Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - "A História da Criação"
(Orientações da Escola de Pai Benedito de Aruanda)
Índice
(Parte I) - "Como tudo começou? - A criação"
1. O Mistério Absoluto — O Vazio Cheio.
2. A Primeira Manifestação — O Triângulo Divino.
4. O Reino de Pai Oxalá — A Casa dos Orixás Funfun.
6. Os Quatro Oshás Primordiais.
7. Os Guardiões dos Reinos Naturais.
9. O Homem no Ayê — A Jornada da Liberdade.
(Parte II) - "Como tudo funciona? - Guardiões do Ayê"
10. A Primeira Encruzilhada - O Início dos Caminhos da Escolha.
10.1. A Marca de Caim — O Mapa da Criação.
11. A Linha da Kalunga — A Primeira Fronteira.
12. A Organização das Guardas da Kalunga.
12.1. Senhor Pambu Nzila — O General da Primeira Fronteira.
12.2. As Sete Vibrações do Setenário Sagrado.
12.3. Senhor Exu Kahanka — O Guardião da Segunda Fronteira.
12.4. As Oito Bandeiras e as Oito Horas Grandes.
12.5. A Primeira Porteira — Senhor Caboclo Sete Raios.
12.6. Das Falanges da Kalunga às Linhas de Ogum de Lei.
(Parte III) - “A preparação do Ayê por Pai Olodumarê”
13.1 - O Jardim do Éden e suas divisões
13.2 - O Oriente e a entrada do homem na experiência material
13.3 - As consequências da escolha
13.4 - O conhecimento do bem e do mal
13.5 - A Árvore da Vida e as fronteiras
14.0 — A Terra de Elda: O próximo passo evolutivo
14.1 - Igbádù: A Cabaça da Existência
14.2 - A parte superior: Ọ̀run e Pai Olórun
14.3 - A parte inferior: Ayé e Mãe Olókun
14.4 - As quatro pembas no interior do Igbádù
14.6 - A linha de divisão e união da Cabaça
14.7 - Orixá Exu: o equilíbrio de forças entre Céu e Terra
14.8 - O Igbádù como primeira grande encruzilhada na Geometria Sagrada da Existência
14.9 - Entre a tradição yorùbá e a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá
14.10 - A Cabaça e o início da jornada em Ilé-Ifẹ̀
Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - Parte I "Como tudo começou?"
1. O Mistério Absoluto – O "Vazio Cheio"
Segundo os ensinamentos transmitidos por Pai Joaquim de Angola, orientados por Pai Benedito de Aruanda, antes de toda manifestação existia aquilo que ele denomina o Vazio Cheio.
À primeira vista, essa expressão parece contraditória, mas ela procura descrever um estado que está além das categorias comuns de existência.
Nesse Mistério Absoluto:
- Tudo era Pai Nzanbi.
- Não havia separação entre Criador e criação.
- Não existiam tempo, espaço, matéria ou individualidades.
- Nenhuma forma havia sido manifestada.
Entretanto, esse "vazio" não significa ausência ou inexistência.
Ao contrário, ele era pleno de potencial.
Toda a criação existia de maneira não manifesta, como possibilidade infinita.
Por isso, Pai Joaquim utiliza a expressão "Vazio Cheio":
- Vazio, porque nada havia sido manifestado.
- Cheio, porque todo o universo já existia em potência, sustentado pelo Axé de Pai Nzanbi.
Nesse estágio primordial, não havia um universo visível, mas existia a capacidade infinita para que toda a criação viesse a existir.
Observação conceitual
Do ponto de vista filosófico, essa ideia possui paralelos com outras tradições que descrevem um estado primordial anterior à manifestação do universo. No entanto, na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, a expressão "Vazio Cheio" possui um significado próprio: ela enfatiza que o Axé já estava plenamente presente antes que qualquer forma, ser ou dimensão fosse manifestada.
"O universo existia potencialmente no Axé de Pai Nzanbi."
2. A Primeira Manifestação – O Triângulo Divino
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, chega o momento em que Pai Nzanbi manifesta Sua Vontade Criadora.
Essa vontade não representa uma mudança em Pai Nzanbi, mas o início da manifestação daquilo que, desde sempre, existia em potência no Vazio Cheio.
A primeira manifestação dessa Vontade é descrita por Pai Joaquim como o Triângulo Divino.
