segunda-feira, 20 de julho de 2026

Cosmologia do Ẹlẹ́dàá

 

 

Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - Parte I "A História da Criação"

Índice:
  • 1. O Mistério Absoluto — O Vazio Cheio.
  • 2. A Primeira Manifestação — O Triângulo Divino.
  • 3. O Princípio da Dualidade.
  • 4. O Reino de Pai Oxalá — A Casa dos Orixás Funfun.
  • 5. A Magia Divina Elemental.
  • 6. Os Quatro Oshás Primordiais.
  • 7. Os Guardiões dos Reinos Naturais.
  • 8. A Criação do Homem.
  • 9. O Homem no Ayê — A Jornada da Liberdade.

  • 1. O Mistério Absoluto – O "Vazio Cheio"

    Segundo os ensinamentos transmitidos por Pai Joaquim de Angola, orientados por Pai Benedito de Aruanda, antes de toda manifestação existia aquilo que ele denomina o Vazio Cheio.

    À primeira vista, essa expressão parece contraditória, mas ela procura descrever um estado que está além das categorias comuns de existência.

    Nesse Mistério Absoluto:

    • Tudo era Pai Nzanbi.
    • Não havia separação entre Criador e criação.
    • Não existiam tempo, espaço, matéria ou individualidades.
    • Nenhuma forma havia sido manifestada.

    Entretanto, esse "vazio" não significa ausência ou inexistência.

    Ao contrário, ele era pleno de potencial.

    Toda a criação existia de maneira não manifesta, como possibilidade infinita.

    Por isso Pai Joaquim utiliza a expressão "Vazio Cheio":

    • Vazio, porque nada havia sido manifestado.
    • Cheio, porque todo o universo já existia em potência, sustentado pelo Axé de Pai Nzanbi.

    Nesse estágio primordial, não havia um universo visível, mas existia a capacidade infinita para que toda a criação viesse a existir.


    Observação conceitual

    Do ponto de vista filosófico, essa ideia possui paralelos com outras tradições que descrevem um estado primordial anterior à manifestação do universo. No entanto, na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, a expressão "Vazio Cheio" possui um significado próprio: ela enfatiza que o Axé já estava plenamente presente antes que qualquer forma, ser ou dimensão fosse manifestada.

    "O universo existia potencialmente no Axé de Pai Nzanbi."

    2. A Primeira Manifestação – O Triângulo Divino

    Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, chega o momento em que Pai Nzanbi manifesta Sua Vontade Criadora.

    Essa vontade não representa uma mudança em Pai Nzanbi, mas o início da manifestação daquilo que, desde sempre, existia em potência no Vazio Cheio.

    A primeira manifestação dessa Vontade é descrita por Pai Joaquim como o Triângulo Divino.

    Esse triângulo não é apenas uma figura geométrica, mas a primeira arquitetura da criação, expressão das três manifestações primordiais por meio das quais o universo começa a revelar-se.

    I – Ìrókò

    A Chama Eterna da Sabedoria

    No lado esquerdo do Triângulo manifesta-se Ìrókò.

    Ìrókò é descrito como a Chama Divina que arde eternamente, preservando e sustentando toda a Sabedoria de Pai Nzanbi.

    Essa chama nunca se extingue, pois representa a memória eterna da Origem e a permanência da Verdade Divina em toda a criação.


    II – Orixé

    A Luz Primordial

    No lado direito manifesta-se Orixé.

    Orixé é a Luz Eterna, reflexo da Luz primordial de Pai Nzanbi.

    É essa luz que revela o propósito da criação, iluminando o caminho pelo qual todas as coisas encontram sua razão de existir.

    Ela não apenas ilumina o universo, mas orienta toda manifestação para sua finalidade.


    III – Orixalá

    A Vontade Divina Manifestada

    No vértice superior manifesta-se Orixalá.

    Orixalá representa a manifestação da Vontade e dos Desígnios de Pai Nzanbi.

    Por meio dele, a criação deixa de ser apenas potencialidade e inicia seu processo de organização.

    Ele expressa a Inteligência Criadora que conduz toda a manifestação segundo o propósito estabelecido pelo Criador.


    Síntese

    Assim, o Triângulo Divino representa as três primeiras manifestações da criação:

    Orixalá — A Vontade Divina.

    Ìrókò — Chama Divina, a Sabedoria Eterna e imutável.

    Orixé — A Luz Primordial.

    Essas três manifestações permanecem inseparáveis, sustentando toda a arquitetura do universo.


    Observação do autor: Considero importante para fortalecer a coerência filosófica do sistema que estamos procurando compreender nas revelações de Pai Benedito de Aruanda o seguinte:

    No primeiro passo, o Vazio Cheio descreve Pai Nzanbi em sua unidade absoluta. No segundo passo, essa unidade passa a se manifestar em três aspectos fundamentais. Isso lembra a ideia de uma tríade, mas não no sentido de três seres independentes. Pelo que entendemos das revelações de Pai Benedito de Aruanda, seria mais preciso dizer que Ìrókò, Orixé e Orixalá são três manifestações inseparáveis da única Vontade de Pai NzanbiEssa nuance é importante porque preserva a unidade do Mistério Absoluto. O Triângulo Divino não fragmenta Pai Nzanbi; ele revela três aspectos primordiais por meio dos quais a criação começa a tornar-se manifesta. 

    3. O Princípio da Dualidade

    Após a manifestação do Triângulo Divino, a criação continua seu desdobramento.

    Da Unidade surge a diversidade.

    Da Trindade manifesta-se a complementaridade.

    Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, é nesse momento que se revela o Princípio da Dualidade, expressão do equilíbrio entre os dois grandes aspectos geradores da criação.


