Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - "A História da Criação"
(Orientações da Escola de Pai Benedito de Aruanda)
Índice
(Parte I) - "Como tudo começou? - A criação"
1. O Mistério Absoluto — O Vazio Cheio.
2. A Primeira Manifestação — O Triângulo Divino.
4. O Reino de Pai Oxalá — A Casa dos Orixás Funfun.
6. Os Quatro Oshás Primordiais.
7. Os Guardiões dos Reinos Naturais.
9. O Homem no Ayê — A Jornada da Liberdade.
(Parte II) - "Como tudo funciona? - Guardiões do Ayê"
10. A Primeira Encruzilhada - O Início dos Caminhos da Escolha.
10.1. A Marca de Caim — O Mapa da Criação.
11. A Linha da Kalunga — A Primeira Fronteira.
12. A Organização das Guardas da Kalunga.
12.1. Senhor Pambu Nzila — O General da Primeira Fronteira.
12.2. As Sete Vibrações do Setenário Sagrado.
12.3. Senhor Exu Kahanka — O Guardião da Segunda Fronteira.
12.4. As Oito Bandeiras e as Oito Horas Grandes.
12.5. A Primeira Porteira — Senhor Caboclo Sete Raios.
12.6. Das Falanges da Kalunga às Linhas de Ogum de Lei.
(Parte III) - “A preparação do Ayê por Pai Olodumarê”
13.1 - O Jardim do Éden e suas divisões
13.2 - O Oriente e a entrada do homem na experiência material
13.3 - As consequências da escolha
13.4 - O conhecimento do bem e do mal
13.5 - A Árvore da Vida e as fronteiras
14.0 — A Terra de Elda: O próximo passo evolutivo
14.1 - Igbádù: A Cabaça da Existência
14.2 - A parte superior: Ọ̀run e Pai Olórun
14.3 - A parte inferior: Ayé e Mãe Olókun
14.4 - As quatro pembas no interior do Igbádù
14.6 - A linha de divisão e união da Cabaça
14.7 - Orixá Exu: o equilíbrio de forças entre Céu e Terra
14.8 - O Igbádù como primeira grande encruzilhada na Geometria Sagrada da Existência
14.9 - Entre a tradição yorùbá e a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá
14.10 - A Cabaça e o início da jornada em Ilé-Ifẹ̀
Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - Parte I "Como tudo começou?"
1. O Mistério Absoluto – O "Vazio Cheio"
Segundo os ensinamentos transmitidos por Pai Joaquim de Angola, orientados por Pai Benedito de Aruanda, antes de toda manifestação existia aquilo que ele denomina o Vazio Cheio.
À primeira vista, essa expressão parece contraditória, mas ela procura descrever um estado que está além das categorias comuns de existência.
Nesse Mistério Absoluto:
- Tudo era Pai Nzanbi.
- Não havia separação entre Criador e criação.
- Não existiam tempo, espaço, matéria ou individualidades.
- Nenhuma forma havia sido manifestada.
Entretanto, esse "vazio" não significa ausência ou inexistência.
Ao contrário, ele era pleno de potencial.
Toda a criação existia de maneira não manifesta, como possibilidade infinita.
Por isso, Pai Joaquim utiliza a expressão "Vazio Cheio":
- Vazio, porque nada havia sido manifestado.
- Cheio, porque todo o universo já existia em potência, sustentado pelo Axé de Pai Nzanbi.
Nesse estágio primordial, não havia um universo visível, mas existia a capacidade infinita para que toda a criação viesse a existir.
Observação conceitual
Do ponto de vista filosófico, essa ideia possui paralelos com outras tradições que descrevem um estado primordial anterior à manifestação do universo. No entanto, na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, a expressão "Vazio Cheio" possui um significado próprio: ela enfatiza que o Axé já estava plenamente presente antes que qualquer forma, ser ou dimensão fosse manifestada.
"O universo existia potencialmente no Axé de Pai Nzanbi."
2. A Primeira Manifestação – O Triângulo Divino
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, chega o momento em que Pai Nzanbi manifesta Sua Vontade Criadora.
Essa vontade não representa uma mudança em Pai Nzanbi, mas o início da manifestação daquilo que, desde sempre, existia em potência no Vazio Cheio.
A primeira manifestação dessa Vontade é descrita por Pai Joaquim como o Triângulo Divino.
Esse triângulo não é apenas uma figura geométrica, mas a primeira arquitetura da criação, expressão das três manifestações primordiais por meio das quais o universo começa a revelar-se.
I – Ìrókò
A Chama Eterna da Sabedoria Divina
No lado esquerdo do Triângulo manifesta-se Ìrókò.
Ìrókò é descrito como a Chama Divina que arde eternamente, preservando e sustentando toda a Sabedoria de Pai Nzanbi.
Essa chama nunca se extingue, pois representa a memória eterna da Origem e a permanência da Verdade Divina em toda a criação.
II – Orixé
A Luz Primordial
No lado direito manifesta-se Orixé.
Orixé é a Luz Eterna, reflexo da Luz primordial de Pai Nzanbi.
É essa luz que revela o propósito da criação, iluminando o caminho pelo qual todas as coisas encontram sua razão de existir.
Ela não apenas ilumina o universo, mas orienta toda manifestação para sua finalidade.
III – Orixalá
A Vontade Divina Manifestada
No vértice superior manifesta-se Orixalá.
Orixalá representa a manifestação da Vontade e dos Desígnios de Pai Nzanbi.
Por meio dele, a criação deixa de ser apenas potencialidade e inicia seu processo de organização.
Ele expressa a Inteligência Criadora que conduz toda a manifestação segundo o propósito estabelecido pelo Criador.
Síntese:
Assim, o Triângulo Divino representa as três primeiras manifestações da criação:
Orixalá — A Vontade Divina.
Ìrókò — Chama Divina, a Sabedoria Eterna e imutável.
Orixé — A Luz Primordial.
Essas três manifestações permanecem inseparáveis, sustentando toda a arquitetura do universo.
Observação do autor: Considero importante para fortalecer a coerência filosófica do sistema que estamos procurando compreender nas revelações de Pai Benedito de Aruanda o seguinte:
No primeiro passo, o Vazio Cheio descreve Pai Nzanbi em sua unidade absoluta. No segundo passo, essa unidade passa a se manifestar em três aspectos fundamentais. Isso lembra a ideia de uma tríade, mas não no sentido de três seres independentes. Pelo que entendemos das revelações de Pai Benedito de Aruanda, seria mais preciso dizer que Ìrókò, Orixé e Orixalá são três manifestações inseparáveis da única Vontade de Pai Nzanbi. Essa nuance é importante porque preserva a unidade do Mistério Absoluto. O Triângulo Divino não fragmenta Pai Nzanbi; ele revela três aspectos primordiais por meio dos quais a criação começa a tornar-se manifesta.
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3. O Princípio da Dualidade
Após a manifestação do Triângulo Divino, a criação continua seu desdobramento.
Da unidade surge a diversidade.
Da Trindade manifesta-se a complementaridade.
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, é nesse momento que se revela o Princípio da Dualidade, expressão do equilíbrio entre os dois grandes aspectos geradores da criação.
Yàmí Àgbà Olókun
O Princípio Materno
Do lado esquerdo manifesta-se Yàmí Àgbà Olókun, a Grande Mãe Primordial (Ancestral).
Ela representa o Útero Sagrado da Criação, matriz da vida e fonte de toda manifestação.
Senhora das Águas Primordiais, acolhe em seu ventre toda possibilidade de existência, tornando-se o princípio gerador de todas as formas de vida.
Sua natureza é nutrir, gestar, proteger e transformar.
Babá Àgbà Olórun
O Princípio Paterno
Do lado direito manifesta-se Babá Àgbà Olórun, o Grande Pai Primordial (Ancestral).
Senhor do Òrun, representa o Céu Ilimitado, o Mundo Espiritual, a dimensão invisível e o Reino Divino.
É o Arquiteto e Legislador da criação, estabelecendo a ordem, as leis e a harmonia que sustentam todo o universo manifestado.
Sua natureza é orientar, organizar, estruturar e conduzir a criação segundo a Vontade Divina.
A União dos Dois
Yàmí Àgbà Olókun e Babá Àgbà Olórun não representam forças opostas.
São manifestações complementares do mesmo Mistério Divino.
Ela oferece o ventre que gera.
Ele estabelece a ordem que orienta.
Ela manifesta a capacidade infinita de dar origem à vida.
Ele manifesta a inteligência que conduz essa vida ao seu propósito.
Na união desses dois princípios, toda a criação encontra equilíbrio, continuidade e sentido.
Observação do autor: Há ainda uma observação filosófica que considero muito importante.
Notemos que a sequência começa a revelar uma arquitetura extremamente harmônica:
- Pai Nzanbi → A Unidade Absoluta.
- Triângulo Divino → Os três atributos primordiais (Vontade, Sabedoria e Luz).
- Dualidade → Os dois princípios geradores (Materno e Paterno).
É interessante que o sistema não comece diretamente com o masculino e o feminino. Antes disso, ele apresenta a Unidade e a Trindade. Essa ordem confere à dualidade um papel de desdobramento da Unidade, e não de origem independente. Filosoficamente, essa é uma estrutura bastante coerente, a meu ver para uma cosmologia. Ela também diferencia o Projeto Ẹlẹ́dàá de muitas outras narrativas cosmogônicas, justamente pela sequência Unidade → Trindade → Dualidade → Criação.
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4. O Reino de Pai Oxalá
A Casa dos Orixás Funfun
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após a manifestação da Unidade, da Trindade e da Dualidade, inicia-se uma nova etapa da criação.
Antes que os espíritos ingressem plenamente na experiência do universo manifestado, Pai Nzanbi estabelece um Reino destinado à preparação de cada criatura.
Esse Reino é conhecido como A Casa dos Orixás Funfun, ou O Reino de Pai Oxalá.
Pai Joaquim explica que essa Casa pode ser compreendida pela imagem de uma família amorosa que se prepara para receber seus filhos.
Antes mesmo do nascimento de uma criança, os pais organizam toda a estrutura necessária para sua vida.
Preparam o quarto.
Montam o berço.
Providenciam quem cuidará da criança.
Planejam sua educação.
Escolhem os caminhos para seu desenvolvimento intelectual, moral, filosófico e espiritual.
Nada é deixado ao acaso.
Da mesma maneira, antes da manifestação plena da vida, Pai Nzanbi estabelece uma estrutura sagrada destinada ao crescimento de cada espírito.
É nesse Reino que todo o planejamento divino da evolução é preparado.
O Triângulo Sagrado
No interior da Casa dos Orixás, Funfun manifesta-se um novo triângulo, denominado por Pai Joaquim de Angola como O Triângulo Sagrado.
Enquanto o primeiro Triângulo Divino revela os princípios universais da criação, este segundo triângulo revela os princípios da formação espiritual das criaturas.
Ele é composto por três grandes Mistérios.
Orixá Oxalá
O Pai da Certeza
Oxalá representa a certeza da origem divina.
É Ele quem imprime, no mais profundo de cada espírito, a consciência de que toda criatura pertence à Fonte.
Mesmo quando essa consciência permanece adormecida durante a caminhada evolutiva, ela jamais desaparece.
É essa certeza interior que Pai Joaquim identifica como a verdadeira Fé.
A fé, portanto, não é apenas uma crença.
É a memória silenciosa da nossa origem divina.
Olódùmarè
O Arquiteto da Experiência
Olódùmarè estabelece o Ayé.
O mundo manifestado.
O ambiente onde os espíritos poderão amadurecer.
Pai Joaquim compara esse mundo ao espaço externo da casa dos pais.
É nele que aprendemos.
Erramos.
Construímos.
Experimentamos.
Crescemos.
O Ayé torna-se, assim, a grande escola da evolução.
Òrúnmìlà
O Guardião dos Destinos
Òrúnmìlà guarda os destinos.
Nele repousam os propósitos para os quais cada espírito foi criado.
Seu Mistério orienta a caminhada evolutiva para que cada criatura encontre o caminho que conduz ao cumprimento de sua missão.
Os Guardiões da Formação
Além do Triângulo Sagrado, Pai Joaquim descreve outros Mistérios pertencentes à Casa dos Orixás Funfun.
Cada um participa da formação integral dos espíritos.
Olúfã Babá
Guardião da Sabedoria.
Representa o conhecimento adquirido ao longo do tempo e das inúmeras experiências da existência.
Oguiã Babá
Guardião da Força.
Concede coragem, disciplina e perseverança para enfrentar as lutas necessárias ao desenvolvimento espiritual.
Os Irúnmọlẹ̀ Funfun
Os Irúnmọlẹ̀ Funfun atuam como auxiliares da formação das criaturas.
Entre eles, Pai Joaquim destaca:
Ìbejì
Guardião do coração.
Mantém viva a pureza, a alegria e a capacidade de amar.
Está sempre pronto a socorrer quando o espírito necessita de consolo e renovação.
Òṣùmàrè
Guardião das forças geradoras da vida.
Zela pelo equilíbrio das energias criativas e sexuais, compreendidas como expressão do poder da continuidade da criação.
Exu Mirim
Guardião da mente.
Auxilia na formação do pensamento, do discernimento e da responsabilidade pelas próprias escolhas.
Egúngún
Guardião das travessias.
Acompanha todas as passagens da existência, preservando a ligação entre os ancestrais do Ẹgbẹ́ Òrun e aqueles que vivem no Ayé.
Mantém vivo o auxílio mútuo entre os dois planos durante toda a caminhada evolutiva.
Síntese:
A Casa dos Orixás Funfun representa o grande centro de preparação da vida.
Nela, cada espírito recebe os princípios, os recursos e o acompanhamento necessários para iniciar sua jornada no Ayé.
Nada é fruto do acaso.