Esse triângulo não é apenas uma figura geométrica, mas a primeira arquitetura da criação, expressão das três manifestações primordiais por meio das quais o universo começa a revelar-se.
I – Ìrókò
A Chama Eterna da Sabedoria Divina
No lado esquerdo do Triângulo manifesta-se Ìrókò.
Ìrókò é descrito como a Chama Divina que arde eternamente, preservando e sustentando toda a Sabedoria de Pai Nzanbi.
Essa chama nunca se extingue, pois representa a memória eterna da Origem e a permanência da Verdade Divina em toda a criação.
II – Orixé
A Luz Primordial
No lado direito manifesta-se Orixé.
Orixé é a Luz Eterna, reflexo da Luz primordial de Pai Nzanbi.
É essa luz que revela o propósito da criação, iluminando o caminho pelo qual todas as coisas encontram sua razão de existir.
Ela não apenas ilumina o universo, mas orienta toda manifestação para sua finalidade.
III – Orixalá
A Vontade Divina Manifestada
No vértice superior manifesta-se Orixalá.
Orixalá representa a manifestação da Vontade e dos Desígnios de Pai Nzanbi.
Por meio dele, a criação deixa de ser apenas potencialidade e inicia seu processo de organização.
Ele expressa a Inteligência Criadora que conduz toda a manifestação segundo o propósito estabelecido pelo Criador.
Síntese:
Assim, o Triângulo Divino representa as três primeiras manifestações da criação:
Orixalá — A Vontade Divina.
Ìrókò — Chama Divina, a Sabedoria Eterna e imutável.
Orixé — A Luz Primordial.
Essas três manifestações permanecem inseparáveis, sustentando toda a arquitetura do universo.
Observação do autor: Considero importante para fortalecer a coerência filosófica do sistema que estamos procurando compreender nas revelações de Pai Benedito de Aruanda o seguinte:
No primeiro passo, o Vazio Cheio descreve Pai Nzanbi em sua unidade absoluta. No segundo passo, essa unidade passa a se manifestar em três aspectos fundamentais. Isso lembra a ideia de uma tríade, mas não no sentido de três seres independentes. Pelo que entendemos das revelações de Pai Benedito de Aruanda, seria mais preciso dizer que Ìrókò, Orixé e Orixalá são três manifestações inseparáveis da única Vontade de Pai Nzanbi. Essa nuance é importante porque preserva a unidade do Mistério Absoluto. O Triângulo Divino não fragmenta Pai Nzanbi; ele revela três aspectos primordiais por meio dos quais a criação começa a tornar-se manifesta.
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3. O Princípio da Dualidade
Após a manifestação do Triângulo Divino, a criação continua seu desdobramento.
Da unidade surge a diversidade.
Da Trindade manifesta-se a complementaridade.
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, é nesse momento que se revela o Princípio da Dualidade, expressão do equilíbrio entre os dois grandes aspectos geradores da criação.
Yàmí Àgbà Olókun
O Princípio Materno
Do lado esquerdo manifesta-se Yàmí Àgbà Olókun, a Grande Mãe Primordial (Ancestral).
Ela representa o Útero Sagrado da Criação, matriz da vida e fonte de toda manifestação.
Senhora das Águas Primordiais, acolhe em seu ventre toda possibilidade de existência, tornando-se o princípio gerador de todas as formas de vida.
Sua natureza é nutrir, gestar, proteger e transformar.
Babá Àgbà Olórun
O Princípio Paterno
Do lado direito manifesta-se Babá Àgbà Olórun, o Grande Pai Primordial (Ancestral).
Senhor do Òrun, representa o Céu Ilimitado, o Mundo Espiritual, a dimensão invisível e o Reino Divino.
É o Arquiteto e Legislador da criação, estabelecendo a ordem, as leis e a harmonia que sustentam todo o universo manifestado.
Sua natureza é orientar, organizar, estruturar e conduzir a criação segundo a Vontade Divina.
A União dos Dois
Yàmí Àgbà Olókun e Babá Àgbà Olórun não representam forças opostas.
São manifestações complementares do mesmo Mistério Divino.
Ela oferece o ventre que gera.
Ele estabelece a ordem que orienta.
Ela manifesta a capacidade infinita de dar origem à vida.
Ele manifesta a inteligência que conduz essa vida ao seu propósito.
