas físicas mensuráveis.

A MAGIA DIVINA ELEMENTAL E O QUADRANTE SAGRADO INTERIOR

Nos capítulos anteriores, apresentamos o "Quadrante Sagrado Interior" como a Casa de Pai Oxalá, também denominada Casa dos Orixás Funfun.

Essas denominações identificam uma mesma estrutura sagrada, relacionada ao centro da Encruzilhada Sagrada.

Sua organização simbólica inicial foi apresentada como quatro setores de vinte e cinco unidades:

4 × 25 = 100.

Essa referência central permanece importante para nossa compreensão.

A identificação dos Quadrantes da Magia Divina Elemental Branca e Negra nas faces superior e inferior não significa que estejamos criando duas Casas de Pai Oxalá independentes.

Estamos distinguindo dois aspectos da representação: a estrutura central, associada à unidade e ao equilíbrio, e a organização bipolar da força mágica, representada nas faces superior e inferior.

"O centro permanece como referência da integração das forças, enquanto a bipolaridade permite compreender simbolicamente sua atuação".

Essa relação aprofunda os conceitos já apresentados sobre o Quadrante Sagrado Interior e a conexão das forças divinas.

AS FIRMЕZAS, OS ASSENTAMENTOS E A COMUNICAÇÃO ENTRE OS PLANOS

A organização bipolar e a correspondência entre o plano espiritual e o plano material oferecem uma nova possibilidade de compreensão das práticas ritualísticas.

Nas tradições afro-brasileiras, as firmezas e os assentamentos são compreendidos, conforme os fundamentos de cada tradição, como elementos e espaços consagrados destinados ao estabelecimento e à sustentação de determinadas relações com o Sagrado.

Na interpretação espiritual do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, podemos compreendê-los como pontos de correspondência entre as forças do Ọ̀run e suas manifestações no Ayé.

Essa relação apresenta duas direções complementares.

DO ESPIRITUAL PARA O MATERIAL

As forças espirituais encontram condições de manifestação e sustentação nos pontos consagrados.

DO MATERIAL PARA O ESPIRITUAL

As ações ritualísticas realizadas no Ayé também estabelecem correspondências e reflexos no plano espiritual.

Assim, firmezas e assentamentos podem ser compreendidos, dentro dessa arquitetura, como pontos de envio e recepção de forças.

Não representam uma comunicação limitada a uma única direção, mas uma relação de intercâmbio.

Isso não significa que toda prática ritualística produza automaticamente os efeitos desejados.

Na compreensão espiritual que estamos desenvolvendo, a intenção, a responsabilidade, a sintonia e a observância das Leis Divinas continuam sendo fundamentais.

A INTENÇÃO E O SIGNIFICADO DO +1

Essa nova compreensão também permite retomar o significado simbólico do elemento +1, apresentado anteriormente no estudo dos Ìrúnmọlẹ̀.

Naquele capítulo, relacionamos as polaridades positiva e negativa às condições de atuação das forças, enquanto a intenção foi representada pela pemba branca.

A intenção participa da orientação e do direcionamento da atuação.

É importante distinguir a pemba branca, utilizada naquele contexto como símbolo da intenção, do Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental Branca, apresentado agora como um dos polos do sistema.

Embora utilizem a mesma referência de cor, não devemos considerá-los automaticamente idênticos.

O elemento +1 permanece relacionado à intervenção e à orientação das potencialidades, não representando necessariamente uma Divindade adicional na contagem da arquitetura.

A ENCRUZILHADA SAGRADA E OS CAMINHOS DA EXISTÊNCIA

Com essa organização, podemos retornar à compreensão inicial da Encruzilhada Sagrada.

A Linha Horizontal representa os caminhos, as possibilidades e as escolhas.

A Linha Vertical representa as correspondências, as orientações e as consequências relacionadas a esses caminhos.

Ọbàtálá permanece como referência superior da Luz e da orientação.

Orixá Exu permanece como base equilibradora e referência da aplicação das Leis Divinas e das consequências das escolhas.

Sua posição inferior não representa inferioridade espiritual nem identificação com o Mal.

Da mesma forma, a localização do Quadrante da Magia Divina Elemental Negra na parte inferior não significa que essa força seja moralmente negativa.

Essas distinções são necessárias para que não confundamos posições geométricas, polaridades funcionais e valores morais.

Na jornada individual, Orí orienta a criatura, Bará auxilia sua caminhada, e a Lei Divina estabelece as responsabilidades decorrentes das escolhas realizadas.

A arquitetura espiritual representa, portanto, uma organização integrada, na qual as forças não atuam como sistemas completamente isolados.

O CUBO SAGRADO E OS ORIXÁS COMO NÓS DA ESTRUTURA

No Mapa da Conexão das Forças Primárias da Criação, apresentamos os Orixás como nós de sustentação da estrutura sagrada.

Ọbàtálá ocupa a referência superior, enquanto o Orixá Exu ocupa a referência inferior, constituindo a base equilibradora.

Os demais Orixás apresentados — Oxóssi, Xangô, Ogum, Yemojá, Oxum e Yansã — integram os outros pontos de sustentação e articulação das forças.

No centro da representação encontramos Pai Oxalá e o Quadrante Sagrado Interior.

O Hexagrama Sagrado representa simbolicamente a conexão e a complementaridade das forças que constituem essa organização.