Tudo é cuidadosamente preparado para que cada criatura possa crescer em sabedoria, responsabilidade e consciência, retornando, ao final de sua caminhada, à Fonte Divina.
Na analogia da "casa dos pais". A cosmologia explicada por Pai Joaquim de Angola, fica acessível sem perder sua profundidade. Façamos, porém, uma distinção conceitual para fortalecer a estrutura do Codex:
- Triângulo Divino → explica como o universo começa a existir.
- Triângulo Sagrado → explica como os espíritos são preparados para viver nesse universo.
Essa diferença nos ajudará a compreendermos que um triângulo trata da arquitetura da criação, enquanto o outro trata da arquitetura da formação espiritual. Essa organização deixa a narrativa ainda mais clara, eu acredito.
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5. A Magia Divina Elemental
A Proteção dos Mistérios da Criação
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após serem estabelecidos o programa da vida, a formação dos espíritos e toda a estrutura necessária para sua evolução, torna-se necessário assegurar que os Mistérios da Criação permaneçam preservados.
A Sabedoria Divina não pode ser entregue de forma indiscriminada.
Ela deve ser protegida, guardada e revelada progressivamente, conforme o amadurecimento das criaturas.
Esse princípio encontra paralelo nas palavras de Jesus quando ensina que os mistérios do Reino de Deus seriam compreendidos pouco a pouco, à medida que o coração humano estivesse preparado para recebê-los.
Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, essa proteção recebe o nome de Magia Divina Elemental.
Ela representa a arquitetura espiritual criada para preservar o equilíbrio, a ordem e a integridade da própria criação.
Os Quatro Cantos
Pai Joaquim descreve que, no Reino de Pai Oxalá, os Mistérios da Criação são organizados dentro de uma estrutura espiritual denominada Os Quatro Cantos.
Esses quatro pilares representam os fundamentos sobre os quais repousa toda a arquitetura espiritual do universo.
Seu objetivo não é ocultar o conhecimento, mas preservá-lo até que cada espírito esteja preparado para compreendê-lo corretamente.
Os Quatro Anciões
Cada um desses Quatro Cantos é confiado a um grande Guardião, chamado por Pai Joaquim de Os Quatro Anciões.
Esses Anciões são responsáveis por:
- preservar a Sabedoria Divina;
- manter a ordem espiritual da criação;
- proteger os Mistérios Sagrados;
- assegurar que tudo permaneça em perfeita harmonia com a Vontade de Pai Nzanbi.
Seu trabalho acontece no plano espiritual, sustentando a estrutura invisível da criação.
Exu Maioral
Na parte externa dessa arquitetura manifesta-se Exu Maioral.
Segundo Pai Joaquim de Angola, Exu Maioral é o grande Guardião dos limites sagrados.
Seu Mistério protege os acessos àquilo que foi consagrado por Pai Nzanbi.
Por essa razão, é chamado de:
Pai de todos os Exus Kimbandeiros.
Sua função não é apenas guardar, mas também manter a disciplina espiritual necessária para que os Mistérios sejam preservados.
Nenhuma força atravessa esses limites sem a devida autorização.
Ungangas (ou Ngangas) e Aungangas (ou Anhangás)
No Ayé, essa proteção manifesta-se por meio dos sacerdotes guardiões.
Pai Joaquim denomina:
- Ungangas — sacerdotes masculinos.
- Aungangas — sacerdotisas femininas.
Sua missão consiste em preservar a sacralidade dos ambientes dedicados ao culto, ao ensino e ao desenvolvimento espiritual.
São eles os responsáveis por zelar pelos templos, pelos altares e pelos espaços consagrados, mantendo-os harmonizados com a arquitetura espiritual sustentada por Exu Maioral.
Assim, o que é protegido no plano invisível encontra sua correspondência no mundo material.
Síntese:
A Magia Divina Elemental representa o sistema de proteção da criação.
Nada do que pertence ao Sagrado permanece sem guarda.
Os Quatro Anciões preservam a estrutura interna dos Mistérios.
Exu Maioral protege seus limites.
Ungangas e Aungangas tornam essa proteção visível no Ayé, zelando pelos templos e pelos espaços consagrados.
Dessa forma, a Sabedoria Divina permanece acessível, mas sempre revelada segundo o amadurecimento espiritual de cada criatura.
Arquitetura do Codex. Até agora, cada etapa responde a uma pergunta fundamental:
- Como tudo existia? → O Vazio Cheio.
- Como tudo começou? → O Triângulo Divino.
- Como a vida passou a existir? → O Princípio da Dualidade.
- Como os espíritos são preparados? → O Reino de Pai Oxalá.
- Como tudo isso é protegido? → A Magia Divina Elemental.
Essa progressão torna a cosmologia muito fácil de acompanhar. Podemos perceber que cada capítulo resolve uma questão essencial da criação antes de avançar para a seguinte. Ela cria uma narrativa contínua, quase como uma grande história da origem do universo segundo a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
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6. Os Quatro Oshás Primordiais
A Fundação da Vida
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após serem estabelecidos os princípios da criação, a preparação dos espíritos e a proteção dos Mistérios Divinos, inicia-se uma nova etapa da Obra Criadora.
Chega o momento de preparar os primeiros ambientes onde a vida poderá manifestar-se.
Antes mesmo da criação do Ayê, Pai Nzanbi estabelece quatro grandes Oshás Primordiais, realidades espirituais perfeitas que servirão de fundamento para toda a criação futura.
Esses Oshás existem em estado de absoluta harmonia e constituem a matriz original da vida.
O que é um Oshá?
Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, Oshá não significa apenas um Reino espiritual.
Segundo Pai Joaquim de Angola, um Oshá representa a totalidade de tudo aquilo que pertence a um determinado domínio da criação.
Cada Oshá reúne:
- as Leis Divinas que o organizam;
- os Mistérios nele manifestados;
- os Orixás que o regem;
- os Seres Elementais que nele habitam;
- suas forças, características e propriedades;
- toda a inteligência espiritual responsável por sua manutenção.
Assim, um Oshá não é apenas um lugar.
É uma realidade espiritual completa.
Òṣà Iná
O Oshá das Chamas da Transmutação
Representa toda a realidade espiritual relacionada ao Mistério do Fogo Divino.
Seu princípio fundamental é a transmutação.
Nele manifestam-se as forças responsáveis pela purificação, renovação e aperfeiçoamento contínuo da criação.
Esse Oshá é regido por:
Orixá Egunitá
Senhora das Chamas Divinas (transmutação).
Seu fogo não destrói por destruir.
Ele purifica, transforma e conduz toda criatura ao aperfeiçoamento espiritual.
Nesse Oshá vivem os Elementais do Fogo, seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios da transmutação, podemos chamá-los de Salamandras.
Òṣà Omi
O Oshá das Águas
Representa toda a realidade espiritual das Águas Primordiais.
É o Oshá onde a vida encontra sua origem, continuidade e renovação.
Nele manifestam-se quatro grandes Mistérios Divinos.
Mãe Yemọjá
Senhora das águas agitadas.
Mistério da maternidade, da proteção e do movimento da vida.
Nesse Oshá das águas agitadas vivem as Ondinas, Sereias, seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios das águas e sua força.
Mãe Òṣun
Mistério da força das águas.
Expressa o amor, a fertilidade, a prosperidade e a beleza da criação.
Nesse Oshá, onde a água tem a sua força, lembremos as cachoeiras como exemplo para melhor compreendermos. Também vivem as Ondinas, Sereias, seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios das águas.
Mãe Nàná
Mistério da decantação.
Conduz o amadurecimento, a transformação lenta e a preparação para novos ciclos.
Pai Olókun
Senhor dos abismos dos oceanos.
Representa a profundidade dos Mistérios da Vida e da Consciência Primordial.
Os Elementais das Águas cooperam com esses Mistérios, preservando o equilíbrio e a continuidade da vida.
Òṣà Fùrùfù
O Oshá do Sopro da Vida
Representa toda a realidade espiritual do Ar.
Seu princípio fundamental é o movimento.
É o Oshá da comunicação, da inspiração, da circulação das energias e do sopro vital.
Seu mistério é regido por:
Mãe Yansã
Senhora do Sopro da Vida.
Move os ventos que levam e trazem.
Conduz as mudanças, as transformações e o dinamismo permanente da criação.
Os Elementais do Ar preservam o equilíbrio dos movimentos e da circulação das energias em todo o universo. Podemos chamá-los de Silfos.
Òṣà Ilẹ̀
O Oshá da Terra
Representa toda a realidade espiritual da sustentação e da estabilidade.
É o Oshá onde repousam os fundamentos da forma e da permanência.
Nele manifestam-se dois grandes Mistérios.
Mãe Onilé
Senhora da superfície da Terra.
Representa a fertilidade, o acolhimento e o sustento da vida.
Pai Aganjú
Senhor do interior da Terra.
Representa as forças profundas da estrutura planetária, da resistência e da estabilidade da criação.
Os Elementais da Terra preservam permanentemente a ordem e o equilíbrio desse Oshá, seja na superfície ou no interior.
Os Seres Elementais
Cada Oshá torna-se o lar de uma ordem específica de seres espirituais.
Pai Joaquim denomina esses seres de Elementais.
Os Elementais possuem:
- individualidade;
- inteligência;
- sabedoria;
- Consciência de sua missão.
Não são simples manifestações energéticas. Embora também existam os seres puramente energéticos, que chamamos de Elementares, não vamos confundir com Elementais que se referem a esse capítulo.
São criaturas espirituais conscientes, criadas para cooperar com os Mistérios Divinos presentes em cada Oshá.
Sua missão consiste em preservar, harmonizar e manter o perfeito funcionamento da realidade espiritual à qual pertencem.
Os Oshás Primordiais
Os quatro Oshás permanecem em estado de absoluta pureza.
Existem em uma dimensão própria.
Embora coexistam com o universo material, pertencem a uma realidade espiritual distinta.
Pai Joaquim explica que esses Oshás permanecem intimamente ligados ao Ayê.
Sem eles, o mundo material não poderia existir.
Toda manifestação da natureza encontra nesses Oshás sua causa espiritual mais profunda.
O Protótipo da Criação Material
Os quatro Oshás tornam-se o modelo original daquilo que mais tarde será conhecido, no Ayê, como:
- Reino Mineral;
- Reino Vegetal;
- Reino Animal;
- Reino Humano ou Hominal.
Esses reinos materiais não reproduzem integralmente a perfeição dos Oshás.
São adaptações destinadas ao processo evolutivo vivido na matéria.
A Criação do Ayê
Após estabelecer os quatro Oshás Primordiais, Pai Joaquim ensina que o próximo grande passo da criação será confiado a Olódùmarè.
Compete a Ele estruturar o Ayê, o plano físico ou o plano da matéria.
O Ayê não constitui uma cópia perfeita dos Oshás Primordiais.
É uma manifestação dimensional adaptada às limitações da matéria e dos seres que vão habitá-los.
Nele, os espíritos experimentarão o tempo, o espaço, as escolhas, os desafios e o amadurecimento.
Se os Oshás representam a perfeição da origem, o Ayê torna-se a grande escola da evolução.
Síntese:
Os quatro Oshás Primordiais constituem a fundação invisível da criação.
Cada Oshá é uma realidade espiritual completa, reunindo Leis Divinas, Mistérios, Orixás, Seres Elementais, forças e inteligências que atuam em perfeita harmonia.
São eles que sustentam toda a arquitetura espiritual da vida e servem de modelo para a futura criação do Ayê.
Nota do autor(01): Ocorreu-me uma analogia que pode ajudar o leitor a compreender esse conceito sem empobrecê-lo: um Oshá seria como um "ecossistema espiritual". Assim como um ecossistema reúne ambiente, leis naturais, seres vivos e relações que formam uma unidade, um Oshá reúne o domínio espiritual, seus Mistérios, Orixás, Elementais e princípios de funcionamento em uma única realidade integrada. Essa comparação pode ser útil como recurso didático, deixando claro que se trata apenas de uma analogia e não da definição propriamente dita. Isso é importante para nós entendermos.
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7. Os Guardiões dos Reinos Naturais
Os Primeiros Habitantes do Ayê
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após a estruturação do Ayê por Olódùmarè, inicia-se uma nova etapa da criação.
Antes do surgimento da humanidade, Pai Nzanbi prepara aqueles que terão a missão de preservar o equilíbrio da natureza.
São criados espíritos especialmente destinados a cuidar dos territórios sagrados do mundo físico, assegurando que a vida permaneça em harmonia com os Mistérios Divinos presentes nos Oshás Primordiais.
Esses seres constituem os primeiros habitantes espirituais do Ayê.
Os Iwin
Entre os primeiros espíritos criados para essa missão encontram-se os Iwin.
Pai Joaquim de Angola ensina que sua missão consiste em guardar os territórios considerados sagrados na natureza.
Não exercem domínio sobre a criação.
São guardiões.
Preservam a ordem, a harmonia e os Mistérios confiados por Pai Nzanbi.
Sua atuação concentra-se principalmente em dois grandes domínios naturais:
- o Reino das Águas;
- o Reino das Matas.
Embora distintos, esses dois reinos trabalham em perfeita cooperação, sustentando o equilíbrio da vida no Ayê.
Os Iwin conhecem profundamente os mistérios da natureza e zelam para que permaneçam preservados.
Os Encantados
Juntamente com os Iwin, manifestam-se outros espíritos conhecidos como Encantados.
Sua missão consiste em proteger toda a vida presente nos Reinos Naturais.
Enquanto os Iwin guardam os territórios sagrados, os Encantados atuam diretamente na preservação das inúmeras formas de vida que neles habitam.
Sua presença assegura que a natureza continue expressando os propósitos estabelecidos por Pai Nzanbi desde a origem da criação.
Sua ligação com os Oshás
Cada Iwin e cada Encantado encontra-se vinculado a um dos Oshás Primordiais.