Na união desses dois princípios, toda a criação encontra equilíbrio, continuidade e sentido.
Observação do autor: Há ainda uma observação filosófica que considero muito importante.
Notemos que a sequência começa a revelar uma arquitetura extremamente harmônica:
- Pai Nzanbi → A Unidade Absoluta.
- Triângulo Divino → Os três atributos primordiais (Vontade, Sabedoria e Luz).
- Dualidade → Os dois princípios geradores (Materno e Paterno).
É interessante que o sistema não comece diretamente com o masculino e o feminino. Antes disso, ele apresenta a Unidade e a Trindade. Essa ordem confere à dualidade um papel de desdobramento da Unidade, e não de origem independente. Filosoficamente, essa é uma estrutura bastante coerente, a meu ver para uma cosmologia. Ela também diferencia o Projeto Ẹlẹ́dàá de muitas outras narrativas cosmogônicas, justamente pela sequência Unidade → Trindade → Dualidade → Criação.
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4. O Reino de Pai Oxalá
A Casa dos Orixás Funfun
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após a manifestação da Unidade, da Trindade e da Dualidade, inicia-se uma nova etapa da criação.
Antes que os espíritos ingressem plenamente na experiência do universo manifestado, Pai Nzanbi estabelece um Reino destinado à preparação de cada criatura.
Esse Reino é conhecido como A Casa dos Orixás Funfun, ou O Reino de Pai Oxalá.
Pai Joaquim explica que essa Casa pode ser compreendida pela imagem de uma família amorosa que se prepara para receber seus filhos.
Antes mesmo do nascimento de uma criança, os pais organizam toda a estrutura necessária para sua vida.
Preparam o quarto.
Montam o berço.
Providenciam quem cuidará da criança.
Planejam sua educação.
Escolhem os caminhos para seu desenvolvimento intelectual, moral, filosófico e espiritual.
Nada é deixado ao acaso.
Da mesma maneira, antes da manifestação plena da vida, Pai Nzanbi estabelece uma estrutura sagrada destinada ao crescimento de cada espírito.
É nesse Reino que todo o planejamento divino da evolução é preparado.
O Triângulo Sagrado
No interior da Casa dos Orixás, Funfun manifesta-se um novo triângulo, denominado por Pai Joaquim de Angola como O Triângulo Sagrado.
Enquanto o primeiro Triângulo Divino revela os princípios universais da criação, este segundo triângulo revela os princípios da formação espiritual das criaturas.
Ele é composto por três grandes Mistérios.
Orixá Oxalá
O Pai da Certeza
Oxalá representa a certeza da origem divina.
É Ele quem imprime, no mais profundo de cada espírito, a consciência de que toda criatura pertence à Fonte.
Mesmo quando essa consciência permanece adormecida durante a caminhada evolutiva, ela jamais desaparece.
É essa certeza interior que Pai Joaquim identifica como a verdadeira Fé.
A fé, portanto, não é apenas uma crença.
É a memória silenciosa da nossa origem divina.
Olódùmarè
O Arquiteto da Experiência
Olódùmarè estabelece o Ayé.
O mundo manifestado.
O ambiente onde os espíritos poderão amadurecer.
Pai Joaquim compara esse mundo ao espaço externo da casa dos pais.
É nele que aprendemos.
Erramos.
Construímos.
Experimentamos.
Crescemos.
O Ayé torna-se, assim, a grande escola da evolução.
Òrúnmìlà
O Guardião dos Destinos
Òrúnmìlà guarda os destinos.
Nele repousam os propósitos para os quais cada espírito foi criado.
Seu Mistério orienta a caminhada evolutiva para que cada criatura encontre o caminho que conduz ao cumprimento de sua missão.
Os Guardiões da Formação
Além do Triângulo Sagrado, Pai Joaquim descreve outros Mistérios pertencentes à Casa dos Orixás Funfun.
Cada um participa da formação integral dos espíritos.
Olúfã Babá
Guardião da Sabedoria.
Representa o conhecimento adquirido ao longo do tempo e das inúmeras experiências da existência.
Oguiã Babá
Guardião da Força.
Concede coragem, disciplina e perseverança para enfrentar as lutas necessárias ao desenvolvimento espiritual.
Os Irúnmọlẹ̀ Funfun
Os Irúnmọlẹ̀ Funfun atuam como auxiliares da formação das criaturas.