    Yàmí Àgbà Olókun

    O Princípio Materno

    Do lado esquerdo manifesta-se Yàmí Àgbà Olókun, a Grande Mãe Primordial(Ancestral).

    Ela representa o Útero Sagrado da Criação, matriz da vida e fonte de toda manifestação.

    Senhora das Águas Primordiais, acolhe em seu ventre toda possibilidade de existência, tornando-se o princípio gerador de todas as formas de vida.

    Sua natureza é nutrir, gestar, proteger e transformar.


    Babá Àgbà Olórun

    O Princípio Paterno

    Do lado direito manifesta-se Babá Àgbà Olórun, o Grande Pai Primordial(Ancestral).

    Senhor do Òrun, representa o Céu Ilimitado, o Mundo Espiritual, a dimensão invisível e o Reino Divino.

    É o Arquiteto e Legislador da criação, estabelecendo a ordem, as leis e a harmonia que sustentam todo o universo manifestado.

    Sua natureza é orientar, organizar, estruturar e conduzir a criação segundo a Vontade Divina.


    A União dos Dois

    Yàmí Àgbà Olókun e Babá Àgbà Olórun não representam forças opostas.

    São manifestações complementares do mesmo Mistério Divino.

    Ela oferece o ventre que gera.

    Ele estabelece a ordem que orienta.

    Ela manifesta a capacidade infinita de dar origem à vida.

    Ele manifesta a Inteligência que conduz essa vida ao seu propósito.

    Na união desses dois princípios, toda a criação encontra equilíbrio, continuidade e sentido.


    Observação do autor: Há ainda uma observação filosófica que considero muito importante.

    Notemos que a sequência começa a revelar uma arquitetura extremamente harmônica:

    • Pai Nzanbi → A Unidade Absoluta.
    • Triângulo Divino → Os três atributos primordiais (Vontade, Sabedoria e Luz).
    • Dualidade → Os dois princípios geradores (Materno e Paterno).

    É interessante que o sistema não começa diretamente com o masculino e o feminino. Antes disso, ele apresenta a Unidade e a Trindade. Essa ordem confere à dualidade um papel de desdobramento da Unidade, e não de origem independente. Filosoficamente, essa é uma estrutura bastante coerente a meu ver para uma cosmologia. Ela também diferencia o Projeto Ẹlẹ́dàá de muitas outras narrativas cosmogônicas, justamente pela sequência Unidade → Trindade → Dualidade → Criação

    4. O Reino de Pai Oxalá

    A Casa dos Orixás Funfun

    Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após a manifestação da Unidade, da Trindade e da Dualidade, inicia-se uma nova etapa da criação.

    Antes que os espíritos ingressem plenamente na experiência do universo manifestado, Pai Nzanbi estabelece um Reino destinado à preparação de cada criatura.

    Esse Reino é conhecido como A Casa dos Orixás Funfun, ou O Reino de Pai Oxalá.

    Pai Joaquim explica que essa Casa pode ser compreendida pela imagem de uma família amorosa que se prepara para receber seus filhos.

    Antes mesmo do nascimento de uma criança, os pais organizam toda a estrutura necessária para sua vida.

    Preparam o quarto.

    Montam o berço.

    Providenciam quem cuidará da criança.

    Planejam sua educação.

    Escolhem os caminhos para seu desenvolvimento intelectual, moral, filosófico e espiritual.

    Nada é deixado ao acaso.

    Da mesma maneira, antes da manifestação plena da vida, Pai Nzanbi estabelece uma estrutura sagrada destinada ao crescimento de cada espírito.

    É nesse Reino que todo o planejamento divino da evolução é preparado.


    O Triângulo Sagrado

    No interior da Casa dos Orixás Funfun manifesta-se um novo triângulo, denominado por Pai Joaquim de Angola como O Triângulo Sagrado.

    Enquanto o primeiro Triângulo Divino revela os princípios universais da criação, este segundo triângulo revela os princípios da formação espiritual das criaturas.

    Ele é composto por três grandes Mistérios.

    ▲ Orixá Oxalá

    O Pai da Certeza

    Oxalá representa a certeza da origem divina.

    É Ele quem imprime, no mais profundo de cada espírito, a consciência de que toda criatura pertence à Fonte.

    Mesmo quando essa consciência permanece adormecida durante a caminhada evolutiva, ela jamais desaparece.

    É essa certeza interior que Pai Joaquim identifica como a verdadeira .

    A fé, portanto, não é apenas uma crença.

    É a memória silenciosa da nossa origem divina.


    Olódùmarè

    O Arquiteto da Experiência

    Olódùmarè estabelece o Ayé.

    O mundo manifestado.

    O ambiente onde os espíritos poderão amadurecer.

    Pai Joaquim compara esse mundo ao espaço externo da casa dos pais.

    É nele que aprendemos.

    Erramos.

    Construímos.

    Experimentamos.

    Crescemos.

    O Ayé torna-se, assim, a grande escola da evolução.


    Òrúnmìlà

    O Guardião dos Destinos

    Òrúnmìlà guarda os destinos.

    Nele repousam os propósitos para os quais cada espírito foi criado.

    Seu Mistério orienta a caminhada evolutiva para que cada criatura encontre o caminho que conduz ao cumprimento de sua missão.


    Os Guardiões da Formação

    Além do Triângulo Sagrado, Pai Joaquim descreve outros Mistérios pertencentes à Casa dos Orixás Funfun.

    Cada um participa da formação integral dos espíritos.

    Olúfã Babá

    Guardião da Sabedoria.

    Representa o conhecimento adquirido ao longo do tempo e das inúmeras experiências da existência.


    Oguiã Babá

    Guardião da Força.