Essa ligação determina sua natureza, suas responsabilidades e os Mistérios Divinos com os quais cooperam.
Assim, cada um atua em perfeita sintonia com o Orixá regente do Oshá ao qual pertence.
Essa unidade garante que todas as forças da criação permaneçam integradas, desde os Reinos Espirituais Primordiais até sua manifestação no Ayê.
Os Primeiros Habitantes do Mundo Material (Ayê)
Pai Joaquim explica que os Iwin e os Encantados são os primeiros espíritos destinados a habitar o Ayê.
Muito antes da humanidade, já cumpriam sua missão de preservar o equilíbrio dos ambientes naturais.
Por conhecerem profundamente os Mistérios da criação, dominam naturalmente aquilo que Pai Joaquim denomina Magia Divina Elemental.
Essa magia não representa poder pessoal nem instrumento de domínio.
É a expressão do conhecimento das Leis Divinas que regem a natureza.
Por meio dela, cumprem suas responsabilidades de proteção, equilíbrio e conservação da vida.
Os Guardiões da Natureza
Os Reinos Mineral, Vegetal e Animal permanecem sob constante cuidado desses espíritos.
Nada existe de forma isolada.
Toda montanha.
Toda floresta.
Todo rio.
Toda nascente.
Toda espécie.
Possui guardiões responsáveis por preservar sua integridade e seu propósito dentro da Obra Criadora.
Assim, a natureza manifesta-se como um grande templo vivo, sustentado por inteligências espirituais que cooperam silenciosamente para manter o equilíbrio da criação.
Síntese:
Os Iwin e os Encantados representam a primeira presença espiritual no Ayê.
Criados antes da humanidade, tornam-se os guardiões dos Reinos Naturais e dos territórios sagrados.
Em profunda sintonia com os Oshás Primordiais e seus respectivos Orixás, utilizam a Magia Divina como expressão das Leis da Criação, preservando o equilíbrio, a vida e os Mistérios da natureza para todas as gerações.
Nota do autor (02): Considero muito importante para a compreensão da arquitetura da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá observarmos o seguinte:.
Até agora, a narrativa de Pai Joaquim de Angola segue uma ordem natural, que nos faz compreender a sabedoria Divina:
- 1–6: preparação do universo.
- 7: preparação do mundo natural (Elemental).
- 8 (a próxima): preparação para a criação da humanidade.
Essa divisão cria três grandes fases:
- Cosmologia da Criação (origem do universo).
- Cosmologia da Natureza (origem e organização do Ayê e de seus guardiões).
- Cosmologia Humana (origem da raça humana, de onde viemos, seu propósito e sua evolução).
Pai Benedito de Aruanda escolheu essa sequência de estudo trazida por Pai Joaquim de Angola, para que o nosso Codex Ẹlẹ́dàá, forme uma estrutura muito clara e fácil de acompanhar. Ela organiza a narrativa em grandes blocos temáticos, sem perder a continuidade cronológica da criação.
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8. A Criação do Homem
O Início da Jornada Humana (primeira escola)
Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, transmitidas por Pai Joaquim de Angola, após a criação do Ayê por Olódùmarè, o mundo material encontrava-se plenamente estruturado.
Os reinos Mineral, Vegetal e Animal já existiam, assim como os Espíritos da Natureza encarregados de sua preservação.
Entretanto, a humanidade ainda não havia iniciado sua jornada.
Antes de ingressar no Ayê, o homem seria preparado em outro domínio da criação.
O Reino dos Espíritos da Natureza
Além do Ayê, Pai Benedito revela a existência de um domínio espiritual denominado Reino dos Elementais.
Esse Reino não corresponde ao plano físico.
É um mundo paralelo, preservado em sua pureza original.
Nele habitam inúmeras ordens de espíritos responsáveis pela sustentação da natureza.
Pai Benedito chama esses espíritos de ESPÍRITOS DA NATUREZA.
Entre eles encontram-se:
- os Ébórá, que podem ser: Encantados, Iluminados e Divinizados;
- os Iwin (protetores, guardiões);
- os Ajá (curandeiros);
- os Gnomos (trabalhadores da terra);
- as Fadas (responsáveis pela vegetação);
- os Silfos (ventos, correntes de ar);
- as ondinas (águas, tanto dos mares como dos rios);
- as Salamandras (fogo);
E muitas outras ordens espirituais cuja missão consiste em cooperar com os Orixás na preservação da criação.
Cada grupo atua em sintonia com um dos Oshás Primordiais e com o Orixá correspondente, recebendo deles o Axé necessário para cumprir sua missão.
A Criação do Homem
Diferentemente das demais criaturas, o homem é criado com uma característica singular.
Recebe o livre-arbítrio.
Não nasce moralmente perfeito nem inclinado ao mal.
É criado em condição de neutralidade, possuindo a liberdade de escolher o caminho que seguirá durante sua evolução.
Essa liberdade constitui o fundamento de todo o seu aprendizado espiritual.
O Sopro da Vida
Inicialmente, o homem manifesta-se como espírito.
É Pai Olórun quem lhe concede o Èmí, o Sopro da Vida.
Por meio do Èmí, o espírito torna-se consciente de si mesmo e inicia sua caminhada dentro da criação.
O Reino dos Elementais
Segundo Pai Benedito, o primeiro ambiente habitado pelo homem não é o Ayê.
Sua primeira morada é o Reino dos Elementais.
Esse Reino corresponde ao estado primordial da criação.
Na compreensão da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, é esse ambiente que a tradição bíblica descreve simbolicamente como o Paraíso.
Não se trata do mundo material.
É um domínio espiritual onde a criação permanece íntegra, equilibrada e plenamente harmonizada.
A Harmonia Original
No Reino dos Elementais, toda a criação manifesta sua condição primordial.
Os reinos mineral, vegetal e animal coexistem em perfeita harmonia.
Os Espíritos da natureza convivem naturalmente com todas as formas de vida.
Não existem desequilíbrios.
Não há violência.
Não existem fenômenos destrutivos.
A criação expressa integralmente a ordem estabelecida por Pai Nzanbi.
Pai Benedito descreve esse estado afirmando que toda a natureza comunica-se livremente.
Os animais.
As plantas.
Os Elementais.
E até mesmo a própria Terra manifesta sua consciência.
Toda a criação participa de uma única comunhão de vida.
A Primeira Escola da Humanidade
É nesse Reino que o homem inicia seu aprendizado.
Antes de conhecer os desafios do Ayê, convive com os Elementais e com todos os Espíritos da natureza.
Aprende diretamente com a natureza em seu estado puro.
Conhece os Mistérios da criação sem conflito, sofrimento ou separação.
Sua formação acontece por meio da convivência com a própria vida.
A Preparação para o Ayê
Somente após esse período de formação é que o homem estará preparado para ingressar no Ayê.
Ali encontrará uma realidade diferente.
No mundo material, o aprendizado ocorrerá por meio das escolhas (Encruzilhadas), das consequências (Lei), do tempo e da experiência.
O Reino dos Elementais representa, portanto, a primeira escola da humanidade.
O Ayê tornar-se-á sua segunda grande escola.
Síntese:
Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, o homem não inicia sua existência no Ayê.
Sua primeira morada é o Reino dos Elementais, um domínio espiritual onde toda a criação permanece em estado de perfeita harmonia.
É nesse ambiente que o espírito humano recebe sua formação inicial, convivendo com os Espíritos da Natureza, os Elementais e toda a natureza antes de iniciar sua jornada evolutiva no mundo material.
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9. O Homem no Ayê
A Jornada da Liberdade
Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, transmitidas por Pai Joaquim de Angola, a narrativa bíblica da tentação da serpente e da expulsão do Paraíso deve ser compreendida em linguagem simbólica.
Ela não descreve apenas um acontecimento isolado.
Representa o início da jornada evolutiva da criatura em direção ao pleno exercício de sua liberdade.
Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, o chamado "Paraíso" corresponde ao Reino dos Elementais, onde o espírito inicia sua existência em estado de pureza, convivendo com os Espíritos da Natureza e aprendendo diretamente com a criação em perfeita harmonia.
A saída desse Reino não representa uma punição.
Representa o início de uma nova etapa da evolução.
A Evolução do Espírito
Pai Benedito compara o desenvolvimento espiritual ao crescimento de um ser humano.
Assim como a vida corporal atravessa diferentes fases, também o espírito percorre sucessivas etapas de amadurecimento.
Essas etapas podem ser compreendidas simbolicamente como:
- Infância — aprendizado, pureza e dependência.
- Adolescência — descobertas, escolhas e transformações.
- Vida adulta — responsabilidade, consolidação e amadurecimento.
- Velhice — sabedoria, síntese e preparação para novos ciclos.
Da mesma maneira, a evolução espiritual acontece progressivamente.
Cada etapa prepara a seguinte.
A Infância Espiritual
A primeira etapa acontece no Reino dos Elementais.
Ali o espírito vive em estado de pureza.
Recebe o Èmí.
Aprende diretamente com os Espíritos da Natureza.
Conhece os Mistérios da criação em sua forma original.
Nesse estágio, ainda não experimenta plenamente as consequências do livre-arbítrio.
Assim como uma criança é acompanhada por seus pais, o espírito permanece protegido enquanto desenvolve suas primeiras compreensões da vida.
O Início das Escolhas
Chega, porém, o momento em que o espírito precisa experimentar sua própria liberdade.
É nesse ponto que começa aquilo que a narrativa bíblica representa simbolicamente pela saída do Paraíso.
Segundo Pai Benedito, não se trata de uma expulsão motivada pela ira Divina.
É uma passagem natural do processo educativo da criação.
O espírito deixa o ambiente protegido para iniciar sua própria experiência.
Os Muitos Ayê
Pai Benedito ensina que não existe apenas um Ayê no Universo de Pai Nzanbi.
Existem inúmeros mundos materiais, destinados aos diferentes níveis de desenvolvimento espiritual.
Cada espírito habita aquele mundo mais adequado às suas necessidades evolutivas.
Assim, a criação oferece múltiplos ambientes de aprendizado, todos subordinados às Leis Divinas.
Os Mundos Escuros
A primeira experiência da criatura nos mundos da matéria ocorre naquilo que Pai Benedito denomina Mundos Escuros.
Essa expressão não significa ausência da presença Divina.
Refere-se ao fato de que, nesses mundos, o espírito ainda vive predominantemente identificado com suas limitações, seus conflitos e sua ignorância espiritual.
É nesse ambiente que o livre-arbítrio começa a ser exercido de maneira efetiva.
Ali o espírito aprende por meio das consequências de suas próprias escolhas.
Os Mundos de Provas
Após percorrer os Mundos Escuros, o espírito continua sua caminhada.
Passa então a habitar os Mundos de Provas.
Segundo Pai Benedito, é nessa categoria que se encontra o planeta Terra.
Aqui, o espírito já possui maior consciência de suas responsabilidades.
Entretanto, continua sendo chamado a decidir, inúmeras vezes (sucessivas reencarnações), entre diferentes caminhos.
Cada escolha representa uma encruzilhada espiritual.
Cada existência constitui uma nova oportunidade de aprendizado.
Por essa razão, a Terra é compreendida como um verdadeiro mundo de provas.
Os Mundos de Luz
Quando o espírito desperta plenamente para sua natureza Divina, inicia uma nova etapa.
Passa a habitar os chamados Mundos de Luz.
Nesses mundos, a consciência volta a estabelecer ligação direta com o Orixé, recordando a unidade vivida originalmente no Reino dos Elementais.
Não se trata de um retorno à infância espiritual.
É uma conquista consciente daquilo que antes era vivido de forma inocente.
O espírito permanece livre, mas agora escolhe espontaneamente viver em harmonia com as Leis Divinas.
Os Mundos das Trevas
Pai Benedito também descreve a existência dos Mundos das Trevas.
Segundo esses ensinamentos, correspondem ao destino daqueles espíritos que, após sucessivas oportunidades de aprendizado, nas sucessivas reencarnações e migrações entre mundos, escolhem definitivamente afastar-se da Luz.
Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, essa condição é apresentada como consequência da liberdade plenamente exercida pela criatura. Pai Joaquim de Angola nos disse que é uma escolha sem volta!
O Nosso Caminho
Embora a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá apresente a existência desses diferentes mundos, o objetivo deste estudo concentra-se na compreensão do Ayê onde atualmente vivemos.
Conhecer as etapas anteriores da jornada permite compreender melhor o propósito da vida presente.
Somente entendendo de onde viemos podemos compreender para onde caminhamos.
Síntese (parte I):
Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, a saída do Reino dos Elementais representa o início da experiência consciente do livre-arbítrio.
A criatura percorre sucessivos mundos de aprendizado, amadurecimento e provas, até despertar plenamente para sua natureza, onde escolherá em plena consciência, Luz ou Trevas.
A Terra constitui uma dessas etapas na condição de "Mundos de Provas".
É aqui que o espírito consolida suas escolhas e prepara o caminho para sua futura migração aos Mundos segundo a sua escolha.
O Paraíso não é perdido; ele é conquistado.
A primeira parte da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá apresentou a origem da criação e da jornada humana.
A segunda parte convida-nos a contemplar essa criação por outro ângulo.
Agora deixamos a narrativa cronológica para entrar na contemplação da arquitetura espiritual que sustenta o Mundo de Provas.
O Mapa da Criação torna-se, assim, a chave para compreender como Pai Olódùmarè preparou o Ayê e como Pai Olórun organizou, em perfeita harmonia, todos os Mistérios que conduzem à evolução da vida.
Na Parte I, Pai Benedito de Aruanda responde à pergunta:
"Como tudo começou?"
Na Parte II, ele passa a responder:
"Como tudo funciona?"
Axé!
Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - Parte II "A Arquitetura da Criação" (introdução)
A Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas
Vimos o surgimento da criação a partir do Mistério Absoluto, a manifestação do Triângulo Divino, o Princípio da Dualidade, a organização da Casa dos Orixás Funfun, a Magia Divina Elemental, os Oshás Primordiais, os Guardiões dos Reinos Naturais, a criação do homem e o início de sua jornada evolutiva.
Toda essa preparação conduziu a um momento decisivo.
O ingresso da humanidade no Ayê, o Mundo de Provas.
Entretanto, segundo Pai Benedito, o Ayê não foi criado ao acaso.
Antes da chegada da humanidade, todo esse mundo foi cuidadosamente preparado por duas grandes manifestações da Inteligência Divina.
Pai Olódùmarè preparou a estrutura material do Ayê.
Pai Olórun organizou sua estrutura espiritual.
Essa organização constitui aquilo que Pai Benedito denomina:
A Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas.
Ou, de forma mais sintética, O Mapa da Criação.
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, o Mapa da Criação não representa apenas um símbolo.
Ele descreve a organização espiritual do Ayê.
- Cada linha (Ponto Riscado - Lei de Pemba).
- Cada direção (Forças Magisticas).
- Cada portal dimensional.
- Cada centro de forças e linhas espirituais.
- Cada movimento ritualístico.
Expressa uma função específica dentro da dinâmica da criação.
Assim como uma planta arquitetônica permite compreender a estrutura de uma grande construção, o Mapa da Criação revela a estrutura invisível que sustenta a experiência da vida no Mundo de Provas.
O Ẹlẹ́dàá
É nesse contexto que começamos a compreender o verdadeiro significado do Ẹlẹ́dàá.
O Ẹlẹ́dàá não é apresentado apenas como um conjunto de símbolos.
É uma linguagem espiritual.
Um mapa vivo.
Uma representação da Inteligência Divina organizada para conduzir a evolução da criatura.
Cada símbolo possui uma função.
Cada direção possui um propósito.
Cada Mistério manifesta uma Lei.
À medida que Pai Joaquim apresenta esse mapa, percebemos que toda a criação funciona como uma única arquitetura, onde nada existe de forma isolada.
Tudo está interligado.
Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - Parte II "Como tudo funciona"
10. A Primeira Encruzilhada
O Início dos Caminhos da Escolha
Na primeira parte da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, acompanhamos a humanidade durante sua infância espiritual.
Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, antes de ingressar plenamente nos mundos materiais, o espírito humano vive em um ambiente de aprendizado e proteção, simbolicamente identificado com o Paraíso bíblico e denominado, nesta cosmologia, Reino dos Elementais.
Ali, a criatura ainda aprende diretamente com a natureza e com os Espíritos da Natureza, vivendo em uma realidade preservada da experiência plena das consequências de suas próprias escolhas.
Entretanto, chega um momento em que esse aprendizado precisa avançar.
A criatura não poderá permanecer indefinidamente protegida.
Para amadurecer, deverá exercer aquilo que recebeu como uma de suas maiores dádivas:
O livre-arbítrio
É nesse momento que surge aquilo que Pai Benedito nos ensina a compreender simbolicamente como a Encruzilhada.
A Encruzilhada não representa apenas um lugar onde diferentes caminhos se encontram.
Ela representa o instante em que, diante de diferentes possibilidades, a criatura precisa escolher qual caminho seguirá.
E toda escolha produz consequências.
É nesse contexto que a narrativa bíblica da primeira família humana passa a adquirir, para a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, um significado simbólico especial.
A Família Sagrada
Para compreendermos essa linguagem, Pai Benedito utiliza a primeira família apresentada no livro do Gênesis.
Adão representa simbolicamente o Pai de todos os futuros pais.
Dentro do Cosmograma que estamos procurando compreender, essa função será associada a Orixá Obàtálá.
Eva, apresentada na narrativa bíblica como mãe dos viventes, representa simbolicamente a Mãe de todas as futuras mães.
No Cosmograma, essa função será associada a Odùduwà.
Não estamos afirmando que Adão seja literalmente Obàtálá ou que Eva seja literalmente Odùduwà.
A Cosmologia do Ẹlẹ́dàá utiliza essas figuras como uma linguagem simbólica, permitindo que conceitos pertencentes a diferentes tradições nos auxiliem na compreensão da arquitetura espiritual que estamos estudando.
Dessa primeira família surgem três filhos que representarão três condições diferentes diante da liberdade:
Caim, Abel e Sete.
Caim — A Escolha do Caminho do Erro
Na narrativa bíblica, antes que Caim cometa o ato que mudará sua história, ele recebe uma advertência.
Diante dele existe uma possibilidade.
Ele pode dominar seus impulsos e escolher outro caminho.
Entretanto, Caim escolhe agir contra aquilo que lhe havia sido orientado.
Na leitura apresentada por Pai Benedito, Caim representa aquele que, diante da encruzilhada, escolhe o caminho do erro.
Isso não significa que tenha sido criado para o mal.
Ao contrário.
Sua história somente possui sentido porque ele poderia ter escolhido de maneira diferente.
É exatamente por existir liberdade que pode existir responsabilidade.
A partir de sua escolha, Caim ingressará no caminho das experiências por meio das quais aprenderá pelas consequências de seus próprios atos.
Seu destino, portanto, não é uma condenação estabelecida previamente.
Ele passa a experimentar aquilo que sua própria liberdade colocou em movimento.
Abel — A Confiança nos Desígnios Maiores
Abel representa uma condição diferente.
Segundo Pai Benedito, ele simboliza aquele que aceitou, compreendeu e confiou nos Desígnios Maiores de Pai Olórun, Senhor do Òrun.
Diante da mesma possibilidade de escolha, sua consciência encontra-se em consonância com uma ordem maior.
Por essa razão, dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, Abel não necessitará percorrer os mesmos caminhos de provas destinados àqueles que ainda precisam aprender por meio das experiências do Ayê.
Isso não significa, porém, que sua participação na criação esteja encerrada.
Segundo as orientações recebidas, espíritos nessa condição poderão posteriormente ser chamados a auxiliar seus irmãos que ingressam nos mundos de provas.
Assim, aquele que já compreendeu pode tornar-se servidor daquele que ainda está aprendendo.
Sete — A Escolha do Caminho do Bem
Mais adiante surge Sete.
Ele representa aquele que, diante da encruzilhada, escolhe conscientemente o caminho do bem.
Entretanto, sua escolha ainda deverá ser confirmada por meio da experiência.
Por isso, Sete, assim como Caim, ingressará no Ayê e atravessará os mundos destinados às provas e ao amadurecimento.
Essa diferença é importante.
Escolher o bem não significa estar dispensado da experiência.
Significa escolher uma direção que precisará ser consolidada através das inúmeras decisões que surgirão ao longo da jornada.
A Encruzilhada e o Mistério de Exu
É justamente nesse ponto que começamos a compreender uma das afirmações mais conhecidas das tradições afro-brasileiras:
Exu é o Senhor da Encruzilhada.
Segundo os ensinamentos de Pai Benedito, essa expressão não significa simplesmente que Exu governe cruzamentos ou caminhos físicos.
A Encruzilhada representa o momento da escolha.
E o Reino dos Senhores Exus representa a atuação da Lei sobre as escolhas realizadas pelas criaturas.
Exu não escolhe por nós.
Exu não obriga ninguém a seguir determinado caminho.
A escolha pertence à criatura.
Mas, depois que a escolha foi realizada, suas consequências precisam manifestar-se.
Por isso, Pai Benedito sintetiza esse Mistério por meio de uma antiga expressão:
“Exu dá para quem merece e cobra de quem deve.”
Nesse entendimento, Exu não representa o mal.
Representa a Lei que assegura a responsabilidade sobre aquilo que escolhemos.
Podemos compreender essa arquitetura da seguinte maneira:
Encruzilhada → Escolha → Lei → Consequência → Aprendizado.
A Encruzilhada oferece os caminhos.
O livre-arbítrio permite escolher.
A Lei estabelece as consequências.
E a experiência transforma essas consequências em aprendizado.
Três Caminhos
Assim, a primeira família torna-se uma linguagem simbólica para compreendermos três condições diante da liberdade:
Caim
Escolhe o caminho do erro e aprenderás através das consequências.
Abel
Compreende e confia nos Desígnios Maiores, não necessitando percorrer os mesmos caminhos de prova no Ayê e podendo futuramente auxiliar seus irmãos.
Sete
Escolhe o caminho do bem, mas deverá confirmá-lo e amadurecê-lo através das experiências do Ayê.
Não estamos diante de três destinos arbitrariamente impostos pelo Criador.
Estamos diante de três respostas possíveis da criatura ao exercício da liberdade.
E justamente por isso começa aqui a grande experiência dos Mundos de Provas.
A Primeira Lei da Jornada
A partir deste momento, o espírito passa a compreender uma verdade fundamental:
Ser livre significa também tornar-se responsável.
Não há aprendizado verdadeiro sem escolha.
Não há escolha verdadeira sem possibilidade de erro.
E não existe responsabilidade sem consequências.
A Encruzilhada torna-se, portanto, um dos primeiros grandes Mistérios da Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas.
É nela que o caminho deixa de ser apenas recebido e passa também a ser escolhido.
E é através dessas escolhas que começará cada criatura a construir sua própria história dentro do Ayê.
A Encruzilhada não determina nosso destino.
Ela revela aquilo que escolhemos fazer com a liberdade que recebemos.
Nota do autor (03):
1. Adão → Obàtálá:
Na Bíblia, Adão funciona como cabeça genealógica da humanidade.
Gênesis 5 começa apresentando justamente a “linhagem de Adão”. Eva recebe uma formulação ainda mais explícita: é chamada de “mãe de todos os viventes”.
No universo yorùbá, encontramos uma correspondência funcional importante: Obàtálá aparece em tradições cosmogônicas como aquele que modela a humanidade, enquanto o princípio vital procede da Divindade suprema. Fontes acadêmicas também reconhecem Obàtálá e Odùduwà como figuras centrais das diferentes tradições yorùbás sobre a criação. Portanto, a associação proposta pelo Ẹlẹ́dàá:
Adão → Pai de todos os futuros pais → Obàtálá
E isso combina muito bem com algo que já tínhamos recebido para o Cosmograma:
Obàtálá = Pai de todos os Pais Orixás.
2. Eva → Odùduwà: Aqui precisamos explicar a diversidade yorùbá.
A Bíblia é inequívoca ao chamar Eva de “mãe de todos os viventes”. Já Odùduwà possui tradições bastante diferentes. Em grande parte da tradição histórica yorùbá, Odùduwà aparece como personagem masculino e ancestral fundador de dinastias. Entretanto, existem também antigas tradições nas quais Odùduwà é feminina, associada à Terra e apresentada como esposa de Obàtálá. Um estudo acadêmico sobre essas tradições registra explicitamente essa variante; trabalhos sobre a antiga religião de Ifẹ̀ também reconhecem uma identidade feminina/terrestre de Odùduwà em certos contextos.
Nesse contexto, continuaremos seguindo as orientações de Pai Benedito de Aruanda:
Eva → Mãe de todas as futuras mães → Odùduwà
Mas, acrescentando:
“Esta correspondência pertence à Cosmologia do Ẹlẹ́dàá e dialoga particularmente com tradições yorùbás que preservam o aspecto feminino primordial de Odùduwà; outras tradições apresentam Odùduwà de maneira diferente.”
3. E aqui aparece uma ponte bíblica extraordinária: a primeira Encruzilhada
Antes de Caim matar Abel, Deus fala diretamente com ele:
“Se fizeres o bem...” / “se não fizeres o bem...”
E acrescenta que o pecado está à porta, mas que Caim deve dominá-lo. Ou seja: Caim ainda não cometeu o ato. Existem diante dele possibilidades e ele precisa escolher.
A Bíblia não chama isso de “encruzilhada”. Essa interpretação é nossa. Mas estruturalmente temos exatamente:
Um caminho → uma escolha → duas possibilidades → responsabilidade → consequência.
E aqui a ponte com a filosofia yorùbá fica fortíssima.
Na cosmologia yorùbá, oríta, a encruzilhada, constitui um domínio liminar associado a Èṣù; estudos acadêmicos descrevem Èṣù justamente em relação à consciência, responsabilidade, julgamento, recompensa e sanção decorrentes da ação humana.
Portanto:
Encruzilhada não significa mal.
Encruzilhada significa possibilidade de escolha.
4. Caim: não representa necessariamente “o mal”; representa uma escolha
Caim recebe a advertência antes do assassinato. Após escolher matar Abel, sofre consequências. Entretanto, Deus/Pai Olorum também coloca sobre ele uma marca para impedir que outras pessoas o matem. Caim continua vivendo, constitui família e sua descendência desenvolve cidade, criação de animais, música e metalurgia.
Isso produz uma leitura muito mais interessante que vamos abordar um pouco mais a frente.
Ele simboliza:
O filho que, diante da encruzilhada, escolhe o caminho do erro e passa a aprender por meio das consequências de suas escolhas.
Isso se encaixa extraordinariamente bem no conceito dos Mundos de Provas.
Porque prova só faz sentido quando há liberdade.
E a filosofia yorùbá do Orí também preserva uma tensão entre destino e responsabilidade individual. Estudos sobre o tema registram escolha do destino antes da vinda ao mundo, Òrúnmìlà como Ẹlẹ́rìí-Ìpín, testemunha do destino, e ao mesmo tempo conceitos de responsabilidade pessoal pelas ações realizadas no Ayê.
Temos então:
Destino ≠ ausência de escolha.
5. Abel: Na orientação de Pai Benedito de Aruanda, Abel, como aquele que aceitou, compreendeu e confiou nos desígnios superiores, encontra um paralelo bíblico bastante direto.
Hebreus apresenta Abel como aquele que agiu pela fé, foi reconhecido como justo e, curiosamente, acrescenta:
Mesmo morto, Abel “ainda fala”.
Isso é muito importante para o que o Pai Benedito está ensinando.