Entre eles, Pai Joaquim destaca:
Ìbejì
Guardião do coração.
Mantém viva a pureza, a alegria e a capacidade de amar.
Está sempre pronto a socorrer quando o espírito necessita de consolo e renovação.
Òṣùmàrè
Guardião das forças geradoras da vida.
Zela pelo equilíbrio das energias criativas e sexuais, compreendidas como expressão do poder da continuidade da criação.
Exu Mirim
Guardião da mente.
Auxilia na formação do pensamento, do discernimento e da responsabilidade pelas próprias escolhas.
Egúngún
Guardião das travessias.
Acompanha todas as passagens da existência, preservando a ligação entre os ancestrais do Ẹgbẹ́ Òrun e aqueles que vivem no Ayé.
Mantém vivo o auxílio mútuo entre os dois planos durante toda a caminhada evolutiva.
Síntese:
A Casa dos Orixás Funfun representa o grande centro de preparação da vida.
Nela, cada espírito recebe os princípios, os recursos e o acompanhamento necessários para iniciar sua jornada no Ayé.
Nada é fruto do acaso.
Tudo é cuidadosamente preparado para que cada criatura possa crescer em sabedoria, responsabilidade e consciência, retornando, ao final de sua caminhada, à Fonte Divina.
Na analogia da "casa dos pais". A cosmologia explicada por Pai Joaquim de Angola, fica acessível sem perder sua profundidade. Façamos, porém, uma distinção conceitual para fortalecer a estrutura do Codex:
- Triângulo Divino → explica como o universo começa a existir.
- Triângulo Sagrado → explica como os espíritos são preparados para viver nesse universo.
Essa diferença nos ajudará a compreendermos que um triângulo trata da arquitetura da criação, enquanto o outro trata da arquitetura da formação espiritual. Essa organização deixa a narrativa ainda mais clara, eu acredito.
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5. A Magia Divina Elemental
A Proteção dos Mistérios da Criação
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após serem estabelecidos o programa da vida, a formação dos espíritos e toda a estrutura necessária para sua evolução, torna-se necessário assegurar que os Mistérios da Criação permaneçam preservados.
A Sabedoria Divina não pode ser entregue de forma indiscriminada.
Ela deve ser protegida, guardada e revelada progressivamente, conforme o amadurecimento das criaturas.
Esse princípio encontra paralelo nas palavras de Jesus quando ensina que os mistérios do Reino de Deus seriam compreendidos pouco a pouco, à medida que o coração humano estivesse preparado para recebê-los.
Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, essa proteção recebe o nome de Magia Divina Elemental.
Ela representa a arquitetura espiritual criada para preservar o equilíbrio, a ordem e a integridade da própria criação.
Os Quatro Cantos
Pai Joaquim descreve que, no Reino de Pai Oxalá, os Mistérios da Criação são organizados dentro de uma estrutura espiritual denominada Os Quatro Cantos.
Esses quatro pilares representam os fundamentos sobre os quais repousa toda a arquitetura espiritual do universo.
Seu objetivo não é ocultar o conhecimento, mas preservá-lo até que cada espírito esteja preparado para compreendê-lo corretamente.
Os Quatro Anciões
Cada um desses Quatro Cantos é confiado a um grande Guardião, chamado por Pai Joaquim de Os Quatro Anciões.
Esses Anciões são responsáveis por:
- preservar a Sabedoria Divina;
- manter a ordem espiritual da criação;
- proteger os Mistérios Sagrados;
- assegurar que tudo permaneça em perfeita harmonia com a Vontade de Pai Nzanbi.
Seu trabalho acontece no plano espiritual, sustentando a estrutura invisível da criação.
Exu Maioral
Na parte externa dessa arquitetura manifesta-se Exu Maioral.
Segundo Pai Joaquim de Angola, Exu Maioral é o grande Guardião dos limites sagrados.
Seu Mistério protege os acessos àquilo que foi consagrado por Pai Nzanbi.
Por essa razão, é chamado de:
Pai de todos os Exus Kimbandeiros.
Sua função não é apenas guardar, mas também manter a disciplina espiritual necessária para que os Mistérios sejam preservados.
Nenhuma força atravessa esses limites sem a devida autorização.
Ungangas (ou Ngangas) e Aungangas (ou Anhangás)
No Ayé, essa proteção manifesta-se por meio dos sacerdotes guardiões.