    Concede coragem, disciplina e perseverança para enfrentar as lutas necessárias ao desenvolvimento espiritual.


    Os Irúnmọlẹ̀ Funfun

    Os Irúnmọlẹ̀ Funfun atuam como auxiliares da formação das criaturas.

    Entre eles, Pai Joaquim destaca:

    Ìbejì

    Guardião do coração.

    Mantém viva a pureza, a alegria e a capacidade de amar.

    Está sempre pronto a socorrer quando o espírito necessita de consolo e renovação.


    Òṣùmàrè

    Guardião das forças geradoras da vida.

    Zela pelo equilíbrio das energias criativas e sexuais, compreendidas como expressão do poder da continuidade da criação.


    Exu Mirim

    Guardião da mente.

    Auxilia na formação do pensamento, do discernimento e da responsabilidade pelas próprias escolhas.


    Egúngún

    Guardião das travessias.

    Acompanha todas as passagens da existência, preservando a ligação entre os ancestrais do Ẹgbẹ́ Òrun e aqueles que vivem no Ayé.

    Mantém vivo o auxílio mútuo entre os dois planos durante toda a caminhada evolutiva.


    Síntese

    A Casa dos Orixás Funfun representa o grande centro de preparação da vida.

    Nela, cada espírito recebe os princípios, os recursos e o acompanhamento necessários para iniciar sua jornada no Ayé.

    Nada é fruto do acaso.

    Tudo é cuidadosamente preparado para que cada criatura possa crescer em sabedoria, responsabilidade e consciência, retornando, ao final de sua caminhada, à Fonte Divina.


    Na analogia da "casa dos pais". A cosmologia explicada por Pai Joaquim de Angola, fica acessível sem perder sua profundidade. Façamos porém uma distinção conceitual para fortalecer a estrutura do Codex:

    • Triângulo Divino → explica como o universo começa a existir.
    • Triângulo Sagrado → explica como os espíritos são preparados para viver nesse universo.

    Essa diferença nos ajudará compreendermos  que um triângulo trata da arquitetura da criação, enquanto o outro trata da arquitetura da formação espiritual. Essa organização deixa a narrativa ainda mais clara eu acredito.

    5. A Magia Divina Elemental

    A Proteção dos Mistérios da Criação

    Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após serem estabelecidos o programa da vida, a formação dos espíritos e toda a estrutura necessária para sua evolução, torna-se necessário assegurar que os Mistérios da Criação permaneçam preservados.

    A Sabedoria Divina não pode ser entregue de forma indiscriminada.

    Ela deve ser protegida, guardada e revelada progressivamente, conforme o amadurecimento das criaturas.

    Esse princípio encontra paralelo nas palavras de Jesus quando ensina que os mistérios do Reino de Deus seriam compreendidos pouco a pouco, à medida que o coração humano estivesse preparado para recebê-los.

    Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, essa proteção recebe o nome de Magia Divina Elemental.

    Ela representa a arquitetura espiritual criada para preservar o equilíbrio, a ordem e a integridade da própria criação.


    Os Quatro Cantos

    Pai Joaquim descreve que, no Reino de Pai Oxalá, os Mistérios da Criação são organizados dentro de uma estrutura espiritual denominada Os Quatro Cantos.

    Esses quatro pilares representam os fundamentos sobre os quais repousa toda a arquitetura espiritual do universo.

    Seu objetivo não é ocultar o conhecimento, mas preservá-lo até que cada espírito esteja preparado para compreendê-lo corretamente.


    Os Quatro Anciões

    Cada um desses Quatro Cantos é confiado a um grande Guardião, chamados por Pai Joaquim de Os Quatro Anciões.

    Esses Anciões são responsáveis por:

    • preservar a Sabedoria Divina;
    • manter a ordem espiritual da criação;
    • proteger os Mistérios Sagrados;
    • assegurar que tudo permaneça em perfeita harmonia com a Vontade de Pai Nzanbi.

    Seu trabalho acontece no plano espiritual, sustentando a estrutura invisível da criação.


    Exu Maioral

    Na parte externa dessa arquitetura manifesta-se Exu Maioral.

    Segundo Pai Joaquim de Angola, Exu Maioral é o grande Guardião dos limites sagrados.

    Seu Mistério protege os acessos àquilo que foi consagrado por Pai Nzanbi.

    Por essa razão é chamado de:

    Pai de todos os Exus Kimbandeiros.

    Sua função não é apenas guardar, mas também manter a disciplina espiritual necessária para que os Mistérios sejam preservados.

    Nenhuma força atravessa esses limites sem a devida autorização.


    Ungangas (ou Ngangas) e Aungangas (ou Anhangás)

    No Ayé, essa proteção manifesta-se por meio dos sacerdotes guardiões.

    Pai Joaquim denomina:

    • Ungangas — sacerdotes masculinos.
    • Aungangas — sacerdotisas femininas.

    Sua missão consiste em preservar a sacralidade dos ambientes dedicados ao culto, ao ensino e ao desenvolvimento espiritual.

    São eles os responsáveis por zelar pelos templos, pelos altares e pelos espaços consagrados, mantendo-os harmonizados com a arquitetura espiritual sustentada por Exu Maioral.

    Assim, o que é protegido no plano invisível encontra sua correspondência no mundo material.


    Síntese

    A Magia Divina Elemental representa o sistema de proteção da criação.

    Nada do que pertence ao Sagrado permanece sem guarda.

    Os Quatro Anciões preservam a estrutura interna dos Mistérios.

    Exu Maioral protege seus limites.

    Ungangas e Aungangas tornam essa proteção visível no Ayé, zelando pelos templos e pelos espaços consagrados.