Entretanto, precisamos separar cuidadosamente as coisas:
A Bíblia não diz que Abel foi dispensado de mundos de provas, nem que passou a auxiliar espíritos encarnados. Essa é uma revelação específica da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá através de Pai Benedito.
Mas encontramos uma pequena ponte simbólica:
Abel morre fisicamente → permanece como testemunho espiritual → “ainda fala”.
Hebreus 12 utiliza posteriormente a imagem de uma “grande nuvem de testemunhas” que antecederam aqueles que continuam sua jornada.
Não é mediunidade nem doutrina de auxílio espiritual no sentido apresentado pelo Ẹlẹ́dàá. Mas é uma analogia digna de registro.
6. A tradição africana nos oferece outra ponte para Abel
Aqui entramos no universo Bakongo, e achei particularmente interessante por causa da presença de Nzambi na própria construção do Ẹlẹ́dàá.
Na cosmologia Kongo, o mundo dos vivos e o mundo espiritual dos ancestrais permanecem relacionados; estudos históricos e arqueológicos registram a ideia de que espíritos ancestrais podem continuar relacionados aos vivos, procurados para auxílio e orientação. O Cosmograma Kongo/Bakongo também apresenta um limiar entre esses mundos.
Isso não prova as revelações de Pai Benedito a respeito de Abel.
Mas fornece uma excelente ponte africana para uma ideia mais ampla:
Alguns daqueles que atravessaram para o mundo espiritual continuam participando da caminhada daqueles que permanecem no mundo material.
7. Sete talvez contenha a descoberta mais interessante de todas
Vejamos o que acontece no próprio texto bíblico.
Depois da morte de Abel, Eva tem Sete e declara que Deus lhe concedeu outro descendente em lugar de Abel. Depois, Sete gera Enos, e o texto associa esse período ao início de invocar o nome do Senhor.
Isso cria uma relação direta:
Abel → Sete.
Não são simplesmente dois irmãos independentes.
Sete surge biblicamente como continuidade de Abel.
E Gênesis 5 passa justamente a acompanhar a linhagem de Sete até Noé.
Agora comparemos com a orientação de Pai Benedito:
Abel — escolheu confiar nos Desígnios Maiores; não precisará percorrer os Mundos de Provas e auxiliará seus irmãos.
Sete — escolheu o caminho do bem, mas seguirá para o Ayê e será provado.
Surge uma interpretação extremamente lógica:
Abel poderia representar o princípio do Bem já compreendido, a origem ou nascimento no plano espiritual das primeiras Colônias e Postos de socorro à humanidade.
Sete poderia representar esse mesmo princípio que precisa ser realizado por meio da experiência.
Um permanece como referência.
O outro entra na história.
Um “ainda fala”.
O outro continua a linhagem.
No decorrer das orientações de Pai Benedito, vamos juntos amadurecer essa ideia.
8. Talvez a “Família Sagrada” não seja propriamente uma genealogia
Depois desta pesquisa, eu comecei a enxergar a primeira família bíblica no Ẹlẹ́dàá como uma linguagem iniciática da condição humana:
Adão / Obàtálá
→ princípio paterno da humanidade.
Eva / Odùduwà
→ princípio materno da humanidade.
E, diante dos filhos, surge algo novo:
A ENCRUZILHADA.
Daí aparecem três respostas possíveis à existência:
Caim
→ Conhece a orientação, mas escolhe contrariá-la.
→ Caminho do erro e aprendizado pelas consequências.
Abel
→ Compreende, aceita e confia.
→ Caminho da consonância com os Desígnios Maiores.
Sete
→ Escolhe o bem, mas precisa realizá-lo por meio da experiência.
→ caminho da prova e do amadurecimento.
E isso conversa de maneira muito profunda com a sequência da Parte I:
Livre-arbítrio → Encruzilhada → Escolha → Consequência → Aprendizado → Evolução.
9. A encruzilhada não é simplesmente um cruzamento de caminhos físicos. Ela representa o momento da escolha. E, se há escolha, precisa haver consequência. É justamente aí que entra Exu.
Então podemos organizar assim:
Encruzilhada → Escolha → Lei → Consequência
Nesse entendimento, dizer que Exu é o dono da encruzilhada significa que o Reino dos Senhores Exus está ligado à aplicação da Lei sobre aquilo que escolhemos. Exu não escolhe por nós, não nos obriga a seguir um caminho e também não representa o mal. Ele atua sobre as consequências da decisão tomada.
Por isso a frase:
“Exu dá para quem merece e cobra de quem deve.”
Vamos juntos continuar nossos estudos e refletir passo a passo, Axé!
10.1. A Marca de Caim — O Mapa da Criação
A abertura poderia ser construída em torno desta ideia:
Após realizar sua escolha na Primeira Encruzilhada, Caim precisa deixar o ambiente em que até então vivera e iniciar uma nova etapa de sua jornada.
Segundo a narrativa bíblica, temendo aquilo que encontraria fora daquele ambiente protegido, Caim manifesta seu medo de ser morto. Deus então lhe concede um sinal e estabelece que aquele que atentasse contra sua vida responderia sete vezes por seu ato.
A Bíblia não explica qual era a forma desse sinal.
Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, entretanto, essa passagem preserva simbolicamente um ensinamento muito mais amplo. A “marca” de Caim representa a arquitetura espiritual do mundo para o qual ele estava sendo conduzido.
Caim não partiria para um universo abandonado ou desprovido da presença Divina. Ele ingressaria no Ayê, um Mundo de Provas cuidadosamente estruturado por Leis, forças, guardiões e caminhos destinados a permitir que o espírito exercesse sua liberdade e aprendesse através das consequências de suas próprias escolhas.
Essa arquitetura é representada no Projeto Ẹlẹ́dàá pelo Mapa da Criação.
Cada círculo, eixo, direção, símbolo e posição existente nesse mapa possui uma função. Nada está isolado. Todos os elementos participam de uma única estrutura espiritual destinada a sustentar a experiência da criatura no Ayê.
Portanto, compreender a “Marca de Caim”, na linguagem apresentada por Pai Benedito, significa começar a compreender como funciona espiritualmente o Mundo de Provas.
Não vamos explicar o mapa seguindo simplesmente a lista da esquerda para a direita.
O mapa possui uma arquitetura. Então devemos lê-lo por camadas, partindo dos seus fundamentos e avançando para suas manifestações.
11. A Linha da Kalunga — A Primeira Fronteira
Segundo esse ensinamento, a Linha da Kalunga é guardada por Senhor Pambu Nzila, o Senhor da Primeira Fronteira. Ela delimita o sistema protegido do nosso orbe, compreendendo o Ayê — sua estrutura material sustentada pelas forças dos Quatro Oshás — e a arquitetura espiritual organizada por Pai Olórun.
Além dessa fronteira encontra-se aquilo que Pai Joaquim denomina Òrun aberto, pertencente ao vasto universo de Pai Nzambi. Pai Joaquim nos explica que existem muitos Òrun e muitos orbes ou mundos na Criação, entre os quais podem existir diferentes condições e até conflitos que estudaremos mais adiante.
É importante compreender, portanto, que aquilo que Pai Benedito denomina Universo ou Reino das Trevas não corresponde a todo esse ambiente exterior. Refere-se especificamente, neste ensinamento, aos grupos de espíritos que se encontram nas proximidades da fronteira do nosso orbe e que se colocam em oposição às leis estabelecidas por Pai Olórun.
Esses espíritos podem contrariar as leis que regem o nosso mundo, mas não podem ultrapassar a Lei Maior de Pai Nzambi, que é universal, soberana e imutável em toda a Criação.
A Linha da Kalunga não representa, contudo, uma barreira absolutamente fechada. Por meio da sintonia vibratória, a criatura pode estabelecer correspondência com determinadas condições e/ou espíritos existentes além dessa fronteira, criando aberturas pelas quais poderá sofrer pressões e influências muito perigosas.
Ainda assim, essas forças não possuem o direito de anular o livre-arbítrio. Sua atuação permanece submetida aos limites estabelecidos pela Lei Maior (Tribunal de Forças Maiores).
Pai Nzambi concede ao opositor (trevas) um direito limitado de oposição e provação.
Isso significa que a oposição possui função dentro do processo educativo do Mundo de Provas, mas não possui soberania sobre a criatura. Ela pode criar resistência, pressão e circunstâncias de prova; não pode retirar do espírito o direito fundamental de escolher.
É importante para compreendermos inicialmente o universo, considerarmos três realidades, e não apenas “dentro” e “fora”:
Ayê e sua arquitetura espiritual protegida → Linha da Kalunga / Pambu Nzila → Òrun aberto, dentro do qual existe, nas proximidades de nosso orbe, o Reino das Trevas/opositores.
Isso resolve uma questão conceitual importante: nem tudo que está fora da Kalunga são trevas. O Reino das Trevas seria apenas uma condição existente dentro de uma Criação muito maior.
“A Linha da Kalunga não impede a prova; ela garante que, mesmo em meio à prova, a liberdade da criatura permaneça resguardada pela Lei.”
12. A Organização das Guardas da Kalunga
À medida que avançamos na leitura do Mapa da Criação, começamos a perceber que a proteção do nosso orbe não está organizada em uma única barreira.
Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, existe uma verdadeira arquitetura de fronteiras, portais e linhas protetoras, cada qual com seus respectivos Guardiões e funções.
Essa estrutura deve ser compreendida progressivamente, de fora para dentro.
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12.1. Senhor Pambu Nzila — O General da Primeira Fronteira
A primeira grande fronteira é a Linha da Kalunga.
Sua proteção exterior está sob o comando do Senhor Pambu Nzila.
Pai Benedito nos explica que Pambu Nzila não deve ser compreendido apenas como um guardião colocado diante de uma passagem.
Ele é apresentado como um General.
Sob seu comando encontram-se os exércitos espirituais encarregados de proteger externamente a Primeira Fronteira.
Sua responsabilidade está diretamente relacionada à preservação dos limites estabelecidos pela Lei, assegurando que as forças existentes no ambiente exterior não possam penetrar arbitrariamente no espaço protegido do nosso orbe.
A oposição pode existir.
A pressão pode existir.
A provação pode existir.
Mas existem limites.
E a Primeira Fronteira constitui uma das estruturas destinadas a preservar esses limites.
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12.2. As Sete Vibrações do Setenário Sagrado
Os exércitos e falanges responsáveis pela proteção da Kalunga encontram-se relacionados às sete vibrações do Setenário Sagrado dos Orixás:
Pai Obàtálá, Pai Oxóssi, Pai Xangô, Pai Ogum, Mãe Yemojá, Mãe Oxum, Mãe Yansã.
Cada uma dessas vibrações reúne falanges de espíritos que trabalham dentro da força correspondente.
Portanto, não devemos compreender esses agrupamentos como sete exércitos isolados ou independentes.
Eles fazem parte de uma única arquitetura de proteção, organizada segundo as diferentes vibrações do Setenário Sagrado.
Essa organização começa na proteção da Kalunga e terá continuidade no interior do Ẹlẹ́dàá.
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12.3. Senhor Exu Kahanka — O Guardião da Segunda Fronteira
Depois da Primeira Fronteira, encontramos uma Segunda Fronteira.
Ela está sob a guarda do Senhor Exu Kahanka.
Pai Benedito o denomina:
“Guardião das Oito Bandeiras”.
Essas oito bandeiras representam, segundo o ensinamento recebido, oito grandes portais de entrada e saída do nosso orbe.
Essa informação acrescenta um elemento importante à compreensão do Mapa da Criação.
A passagem entre diferentes ambientes espirituais não acontece de maneira aleatória.
Existem pontos determinados para entrada e saída.
Existem Guardiões.
Existem Leis.
E existem condições para que a passagem seja autorizada.
Exu Kahanka e Hachimanjin
Segundo as orientações de Pai Benedito, Senhor Exu Kahanka, aqui no Japão, é chamado de Hachimanjin — Senhor dos Exércitos.
Dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, essa correspondência estabelece uma ponte particularmente importante com o Japão, um dos pontos fundamentais de nossa caminhada e do próprio desenvolvimento deste estudo.
Obs.: Por enquanto, devemos compreender essa identificação exatamente no contexto em que ela foi transmitida por Pai Benedito:
Exu Kahanka → Hachimanjin → Senhor dos Exércitos → Guardião da Segunda Fronteira.
Isso não significa que devamos, neste momento, afirmar que todas as tradições japonesas identificam Hachimanjin com Exu Kahanka.
Essa correspondência pertence às orientações apresentadas dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
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12.4. As Oito Bandeiras e as Oito Horas Grandes
Senhor Exu Kahanka também recebe outro título:
“Senhor Guardião das Oito Horas Grandes”.
Segundo Pai Benedito, essa expressão está relacionada aos mesmos portais representados pelas Oito Bandeiras.
Ela nos revela que a organização das entradas e saídas não possui apenas uma dimensão espacial.
Existe também uma ordem temporal.
Há momentos nos quais determinadas passagens são permitidas e outros nos quais permanecem fechadas.
Assim, as Oito Bandeiras e as Oito Horas Grandes representam dois aspectos de um mesmo Mistério:
Onde se pode atravessar e quando se pode atravessar.
Ainda precisaremos receber mais orientações para compreender plenamente essa organização.
Obs.: Por enquanto, devemos preservar exatamente aquilo que nos foi transmitido, sem antecipar suas funções específicas.
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12.5. A Primeira Porteira — Senhor Caboclo Sete Raios
Depois da Segunda Fronteira, encontramos uma estrutura diferente.
Não se trata de uma terceira fronteira.
Trata-se de uma Porteira.
Essa distinção é muito importante para a leitura do mapa.
A Porteira encontra-se sob a guarda do Senhor Caboclo Sete Raios.
Seu próprio nome preserva uma chave para compreendermos sua função.