Pai Joaquim denomina:
- Ungangas — sacerdotes masculinos.
- Aungangas — sacerdotisas femininas.
Sua missão consiste em preservar a sacralidade dos ambientes dedicados ao culto, ao ensino e ao desenvolvimento espiritual.
São eles os responsáveis por zelar pelos templos, pelos altares e pelos espaços consagrados, mantendo-os harmonizados com a arquitetura espiritual sustentada por Exu Maioral.
Assim, o que é protegido no plano invisível encontra sua correspondência no mundo material.
Síntese:
A Magia Divina Elemental representa o sistema de proteção da criação.
Nada do que pertence ao Sagrado permanece sem guarda.
Os Quatro Anciões preservam a estrutura interna dos Mistérios.
Exu Maioral protege seus limites.
Ungangas e Aungangas tornam essa proteção visível no Ayé, zelando pelos templos e pelos espaços consagrados.
Dessa forma, a Sabedoria Divina permanece acessível, mas sempre revelada segundo o amadurecimento espiritual de cada criatura.
Arquitetura do Codex. Até agora, cada etapa responde a uma pergunta fundamental:
- Como tudo existia? → O Vazio Cheio.
- Como tudo começou? → O Triângulo Divino.
- Como a vida passou a existir? → O Princípio da Dualidade.
- Como os espíritos são preparados? → O Reino de Pai Oxalá.
- Como tudo isso é protegido? → A Magia Divina Elemental.
Essa progressão torna a cosmologia muito fácil de acompanhar. Podemos perceber que cada capítulo resolve uma questão essencial da criação antes de avançar para a seguinte. Ela cria uma narrativa contínua, quase como uma grande história da origem do universo segundo a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.
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6. Os Quatro Oshás Primordiais
A Fundação da Vida
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após serem estabelecidos os princípios da criação, a preparação dos espíritos e a proteção dos Mistérios Divinos, inicia-se uma nova etapa da Obra Criadora.
Chega o momento de preparar os primeiros ambientes onde a vida poderá manifestar-se.
Antes mesmo da criação do Ayê, Pai Nzanbi estabelece quatro grandes Oshás Primordiais, realidades espirituais perfeitas que servirão de fundamento para toda a criação futura.
Esses Oshás existem em estado de absoluta harmonia e constituem a matriz original da vida.
O que é um Oshá?
Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, Oshá não significa apenas um Reino espiritual.
Segundo Pai Joaquim de Angola, um Oshá representa a totalidade de tudo aquilo que pertence a um determinado domínio da criação.
Cada Oshá reúne:
- as Leis Divinas que o organizam;
- os Mistérios nele manifestados;
- os Orixás que o regem;
- os Seres Elementais que nele habitam;
- suas forças, características e propriedades;
- toda a inteligência espiritual responsável por sua manutenção.
Assim, um Oshá não é apenas um lugar.
É uma realidade espiritual completa.
Òṣà Iná
O Oshá das Chamas da Transmutação
Representa toda a realidade espiritual relacionada ao Mistério do Fogo Divino.
Seu princípio fundamental é a transmutação.
Nele manifestam-se as forças responsáveis pela purificação, renovação e aperfeiçoamento contínuo da criação.
Esse Oshá é regido por:
Orixá Egunitá
Senhora das Chamas Divinas (transmutação).
Seu fogo não destrói por destruir.
Ele purifica, transforma e conduz toda criatura ao aperfeiçoamento espiritual.
Nesse Oshá vivem os Elementais do Fogo, seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios da transmutação, podemos chamá-los de Salamandras.
Òṣà Omi
O Oshá das Águas
Representa toda a realidade espiritual das Águas Primordiais.
É o Oshá onde a vida encontra sua origem, continuidade e renovação.
Nele manifestam-se quatro grandes Mistérios Divinos.
Mãe Yemọjá
Senhora das águas agitadas.
Mistério da maternidade, da proteção e do movimento da vida.
Nesse Oshá das águas agitadas vivem as Ondinas, Sereias, seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios das águas e sua força.
Mãe Òṣun
Mistério da força das águas.
Expressa o amor, a fertilidade, a prosperidade e a beleza da criação.
Nesse Oshá, onde a água tem a sua força, lembremos as cachoeiras como exemplo para melhor compreendermos. Também vivem as Ondinas, Sereias, seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios das águas.