    Dessa forma, a Sabedoria Divina permanece acessível, mas sempre revelada segundo o amadurecimento espiritual de cada criatura.


    Arquitetura do Codex. Até agora, cada etapa responde a uma pergunta fundamental:

    1. Como tudo existia? → O Vazio Cheio.
    2. Como tudo começou? → O Triângulo Divino.
    3. Como a vida passou a existir? → O Princípio da Dualidade.
    4. Como os espíritos são preparados? → O Reino de Pai Oxalá.
    5. Como tudo isso é protegido? → A Magia Divina Elemental.

    Essa progressão torna a cosmologia muito fácil de acompanhar. Podemos perceber que cada capítulo resolve uma questão essencial da criação antes de avançar para a seguinte. Ela cria uma narrativa contínua, quase como uma grande história da origem do universo segundo a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá.

    6. Os Quatro Oshás Primordiais

    A Fundação da Vida

    Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após serem estabelecidos os princípios da criação, a preparação dos espíritos e a proteção dos Mistérios Divinos, inicia-se uma nova etapa da Obra Criadora.

    Chega o momento de preparar os primeiros ambientes onde a vida poderá manifestar-se.

    Antes mesmo da criação do Ayê, Pai Nzanbi estabelece quatro grandes Oshás Primordiais, realidades espirituais perfeitas que servirão de fundamento para toda a criação futura.

    Esses Oshás existem em estado de absoluta harmonia e constituem a matriz original da vida.


    O que é um Oshá?

    Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, Oshá não significa apenas um Reino espiritual.

    Segundo Pai Joaquim de Angola, um Oshá representa a totalidade de tudo aquilo que pertence a um determinado domínio da criação.

    Cada Oshá reúne:

    • as Leis Divinas que o organizam;
    • os Mistérios nele manifestados;
    • os Orixás que o regem;
    • os Seres Elementais que nele habitam;
    • suas forças, características e propriedades;
    • toda a inteligência espiritual responsável por sua manutenção.

    Assim, um Oshá não é apenas um lugar.

    É uma realidade espiritual completa.


    Òṣà Iná 

    O Oshá das Chamas da Transmutação

    Representa toda a realidade espiritual relacionada ao Mistério do Fogo Divino.

    Seu princípio fundamental é a transmutação.

    Nele manifestam-se as forças responsáveis pela purificação, renovação e aperfeiçoamento contínuo da criação.

    Esse Oshá é regido por:

    Orixá Egunitá

    Senhora das Chamas Divinas (transmutação).

    Seu fogo não destrói por destruir.

    Ele purifica, transforma e conduz toda criatura ao aperfeiçoamento espiritual.

    Nesse Oshá vivem os Elementais do Fogo, seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios da transmutação, podemos chamá-los de Salamandras.


    Òṣà Omi

    O Oshá das Águas

    Representa toda a realidade espiritual das Águas Primordiais.

    É o Oshá onde a vida encontra sua origem, continuidade e renovação.

    Nele manifestam-se quatro grandes Mistérios Divinos.

    Mãe Yemọjá

    Senhora das águas agitadas.

    Mistério da maternidade, da proteção e do movimento da vida.

    Nesse Oshá das águas agitadas vivem as Ondinas, Sereias seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios das águas e sua força.


    Mãe Òṣun

    Mistério da força das águas.

    Expressa o amor, a fertilidade, a prosperidade e a beleza da criação.

    Nesse Oshá onde a água tem a sua força, lembremos as cachoeiras como exemplo para melhor compreendermos também vivem as Ondinas, Sereias seres espirituais conscientes que cooperam permanentemente com os Mistérios das águas.


    Mãe Nàná

    Mistério da decantação.

    Conduz o amadurecimento, a transformação lenta e a preparação para novos ciclos.


    Pai Olókun

    Senhor dos abismos dos oceanos.

    Representa a profundidade dos Mistérios da Vida e da Consciência Primordial.

    Os Elementais das Águas cooperam com esses Mistérios, preservando o equilíbrio e a continuidade da vida.


    Òṣà Fùrùfù

    O Oshá do Sopro da Vida

    Representa toda a realidade espiritual do Ar.

    Seu princípio fundamental é o movimento.

    É o Oshá da comunicação, da inspiração, da circulação das energias e do sopro vital.

    Seu Mistério é regido por:

    Mãe Yansã

    Senhora do Sopro da Vida.

    Move os ventos que levam e trazem.

    Conduz as mudanças, as transformações e o dinamismo permanente da criação.

    Os Elementais do Ar preservam o equilíbrio dos movimentos e da circulação das energias em todo o universo. Podemos chamá-los de Silfos.


    Òṣà Ilẹ̀

    O Oshá da Terra

    Representa toda a realidade espiritual da sustentação e da estabilidade.

    É o Oshá onde repousam os fundamentos da forma e da permanência.

    Nele manifestam-se dois grandes Mistérios.

    Mãe Onilé

    Senhora da superfície da Terra.

    Representa a fertilidade, o acolhimento e o sustento da vida.


    Pai Aganjú

    Senhor do interior da Terra.

    Representa as forças profundas da estrutura planetária, da resistência e da estabilidade da criação.

    Os Elementais da Terra preservam permanentemente a ordem e o equilíbrio desse Oshá, sejam na superfície ou no interior.


    Os Seres Elementais

    Cada Oshá torna-se o lar de uma ordem específica de seres espirituais.

    Pai Joaquim denomina esses seres de Elementais.

    Os Elementais possuem:

    • individualidade;
    • inteligência;
    • sabedoria;
    • consciência de sua missão.

    Não são simples manifestações energéticas. Embora também existam os seres puramente energéticos, que chamamos de Elementares, não vamos confundir com Elementais que se referem esse capítulo.