Os Sete Raios representam as sete vibrações do Setenário Sagrado:
Obàtálá — Oxóssi — Xangô — Ogum — Yemojá — Oxum — Yansã.
A Porteira encontra-se, portanto, diretamente relacionada à organização dessas sete forças.
Se as fronteiras estabelecem os grandes limites do orbe, a Porteira começa a nos introduzir no sistema de distribuição das forças protetoras que atuarão em seu interior.
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12.6. Das Falanges da Kalunga às Linhas de Ogum de Lei
Dentro de cada uma das sete vibrações do Setenário Sagrado existem falanges espirituais ligadas à proteção da Kalunga.
Essas falanges não permanecem atuando somente nas fronteiras exteriores.
Sua organização possui continuidade dentro do próprio Ẹlẹ́dàá.
Segundo Pai Benedito, é a partir dessa estrutura que chegamos àquilo que conhecemos como:
Ogum de Lei
No interior do Ẹlẹ́dàá, Ogum de Lei atua por meio das chamadas Linhas Protetoras.
São sete:
Ogum Yara, Ogum Beira-Mar, Ogum Rompe-Mato, Ogum Megê, Ogum Malê, Ogum Nagô
Ogum Naruê.
Assim, começamos a perceber uma continuidade entre a proteção exterior e a proteção interior.
As forças que guardam o orbe não desaparecem depois que atravessamos suas fronteiras.
Elas assumem novas formas de organização e atuação dentro do ambiente protegido.
Podemos representar provisoriamente essa arquitetura da seguinte maneira:
- Ambiente Exterior
- Linha da Kalunga — Primeira Fronteira
- Senhor Pambu Nzila — General dos Exércitos Externos
- Segunda Fronteira
- Senhor Exu Kahanka / Hachimanjin — Senhor dos Exércitos
- Oito Bandeiras / Oito Portais / Oito Horas Grandes
Primeira Porteira
Senhor Caboclo Sete Raios — Setenário Sagrado
Interior do Ẹlẹ́dàá
Falanges Protetoras → Ogum de Lei → Sete Linhas Protetoras
Uma arquitetura de proteção:
Essa nova compreensão nos mostra que a defesa espiritual do Mundo de Provas não funciona como uma simples muralha.
Ela possui camadas.
Possui comando.
Possui portais.
Possui horários.
Possui Guardiões.
Possui falanges.
E possui forças especializadas que continuam trabalhando no interior do mundo protegido.
A Primeira Fronteira estabelece o limite exterior.
A Segunda Fronteira controla os grandes portais de entrada e saída.
A Primeira Porteira organiza a passagem para o interior do Ayê através de falanges nas sete vibrações fundamentais.
E, no interior do Ẹlẹ́dàá, as Linhas de Ogum de Lei dão continuidade à proteção do caminho da criatura.
Nota do autor (04): Ainda não conhecemos todos os detalhes dessa arquitetura. Por isso, continuaremos registrando cada orientação à medida que ela nos for apresentada, procurando compreender como cada peça se relaciona com o conjunto. Da fronteira ao caminho interior, a proteção não elimina a prova: ela assegura que a prova aconteça dentro da Lei.
Síntese (parteII):
A primeira parte da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá apresentou a origem da criação e da jornada humana.
Na Parte II da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, começamos a compreender a Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas.
A primeira família bíblica passa a ser utilizada como linguagem simbólica da condição humana: Adão/Obàtálá e Eva/Odùduwà representam os princípios paterno e materno, enquanto Caim, Abel e Sete revelam diferentes respostas diante da primeira grande Encruzilhada — o momento da escolha.
A partir dela, compreendemos:
Livre-arbítrio → Encruzilhada → Escolha → Lei → Consequência → Aprendizado.
Nesse contexto, Exu é apresentado como expressão da Lei, assegurando que cada escolha encontre suas consequências.
A Marca de Caim passa então a simbolizar o próprio Mapa da Criação, código que revela a arquitetura espiritual do Ayê e as Leis que sustentam a experiência no Mundo de Provas.
Começamos sua leitura de fora para dentro:
Linha da Kalunga (círculo externo)
- Primeira Fronteira, protegida pelos exércitos comandados pelo General Pambu Nzila.
- Segunda Fronteira, guardada por Exu Kahanka/Hachimanjin, Senhor dos Exércitos, Guardião das Oito Bandeiras, dos oito portais e das Oito Horas Grandes.
- Primeira Porteira, guardada pelo Caboclo Sete Raios, representando as sete vibrações do
Setenário Sagrado:
Obàtálá — Oxóssi — Xangô — Ogum — Yemojá — Oxum — Yansã.
Dentro dessas sete vibrações atuam falanges espirituais ligadas à proteção da Kalunga, que no interior do Ẹlẹ́dàá se manifestam através das Linhas Protetoras de Ogum de Lei:
Ogum Yara, Ogum Beira-Mar, Ogum Rompe-Mato, Ogum Megê, Ogum Malê, Ogum Nagô e Ogum Naruê.
Assim, começamos a perceber que o Mundo de Provas não está entregue ao acaso: possui fronteiras, Guardiões, portais, exércitos, falanges e Leis destinadas a permitir a provação sem retirar da criatura o direito de escolher.
Se a Parte I respondeu:
“Como tudo começou?”
A Parte II começa agora a revelar:
“Como tudo foi organizado para que pudéssemos escolher, aprender e evoluir?”
Axé!
(Parte III) — A preparação do Ayê por Pai Olodumarê
13.0 - O barro
Curiosamente, encontramos em diferentes civilizações antigas a imagem do ser humano sendo formado a partir da terra, do barro ou da argila.
No Egito, em determinadas tradições, Khnum aparece como o divino oleiro que modela seres humanos em sua roda.Na Mesopotâmia, diferentes narrativas descrevem a formação da humanidade a partir da argila, associada a um elemento divino, com a participação de divindades como Enki/Ea.
Na Grécia, tradições posteriores apresentam Prometeu modelando os seres humanos a partir da terra e da água.
Entre os Yorùbá, determinadas tradições contam que Ọbàtálá modela a forma humana utilizando a matéria da terra, enquanto Olódùmarè concede-lhe o princípio da vida.
Essa recorrência, presente em culturas que desenvolveram suas próprias cosmologias, mostra como o simbolismo da terra enquanto matéria da vida se tornou uma das grandes imagens da origem humana.
Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàá
Pai Benedito de Aruanda nos explica que o barro representa o "Axé de Mãe Onilé — a Mãe Terra".
Mãe Onilé alimenta e sustenta o Reino Elemental da Terra — "Òṣá Ilé" — e todos os seres que nele habitam, inclusive o próprio homem.
Assim, quando as antigas narrativas afirmam que o homem foi formado do barro, podemos compreender, dentro da leitura do Ẹlẹ́dàá, que o corpo destinado à experiência material pertence à própria Terra e recebe dela os elementos necessários para sua existência.
O homem traz consigo, portanto, duas dimensões simbólicas: a matéria que procede da Terra e o princípio da vida que procede do Sagrado.
13.1 - O Jardim do Éden e suas divisões
Éden e Jardim do Éden não são exatamente a mesma coisa.
Gênesis 2:8 afirma:
“O Senhor Deus plantou um jardim no Éden, no Oriente, e ali colocou o homem que havia formado.”
O texto bíblico apresenta, portanto, "Éden como uma região", dentro da qual se encontra o "jardim".
Mais adiante, Gênesis 2:10 relata que:
“Um rio saía do Éden para regar o jardim e, dali, dividia-se em quatro braços.”
Esses quatro braços recebem os nomes de:
"Pisom — Giom — Tigre — Eufrates."
Gênesis não afirma que existiam quatro jardins. Essa compreensão pertence à interpretação que passaremos a apresentar dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàá
Pai Benedito de Aruanda denomina essa região primordial de "Quadrante Sagrado".
É o ambiente relacionado aos seres elementais puros e à condição primordial do homem antes de sua experiência na matéria.
Segundo essas orientações, o Quadrante Sagrado pode ser compreendido como dividido em "quatro campos ou jardins", simbolicamente relacionados aos quatro rios descritos em Gênesis.
Pisom, Giom, Tigre e Eufrates passam, nessa leitura, a representar não apenas águas, mas "direções ou caminhos".
Encontramos aqui a imagem de uma primeira grande "encruzilhada".
Diante dela, o espírito encontra caminhos diferentes segundo suas próprias escolhas.
Um desses caminhos conduz para a experiência do erro, da consequência e do aprendizado.
Segundo Pai Benedito, esse caminho é simbolicamente representado pela direção do "Oriente — o nascer do Sol".
Não devemos compreender esse Oriente apenas como um ponto geográfico. Trata-se principalmente de uma "direção espiritual", de um percurso composto por diferentes estágios.
À entrada desses caminhos existem fronteiras.
O texto bíblico apresenta os "Querubins" guardando o caminho de retorno à Árvore da Vida. Na leitura do Ẹlẹ́dàá, essa imagem encontra correspondência funcional com os "Guardiões de Fronteira", responsáveis pelo controle da passagem entre diferentes regiões.
Segundo as orientações recebidas, após essas fronteiras existem ainda "Sentinelas responsáveis por cada estágio do percurso".
Assim, o caminho não representa apenas deslocamento: representa uma jornada.
13.2 - O Oriente e a entrada do homem na experiência material
O Apocalipse de Moisés
Uma antiga tradição preservada na chamada "Vida de Adão e Eva", cuja versão grega ficou conhecida como "Apocalipse de Moisés", acrescenta uma informação que não aparece em Gênesis. Segundo esse texto, depois de saírem do Paraíso, Adão tomou Eva e seguiu em direção ao "nascer do Sol, isto é, para o Oriente".
Ali permaneceram durante "18 anos e 2 meses", e nessa região nasceram Caim e Abel.
Outra antiga tradição, preservada no "Livro dos Jubileus 3:32", afirma:
Adão e Eva saíram do Jardim do Éden e passaram a habitar na terra de "Elda", “na terra de sua criação”.
Jubileus acrescenta ainda que Adão havia sido criado nessa terra antes de ser introduzido no Jardim do Éden.
Temos, portanto, duas tradições antigas que devem permanecer distintas:
"Jubileus:" Terra de "Elda", terra da criação de Adão.
"Apocalipse de Moisés:" direção do "Oriente", onde Adão e Eva teriam vivido e onde nasceriam Caim e Abel.
Os textos não afirmam que Elda e a região oriental sejam necessariamente o mesmo lugar.
Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàá
Pai Benedito de Aruanda nos orienta que Adão e Eva iniciaram sua experiência na matéria nessa região identificada simbolicamente com a "Terra de Elda".
No Éden, a existência humana é apresentada dentro da condição de pureza espiritual.
Ao deixar esse estado e entrar na nova terra, começa uma experiência diferente:
Para compreender melhor, veja o item "14.0 — A Terra de Elda: O próximo passo evolutivo"
13.3 - As consequências da escolha
Em Gênesis, Deus não pronuncia um único discurso conjunto a Adão e Eva no momento da expulsão.
Primeiramente são apresentadas as consequências da escolha à serpente, à mulher e ao homem.
À mulher, Gênesis 3:16 associa sua nova condição às dores da gestação e do parto e às dificuldades que passariam a marcar a relação entre homem e mulher.
Ao homem, Gênesis 3:17–19 declara que “o solo — adamah — seria amaldiçoado por causa dele.”
Seu sustento passaria a exigir esforço.
Espinhos e dificuldades fariam parte de sua experiência, e o homem trabalharia até retornar ao próprio solo do qual havia sido formado:
“Porque tu és pó e ao pó retornarás.”
Surge novamente o simbolismo do barro.
O homem havia sido formado da terra.
Passaria a viver da terra.
E, ao fim da experiência material, devolveria seu corpo à terra.
13.4 - O conhecimento do bem e do mal
Depois das consequências apresentadas ao casal, encontramos uma declaração divina:
“Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal…”
Segundo a interpretação do Ẹlẹ́dàá
Pai Benedito nos orienta a compreender simbolicamente essa passagem da seguinte maneira:
“Eis que o homem reivindicou o seu direito de escolha entre os dois caminhos.”
Não significa que essa seja a tradução literal da frase bíblica.
Trata-se da "interpretação dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá".
O conhecimento do bem e do mal representa, nessa compreensão, o início da experiência consciente da escolha.
A encruzilhada está diante do homem.
Escolher significa também assumir as consequências do caminho escolhido.
13.5 - A Árvore da Vida e as fronteiras
Gênesis continua dizendo que Deus impediu que o homem tomasse também do fruto da "Árvore da Vida, comesse e vivesse para sempre”.
Por isso:
“O Senhor Deus o expulsou do Jardim do Éden para cultivar o solo do qual havia sido tomado.”
- Gênesis 3:23
O texto bíblico termina essa etapa com uma imagem extraordinária:
Deus colocou querubins a leste do Jardim do Éden e uma espada flamejante para guardar o caminho da Árvore da Vida.
- Gênesis 3:24
Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàá
A expressão bíblica “viver para sempre” pode ser compreendida, dentro da leitura do Ẹlẹ́dàá, como a permanência contínua naquela condição, sem a necessidade das sucessivas experiências na matéria.
“Segundo essa orientação, no Éden a experiência humana ainda transcorria em uma condição de pureza espiritual.”
E os querubins que guardam o caminho da Árvore da Vida apresentam uma imagem que se tornará fundamental para compreendermos a arquitetura espiritual do Ayê:
- existem caminhos;
- existem fronteiras;
- existem guardiões;
- existem leis de passagem;
- e existe um caminho de retorno.
A expulsão do Éden deixa, assim, de representar apenas uma porta que se fecha.
Ela também revela o início de uma jornada.
14.0 — A Terra de Elda: O próximo passo evolutivo
O início da jornada humana — a Segunda Escola
Até este ponto, acompanhamos o homem em sua condição primordial no Éden.