Mãe Nàná
Mistério da decantação.
Conduz o amadurecimento, a transformação lenta e a preparação para novos ciclos.
Pai Olókun
Senhor dos abismos dos oceanos.
Representa a profundidade dos Mistérios da Vida e da Consciência Primordial.
Os Elementais das Águas cooperam com esses Mistérios, preservando o equilíbrio e a continuidade da vida.
Òṣà Fùrùfù
O Oshá do Sopro da Vida
Representa toda a realidade espiritual do Ar.
Seu princípio fundamental é o movimento.
É o Oshá da comunicação, da inspiração, da circulação das energias e do sopro vital.
Seu mistério é regido por:
Mãe Yansã
Senhora do Sopro da Vida.
Move os ventos que levam e trazem.
Conduz as mudanças, as transformações e o dinamismo permanente da criação.
Os Elementais do Ar preservam o equilíbrio dos movimentos e da circulação das energias em todo o universo. Podemos chamá-los de Silfos.
Òṣà Ilẹ̀
O Oshá da Terra
Representa toda a realidade espiritual da sustentação e da estabilidade.
É o Oshá onde repousam os fundamentos da forma e da permanência.
Nele manifestam-se dois grandes Mistérios.
Mãe Onilé
Senhora da superfície da Terra.
Representa a fertilidade, o acolhimento e o sustento da vida.
Pai Aganjú
Senhor do interior da Terra.
Representa as forças profundas da estrutura planetária, da resistência e da estabilidade da criação.
Os Elementais da Terra preservam permanentemente a ordem e o equilíbrio desse Oshá, seja na superfície ou no interior.
Os Seres Elementais
Cada Oshá torna-se o lar de uma ordem específica de seres espirituais.
Pai Joaquim denomina esses seres de Elementais.
Os Elementais possuem:
- individualidade;
- inteligência;
- sabedoria;
- Consciência de sua missão.
Não são simples manifestações energéticas. Embora também existam os seres puramente energéticos, que chamamos de Elementares, não vamos confundir com Elementais que se referem a esse capítulo.
São criaturas espirituais conscientes, criadas para cooperar com os Mistérios Divinos presentes em cada Oshá.
Sua missão consiste em preservar, harmonizar e manter o perfeito funcionamento da realidade espiritual à qual pertencem.
Os Oshás Primordiais
Os quatro Oshás permanecem em estado de absoluta pureza.
Existem em uma dimensão própria.
Embora coexistam com o universo material, pertencem a uma realidade espiritual distinta.
Pai Joaquim explica que esses Oshás permanecem intimamente ligados ao Ayê.
Sem eles, o mundo material não poderia existir.
Toda manifestação da natureza encontra nesses Oshás sua causa espiritual mais profunda.
O Protótipo da Criação Material
Os quatro Oshás tornam-se o modelo original daquilo que mais tarde será conhecido, no Ayê, como:
- Reino Mineral;
- Reino Vegetal;
- Reino Animal;
- Reino Humano ou Hominal.
Esses reinos materiais não reproduzem integralmente a perfeição dos Oshás.
São adaptações destinadas ao processo evolutivo vivido na matéria.
A Criação do Ayê
Após estabelecer os quatro Oshás Primordiais, Pai Joaquim ensina que o próximo grande passo da criação será confiado a Olódùmarè.
Compete a Ele estruturar o Ayê, o plano físico ou o plano da matéria.
O Ayê não constitui uma cópia perfeita dos Oshás Primordiais.
É uma manifestação dimensional adaptada às limitações da matéria e dos seres que vão habitá-los.
Nele, os espíritos experimentarão o tempo, o espaço, as escolhas, os desafios e o amadurecimento.
Se os Oshás representam a perfeição da origem, o Ayê torna-se a grande escola da evolução.
Síntese:
Os quatro Oshás Primordiais constituem a fundação invisível da criação.
Cada Oshá é uma realidade espiritual completa, reunindo Leis Divinas, Mistérios, Orixás, Seres Elementais, forças e inteligências que atuam em perfeita harmonia.
São eles que sustentam toda a arquitetura espiritual da vida e servem de modelo para a futura criação do Ayê.