    São criaturas espirituais conscientes, criadas para cooperar com os Mistérios Divinos presentes em cada Oshá.

    Sua missão consiste em preservar, harmonizar e manter o perfeito funcionamento da realidade espiritual à qual pertencem.


    Os Oshás Primordiais

    Os quatro Oshás permanecem em estado de absoluta pureza.

    Existem em uma dimensão própria.

    Embora coexistam com o universo material, pertencem a uma realidade espiritual distinta.

    Pai Joaquim explica que esses Oshás permanecem intimamente ligados ao Ayê.

    Sem eles, o mundo material não poderia existir.

    Toda manifestação da natureza encontra nesses Oshás sua causa espiritual mais profunda.


    O Protótipo da Criação Material

    Os quatro Oshás tornam-se o modelo original daquilo que mais tarde será conhecido, no Ayê, como:

    • Reino Mineral;
    • Reino Vegetal;
    • Reino Animal;
    • Reino Humano ou Hominal.

    Esses reinos materiais não reproduzem integralmente a perfeição dos Oshás.

    São adaptações destinadas ao processo evolutivo vivido na matéria.


    A Criação do Ayê

    Após estabelecer os quatro Oshás Primordiais, Pai Joaquim ensina que o próximo grande passo da criação será confiado a Olódùmarè.

    Compete a Ele estruturar o Ayê, o plano físico ou o plano da matéria.

    O Ayê não constitui uma cópia perfeita dos Oshás Primordiais.

    É uma manifestação dimensional adaptada às limitações da matéria e dos seres que vão habitá-los.

    Nele, os espíritos experimentarão o tempo, o espaço, as escolhas, os desafios e o amadurecimento.

    Se os Oshás representam a perfeição da origem, o Ayê torna-se a grande escola da evolução.


    Síntese

    Os quatro Oshás Primordiais constituem a fundação invisível da criação.

    Cada Oshá é uma realidade espiritual completa, reunindo Leis Divinas, Mistérios, Orixás, Seres Elementais, forças e inteligências que atuam em perfeita harmonia.

    São eles que sustentam toda a arquitetura espiritual da vida e servem de modelo para a futura criação do Ayê.


    Nota do autor: Ocorreu-me uma analogia que pode ajudar o leitor a compreender esse conceito sem empobrecê-lo: um Oshá seria como um "ecossistema espiritual". Assim como um ecossistema reúne ambiente, leis naturais, seres vivos e relações que formam uma unidade, um Oshá reúne o domínio espiritual, seus Mistérios, Orixás, Elementais e princípios de funcionamento em uma única realidade integrada. Essa comparação pode ser útil como recurso didático, deixando claro que se trata apenas de uma analogia e não da definição propriamente dita. Isso é importante nós entendermos.

    7. Os Guardiões dos Reinos Naturais

    Os Primeiros Habitantes do Ayê

    Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, após a estruturação do Ayê por Olódùmarè, inicia-se uma nova etapa da criação.

    Antes do surgimento da humanidade, Pai Nzanbi prepara aqueles que terão a missão de preservar o equilíbrio da natureza.

    São criados espíritos especialmente destinados a cuidar dos territórios sagrados do mundo físico, assegurando que a vida permaneça em harmonia com os Mistérios Divinos presentes nos Oshás Primordiais.

    Esses seres constituem os primeiros habitantes espirituais do Ayê.


    Os Iwin

    Entre os primeiros espíritos criados para essa missão encontram-se os Iwin.

    Pai Joaquim de Angola ensina que sua missão consiste em guardar os territórios considerados sagrados na natureza.

    Não exercem domínio sobre a criação.

    São guardiões.

    Preservam a ordem, a harmonia e os Mistérios confiados por Pai Nzanbi.

    Sua atuação concentra-se principalmente em dois grandes domínios naturais:

    • o Reino das Águas;
    • o Reino das Matas.

    Embora distintos, esses dois Reinos trabalham em perfeita cooperação, sustentando o equilíbrio da vida no Ayê.

    Os Iwin conhecem profundamente os Mistérios da natureza e zelam para que permaneçam preservados.


    Os Encantados

    Juntamente com os Iwin, manifestam-se outros espíritos conhecidos como Encantados.

    Sua missão consiste em proteger toda a vida presente nos Reinos Naturais.

    Enquanto os Iwin guardam os territórios sagrados, os Encantados atuam diretamente na preservação das inúmeras formas de vida que neles habitam.

    Sua presença assegura que a natureza continue expressando os propósitos estabelecidos por Pai Nzanbi desde a origem da criação.


    Sua Ligação com os Oshás

    Cada Iwin e cada Encantado encontra-se vinculado a um dos Oshás Primordiais.

    Essa ligação determina sua natureza, suas responsabilidades e os Mistérios Divinos com os quais cooperam.

    Assim, cada um atua em perfeita sintonia com o Orixá regente do Oshá ao qual pertence.

    Essa unidade garante que todas as forças da criação permaneçam integradas, desde os Reinos Espirituais Primordiais até sua manifestação no Ayê.


    Os Primeiros Habitantes do Mundo Material (Ayê)

    Pai Joaquim explica que os Iwin e os Encantados são os primeiros espíritos destinados a habitar o Ayê.

    Muito antes da humanidade, já cumpriam sua missão de preservar o equilíbrio dos ambientes naturais.

    Por conhecerem profundamente os Mistérios da criação, dominam naturalmente aquilo que Pai Joaquim denomina Magia Divina.

    Essa magia não representa poder pessoal nem instrumento de domínio.

    É a expressão do conhecimento das Leis Divinas que regem a natureza.