A partir de agora, inicia-se uma nova etapa.
Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, a Terra de Elda representa o "próximo passo evolutivo da humanidade": a primeira transição do espírito, vindo dos Mundos Puros, em direção aos mundos onde a experiência da matéria começará efetivamente a acontecer.
Elda não corresponde ainda ao mundo físico denso tal como hoje o conhecemos.
Trata-se de um "mundo semimaterial", formado por uma matéria tão sutil e quintessenciada que escaparia completamente aos nossos atuais sentidos físicos.
Pai Benedito nos explica que podemos compreendê-lo como um "primeiro molde da matéria", um mundo que ainda espelha de maneira muito próxima a realidade do mundo puro de onde o espírito procede.
É uma realidade intermediária. Não é mais o Éden. Mas também ainda não é a materialidade densa que conhecemos atualmente.
Elda representa, portanto, "a primeira escola de adaptação do espírito à experiência material".
O Livro dos Jubileus e a Terra de Elda
O "Livro dos Jubileus, capítulo 3", preserva uma sequência bastante significativa dos acontecimentos posteriores à transgressão.
Segundo essa narrativa:
Adão e Eva deixam a condição do Jardim do Éden.
Adão oferece incenso e substâncias aromáticas.
Os animais que anteriormente possuíam a capacidade de falar perdem essa faculdade.
Os seres vivos são dispersos.
Então, "no início do quarto mês", Adão e Eva deixam a região do Éden e passam a habitar na "Terra de Elda", chamada pelo próprio texto de: “a terra de sua criação”.
Somente depois dessa passagem começa a narrativa relacionada aos filhos de Adão e Eva e à formação da primeira família humana.
Dentro do nosso estudo, essa sequência é particularmente importante.
Ela sugere uma mudança gradual de condição:
Éden → ruptura → consequência → transição → Elda → formação da família humana.
O quarto mês e as quatro fases
Segundo Pai Benedito de Aruanda, a referência de Jubileus ao “início do quarto mês” pode também ser compreendida simbolicamente como a entrada do homem em uma "quarta fase da experiência".
Essas quatro etapas podem ser organizadas da seguinte maneira:
1 — Criação / nascimento
O homem é criado e vive no Éden.
É a experiência primordial em condição de pureza.
2 — Instrução Divina
O homem recebe orientação, conhece sua origem, seu propósito e os limites necessários à preservação daquela condição.
3 — Tentação
Surge a possibilidade concreta da escolha.
A consciência encontra-se diante da encruzilhada.
4 — Rompimento das muralhas
A escolha produz consequência.
O homem perde a condição necessária para permanecer no estado anterior e começa uma nova experiência.
É nessa "quarta fase" que se inicia a caminhada em direção a Elda.
A perda da condição do Éden
Aqui Pai Benedito faz uma distinção fundamental.
Quando dizemos que Adão e Eva foram “expulsos do Éden”, não devemos imaginar simplesmente Deus retirando duas pessoas fisicamente de um jardim e fechando uma porta atrás delas.
Segundo a orientação recebida, "Adão e Eva perderam a pureza necessária para continuar vivendo naquela condição".
O Éden não precisou deixar de existir. Muito pelo contrário, nos aguarda o retorno. De volta para a casa!
Foram eles que deixaram de possuir a condição espiritual compatível com aquele ambiente.
Assim, a chamada “expulsão” pode ser compreendida, dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, como uma "mudança de estado vibratório e existencial".
O homem não é simplesmente mandado embora.
Ele passa a pertencer a outro estágio da experiência.
Nota importante: mantendo a consciência e preservando a lembrança de todos os acontecimentos.
O reconhecimento do erro.
O Livro dos Jubileus apresenta Adão oferecendo incenso e substâncias aromáticas.
Segundo Pai Benedito, esse gesto simboliza o "reconhecimento do erro e o arrependimento".
- Adão compreendeu.
- Reconheceu sua escolha.
- Procurou reconciliar-se com o Sagrado.
Mas aqui encontramos uma das grandes lições da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá: "Arrependimento não significa cancelamento das consequências."
As Leis do Criador são imutáveis. O perdão pode existir. O reconhecimento pode existir. A reconciliação pode começar.
Mas aquilo que foi desequilibrado precisa ser novamente colocado em equilíbrio.
É necessário "corrigir, aprender e reparar".
Assim começa a escola da consequência.
Quando os animais deixam de falar
Jubileus preserva uma tradição curiosa segundo a qual os animais, que anteriormente falavam, perderam essa capacidade.
Perguntamos a Pai Benedito sobre essa passagem.
Segundo sua orientação, não devemos compreender essa ruptura como limitada aos animais.
Ela alcança também: as plantas; a Terra; os seres elementais(perdemos o contato); e todos os demais seres vivos de todos os Reinos que coabitavam com o homem naquela condição primordial, mesmo quando não são mencionados pela narrativa bíblica.
Cada Reino e cada tipo de vida passaram a ter suas próprias linguagens.
A imagem representa uma condição muito mais profunda: havia comunicação e comunhão entre os diferentes reinos da vida.
Quando o homem perde sua condição original, perde também a capacidade de perceber plenamente essa comunicação.
O mundo não necessariamente ficou silencioso.
O homem é que deixou de conseguir ouvi-lo como antes.
A dispersão dos seres vivos
O Livro dos Jubileus afirma ainda que os seres vivos foram dispersos.
Segundo Pai Benedito, essa dispersão representa a "perda da harmonia entre o homem e os diferentes reinos que anteriormente coabitavam com ele".
Aquilo que antes constituía uma convivência integrada começa a se separar.
O homem passa a experimentar: distância; limitação; conflito; medo; necessidade; e aprendizado.
A separação entre os seres torna-se, assim, parte da própria experiência educativa.
“A terra de sua criação”
Uma das expressões mais intrigantes do Livro dos Jubileus é justamente a definição de Elda como: “a terra de sua criação”.
Perguntamos: Onde exatamente Adão havia sido criado antes de ser colocado no Jardim?
Segundo Pai Benedito de Aruanda, a resposta não deve ser procurada apenas em uma localização geográfica.
A expressão refere-se ao "mundo de onde foi retirado o corpo perispiritual utilizado por Adão e Eva naquele estágio da existência".
Em outras palavras, antes da experiência da matéria física densa, o espírito precisava possuir um veículo adequado à realidade semimaterial em que passaria a viver.
Esse veículo pode ser chamado, dentro de nossa linguagem espiritualista, de "corpo perispiritual".
Assim, Elda seria o mundo cuja matéria forneceria o veículo utilizado por: Adão; Eva; e seus descendentes; e também pelos demais reinos que compartilhassem aquele estágio existencial.
Cada ambiente possui uma condição própria.
E cada ser necessita de um corpo compatível com o mundo no qual deverá manifestar-se.
Elda não é outro nome para o Éden. Essa distinção também foi esclarecida por Pai Benedito.
Elda não é simplesmente outro nome para o Éden. É o estágio seguinte.
É a realidade imediatamente posterior à perda da condição edênica e, por isso, ainda muito próxima daquele mundo.
Podemos representá-la simbolicamente assim:
Mundos Puros
↓ perda da condição original
Elda — primeira realidade semimaterial
↓ experiências sucessivas
Mundos Imperfeitos
↓ aprofundamento da experiência
Mundos de Provas
Elda funciona, assim, como uma espécie de "ponte entre a pureza espiritual e a experiência progressivamente mais materializada".
A consciência ainda permanecia desperta
Apesar da transição, segundo Pai Benedito, o homem ainda não havia perdido completamente a consciência de sua origem espiritual.
Na Terra de Elda, permaneciam vivos: a memória da origem; a consciência do propósito; a compreensão do destino espiritual; e a percepção da presença do Criador.
O "Eu Divino", representado pelas "Sete Virtudes Sagradas", ainda permanecia desperto no coração humano.
O homem entrava na experiência da matéria, mas ainda sabia de onde vinha.
Ainda sabia por que existia.
E ainda compreendia para onde deveria retornar.
É nesse sentido que podemos dizer, dentro da linguagem do Ẹlẹ́dàá, que naquele estágio o homem ainda: “caminhava consciente da presença de Deus.”
Adão, Eva, Ọbàtálá e Odùduwà
É também nesse contexto que devemos compreender a correspondência simbólica anteriormente apresentada dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá:
Adão — pai da primeira família humana.
Ọbàtálá — Pai de todos os Pais Orixás — Babá Orixás.
Eva — mãe da primeira família humana.
Odùduwà — Mãe de todas as Mães Orixás — Yámi Orixás.
Essa correspondência "não significa que Adão seja Ọbàtálá nem que Eva seja Odùduwà dentro das tradições bíblica ou yorùbá".
Trata-se de uma leitura simbólica própria da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
As tradições yorùbá preservam diferentes versões sobre a preparação do Ayé.
Em determinadas narrativas, Ọbàtálá está relacionado à formação da terra e especialmente à modelagem da forma humana.
Em outras, Odùduwà assume papel fundamental no estabelecimento da terra firme, na organização de Ilé-Ifẹ̀ e no desenvolvimento das futuras linhagens.
Dentro das orientações do Ẹlẹ́dàá, essas imagens são utilizadas para compreender dois princípios fundamentais:
Adão / Ọbàtálá — princípio paterno, preparação e organização.
Eva / Odùduwà — princípio materno, geração e continuidade da vida.
Assim começa a organização da primeira família humana.
Preparar a terra.
Quando Gênesis apresenta Adão cultivando o solo depois de sua saída do Éden, Pai Benedito nos orienta a não compreender essa tarefa apenas como o trabalho físico de um agricultor.
Dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá: "preparar a terra significa organizar as condições necessárias para que a vida possa desenvolver-se naquele mundo."
Isso envolve: o ambiente; os diferentes reinos; as relações entre os seres; a constituição das famílias; o aprendizado; as leis; e as condições necessárias para as próximas experiências evolutivas.
Adão prepara. Eva gera. A família começa. E a jornada humana prossegue.
A Segunda Escola
É nesse sentido que Pai Benedito denomina essa nova etapa de "Segunda Escola".
O homem vinha dos "Mundos Puros", mas iniciava sua passagem para os "Mundos Imperfeitos".
A descida não deve ser entendida simplesmente como abandono ou condenação.
Ela representa uma nova forma de aprendizado.
Na primeira condição, o homem conhecia.
Agora precisaria "experimentar aquilo que conhecia".
Saber o que é correto é uma coisa.
Escolher corretamente diante das dificuldades é outra.
Por isso começa: a escola da experiência; a escola da consequência; a escola da reparação; a escola da escolha consciente.
Os sete ambientes da jornada evolutiva
Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, podemos organizar os ambientes relacionados à jornada do espírito da seguinte maneira:
1 — Mundos Celestiais
2 — Mundos Divinos
3 — Mundos Puros
4 — Mundos Imperfeitos
5 — Mundos de Provas
Ao final dessa trajetória apresenta-se uma grande encruzilhada relacionada ao destino do espírito:
6 — Mundos das Trevas ou
7 — Mundos de Luz
Os "Mundos de Luz" representam o caminho no qual o espírito será preparado para o retorno à sua origem.
Os "Mundos das Trevas" representam o resultado da persistência em escolhas contrárias às Leis Divinas.
Segundo as orientações transmitidas por Pai Joaquim de Angola, essa escolha final possui "caráter definitivo".
O grande percurso
Podemos representar simbolicamente a jornada:
1 — Celestiais
↑
2 — Divinos
↑
3 — Puros
ORIGEM DA EXPERIÊNCIA
↓
ELDA — primeira transição semimaterial
↓
4 — Imperfeitos
↓
5 — Provas
↓
ENCRUZILHADA DO DESTINO
↙ ↘
6 — Trevas 7 — Luz
↓
Preparação para o retorno
Assim, Elda passa a ocupar um lugar muito importante nessa arquitetura.
Ela é a "ponte".
O primeiro degrau depois dos Mundos Puros.
O mundo em que o espírito começa a experimentar uma matéria ainda sutil antes de seguir para ambientes progressivamente mais densos.
Uma referência para compreendermos Elda
Pai Benedito nos orienta que não possuímos atualmente uma experiência física capaz de representar exatamente o que foi a Terra de Elda.
Podemos, entretanto, utilizar como referência aproximada alguns dos "mundos ou faixas espirituais percebidos após o desencarne".
Essa comparação é apenas didática.
Não significa que esses ambientes sejam Elda.
Considerando o estágio atual da humanidade, o caminho de retorno até condições semelhantes ainda seria muito longo.
Segundo as orientações recebidas, a realidade mais próxima desse padrão de que temos notícia seria a "Fraternidade de Aruanda".
Aqui é importante fazer uma distinção: "Fraternidade de Aruanda" não deve ser confundida com "Colônia Espiritual de Aruanda."
São realidades distintas dentro das orientações transmitidas no decorrer deste estudo.
Síntese — O que representa a Terra de Elda?
Dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, podemos compreender Elda como:
o primeiro mundo semimaterial da experiência humana;
o estágio mais próximo do Éden após a perda da pureza;
o primeiro molde da matéria destinada à experiência;
o mundo relacionado ao corpo perispiritual da primeira família humana;
o início das consequências decorrentes da escolha;
o começo da Segunda Escola;
e a primeira ponte entre os Mundos Puros e os Mundos Imperfeitos.
Elda não representa simplesmente uma punição.
Representa "continuidade".
O homem perdeu uma condição.
Mas a jornada não terminou.
Uma nova escola foi preparada.
Um novo corpo tornou-se necessário.
Um novo mundo foi apresentado.
E uma nova oportunidade de aprender começou.
"Do Éden para Elda, o espírito não deixa de caminhar."
"Ele apenas dá o próximo passo evolutivo."
14.1 - Igbádù: A Cabaça da Existência
A representação do cosmos
Dentro das tradições yorùbá, a "cabaça - igbá" aparece como uma importante representação simbólica da existência.