Essas correspondências permanecem como fundamentos da representação geométrica anteriormente apresentada.

O círculo exterior, relacionado à Linha da Kalunga, continua representando simbolicamente a fronteira e a proteção da arquitetura espiritual de nosso orbe.

Da mesma forma, o movimento anti-horário do cubo e a espiral interna, apresentados anteriormente em correspondência simbólica com o ciclo de vinte e quatro horas, permanecem como representações dos ciclos da existência e do retorno à origem.

Não estamos descrevendo movimentos físicos comprovados, mas recursos simbólicos utilizados para compreender a organização espiritual e seus processos de transformação.

SÍNTESE DA ORGANIZAÇÃO DO CUBO SAGRADO

Podemos agora apresentar a distribuição geral das Divindades:

LINHA HORIZONTAL — ÌRÚNMỌLẸ̀

La — Oeste — Ojúkòsì:

Configuração A = Ẹgbẹ́ Ọ̀run Òṣòròngà — 200.

Configuração B = Ẹgbẹ́ Ọ̀run Exu — 200.

Total do Oeste = 400 Ìrúnmọlẹ̀.

Lb — Leste — Ojúkòtun:

Configuração A = Ẹgbẹ́ Ọ̀run Egúngún (Direita) — 200.

Configuração B = Ẹgbẹ́ Ọ̀run Egúngún (Esquerda) — 200.

Total do Leste = 400 Ìrúnmọlẹ̀.

Ld e Lc representam, respectivamente, as manifestações materiais correspondentes a La e Lb, sem duplicar o número de Divindades.

TOTAL DA LINHA HORIZONTAL = 800 ÌRÚNMỌLẸ̀ DISTINTOS.

LINHA VERTICAL — ÌGBAMOLÈ

Face Superior — Ọbàtálá:

Configuração A = 200 Ìgbamolè Ojúkòtun.

Configuração B = Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental Branca.

Face Inferior — Orixá Exu:

Configuração A = Quadrante Sagrado da Magia Divina Elemental Negra.

Configuração B = 200 Ìgbamolè Ojúkòsì.

TOTAL DA LINHA VERTICAL = 400 ÌGBAMOLÈ DISTINTOS.

Dessa forma, a organização numérica ampliada apresenta:

800 Ìrúnmọlẹ̀ + 400 Ìgbamolè = 1.200 DIVINDADES DISTINTAS.

Os reflexos materiais, os Quadrantes da Magia Divina Elemental e o elemento simbólico +1 não são acrescentados novamente a essa contagem.

Essa distribuição representa a compreensão atual da arquitetura no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi e atualiza as referências quantitativas apresentadas em etapas anteriores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS — A UNIDADE NA COMPLEMENTARIDADE

O Cubo Sagrado permite ampliar nossa compreensão da Encruzilhada Sagrada, demonstrando que a organização das forças divinas não se limita ao cruzamento de duas linhas.

Estamos diante de uma representação tridimensional na qual diferentes organizações espirituais se relacionam com a manifestação material da existência.

As faces laterais demonstram as correspondências entre Ọ̀run e Ayé.

As faces superior e inferior apresentam a organização dos Ìgbamolè e os dois polos complementares da Magia Divina Elemental.

O centro representa a integração e a referência do equilíbrio sagrado.

A bipolaridade não deve ser interpretada como uma disputa entre forças boas e más, mas como um princípio de complementaridade, necessário, segundo a concepção apresentada, à manifestação da força mágica.

Essa arquitetura também nos convida a refletir sobre nossa própria existência.

Se nossas escolhas realizadas no Ayé possuem correspondências no plano espiritual, então aquilo que pensamos, desejamos e praticamos assume uma responsabilidade ainda maior diante da vida.

Não somos simplesmente espectadores passivos da Criação.

Participamos dela por nossas escolhas, atitudes e consequências.

Assim, a compreensão do Cubo Sagrado não se destina apenas ao conhecimento das forças espirituais, mas também ao desenvolvimento da consciência e da responsabilidade diante das Leis Divinas.

É nesse sentido que continuamos nossa caminhada no Projeto Ẹlẹ́dàá Mi: compreender nossa origem, reconhecer nossa condição presente e aprender a conduzir nossas escolhas em direção ao reencontro com o Eu Divino.

NOTA DOUTRINÁRIA

A organização apresentada neste capítulo pertence à interpretação espiritual própria do Projeto Ẹlẹ́dàá Mi, desenvolvida a partir das orientações atribuídas a Pai Benedito de Aruanda e transmitidas por Pai Joaquim de Angola.

Não deve ser apresentada como classificação universal das tradições yorùbá, do Candomblé ou da Umbanda, que possuem fundamentos e interpretações próprios.

As comparações com geometria, eletricidade e outras áreas do conhecimento possuem finalidade didática e simbólica, não constituindo demonstrações científicas da existência ou do funcionamento dessas forças espirituais.





Caro leitor,

A jornada continua...

A Parte (VI) da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá está sendo construída passo a passo, seguindo as orientações recebidas e o compromisso de organizar este conhecimento com fidelidade, responsabilidade e profundo respeito ao Sagrado.

Em breve, compartilharemos os próximos capítulos neste espaço.

Agradecemos sua compreensão e sua companhia nesta caminhada.

Que o Axé, a Luz e a Paz de Pai Nzanbi iluminem sempre o nosso caminho.









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