    Por meio dela, cumprem suas responsabilidades de proteção, equilíbrio e conservação da vida.


    Os Guardiões da Natureza

    Os Reinos Mineral, Vegetal e Animal permanecem sob constante cuidado desses espíritos.

    Nada existe de forma isolada.

    Toda montanha.

    Toda floresta.

    Todo rio.

    Toda nascente.

    Toda espécie.

    Possui guardiões responsáveis por preservar sua integridade e seu propósito dentro da Obra Criadora.

    Assim, a natureza manifesta-se como um grande templo vivo, sustentado por inteligências espirituais que cooperam silenciosamente para manter o equilíbrio da criação.


    Síntese

    Os Iwin e os Encantados representam a primeira presença espiritual no Ayê.

    Criados antes da humanidade, tornam-se os guardiões dos Reinos Naturais e dos territórios sagrados.

    Em profunda sintonia com os Oshás Primordiais e seus respectivos Orixás, utilizam a Magia Divina como expressão das Leis da Criação, preservando o equilíbrio, a vida e os Mistérios da natureza para todas as gerações.


    Nota do autor: Considero muito importante para a compreensão da arquitetura da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá observarmos o seguinte:.

    Até agora, a narrativa de Pai Joaquim de Angola:

    • 1–6: preparação do universo.
    • 7: preparação do mundo natural (Elemental).
    • 8 (a próxima): preparação para a criação da humanidade.

    Essa divisão cria três grandes fases:

    1. Cosmologia da Criação (origem do universo).
    2. Cosmologia da Natureza (origem e organização do Ayê e de seus guardiões).
    3. Cosmologia Humana (origem da raça humana, de onde viemos, seu propósito e sua evolução).

    Pai Benedito de Aruanda escolheu essa sequência de estudo trazida por Pai Joaquim de Angola, para que o nosso Codex Ẹlẹ́dàá, forme uma estrutura muito clara e fácil de acompanhar. Ela organiza a narrativa em grandes blocos temáticos, sem perder a continuidade cronológica da criação.

    8. A Criação do Homem

    O Início da Jornada Humana (primeira escola)

    Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, transmitidas por Pai Joaquim de Angola, após a criação do Ayê por Olódùmarè, o mundo material encontrava-se plenamente estruturado.

    Os reinos Mineral, Vegetal e Animal já existiam, assim como os Espíritos da Natureza encarregados de sua preservação.

    Entretanto, a humanidade ainda não havia iniciado sua jornada.

    Antes de ingressar no Ayê, o homem seria preparado em outro domínio da criação.


    O Reino dos Espíritos da Natureza

    Além do Ayê, Pai Benedito revela a existência de um domínio espiritual denominado Reino dos Elementais.

    Esse Reino não corresponde ao plano físico.

    É um mundo paralelo, preservado em sua pureza original.

    Nele habitam inúmeras ordens de espíritos responsáveis pela sustentação da natureza.

    Pai Benedito chama esses espíritos de ESPÍRITOS DA NATUREZA.

    Entre eles encontram-se:

    • os Ébórá, que podem ser: Encantados, Iluminados e Divinizados;
    • os Iwin (protetores);
    • os Ajá (curandeiros)
    • os Gnomos (trabalhadores da terra);
    • as Fadas (responsáveis pela vegetação);
    • os Silfos (correntes de ar);
    • as ondinas (águas)
    • as Salamandras (fogo);

    e muitas outras ordens espirituais cuja missão consiste em cooperar com os Orixás na preservação da criação.

    Cada grupo atua em sintonia com um dos Oshás Primordiais e com o Orixá correspondente, recebendo deles o Axé necessário para cumprir sua missão.


    A Criação do Homem

    Diferentemente das demais criaturas, o homem é criado com uma característica singular.

    Recebe o livre-arbítrio.

    Não nasce moralmente perfeito nem inclinado ao mal.

    É criado em condição de neutralidade, possuindo a liberdade de escolher o caminho que seguirá durante sua evolução.

    Essa liberdade constitui o fundamento de todo o seu aprendizado espiritual.


    O Sopro da Vida

    Inicialmente, o homem manifesta-se como espírito.

    É Pai Olórun quem lhe concede o Èmí, o Sopro da Vida.

    Por meio do Èmí, o espírito torna-se consciente de si mesmo e inicia sua caminhada dentro da criação.


    O Reino dos Elementais

    Segundo Pai Benedito, o primeiro ambiente habitado pelo homem não é o Ayê.

    Sua primeira morada é o Reino dos Elementais.

    Esse Reino corresponde ao estado primordial da criação.

    Na compreensão da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, é esse ambiente que a tradição bíblica descreve simbolicamente como o Paraíso.

    Não se trata do mundo material.

    É um domínio espiritual onde a criação permanece íntegra, equilibrada e plenamente harmonizada.


    A Harmonia Original

    No Reino dos Elementais, toda a criação manifesta sua condição primordial.

    Os Reinos Mineral, Vegetal e Animal coexistem em perfeita harmonia.

    Os Espíritos da natureza convivem naturalmente com todas as formas de vida.

    Não existem desequilíbrios.

    Não há violência.

    Não existem fenômenos destrutivos.

    A criação expressa integralmente a ordem estabelecida por Pai Nzanbi.

    Pai Benedito descreve esse estado afirmando que toda a natureza comunica-se livremente.

    Os animais.

    As plantas.

    Os Elementais.

    E até mesmo a própria Terra manifesta sua consciência.

    Toda a criação participa de uma única comunhão de vida.


    A Primeira Escola da Humanidade

    É nesse Reino que o homem inicia seu aprendizado.

    Antes de conhecer os desafios do Ayê, convive com os Elementais e com todos os Espíritos da natureza.