Nota do autor(01): Ocorreu-me uma analogia que pode ajudar o leitor a compreender esse conceito sem empobrecê-lo: um Oshá seria como um "ecossistema espiritual". Assim como um ecossistema reúne ambiente, leis naturais, seres vivos e relações que formam uma unidade, um Oshá reúne o domínio espiritual, seus Mistérios, Orixás, Elementais e princípios de funcionamento em uma única realidade integrada. Essa comparação pode ser útil como recurso didático, deixando claro que se trata apenas de uma analogia e não da definição propriamente dita. Isso é importante para nós entendermos.
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7. Os Guardiões dos Reinos Naturais
Os Primeiros Habitantes do Ayê
Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após a estruturação do Ayê por Olódùmarè, inicia-se uma nova etapa da criação.
Antes do surgimento da humanidade, Pai Nzanbi prepara aqueles que terão a missão de preservar o equilíbrio da natureza.
São criados espíritos especialmente destinados a cuidar dos territórios sagrados do mundo físico, assegurando que a vida permaneça em harmonia com os Mistérios Divinos presentes nos Oshás Primordiais.
Esses seres constituem os primeiros habitantes espirituais do Ayê.
Os Iwin
Entre os primeiros espíritos criados para essa missão encontram-se os Iwin.
Pai Joaquim de Angola ensina que sua missão consiste em guardar os territórios considerados sagrados na natureza.
Não exercem domínio sobre a criação.
São guardiões.
Preservam a ordem, a harmonia e os Mistérios confiados por Pai Nzanbi.
Sua atuação concentra-se principalmente em dois grandes domínios naturais:
- o Reino das Águas;
- o Reino das Matas.
Embora distintos, esses dois reinos trabalham em perfeita cooperação, sustentando o equilíbrio da vida no Ayê.
Os Iwin conhecem profundamente os mistérios da natureza e zelam para que permaneçam preservados.
Os Encantados
Juntamente com os Iwin, manifestam-se outros espíritos conhecidos como Encantados.
Sua missão consiste em proteger toda a vida presente nos Reinos Naturais.
Enquanto os Iwin guardam os territórios sagrados, os Encantados atuam diretamente na preservação das inúmeras formas de vida que neles habitam.
Sua presença assegura que a natureza continue expressando os propósitos estabelecidos por Pai Nzanbi desde a origem da criação.
Sua ligação com os Oshás
Cada Iwin e cada Encantado encontra-se vinculado a um dos Oshás Primordiais.
Essa ligação determina sua natureza, suas responsabilidades e os Mistérios Divinos com os quais cooperam.
Assim, cada um atua em perfeita sintonia com o Orixá regente do Oshá ao qual pertence.
Essa unidade garante que todas as forças da criação permaneçam integradas, desde os Reinos Espirituais Primordiais até sua manifestação no Ayê.
Os Primeiros Habitantes do Mundo Material (Ayê)
Pai Joaquim explica que os Iwin e os Encantados são os primeiros espíritos destinados a habitar o Ayê.
Muito antes da humanidade, já cumpriam sua missão de preservar o equilíbrio dos ambientes naturais.
Por conhecerem profundamente os Mistérios da criação, dominam naturalmente aquilo que Pai Joaquim denomina Magia Divina Elemental.
Essa magia não representa poder pessoal nem instrumento de domínio.
É a expressão do conhecimento das Leis Divinas que regem a natureza.
Por meio dela, cumprem suas responsabilidades de proteção, equilíbrio e conservação da vida.
Os Guardiões da Natureza
Os Reinos Mineral, Vegetal e Animal permanecem sob constante cuidado desses espíritos.
Nada existe de forma isolada.
Toda montanha.
Toda floresta.
Todo rio.
Toda nascente.
Toda espécie.
Possui guardiões responsáveis por preservar sua integridade e seu propósito dentro da Obra Criadora.
Assim, a natureza manifesta-se como um grande templo vivo, sustentado por inteligências espirituais que cooperam silenciosamente para manter o equilíbrio da criação.
Síntese:
Os Iwin e os Encantados representam a primeira presença espiritual no Ayê.
Criados antes da humanidade, tornam-se os guardiões dos Reinos Naturais e dos territórios sagrados.
Em profunda sintonia com os Oshás Primordiais e seus respectivos Orixás, utilizam a Magia Divina como expressão das Leis da Criação, preservando o equilíbrio, a vida e os Mistérios da natureza para todas as gerações.