Em determinadas concepções cosmológicas, o universo pode ser compreendido simbolicamente como uma grande cabaça formada por duas partes complementares:
A parte superior — Ọ̀run, relacionada à dimensão espiritual;
A parte inferior — Ayé, relacionada à dimensão da existência manifestada.
Assim, a cabaça reúne, em uma única imagem, duas dimensões fundamentais da existência:
Ọ̀run e Ayé. O invisível e o visível. O espiritual e o material.
Aquilo que existe em potência e aquilo que se manifesta.
Entretanto, é importante lembrar que, nessa visão cosmológica, Ọ̀run e Ayé não estão completamente separados.
São dimensões distintas, porém relacionadas entre si, participando de uma mesma realidade cósmica.
Em tradições relacionadas a Ifá, encontramos também referências ao Igbá Odù — Igbádù, a Cabaça de Odù, relacionada aos mistérios da existência, da manifestação e do destino.
Existem diferentes tradições acerca de sua composição e de seus significados internos. Por isso, nem todas as correspondências apresentadas sobre cores, elementos, Odù ou direções devem ser entendidas como uma única doutrina universal yorùbá.
A partir deste ponto, apresentaremos a compreensão transmitida por Pai Benedito de Aruanda dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
Segundo as orientações do Ẹlẹ́dàá, Pai Benedito de Aruanda nos orienta a compreender o Igbádù como uma representação da própria arquitetura da existência.
A grande cabaça reúne, em sua estrutura, Céu e Terra, o princípio espiritual e o princípio gerador, formando um único sistema no qual a vida pode se manifestar e seguir sua jornada.
14.2 - A parte superior: Ọ̀run e Pai Olórun
A parte superior do Igbádù representa o Ọ̀run, a dimensão espiritual
Segundo Pai Benedito, ela representa também simbolicamente Pai Olórun — o Senhor do Ọ̀run.
Assim, a parte superior da cabaça não representa apenas um lugar.
Ela expressa também o princípio celeste e ordenador da criação.
Pai Olórun representa, nessa leitura: O alto; O princípio espiritual; A ordem; A direção Divina — o propósito existencial; A dimensão celeste da existência.
É do alto que procede a orientação.
É no Ọ̀run que se encontra a dimensão espiritual da criação.
14.3 - A parte inferior: Ayé e Mãe Olókun
A metade inferior da cabaça representa o Ayé
Segundo as orientações de Pai Benedito de Aruanda, ela representa igualmente Mãe Olókun, compreendida simbolicamente como o grande útero gerador da vida.
O Ayé, portanto, não deve ser compreendido apenas como uma superfície física ou simplesmente como o planeta Terra.
Ele representa o ambiente no qual aquilo que pertence à dimensão espiritual poderá:Ser recebido; ser gestado; manifestar-se; experimentar; aprender; transformar-se.
Mãe Olókun representa, nessa leitura do Ẹlẹ́dàá, o princípio receptivo e gerador que acolhe em seu ventre a manifestação da vida.
Temos, portanto: Acima — Ọ̀run — Pai Olórun e Abaixo — Ayé — Mãe Olókun.
São duas dimensões distintas, mas pertencentes à mesma grande Cabaça da Existência.
14.4 - As quatro pembas no interior do Igbádù
Segundo as orientações transmitidas por Pai Benedito de Aruanda, encontramos simbolicamente no interior do Igbádù **quatro pembas**, representadas por quatro cores: Branco — ẹfun; Vermelho — osùn; Preto — carvão / èédú; Marrom — terra ou lama, relacionada a Mãe Onílẹ̀ — a Mãe Terra.
A palavra "pemba", nesta apresentação, pertence à linguagem utilizada dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá e aproxima simbolicamente elementos provenientes de diferentes tradições africanas.
As quatro cores representam quatro direções fundamentais da existência.
Não se trata apenas de posições espaciais.
Elas representam: Caminhos; encruzilhadas; possibilidades; escolhas.
São caminhos que se apresentam diante do espírito.
Por isso, Pai Benedito os relaciona simbolicamente às "encruzilhadas da existência e aos caminhos que percorremos segundo nossas próprias escolhas".
14.5 - Os quatro caminhos
As quatro cores correspondem, dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, às seguintes direções:
Branco — Acima; Representa o caminho orientado para o alto, para a dimensão espiritual e para nossa origem divina.
Marrom — Abaixo; Representa o caminho da matéria, da Terra e da experiência dentro do Ayé.
Está relacionado a Mãe Onílẹ̀, a Mãe Terra, que sustenta a experiência material.
Preto — Esquerda; Representa o caminho situado à esquerda: Ojúkòsì.
Vermelho — Direita
Representa o caminho situado à direita: Ojúkòtún.
As grafias desses compostos podem apresentar pequenas variações de transcrição nas fontes yorùbá, mas conservamos aqui esta forma para manter a uniformidade de nosso estudo.
Temos, portanto, quatro direções: Acima; Abaixo; Esquerda; Direita.
Essas quatro direções formam uma grande "Encruzilhada Primordial".
O espírito encontra-se diante de caminhos possíveis. Cada caminho implica movimento. Cada movimento produz experiência.
E cada escolha traz consigo suas próprias consequências.
14.6 - A linha de divisão e união da Cabaça
Entre a parte superior e a parte inferior do Igbádù existe uma linha de divisão e, ao mesmo tempo, de união.
Acima está o Ọ̀run. Abaixo está o Ayé. Essa linha representa o limite entre as duas dimensões, mas representa igualmente o ponto pelo qual elas podem se relacionar.
Ela não é apenas separação.
Ela também é:Limiar; fronteira; comunicação; passagem/travessias.
É exatamente nessa região central que, segundo Pai Benedito de Aruanda, encontramos o Orixá Exu.
14.7 - Orixá Exu: o equilíbrio de forças entre Céu e Terra
Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, "Orixá Exu" ocupa uma posição fundamental no centro do Igbádù.
Ele está no ponto de encontro entre: Ọ̀run e Ayé; Céu e Terra; Espírito e Matéria; Alto e Baixo; Esquerda e Direita; Luz e Trevas; as diferentes possibilidades de escolha e suas respectivas consequências.
Isso não significa que Exu seja simplesmente uma mistura dessas forças.
Sua função é estabelecer o equilíbrio necessário entre elas e permitir que o Axé circule através da criação.
Exu está no limiar.
Está na passagem/travessia.
Está na encruzilhada.
É aquele que participa da dinâmica que permite que as forças circulem e que os caminhos permaneçam abertos de acordo com as Leis da Criação e com nossas próprias escolhas.
Dentro dessa leitura, Orixá Exu pode ser compreendido como: Guardião do equilíbrio; Senhor da encruzilhada; Regulador e vitalizador do Axé; Mediador entre Céu e Terra; Orixá que mantém os caminhos da existência em movimento.
Por isso, encontrá-lo na linha divisória da Cabaça possui profundo significado.
O centro é o ponto onde todas as direções podem se encontrar.
14.8 - O Igbádù como primeira grande encruzilhada na Geometria Sagrada da Existência
Podemos agora compreender o Igbádù não apenas como a imagem de uma cabaça dividida em duas metades.
Ela se torna um verdadeiro Mapa da existência, uma primeira arquitetura básica do mapa do Ẹlẹ́dàá.
Na parte superior: Ọ̀run — Pai Olórun.
No interior: Quatro caminhos representados pelas quatro pembas nas seguintes cores: Acima — Branco — Ọ̀run; Abaixo — Marrom — Ayé / Mãe Onílẹ̀; Esquerda — Preto — Ojúkòsì; Direita — Vermelho — Ojúkòtún.
No centro(linha horizontal que divide e une as duas partes da Cabaça): Orixá Exu — equilíbrio, passagem e vitalização do Axé.
Na parte inferior: Ayé — Mãe Olókun.
As direções energéticas de Ilé-Ifẹ̀
Dentro da interpretação do Ẹlẹ́dàá, podemos ainda representar simbolicamente essas forças em relação ao estabelecimento da experiência humana no mundo físico.
"Ilé-Ifẹ̀", reconhecida nas tradições yorùbá como centro sagrado e berço da civilização yorùbá, passa a representar, em nossa leitura simbólica, o estabelecimento da experiência humana organizada no Ayé.
A estrutura pode ser representada da seguinte maneira:
(BRANCO - ACIMA)
Ọ̀RUN
↑
(PAI OLÓRUN - Senhor do Ọ̀run)
↑
(PRETO -ESQUERDA) - (CENTRO — EQUILÍBRIO, AXÉ) - (VERMELHO — DIREITA)
↑
OJÚKÒSÌ - ODÙDUWÀ ← (ORIXÁ EXU) → OJÚKÒTÚN - ỌBÀTÁLÁ
↓
(MARROM — ABAIXO)
AYÉ
↓
(MÃE OLÓKUN — útero primordial da manifestação da vida)
↓
(MÃE ONÍLẸ̀ — Mãe Terra)
↓
(YORIMÁ — Axé primordial dos Quatro Reinos, segundo o Ẹlẹ́dàá)
↓
(AGANJÚ — Fogo Interior da Terra, segundo o Ẹlẹ́dàá)
Essa imagem nos permite compreender por que a "Encruzilhada" ocupa uma posição tão importante dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
Antes mesmo de representar uma estrada física, ela representa a possibilidade da escolha.
14.9 - Entre a tradição yorùbá e a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá
Para preservarmos o princípio de respeito absoluto às tradições adotado neste trabalho, é importante fazermos uma distinção.
A representação da "cabaça como imagem do cosmos", assim como a relação complementar entre "Ọ̀run e Ayé", encontra correspondências dentro das tradições yorùbá.
Também encontramos, em determinados contextos relacionados a Ifá, referências ao "Igbá Odù — Igbádù" e a estruturas simbólicas existentes em seu interior.
Da mesma forma, conceitos como "ẹfun, osùn, Odù, Ọ̀run, Ayé, Ọbàtálá, Odùduwà, Olókun, Onílẹ̀ e Exu" pertencem ao vasto universo religioso e filosófico yorùbá, embora seus significados, atributos e relações possam variar entre diferentes tradições e linhagens.
Entretanto, a arquitetura específica apresentada neste estudo — incluindo: Pai Olórun na parte superior; Mãe Olókun na parte inferior; as quatro pembas representando Acima, Abaixo, Esquerda e Direita; Odùduwà posicionada à esquerda como Mãe das Mães Orixás; Ọbàtálá posicionado à direita como Pai dos Pais Orixás; Mãe Onílẹ̀ relacionada ao eixo inferior da Terra; Yorimá como Axé primordial dos Quatro Reinos; Aganjú relacionado ao Fogo Interior da Terra; e Orixá Exu localizado na linha central como força de equilíbrio, passagem e vitalização do Axé pertence às "orientações recebidas de Pai Benedito de Aruanda e à interpretação desenvolvida dentro da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá".
No caso específico de "Yorimá", sua presença nesta estrutura não deve ser confundida com um Òrìṣà universalmente reconhecido nas tradições tradicionais yorùbá. Sua utilização pertence ao contexto espiritual e doutrinário no qual se desenvolve nossa própria compreensão do Ẹlẹ́dàá.
Da mesma forma, a associação específica de Aganjú ao Fogo Interior da Terra é apresentada aqui segundo as orientações recebidas dentro deste estudo.
Não pretendemos, portanto, apresentar essa arquitetura como doutrina universal da religião tradicional yorùbá.
Nosso propósito é registrar com clareza:
"o que encontramos nas antigas tradições;"
"as aproximações que podemos estabelecer;"
"e onde começam os ensinamentos próprios recebidos no decorrer do estudo do Ẹlẹ́dàá."
14.10 - A Cabaça e o início da jornada em Ilé-Ifẹ̀
O Igbádù nos apresenta uma imagem extraordinariamente simples e, ao mesmo tempo, profunda.
Uma única Cabaça. Dois grandes campos. Quatro caminhos. Um centro. No alto, a origem espiritual.
Abaixo, o ambiente da manifestação e da experiência.
À esquerda e à direita, forças e possibilidades.
No centro, o equilíbrio.
O espírito encontra-se diante da existência.
E existir significa também "escolher".
Cada escolha movimenta a encruzilhada.
Cada caminho produz experiências.
Cada experiência produz consequências.
E cada consequência participa da construção de nosso destino.
Ilé-Ifẹ̀ aparece nas tradições yorùbá como um centro primordial e sagrado da civilização yorùbá.
Dentro da leitura do Ẹlẹ́dàá, essa imagem pode representar também o momento no qual a organização da existência deixa de permanecer apenas como potencial e começa a se manifestar concretamente na experiência humana dentro do Ayé.
Assim, antes de compreendermos como o homem começa sua caminhada através dos diferentes mundos, precisamos compreender a estrutura na qual essa caminhada acontece.
O Igbádù é a Cabaça da Existência.
Mas, dentro da leitura do Ẹlẹ́dàá, ele é também "o primeiro grande mapa dos caminhos da criação e o cordão umbilical cósmico que nos une aos pais ancestrais."
A Cabaça nos mostra onde estamos.
A encruzilhada nos mostra que existem caminhos.
E Orixá Exu, no centro, recorda-nos que "todo caminho implica movimento, equilíbrio, escolha e consequência."
Caro leitor,
A jornada continua...
A Parte IV da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá está sendo construída passo a passo, seguindo as orientações recebidas e o compromisso de organizar este conhecimento com fidelidade, responsabilidade e profundo respeito ao Sagrado.
Em breve, compartilharemos os próximos capítulos neste espaço.
Agradecemos sua compreensão e sua companhia nesta caminhada.
Que o Axé, a Luz e a Paz de Pai Nzanbi iluminem sempre o nosso caminho.













































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