    Aprende diretamente com a natureza em seu estado puro.

    Conhece os Mistérios da criação sem conflito, sofrimento ou separação.

    Sua formação acontece por meio da convivência com a própria vida.


    A Preparação para o Ayê

    Somente após esse período de formação é que o homem estará preparado para ingressar no Ayê.

    Ali encontrará uma realidade diferente.

    No mundo material, o aprendizado ocorrerá por meio das escolhas (Encruzilhadas), das consequências (Lei), do tempo e da experiência.

    O Reino dos Elementais representa, portanto, a primeira escola da humanidade.

    O Ayê tornar-se-á sua segunda grande escola.


    Síntese

    Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, o homem não inicia sua existência no Ayê.

    Sua primeira morada é o Reino dos Elementais, um domínio espiritual onde toda a criação permanece em estado de perfeita harmonia.

    É nesse ambiente que o espírito humano recebe sua formação inicial, convivendo com os Espíritos da Natureza, os Elementais e toda a natureza antes de iniciar sua jornada evolutiva no mundo material.

    9. O Homem no Ayê

    A Jornada da Liberdade

    Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, transmitidas por Pai Joaquim de Angola, a narrativa bíblica da tentação da serpente e da expulsão do Paraíso deve ser compreendida em linguagem simbólica.

    Ela não descreve apenas um acontecimento isolado.

    Representa o início da jornada evolutiva da criatura em direção ao pleno exercício de sua liberdade.

    Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, o chamado "Paraíso" corresponde ao Reino dos Elementais, onde o espírito inicia sua existência em estado de pureza, convivendo com os Espíritos da Natureza e aprendendo diretamente com a criação em perfeita harmonia.

    A saída desse Reino não representa uma punição.

    Representa o início de uma nova etapa da evolução.


    A Evolução do Espírito

    Pai Benedito compara o desenvolvimento espiritual ao crescimento de um ser humano.

    Assim como a vida corporal atravessa diferentes fases, também o espírito percorre sucessivas etapas de amadurecimento.

    Essas etapas podem ser compreendidas simbolicamente como:

    • Infância — aprendizado, pureza e dependência.
    • Adolescência — descobertas, escolhas e transformações.
    • Vida adulta — responsabilidade, consolidação e amadurecimento.
    • Velhice — sabedoria, síntese e preparação para novos ciclos.

    Da mesma maneira, a evolução espiritual acontece progressivamente.

    Cada etapa prepara a seguinte.


    A Infância Espiritual

    A primeira etapa acontece no Reino dos Elementais.

    Ali o espírito vive em estado de pureza.

    Recebe o Èmí.

    Aprende diretamente com os Espíritos da Natureza.

    Conhece os Mistérios da criação em sua forma original.

    Nesse estágio ainda não experimenta plenamente as consequências do livre-arbítrio.

    Assim como uma criança é acompanhada por seus pais, o espírito permanece protegido enquanto desenvolve suas primeiras compreensões da vida.


    O Início das Escolhas

    Chega, porém, o momento em que o espírito precisa experimentar sua própria liberdade.

    É nesse ponto que começa aquilo que a narrativa bíblica representa simbolicamente pela saída do Paraíso.

    Segundo Pai Benedito, não se trata de uma expulsão motivada pela ira divina.

    É uma passagem natural do processo educativo da criação.

    O espírito deixa o ambiente protegido para iniciar sua própria experiência.


    Os Muitos Ayê

    Pai Benedito ensina que não existe apenas um Ayê no Universo de Pai Nzanbi.

    Existem inúmeros mundos materiais, destinados aos diferentes níveis de desenvolvimento espiritual.

    Cada espírito habita aquele mundo mais adequado às suas necessidades evolutivas.

    Assim, a criação oferece múltiplos ambientes de aprendizado, todos subordinados às Leis Divinas.


    Os Mundos Escuros

    A primeira experiência da criatura nos mundos da matéria ocorre naquilo que Pai Benedito denomina Mundos Escuros.

    Essa expressão não significa ausência da presença Divina.

    Refere-se ao fato de que, nesses mundos, o espírito ainda vive predominantemente identificado com suas limitações, seus conflitos e sua ignorância espiritual.

    É nesse ambiente que o livre-arbítrio começa a ser exercido de maneira efetiva.

    Ali o espírito aprende por meio das consequências de suas próprias escolhas.


    Os Mundos de Provas

    Após percorrer os Mundos Escuros, o espírito continua sua caminhada.

    Passa então a habitar os Mundos de Provas.

    Segundo Pai Benedito, é nessa categoria que se encontra o planeta Terra.

    Aqui o espírito já possui maior consciência de suas responsabilidades.

    Entretanto, continua sendo chamado a decidir, inúmeras vezes (sucessivas reencarnações), entre diferentes caminhos.

    Cada escolha representa uma encruzilhada espiritual.

    Cada existência constitui uma nova oportunidade de aprendizado.

    Por essa razão, a Terra é compreendida como um verdadeiro mundo de provas.


    Os Mundos de Luz

    Quando o espírito desperta plenamente para sua natureza Divina, inicia uma nova etapa.

    Passa a habitar os chamados Mundos de Luz.

    Nesses mundos, a consciência volta a estabelecer ligação direta com o Orixé, recordando a unidade vivida originalmente no Reino dos Elementais.

    Não se trata de um retorno à infância espiritual.

    É uma conquista consciente daquilo que antes era vivido de forma inocente.

    O espírito permanece livre, mas agora escolhe espontaneamente viver em harmonia com as Leis Divinas.


    Os Mundos das Trevas

    Pai Benedito também descreve a existência dos Mundos das Trevas.

    Segundo esses ensinamentos, correspondem ao destino daqueles espíritos que, após sucessivas oportunidades de aprendizado, nas sucessivas reencarnações e migrações entre mundos, escolhem definitivamente afastar-se da Luz.

    Na Cosmologia do Ẹlẹ́dàá, essa condição é apresentada como consequência da liberdade plenamente exercida pela criatura. Pai Joaquim de Angola nos disse que é uma escolha sem volta!


    O Nosso Caminho

    Embora a Cosmologia do Ẹlẹ́dàá apresente a existência desses diferentes mundos, o objetivo deste estudo concentra-se na compreensão do Ayê onde atualmente vivemos.

    Conhecer as etapas anteriores da jornada permite compreender melhor o propósito da vida presente.

    Somente entendendo de onde viemos podemos compreender para onde caminhamos.


    Síntese

    Segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, a saída do Reino dos Elementais representa o início da experiência consciente do livre-arbítrio.

    A criatura percorre sucessivos mundos de aprendizado, amadurecimento e provas, até despertar plenamente para sua natureza, onde escolherá em plena consciência, Luz ou Trevas.

    A Terra constitui uma dessas etapas na condição de "Mundos de Provas".

    É aqui que o espírito consolida suas escolhas e prepara o caminho para sua futura migração aos Mundos segundo a sua escolha.

    O Paraíso não é perdido; ele é conquistado.





    Cosmologia do Ẹlẹ́dàá - Parte II "A Arquitetura da Criação" (introdução)

    A Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas

    Ao longo da Parte I, acompanhamos passo a passo a preparação da criação segundo as revelações de Pai Benedito de Aruanda, transmitidas por Pai Joaquim de Angola.

    Vimos o surgimento da criação a partir do Mistério Absoluto, a manifestação do Triângulo Divino, o Princípio da Dualidade, a organização da Casa dos Orixás Funfun, a Magia Divina Elemental, os Oshás Primordiais, os Guardiões dos Reinos Naturais, a criação do homem e o início de sua jornada evolutiva.

    Toda essa preparação conduziu a um momento decisivo.

    O ingresso da humanidade no Ayê, o Mundo de Provas.

    Entretanto, segundo Pai Benedito, o Ayê não foi criado ao acaso.

    Antes da chegada da humanidade, todo esse mundo foi cuidadosamente preparado por duas grandes manifestações da Inteligência Divina.

    Pai Olódùmarè preparou a estrutura material do Ayê.

    Pai Olórun organizou sua estrutura espiritual.

    Essa organização constitui aquilo que Pai Benedito denomina:

    A Arquitetura Espiritual do Mundo de Provas.

    Ou, de forma mais sintética,

    O Mapa da Criação.


    O Mapa da Criação

    Segundo os ensinamentos de Pai Joaquim de Angola, o Mapa da Criação não representa apenas um símbolo.

    Ele descreve a organização espiritual do Ayê.

    Cada linha.

    Cada direção.

    Cada portal.

    Cada centro.

    Cada movimento.

    Expressa uma função específica dentro da dinâmica da criação.

    Assim como uma planta arquitetônica permite compreender a estrutura de uma grande construção, o Mapa da Criação revela a estrutura invisível que sustenta a experiência da vida no Mundo de Provas.


    O Ẹlẹ́dàá

    É nesse contexto que começamos a compreender o verdadeiro significado do Ẹlẹ́dàá.

    O Ẹlẹ́dàá não é apresentado apenas como um conjunto de símbolos.

    É uma linguagem espiritual.

    Um mapa vivo.

    Uma representação da Inteligência Divina organizada para conduzir a evolução da criatura.

    Cada símbolo possui uma função.

    Cada direção possui um propósito.

    Cada Mistério manifesta uma Lei.

    À medida que Pai Joaquim apresenta esse mapa, percebemos que toda a criação funciona como uma única arquitetura, onde nada existe de forma isolada.

    Tudo está interligado.


    O Método de Estudo

    Nesta segunda parte, seguiremos o mesmo método adotado por Pai Joaquim de Angola.

    Cada elemento do Mapa da Criação será estudado separadamente.

    Avançaremos passo a passo, compreendendo sua posição, seu significado, sua função e sua relação com os demais Mistérios da criação.

    Nosso objetivo não será apenas conhecer um diagrama.

    Será aprender a ler a arquitetura espiritual do Ayê e compreender como cada ser participa da grande Obra Criadora de Pai Nzanbi.


    Síntese

    A primeira parte da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá apresentou a origem da criação e da jornada humana.

    A segunda parte convida-nos a contemplar essa criação por outro ângulo.

    Agora deixamos a narrativa cronológica para entrar na contemplação da arquitetura espiritual que sustenta o Mundo de Provas.

    O Mapa da Criação torna-se, assim, a chave para compreender como Pai Olódùmarè preparou o Ayê e como Pai Olórun organizou, em perfeita harmonia, todos os Mistérios que conduzem a evolução da vida.

    Na Parte I, Pai Benedito de Aruanda responde à pergunta:

    "Como tudo começou?"

    Na Parte II, ele passa a responder:

    "Como tudo funciona?"


    Caro leitor,

    A jornada continua...

    A Parte II da Cosmologia do Ẹlẹ́dàá está sendo construída passo a passo, seguindo as orientações recebidas e o compromisso de organizar este conhecimento com fidelidade, responsabilidade e profundo respeito ao Sagrado.

    Em breve, compartilharemos os próximos capítulos neste espaço.

    Agradecemos sua compreensão e sua companhia nesta caminhada.

    Que o Axé, a Luz e a Paz de Pai Nzanbi iluminem sempre o nosso caminho.